Capítulo 7
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som áspero de suas respirações tentando voltar ao ritmo normal. Eles ficaram ali por alguns minutos, entrelaçados na cadeira da oficina, o cheiro de sexo, suor e óleo de máquina pairando no ar como um perfume denso.
Toni descansou a cabeça no ombro largo dele, sentindo o coração de Naruto bater forte contra o seu próprio peito. Se houvesse um espelho por perto, ela sabia exatamente o que veria: uma visão de ruína erótica. Sua blusa de seda estava aberta e amassada, expondo a pele marcada por chupões recentes; sua maquiagem, antes impecável, devia estar borrada, dando-lhe a aparência de uma estrela do rock após uma noite selvagem; e seu cabelo, Deus, seu cabelo estava um desastre absoluto, um emaranhado caótico esculpido pelos dedos desesperados de Naruto.
Em qualquer outra situação, sua vaidade teria gritado. Agora? Ela não sentia nem um pingo de arrependimento. Pelo contrário, ela usaria aquele visual devastado como uma medalha de honra.
Enquanto a adrenalina baixava, ela notou a mudança nele. As mãos de Naruto, que minutos antes apertavam com brutalidade e desejo, agora deslizavam por suas costas e acariciavam seus cabelos com uma gentileza desconcertante. Eram toques longos, suaves e rítmicos, desenhados para acalmar os tremores residuais que ainda percorriam o corpo dela.
Era bom. Era muito bom. Tão bom que era perigoso.
Aquele carinho estava começando a ter um efeito narcótico, embalando-a em direção a um sono pós-orgástico que ela definitivamente não queria. Seus olhos pesaram, o corpo relaxando contra a vontade.
Ah, não, pensou Toni, forçando-se a despertar. Nem pensar.
Ela não havia passado dias e noites queimando em uma febre de desejo, suportando reuniões chatas e a tensão sexual insuportável, para que uma única vez fosse suficiente. Ela não era mulher de se contentar com migalhas, mesmo que essas migalhas tivessem sido o melhor sexo de sua vida.
Com um esforço de vontade, ela levantou a cabeça do ombro dele. Seus olhos encontraram os de Naruto, que a olhava com uma expressão suave, quase carinhosa.
Sem nenhuma vergonha, sem nenhum filtro, Toni sorriu — um sorriso de canto, cheio de malícia.
— Não fique muito confortável, Rapunzel. — ela disse, a voz ainda rouca do prazer. — Isso foi divertido, mas foi apenas o aperitivo.
Naruto piscou, a expressão suave se desfazendo em choque genuíno. Ele a encarou, boquiaberto, como se não acreditasse que ela ainda tivesse energia para falar, muito menos para exigir mais.
— O aperitivo? — ele repetiu, incrédulo.
— Exatamente. — Toni confirmou, passando a mão pelo peitoral nu dele. — Eu ainda estou com fome. E eu quero o prato principal. Agora.
A surpresa no rosto de Naruto durou apenas um segundo antes de ser substituída por uma risada grave e genuína que vibrou no peito dele e ecoou nos ossos dela.
— Você é inacreditável. — ele murmurou, balançando a cabeça.
Mas quando ele voltou a olhar para ela, a gentileza havia evaporado. O azul de seus olhos escureceu novamente, aquela tempestade de desejo retornando com força total.
— Sem problemas. — disse ele, a voz baixando para aquele tom de barítono que fazia os dedos dos pés de Toni se curvarem. — Se é isso que você quer, eu servirei com prazer.
Antes que Toni pudesse fazer qualquer movimento, Naruto se levantou. Ele a ergueu junto com ele, segurando-a no colo com uma facilidade absurda, como se ela não pesasse mais que uma pluma. As pernas dela instintivamente envolveram a cintura dele, e ela se agarrou aos ombros largos.
Ele não caminhou; ele deslizou. Usando aquele treinamento físico absurdo que ela sabia que ele possuía, Naruto atravessou a oficina com passos rápidos e silenciosos, ignorando a bagunça de roupas rasgadas no chão.
Quando as portas do elevador se fecharam, isolando-os do resto do mundo, Toni jogou a cabeça para trás e riu.
Era uma risada de puro triunfo. Ela tinha conseguido. Ela tinha o deus loiro em seus braços, indo direto para a sua cobertura, onde a noite estava apenas começando. A antecipação correu por suas veias mais forte do que nunca. Se a oficina tinha sido boa, a cama seria lendária.
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Ao tentar se espreguiçar, um gemido baixo escapou de seus lábios. Seu corpo inteiro protestava, uma sinfonia de dores musculares, pele sensível e hematomas ocultos que, paradoxalmente, a faziam sorrir. Era aquela dor específica, aquele cansaço bom que apenas uma maratona de sexo visceral e desenfreado poderia proporcionar.
Enquanto a luz da manhã filtrava pelas cortinas, flashes da noite anterior invadiram sua mente como um filme em alta velocidade.
A verdade nua e crua era que a cama king-size tinha sido o último refúgio, alcançado apenas quando a madrugada já estava alta e suas pernas não conseguiam mais sustentá-la. A fome deles tinha sido urgente demais para esperar.
Ela se lembrou do elevador, de como Naruto a prensou contra o espelho, tomando-a ali mesmo com uma urgência que fez o metal vibrar. Lembrou-se do tapete da sala de estar, onde rolaram em um emaranhado de membros e suor. Até mesmo a mesa de jantar de mogno, uma peça de design italiano absurdamente cara que servia apenas para acumular poeira e correspondências, finalmente encontrou sua verdadeira vocação na noite passada, servindo de palco para os gemidos roucos dele e os gritos dela.
Toni olhou ao redor do quarto luxuoso e teve a certeza absoluta: não deveria haver mais um metro quadrado naquela cobertura que fosse inocente. Cada cômodo agora era um campo minado de memórias eróticas.
Ainda com os olhos fechados, movida por um instinto sonolento e carente, ela rolou para o lado, sua mão tateando o colchão em busca da fornalha humana que a aqueceu horas atrás. Ela esperava encontrar a pele firme, o peito largo, o calor sólido de Naruto.
Em vez disso, seus dedos encontraram apenas a seda fria e vazia dos lençóis.
Os olhos de Toni se abriram abruptamente. O espaço ao seu lado estava desocupado. O travesseiro, embora ainda guardasse a impressão da cabeça dele, estava frio ao toque.
Uma onda pesada e gélida de decepção caiu sobre ela, ameaçando sufocar o brilho da manhã.
Pare com isso, Stark, ela repreendeu a si mesma imediatamente, forçando-se a engolir o nó que se formava em sua garganta.
Ela respirou fundo, invocando sua racionalidade como um escudo. Isso era o combinado. Isso era apenas sexo. Nada mais, nada menos. Ela mesma havia deixado isso cristalino para ele na noite passada, sussurrando as regras entre uma rodada e outra, entre beijos e mordidas.
"Sem promessas. Sem amarras. Apenas prazer."
Ela não iria enganá-lo. Ela levou a sério o aviso letal de Shikamaru, mas, mais do que isso, ela tinha sua própria honra distorcida. Ela não queria brincar com os sentimentos de Naruto, não queria ser a vilã que quebraria o que restava do coração dele depois de tudo o que ele já devia ter passado. Eles eram de mundos diferentes; ele partiria, e ela ficaria. Era melhor assim.
Mas enquanto ela repetia esse mantra lógico em sua mente — é apenas sexo, é apenas diversão — a realidade emocional era teimosa.
Toni se sentou na cama vazia, puxando o lençol para cobrir a nudez, e olhou para o lugar onde ele deveria estar. A lógica era impecável, mas não conseguia preencher o silêncio ensurdecedor da cobertura. Não conseguia afastar o frio persistente que se instalou não apenas nos lençóis, mas dentro dela. O vazio que ele deixou ao sair parecia ocupar muito mais espaço do que o corpo dele ocupava quando estava ali.
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Mas Anthonella Stark não seria uma Stark se não fosse uma mestre absoluta na arte da compartimentalização.
Ignorar emoções indesejáveis, empacotar sentimentos de abandono e jogá-los no incinerador mental era uma habilidade de sobrevivência que ela aprendeu muito antes de aprender a construir placas de circuito. O vazio na cama? Irrelevante. A frieza nos lençóis? Um detalhe logístico.
Com um suspiro determinado, ela se levantou, expulsando a melancolia do quarto como quem expulsa um convidado indesejado.
O banho foi longo e escaldante. A água quente bateu contra sua pele, lavando o suor seco, o cheiro almiscarado de Naruto e os fluidos que secaram em suas coxas. Enquanto a água girava no ralo, levando embora as evidências físicas da noite mais intensa de sua vida, Toni sentiu o ardor dos arranhões em suas costas e a sensibilidade em seus seios. Eram dores fantasmas, lembranças táteis que a água e o sabão não conseguiam apagar.
Ao sair do box, envolta em uma toalha felpuda, a voz suave de sua IA quebrou o silêncio.
— Chefe, o Capitão Rogers está convocando todos para uma reunião imediata na sala de conferências principal. — informou FRIDAY. — Ele marcou como prioridade alta.
Toni revirou os olhos, o aborrecimento substituindo instantaneamente qualquer resquício de vulnerabilidade. É claro que Steve convocaria uma reunião às sete da manhã. O homem provavelmente já tinha corrido uma maratona e salvado três gatinhos de árvores antes do café.
— Diga a ele que já estou descendo. — resmungou ela, caminhando para o closet.
Ela se vestiu com sua armadura habitual: calça de alfaiataria impecável, saltos agulha e uma blusa de seda de corte moderno. Mas quando parou em frente ao espelho para a inspeção final, algo chamou sua atenção.
Ela inclinou a cabeça, afastando o cabelo. Ali, em seu pescoço, e descendo perigosamente em direção à clavícula, havia marcas violáceas inconfundíveis. Eram hematomas de sucção, marcas de dentes, assinaturas deixadas pela boca faminta de Naruto.
Sua mão pairou sobre a bancada de maquiagem, os dedos roçando o corretivo de alta cobertura. O instinto social dizia para cobrir. Esconder. Evitar os sussurros, os olhares de julgamento, a moralidade puritana de Steve.
Mas então, a mão de Toni parou.
Ela olhou para o próprio reflexo, para a mulher forte que a encarava de volta. Por que ela deveria esconder? Cobrir as marcas implicaria vergonha. Implicaria que ela tinha feito algo errado, algo sujo que precisava ser ocultado nas sombras.
E ela não sentia vergonha. Ela sentia satisfação. Ela era uma mulher adulta, solteira e livre. Ninguém naquela torre — e muito menos Steve Rogers — tinha o direito de opinar sobre quem aquecia sua cama ou deixava marcas em sua pele. Ela nunca se escondeu do mundo antes; não seria agora, por causa de um ninja loiro e uma noite inesquecível, que ela começaria a fingir recato.
— Que se danem. — murmurou ela para o espelho, soltando o cabelo e deixando as marcas visíveis, como troféus de guerra.
Toni pegou seus óculos escuros e caminhou em direção à porta.
A cada passo, ela sentia uma pontada aguda e deliciosa entre as pernas e nos quadris, uma dorzinha constante que a fazia lembrar, a cada movimento, de como Naruto a tinha aberto e preenchido horas antes. Em vez de mancar, ela usou essa sensação para ajustar sua postura.
Quando as portas do elevador se abriram, Toni entrou. Ela ergueu o queixo, armou-se com seu sorriso mais arrogante e impenetrável, e preparou-se para enfrentar o Capitão América. Se ele queria uma reunião tão cedo, ele teria que lidar com Anthonella Stark em toda a sua glória pós-orgástica e impenitente.
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