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Capítulo 1


Com um esforço de disciplina mental que beirava o masoquismo, Toni pegou todas as imagens explícitas que sua mente havia acabado de criar sobre o "Pecado Loiro" - Naruto, ela corrigiu, embora o apelido mental fosse muito mais divertido - e as arquivou em uma pasta mental etiquetada como Para Análise Posterior e Aprofundada.

Era hora de trabalhar.

Ela voltou sua atenção para a mesa, onde o homem de cavanhaque e expressão entediada, Shikamaru, fazia algo que fez o olho de Toni tremer: ele ignorou a interface holográfica de bilhões de dólares e começou a desenrolar pergaminhos.

Papel. Tinta. Pergaminhos. Parecia uma piada de mau gosto, algo saído de um filme de samurai de baixo orçamento, até que ele começou a falar.

- O alvo é um grupo paramilitar e terrorista conhecido como Akatsuki. - a voz dele era arrastada, preguiçosa, mas carregava uma inteligência afiada. - Estamos tentando erradicá-los há anos. Eles funcionam como uma hidra; cortamos uma cabeça, e eles substituem o membro morto. Mas a formação atual... é a mais letal que já enfrentamos.

Toni cruzou os braços, ouvindo a lista de horrores que Shikamaru começou a detalhar. Não eram apenas terroristas; eram anomalias biológicas.

Havia um tal de Deidara, que tinha bocas nas palmas das mãos que cuspiam argila explosiva. Bocas nas mãos, pensou Toni, sentindo um arrepio de repulsa. Que tipo de mutação genética faz isso? Depois veio Sasori, um psicopata que transformava pessoas em marionetes armadas. Hidan, um fanático religioso imortal que matava através de rituais de sangue - o que soava irritantemente mágico e ilógico para o gosto dela. Kakuzu, um monstro estilo Frankenstein que roubava corações para estender a própria vida.

A lista só piorava. Kisame, um homem-tubarão literal. Konan, uma mulher que se desmaterializava em papel. E no topo da cadeia alimentar, Pain, ou Nagato, um sujeito cujos olhos podiam supostamente nivelar cidades inteiras.

- E temos duas variáveis desconhecidas. - concluiu Shikamaru, apontando para duas figuras sombrias nos desenhos. - Zetsu e Tobi. Zetsu é uma entidade antiga, possivelmente não humana.

A sala ficou em silêncio. Era muita informação grotesca para processar de uma vez.

- Como vocês têm tantos detalhes? - Clint perguntou, a voz tensa, expressando a dúvida que pairava na sala. - Se eles são tão secretos e perigosos, como sabem de tudo isso?

A resposta veio do canto mais frio da sala.

- Meu irmão. - disse a mulher de cabelos ébano, Sasuke. Sua voz era gélida, cortante como a lâmina em sua cintura, mas Toni, especialista em carregar traumas, detectou a ferida aberta por baixo daquele tom. - Uchiha Itachi. Ele se infiltrou na organização. Ele vive entre eles, repassando informações, arriscando ser descoberto e morto a cada segundo, para garantir que soubéssemos como destruí-los.

O peso da declaração silenciou qualquer questionamento. Toni observou quando Naruto deu um passo sutil em direção a Sasuke. Ele colocou a mão no ombro dela, um toque firme, ancorador. Não foi um gesto romântico, mas havia uma intimidade ali, uma linguagem corporal compartilhada de quem já sangrou junto. Toni sentiu uma pontada irritante no peito - curiosidade? Ciúme? Ela decidiu ignorar.

- Com a ajuda de vocês, - disse Naruto, a voz rouca quebrando o momento e atraindo os olhos de Toni de volta para ele. - acreditamos que podemos finalmente acabar com isso.

- E qual é o objetivo deles? - Natasha perguntou, pragmática como sempre. - Terroristas sempre querem alguma coisa. Dinheiro? Poder político?

- Eles querem libertar uma deusa. - respondeu Naruto, e a seriedade em seu rosto indicava que ele não estava falando metaforicamente. - Uma entidade antiga, alienígena, cujo único objetivo é erradicar ou escravizar toda a vida humana. Kaguya.

O pescoço de todos os Vingadores giraram em uníssono na direção de Thor. O deus do trovão se mexeu desconfortavelmente na cadeira.

- Ah, ótimo. - murmurou Toni, revirando os olhos. - Outro deus alienígena com complexo de superioridade. Alguém tem o telefone do Loki? Talvez eles possam fazer terapia de grupo.

Ninguém riu, mas a tensão mudou. Era um terreno familiar para eles.

Foi então que a outra mulher, a ruiva com a cabaça gigante, Gaara, deu um passo à frente. Seus olhos eram contornados por marcas escuras, dando-lhe uma aparência insone e perigosa.

- Não se enganem. - a voz dela era suave, mas áspera como areia ao vento. - Quando os encontrarmos, não haverá negociação. A Akatsuki não tem moralidade. Eles matarão civis, usarão reféns e destruirão quarteirões inteiros sem piscar se isso lhes der vantagem. Eles não se importam com a vida humana. Nós não pretendemos nos conter, e sugerimos que vocês façam o mesmo.

Era um aviso. Eles são assassinos, Toni percebeu. Eles não vieram prender ninguém. Vieram executar.

- Por que aqui? - A voz de Bucky Barnes cortou o ar. Ele estava quieto até agora, analisando as ameaças como o Soldado Invernal faria. - Se eles são do continente de vocês, por que fugir para o mundo exterior?

Shikamaru suspirou, enrolando o pergaminho.

- Acreditamos que eles atingiram um teto de poder lá. Eles precisam de recursos. E, mais preocupante, acreditamos que eles estão procurando aliados locais. Organizações que compartilhem do desejo de caos ou dominação.

O sangue de Toni gelou. Os shinobis não sabiam. Eles não tinham ideia das baratas que viviam nos esgotos ocidentais.

Ela trocou um olhar alarmado com Natasha. Se um grupo de assassinos com poderes de destruição em massa se unisse ao que restava da Hydra...

- Isso... complica as coisas. - Toni disse, sua mente já calculando cenários de catástrofe. A "cooperação" não era mais apenas uma ordem política. Era uma necessidade de sobrevivência.

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Enquanto a mente de Toni girava, processando terabytes de dados táticos sobre esse esquadrão da morte chamado Akatsuki - e tentando desesperadamente não imaginar o que o homem-tubarão faria em uma luta aquática - a voz mansa de Bruce Banner cortou o silêncio.

- Esperem um pouco... - Bruce ajustou os óculos, aquele tique nervoso que ele tinha quando a lógica científica dele encontrava um muro de tijolos. - Vocês mencionaram um membro... Zetsu. Disseram que ele é uma "entidade antiga e não humana". Com todo o respeito, como vocês podem afirmar isso com tanta certeza? Carbono-14? Análise de DNA? Vocês ficaram isolados por séculos.

Era uma pergunta válida. Toni ergueu uma sobrancelha, esperando a resposta. Se eles viessem com papo místico de "os espíritos nos contaram", ela iria pedir uma bebida.

Naruto se moveu. O simples ato dele de cruzar os braços fez o tecido da roupa esticar sobre o peito largo, e Toni teve que se esforçar para olhar para o rosto dele.

- No nosso continente, a história não é apenas escrita, ela é guardada por sangue. - disse Naruto, sua voz assumindo um tom mais sombrio, menos diplomático. - Somos divididos em Clãs. Famílias antigas que preservam registros que o tempo deveria ter apagado.

Ele fez uma pausa, os olhos azuis escurecendo levemente, como se olhasse para algo muito distante.

- Décadas atrás, na noite em que nasci, houve um ataque. Minha mãe perdeu a vida. - A frase foi curta, brutal. Toni sentiu uma pontada de empatia indesejada; ela sabia o que era ser órfã, o que era ter a tragédia como berço. - Mas meu pai sobreviveu. Ele é um homem... meticuloso. Com as informações que ele reuniu daquele ataque, descobrimos a existência da Akatsuki e começamos nossa guerra nas sombras.

Naruto gesticulou para os pergaminhos na mesa.

- Cruzamos os dados do meu pai com os arquivos históricos de quatro dos Grandes Clãs: Hyuuga, Uzumaki, Senju e Uchiha. Documentos que datam de séculos. Todos eles mencionam contatos e manipulações por essa entidade. Zetsu não é um mito. Ele é uma praga que está tentando libertar essa deusa há gerações, mas sempre falha ou é frustrado no último segundo.

- Se ele é tão antigo e persistente, - Barton interveio, afiando uma ponta de flecha distraidamente, embora seus olhos estivessem alertas. - por que ele ainda não conseguiu? O que o impediu durante todos esses séculos?

Shikamaru soltou fumaça pelo canto da boca, parecendo exausto só de pensar na resposta.

- Acreditamos que ele precisa de um alinhamento de condições muito específicas. Itens raros, receptáculos de poder, talvez até o ambiente certo. Não é apenas abrir uma porta; é quebrar um selo complexo.

- Pode ser astronômico. - Bruce murmurou, o cérebro já trabalhando. - Um alinhamento planetário específico que só acontece a cada milênio...

- Ou ritualístico - Sam acrescentou, cruzando os braços. - Sacrifícios específicos em certos locais. Coisa de seita.

- Não me importam os astros nem os rituais. - a voz de Fury cortou a sala como um chicote, encerrando a sessão de brainstorming. - Hipóteses não salvam vidas. O trabalho de vocês é impedir que isso aconteça, não importa o método. Ponto final.

O silêncio caiu sobre a sala, pesado e definitivo.

Natasha, sempre a primeira a ler o ambiente e encerrar o desconforto social, levantou-se com aquela graça letal de bailarina.

- Acredito que já tivemos informações suficientes para uma manhã. - disse ela, o tom profissional impecável. - Vou mostrar os alojamentos de vocês. Imagino que a viagem tenha sido longa.

- Agradecemos. - Naruto disse, e a polidez genuína na voz dele surpreendeu Toni novamente. Ele não era apenas um bruto; ele tinha a etiqueta de um líder. - Deixaremos os pergaminhos com vocês. Talvez suas máquinas encontrem algo que deixamos passar.

Ele começou a se virar, mas o pragmatismo de Toni falou mais alto que a libido - por pouco.

- Ei, Rapunzel. - Toni chamou, a voz carregada de ironia. Ela apontou para os papéis na mesa com a ponta de sua caneta cara. - Gesto bonito e tal, mas a menos que o Google Tradutor tenha feito uma atualização que eu não saiba, esses rabiscos serão inúteis para nós. Ninguém aqui lê... o que quer que seja isso.

Toni esperava que ele ficasse ofendido ou, no mínimo, desconcertado.

Em vez disso, Naruto parou. Ele olhou para ela, e um sorriso se abriu em seu rosto. Não era o sorriso diplomático de antes, nem o sorriso tenso de guerra. Era um sorriso brilhante, quase cegante, carregado de uma gentileza brincalhona que fez o estômago de Toni dar um salto mortal triplo.

- Isso não será um problema, Stark-san. - disse ele, a voz baixando uma oitava, quase íntima.

Enquanto Toni tentava lembrar como se respirava, ele enfiou a mão na bolsa presa à cintura e retirou um pincel de caligrafia de cabo longo e cerdas escuras. A forma como os dedos grandes e calejados dele manusearam o objeto delicado com tanta destreza fez a mente de Toni entrar em curto-circuito.

O que diabos ele vai fazer com isso? ela se perguntou, mordendo o lábio, fascinada e, irritantemente, excitada pela antecipação.

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