Capítulo 3
Se Steve Rogers esperava que sua tentativa desajeitada de confronto deixaria Toni abalada ou chorando pelos cantos, ele subestimou drasticamente a capacidade dela de compartimentalizar.
Para Anthonella Stark, a conversa no corredor foi arquivada na pasta "Irrelevante" antes mesmo de ela chegar ao elevador.
Nos dias que se seguiram, ela mergulhou no que fazia de melhor: criar o impossível.
O laboratório tornou-se o epicentro de uma colisão de mundos. A tarefa era monumental: rastrear os Nukenins - o termo para os ninjas renegados que ela adotou rapidamente - usando assinaturas de energia que a ciência moderna mal reconhecia.
Com a ajuda preguiçosa, porém brilhante, de Shikamaru e a presença constante de Naruto, Toni e Bruce começaram a tentar construir uma ponte entre a tecnologia Stark e o misticismo do Chakra.
E, para a sorte - ou tortura - de Toni, isso significava horas intermináveis confinada no mesmo espaço que o loiro.
Quando ele não estava treinando até a exaustão ou em reuniões estratégicas com sua equipe carrancuda, Naruto estava ali, no laboratório. Ele se tornou uma fixação. Toni dizia a si mesma que era necessário; afinal, ele era a fonte primária de dados sobre o chakra. Ele explicava o conceito não como uma fórmula fria, mas como uma extensão da vida, uma mistura volátil de energia física e espiritual.
Mas a ciência logo ficou em segundo plano para o homem.
A proximidade forçada não aliviou a tensão sexual que Toni sentia; pelo contrário, jogou gasolina no incêndio. Ela descobriu, para seu absoluto desespero, que além de ser fisicamente esculpido por deuses, Naruto tinha uma personalidade que era, irritantemente, perfeita.
Ele não tinha a arrogância fria dos empresários com quem ela lidava, nem a rigidez moralista de Steve. Naruto era... genuíno. Uma autenticidade crua e sem filtros. Se ele estava feliz, o sorriso iluminava a sala inteira; se estava confuso, ele franzia a testa sem medo de parecer ignorante. Ele era honesto, de uma forma que Toni não via há anos.
- Espere, então esse tal de "reator arc" funciona como um coração artificial e uma bateria? - ele perguntou certa tarde, debruçado sobre um holograma, os olhos azuis arregalados de fascínio genuíno.
Toni parou. Normalmente, ela reviraria os olhos para perguntas básicas ou usaria sarcasmo para diminuir o interlocutor. Mas com ele...
- Exatamente. - ela respondeu, e se surpreendeu com a paciência suave em sua própria voz. - Ele mantém os estilhaços longe do meu coração e alimenta a armadura. É... a minha vida.
Ele a olhou então. Não para o reator brilhando no peito dela, nem para o decote, e nem para a "Anthonella Stark, a Gênia". Ele olhou nos olhos dela com uma intensidade que a despiu de todas as suas armaduras metafóricas.
- É incrível! - ele disse, sério. - Você é incrível, Toni. Construir sua própria força... isso é admirável.
O elogio foi simples, mas atingiu Toni como um trem de carga. Ele a via. Verdadeiramente a via. Ele ouvia seus devaneios tecnológicos, suas explicações frenéticas regadas a cafeína, e não se aborrecia. Ele absorvia tudo com uma atenção arrebatada, rindo das piadas que ele entendia e pedindo explicações para as que não entendia.
Havia, no entanto, um único problema. Um problema gritante, frustrante e que estava deixando Toni à beira de um colapso nervoso.
O maldito homem era imune ao flerte.
Toni lançou tudo o que tinha. Insinuações de duplo sentido, toques "acidentais" no braço dele, olhares que fariam qualquer outro homem na Terra gaguejar. Ela usou seu arsenal completo de sedução, refinado por anos de prática.
E Naruto? Ele apenas sorria. Aquele sorriso gentil, brilhante e absolutamente alheio.
- Você está com frio, Toni? - ele perguntou inocentemente quando ela "acidentalmente" se inclinou demais perto ele, exibindo o decote enquanto explicava um algoritmo. - O ar condicionado daqui é muito forte, talvez você devesse colocar um casaco.
Toni teve vontade de gritar. Ou de bater a cabeça dele na mesa.
Ela não conseguia decifrá-lo. Será que ele era algum tipo de monge celibatário? Será que a barreira cultural era tão grande que ele não entendia os sinais universais de "eu quero te levar para a cama agora"? Ou será que ele estava sendo profissional a um nível que beirava a santidade?
Ele parecia completamente alheio ao efeito que causava nela, alheio ao fato de que cada vez que ele ria e jogava a cabeça para trás, Toni planejava mentalmente dez maneiras diferentes de tirar aquela roupa dele.
Mas se Naruto achava que sua densidade - ou inocência - a faria desistir, ele estava muito enganado. Toni olhou para ele do outro lado do laboratório, observando como a luz dos hologramas dançava em seus cabelos dourados.
A frustração apenas aumentava o desejo. O fato de ele não cair a seus pés imediatamente como todos os outros tornava o jogo infinitamente mais interessante. Ela não iria recuar. Ela era o Homem de Ferro. Ela resolvia problemas impossíveis antes do café da manhã.
Seduzir Uzumaki Naruto não seria apenas um prazer; agora, era uma questão de honra. E Toni sempre conseguia o que queria.
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Claro, nem tudo era apenas sol, arco-íris e bíceps loiros gloriosos. Havia nuvens de tempestade no horizonte, e elas tinham nomes: Sasuke e Gaara.
Toni não precisava ser uma especialista em espionagem para sentir a hostilidade irradiando das duas mulheres. Era quase físico. Sempre que ela encontrava uma desculpa para invadir o espaço pessoal de Naruto - ajustando um sensor na roupa dele ou inclinando-se para mostrar um gráfico holográfico - ela sentia a temperatura na sala cair dez graus.
A morena, Sasuke, a encarava com uma frieza que poderia congelar o inferno, a mão pairando perigosamente perto daquela espada. A ruiva, Gaara, era mais sutil, mas seus olhos verdes a seguiam com uma intensidade predatória, e Toni podia jurar que a areia na cabaça dela se agitava como um animal enjaulado. Eram olhares territoriais. Possessivos.
Isso teria sido motivo de preocupação - talvez até a teria feito recuar por autopreservação - se não fosse por uma informação crucial que ela extraiu de Shikamaru e Temari dias antes.
- Ele é livre. - Temari havia dito, com um revirar de olhos exasperado, enquanto Shikamaru acendia outro cigarro. - Totalmente desimpedido.
A confirmação foi tudo o que Toni precisava. Aparentemente, as duas kunoichis letais sofriam de um caso agudo e crônico de "constipação emocional". Elas o queriam, isso era óbvio até para um cego, mas eram orgulhosas demais, ou travadas demais em suas próprias tradições guerreiras, para fazer algo a respeito.
Toni quase sentiu pena. Quase.
Na selva do romance - ou da luxúria - a hesitação é a morte. Se elas passaram anos ao lado daquele monumento de homem e nunca tiveram a coragem de reivindicá-lo, o problema era delas.
Toni não jogava segundo as regras de honra silenciosa do continente delas. Ela via o que queria, e ela pegava. Se elas ficassem com ciúmes, que ficassem. Toni não ia se privar do banquete só porque as outras estavam de dieta por escolha própria.
E ela não estava sozinha nessa empreitada.
Para sua surpresa e deleite, Natasha Romanoff havia se tornado sua aliada silenciosa. A Viúva Negra, com sua percepção afiada, parecia ter finalmente aceitado a verdade que Steve e os outros se recusaram a engolir: Toni não o amava mais. O navio "Stoni" não tinha apenas zarpado; ele tinha afundado, pegado fogo e virado sucata no fundo do oceano.
Natasha agia nas sombras, interceptando Steve sempre que ele tentava encurralar Toni para mais uma "conversa de coração", desviando-o com missões burocráticas ou treinamentos. Mais do que isso, Nat criava vácuos de oportunidade, saindo da sala "para atender uma chamada" e levando os outros consigo, deixando Toni sozinha com o objeto de seu desejo.
Toni fez uma nota mental: quando tudo isso acabasse, ela compraria para Natasha algo obscenamente caro. Talvez uma ilha particular. Ou um arsenal de armas experimentais ilegais. A espiã merecia.
Enquanto isso, o mundo lá fora parecia ter prendido a respiração.
Desde que a notícia vazou - pelos canais que a SHIELD fingia controlar - de que os agentes do Continente estavam operando com os Vingadores, os Nukenins haviam desaparecido. O rádio estava silencioso. Nenhum ataque, nenhuma explosão, nenhum massacre ritualístico.
Era uma calmaria inquietante. O silêncio antes do trovão. Toni, com sua mente estratégica, sabia que isso significava que eles estavam planejando algo grande, reagrupando-se diante da nova ameaça. Havia uma tensão estática no ar, uma sensação de que a corda estava esticada ao máximo e prestes a arrebentar.
Mas, francamente? Toni se recusava a deixar a paranóia estragar seu foco.
O fim do mundo podia estar à espreita, mas ela tinha prioridades. E a prioridade número um era decifrar o enigma loiro à sua frente. Se o apocalipse viesse, que viesse. Ela pretendia enfrentá-lo com um sorriso no rosto, e para isso, ela precisava entrar nas calças de Naruto.
Ou ele nas dela.
A logística era irrelevante. Por cima, por baixo, contra a parede do laboratório ou nos lençóis de seda de sua cobertura. Toni não tinha preferência. Desde que o resultado final fosse os dois nus, suados e exaustos, depois de terem arrancado cada gota de prazer que seus corpos pudessem oferecer, ela consideraria a missão cumprida.
A Akatsuki podia esperar; seu desejo, não.
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