Capítulo 15.
Naquela manhã Héctor acordara cansado e estressado, os dias estavam sendo lentos e desgastantes para ele. a cada nova descoberta do que havia acontecido nos últimos vinte anos mais furioso e irritado ficava.
dizia a si mesmo que toda a irritação daquela manhã nada tinha haver com a enfermeira que o atormentava todas as noites várias vezes e que na noite anterior não tinha aparecido nem uma única vez. se soubesse o nome dela teria perguntado para as incompetentes que haviam saído a pouco, sacudiu a cabeça ainda mais irritado, afinal o que estava pensando? Não era quem queria que ela ficasse longe dele com seus cuidados exagerados?
Ele deitou como de costume olhando o teto, melhorava a olhos vistos logo poderia voltar para casa, mas que casa? Não era exagero o que dissera aos pais adotivos da filha, realmente não fazia ideia de para onde ir depois que recebesse Alta.
A incerteza do que deveria fazer com a vida nos dias seguintes lhe atormentava, seus bens estavam bloqueados pela justiça e, apesar de não dever explicações a ninguém, precisava ter acesso às empresas para que pudesse descobrir o que Jerônimo havia feito. só queria saber como que seus bens foram parar nas mãos dele.
se recordava bem do funcionário e o achava asqueroso só o contratou por causa de Olívia e depois da separação ficara tanto tempo com pena de si mesmo, dentro daquele laboratório que esquecera completamente do funcionário, e agora estava nessa sinuca de bico, tendo suas empresas envolvidas com experiências macabras e desumanas. toda uma história e trajetória de avanços medicinais e salvamento de vidas reduzidas a pó, por causa de um escroque daqueles.
Admirava seus antepassados por terem construído aquele império, pensando unicamente na segurança das pessoas que ali viviam, e tudo tinha sido jogado na lama justamente em sua gestão, por um salafrário disposto a brincar com testes de drogas, a cada pensamento que voltava para aquela questão mais ele ficava furioso e angustiado, desde que acordara que pedira para falar Jerônimo e ele simplesmente o ignorara sem se dar ao trabalho de ir procura-lo, assim levara para o túmulo como conseguira por as mãos nos seus bens, mas ele descobriria isso assim que saísse dali e estivesse frente a frente com seus advogados.
A constatação de que o tempo não voltaria e as vidas que foram tiradas ali jamais seriam recuperadas aumentava sua fúria em grandes proporções, olhando para o teto qualquer pessoa que o visse jamais seria capaz de imaginar o turbilhão de emoção que o atormentava, pleno virou a cabeça na direção da porta sendo aberta, a única pessoa capaz de entrar sem bater era o delegado, franziu a testa ao se dar conta de que não era ele, mas seu subalterno mais fiel.
- Bom dia policial. Sua mãe não lhe ensinou que se deve bater à porta dos outros antes de adentrar?
- Desculpe-me, eu... – confuso passou a mão na cabeça olhando na direção da porta.
Héctor sorriu achava muito interessante como pessoas excessivamente boas como aquele rapaz ficava constrangido tão facilmente, ele naquela situação teria simplesmente respondido que aquilo ali era um hospital e não um hotel cinco estrela, mas ele estava todo constrangido e envergonhado, voltando a si ao assunto que o trouxera ali, ele se virou para Héctor sério.
- Eu sei que você deve ter raiva de mim pela forma que eu te abordei quando eu e o delegado tomamos seu depoimento, mas preciso falar sobre a carta que o senhor mandou para ele. — disse seriamente.
Completamente diferente do policial desconfiado que o confrontara dias antes, o rapaz parecia verdadeiramente preocupado e exausto, Héctor enxergou certa fragilidade, como se o mundo do rapaz fosse desabar a qualquer momento, o rapaz de outrora parecia destemido, porém neste momento parecia que tinha mais a perder do que seria capaz de suportar.
Não sabia se o cansaço transparente se devia a algum problema pessoal, mas escolheu um dia péssimo para visitar alguém capaz de enxergar o que havia por trás da expressão profissional dele, ficou a imaginar o que poderia tê-lo deixado naquele estado, o analisou friamente, não ele parecia doente.
- Antes de falarmos sobre a indiscrição do seu chefe, você poderia me responder uma pergunta por gentileza? Levando em conta que eu não faço outra coisa a ser responder às perguntas de vocês, bem que você pode me fazer essa gentileza.
- Faça a pergunta e eu verei se posso responder.
- Você está doente ou coisa assim? Está mais pálido do que o normal e eu seria capaz de apostar que você está sentindo dor.
- Eu estou bem, - engoliu seco – mas com um pouco de dor, eu recebi um tiro ontem à noite.
- Uau! A garota à qual eu referi na carta deve ser muito importante, para você vir aqui estando internado. – disse casualmente se sentando. – Eu não me recordo bem, mas talvez tenha colocado naquela carta uma palavra chamada discrição, mas me parece que o seu chefe não sabe o que isso significa. Eu deixei bem claro que não quero meu nome envolvido nessa história, o delegado deveria compreender isso antes de passar informações a qualquer um.
- Senhor Demetriou, não sou qualquer um, o delegado não confiaria em qualquer policial para passar esse tipo de informação!
- Eu imagino que não. – disse sério olhando-o nos olhos. – Qual o seu envolvimento com essa moça?
- O senhor não sabe quem é ela, não é mesmo? O senhor não tem noção do que fez, não é mesmo? Eu vou dizer uma coisinha para o senhor, sobre essa moça. Ela é uma das melhores pessoas que eu já conheci, e infelizmente ela tem um pai que sinceramente eu não sei como nomeá-lo, é ele senhor Demetriou, o próprio pai dela é o mandante dessa atrocidade que o senhor ouviu do doutor Caetano, por que tudo isso? Não sabemos ainda, se por dinheiro, luxúria ou poder? Quem é que sabe? Nós não fazemos ideia, não sei por quais motivos o senhor fez o que fez, e compreendo que o senhor não queira o seu nome envolvido nessa história afinal se esse homem descobrir que o senhor tentou nos alertar, certamente ele virá atrás do senhor.
As palavras de Rafael ativaram gatilhos dentro dele que prometera não voltar a sofrer por essas causa, mas estava ali o sofrimento novamente, como se estivesse acontecendo tudo novamente. Reviveu a cena da filha sendo afogada naquela praia, tentava montar o cenário e jamais chegaria ao que de fato ocorreu, por que era demais para qualquer pessoa visualizar uma mãe matando a própria filha.
- Vocês têm certeza de que o pai dela está por trás disso, não são apenas especulações? – perguntou tentando manter as emoções em ordem.
- Infelizmente temos certeza. Ele só não matou o outro filho ontem por que Deus não permitiu.
Rafael era muito discreto e desprendido para se vangloriar de que havia recebido um tiro pelo irmão da garota pela qual ele estava interessado, no intimo ele sorriu alegre por essa moça ter um rapaz como ele ao lado dela, coisa que sua filhinha não tivera, será que Açucena tinha alguém assim ao seu lado? Capaz de qualquer coisa para defendê-la?
A história de Dália não se repetiria fosse quem fosse essa garota ele iria descobrir a partir daquele momento ele seria mais cordiau com as enfermeiras, se precisasse chegar ao extremo de fazer com o homem o que não fez com Olívia faria sem pestanejar, era uma forma de aliviar a consciência pelo que não pode fazer pela filha. Pela primeira vez não houve qualquer hesitação em se comportar como um tolo impulsivo, iria ajudar essa moça.
- Ainda não entendi o que te trouxe aqui, policial. Não pretendo pedir nenhuma recompensa pelo que fiz se é o que você quer saber.
- Eu gostaria de saber as razões pelas quais o senhor a ajudou, mas o principal mesmo foi avisa-lo para tomar cuidado com o Albert.
- Eu não preciso de um motivo para tê-la ajudado ela? E quanto a ele, agradeço pelo aviso, o motivo pelo qual não quero meu nome envolvido nessa história, não é por que eu tenho medo dele.
- Entendo, mas ninguém ajuda outra pessoa sem querer uma recompensa, ainda mais...
- Vá em frente! Ainda mais... – interrompeu-se propositalmente encarando-o.
- Alguém como o senhor, segundo o que eu soube através de uma amiga da sua família, o senhor não costuma se envolver em questões que não vai ganhar algum lucro, dá para ver que é um homem de exatas, não age sem pensar antes, arquitetar um plano. — completou a frase.
- Sim. Você pode estar certo, como pode não estar. E se estiver, só revelarei o que quero quando eu julgar necessário, afinal de contas segundo o que você pensa sobre mim tudo faz parte de um plano bem elaborado e, por eu ser sistemático não gostaria de mudar meu cronograma. – disse contente por estar com as rédeas da situação.
Na verdade ele sentia certo prazer e se alegrava ao alimentar as pessoas com as teorias absurdas que elas criavam em relação a ele, enquanto ninguém se dispusesse, a saber, quem era de verdade, ele estava bem com aquela situação.
- Você pode fazer o que quiser, e cobrar quando e quanto quiser - começou Rafael tenso - desde que não a machuque! Ou estará criando problemas para sua vida que já está bem complicada, ela pode não ter um pai, mas tem uma família que a ama. O senhor entendeu?
- Sim, entendido. — respondeu cinicamente. – Só me explica uma coisa, como eu a machucaria se tentei salvar sua vida?
- Eu não disse que o senhor poderia mata-la ou algo do tipo, existem coisas que é pior que a morte e, ela já passou por algumas dessas coisas. – disse virando-se para sair.
Héctor sorriu odiava admitir, mas gostava do jeito do Rafael, era uma luta totalmente igualitária. Ele não tinha medo dele e nem ficava inseguro pela sua condição social.
- "Mas o que ele quis dizer com existem coisas piores que a morte? O que eu tenho haver com essa moça?" – pensou preocupado.
Recordou-se da enfermeira que assim como Rafael não tinha medo dele nem era encantada pela sua fortuna, seria cômico se não fosse trágico se aquela moça simpática e de sorriso fácil fosse de quem Caetano falava, sorrindo sacudiu a cabeça.
- "Não! Seria coincidência demais." - Pensou distraído. Uma batida na porta o fez sorrir.
- Aprendeu a bater? - perguntou se virando para a porta pensando ser Rafael de volta.
- Aprendi o quê? - perguntou a enfermeira adentrando o quarto sorrindo.
Sentiu o impacto por ela aparecer justamente quando estava pensando nela, não era supersticioso, mas tinha suas próprias cismas.
- Pensei que fosse outra pessoa. - respondeu fingindo desinteresse. - Por acaso você foi atropelada? – perguntou sarcástico tentando esconder a preocupação que o incomodava.
- O senhor nem sabe o meu nome e acha mesmo que pode fazer esse tipo de comentário? – ele franziu a testa, geralmente ela era audaciosa, mas nunca rude.
- Você está certa. – respondeu tentando esconder o riso. - E deveria responder desse modo àquela enfermeira mal-humorada que pensa que manda no mundo.
- No mundo não, mas manda nas técnicas, ela é nossa chefe. - respondeu apertando as têmporas.
- Definitivamente parece mesmo que você foi atropelada. – disse mais ameno.
- Não fui atropelada, apenas uma a noite difícil.
- Essa noite difícil teria algo haver com certo policial que foi baleado? – perguntou distraidamente.
- Como o senhor soube que o Rafael foi baleado?
- A gente não tem muita escolha quanto as coisas que chegam até nós quando estamos prostrados, foi por isso que você não veio me vê? Estava ocupada cuidando dele?
- O senhor sentiu minha falta. – afirmou sorridente.
Revirou os olhos em pensamento Por ter feito o comentário, por mais quebrada que ela estivesse, certamente não deixaria passar. Morreria sem admitir, mas aquela moça fazia falta.
- Eu realmente fiquei muito preocupada com o Rafael, mas eu pedi às meninas que cuidasse bem do senhor, se bem que eu passei aqui mais cedo e o senhor estava tocando o terror nas coitadas. - comentou sorrindo. – Mais e aí como o senhor está? Além é claro de que com saudades de mim. – comentou piscando.
- "Céus! Ela é um monstro que enquanto eu estiver aqui não vai me deixar em paz." – Pensou entre divertido e apavorado, com exceção da Virgínia ninguém nunca se interessou assim por ele, engoliu seco ao se recordar da única amiga que teve na vida. - Você passou a noite toda acordada cuidando do seu príncipe encantado e veio aqui apenas para ver como eu estava? - perguntou curioso, ignorando a censura dela com uma pitada de humor que na realidade não sentia.
- Será impressão minha ou o seu tom foi divertido? - perguntou arqueando a sobrancelha.
- Eu nunca sou divertido. - disse sério.
- Entendo. - respondeu cansada e triste. - E então, como o senhor está? - tornou a perguntar. – Vai me responder ou vou ter ir até as coitadas que o senhor colocou para correr daqui.
- Já observou que elas nunca vêm sozinhas ao meu quarto? – perguntou realmente divertido.
- Óbvio o senhor as amedronta. Existe alguma dificuldade em tomar as medicações sem nenhuma resistência? Ficar ameaçando processar as coitadas não vai diminuir seu tempo de permanência aqui. seguimos um regulamento e sabemos que não podemos aplicar nada no paciente sem a autorização do mesmo. Então, pare de ameaçar; tirar o emprego das coitadas.
- Você não tem medo de mim. – sussurrou, mas não baixo o suficiente.
- Eu vou contar um segredo para o senhor. - disse se aproximando da cama e sussurrou. – Eu carrego uma taser no bolso do jaleco. – ele gargalhou verdadeiramente pela vez desde que se entendia por gente.
- Ficar acordada com o policial não te fez bem. – disse tentando conter o riso. – Respondendo a sua pergunta, estou aqui ainda moribundo, mas vivo. E só para esclarecer eu não estava 'tocando o terror', apenas tem algumas enfermeiras aqui que só por sorte no meu caso azar.
- Isso muito me alegra. - disse rindo.
- Alegra-te que eu esteja moribundo? Ou que eu tenha o azar de encontrar algumas enfermeiras incompetentes? – perguntou sem emoção nenhuma, mas no íntimo estava feliz ao ouvir o som de sua risada.
- Não senhor, nem uma coisa nem outra, me alegra saber que ainda esteja vivo, eu ficaria apavorada se estivesse falando com um morto. - ele a encarou, envergonhada ela colocou as mãos nos bolsos, gesto que provocou um sorriso nele.
- Por favor, deixe a taser guardada, eu prometo me comportar. – disse erguendo as mãos, ela gargalhou. – Moça eu não creio que você se assustaria com qualquer morto assim tão facilmente, você não se assusta comigo.
- Isso por que o senhor está vivinho da Silva. - tornou a apertar a têmpora.
- Você precisa descansar.
- Eu vou descansar, não vou trabalhar hoje, então o senhor ficará livre de mim por mais uma noite, mas amanhã a gente se vê. - disse se aproximando novamente. - Se cuida e tente não amedrontar as coitadas das técnicas, já temos a dona Eugênia para fazer isso. - Disse piscando.
- Eu vou tentar. - respondeu no mesmo tom. - Enfermeira. - Chamou quando ela se virou para sair.
- Sim.
- Qual o seu nome? Não posso ficar o tempo todo te chamando de moça.
- Samara. – respondeu sorrindo.
Ele sentiu o baque daquela informação, a única pessoa que o fazia se sentir vivo estava na mira de um pai psicopata e um médico louco, isso era demais, será que ele não tinha direito a ter pessoas normais ao seu redor? Pessoas que gostavam dele simplesmente, pois poderia estar ficando louco, mas algo lhe dizia que aquela garota gostava mesmo dele, independentemente da carranca dele.
- Até amanhã Samara. – disse engolindo seco.
Sorrindo ela se virou saindo, por vários minutos ele ficou ali olhando a porta fechada.
...
Naquela manhã Açucena acordou mais leve, também pudera! Tinha como não acordar leve depois de ter estado ao lado de Luan e do casal de pastores em um jantar maravilhoso, e ainda por cima assistir as alfinetadas que o casal dava em Samara e Rafael? Sorriu ao pensar nos dois, obviamente que aqueles dois se gostavam por que não assumiam isso de uma vez por todas? Sentiu o carinho que sempre sentia quando pensava em Samara, se tivesse uma irmã gostaria que fosse assim como a amiga.
Deixou os pais trabalhando remotamente no apartamento, procurando outro lugar para fazer o mesmo, o destino escolhido foi a biblioteca, um lugar silencioso e tranquilo.
- Olá, bom dia! —uma mulher a cumprimentou, alguns minutos depois de terminar o trabalho.
- Bom dia! — respondeu friamente, nunca o assunto era agradável quando as pessoas daquela cidade chegavam assim nela.
- Podemos falar um minuto?
- Não costumo falar com desconhecidos, ainda mais aqueles que não me inspiram muita confiança. — um sorriso involuntário escapou da mulher.
- Você tem o jeito do seu pai! — ela estava na porta da sala em que as duas ocupavam, se preparando para sair quando ouviu a afirmação e deu meia volta se voltando para encara-la. - Ele não é o meu pai, é só o meu genitor, mas já que você começou o que quer comigo? - perguntou se aproximando.
- Me interessei muito em conhecer você, meu marido trabalhou para o seu pai e eu era amiga da sua mãe. — uma risada irônica escapou de Açucena.
- Que curioso! Mais eu não entendo uma coisa. Por que não marcamos um chazinho para todos nós conversarmos? Todos os amigos que estavam dentro daquela casa naquela noite? Se todos os suspeitos estão interessados em falar comigo a gente pode conversar, posso até chamar o delegado para se juntar a nós na conversa, para ficar mais interessante, eu posso até levar os comes e bebes conheço uma confeitaria ótima! Não levo bebidas alcoólicas porque sou cristã, mas até posso comprar para vocês, o que acha?
- Como sabe que eu estive lá naquela noite?
- Por favor! Se eu tivesse uma amiga que tivesse morrido da forma trágica em que a minha mãe morreu, no mínimo gostaria de encontrar a filha que ela deixou, se nenhum de vocês me procurou é porque a mataram ou viram quem a matou.
- O trauma daquela noite foi muito grande para todos nós, além do mais nenhum de nós sabíamos de você, com exceção da Cintia. O meu marido coitado trabalhou para o seu pai desde muito jovem, tanto que foi seu pai que deixou a faculdade do Jerônimo paga, ele era filho de um funcionário que seu avô estimava muito, ele começou trabalhando na casa e o Héctor o colocou nas farmácias na área de vendas. O trauma foi tão grande que o Jerônimo nunca mais foi o mesmo, tanto que tirou a própria vida. — Açucena tossiu, engasgada com a própria saliva.
- O trauma foi tão grande que ele só conseguiu alcança-lo vinte anos depois?
- Garota você não sabe o que aconteceu naquela noite.
- Não sei mesmo. Por que não diz o que aconteceu naquela noite? O que houve quando ele chegou lá? Quando o Héctor chegou lá, por que vocês o deixaram com a minha mãe sabendo o tipo de pessoa que ele era.
- Bem. — começou enxugando uma lágrima. — Eu não soube nada da Olivia por meses antes de nos encontrarmos naquele resort, os que eram mais próximos dela eram o Fernando e a Cintia, nem sua tia e o marido sabiam muito dela. Nós nos encontramos a pedido dela, passamos o dia inteiro conversando, bebendo, comendo como os bons e normais amigos que éramos. Sua mãe parecia ter superado o que aconteceu com as filhas, estava feliz.
- Eu tenho certeza que ela nunca superou o que houve com as minhas irmãs.
- Tão ingênua e inocente! – disse a mulher pesarosamente. - Todos nós fomos assim um dia, quando o assunto era a sua mãe, sorte a sua que ela não está mais em nosso meio para te destruir como destruiu a todos nós.
- Explique-se melhor, do que você está falando? Quem você pensa que é para vir aqui falar mal da minha mãe desse jeito? – perguntou furiosa.
- Acalme-se garota eu não sou sua inimiga. Você quer saber o que houve naquela noite? O meu marido e os outros rapazes já estavam um pouco embriagados, então decidimos parar dar o dia por encerrado, todos nós já íamos recolher, e foi quando o Héctor apareceu. Ele estava furioso com a sua mãe exigiu falar com ela, ela até pediu para se trocar, mas teve que ir para o quarto com ele de biquíni mesmo, toda molhada. Ela estava sóbria foi a única que não bebeu, não gostava muito disso por causa do pai, - disse sacudindo a cabeça - enfim, nós ouvimos sua mãe pedindo socorro, então sua tia subiu as escadas rapidamente e encontrou ele tentando enforca-la, isso você pode perguntar para a Virgínia, ela vai te confirmar que ele estava ainda mais furioso do que quando chegara, todos se envolveram foi uma confusão tremenda, finalmente ele se acalmou descendo antes de todo mundo, quando voltamos para a varanda onde ele estava, parecia tranquilo e decidiu voltar para casa, mas estava tarde e estava formado uma tempestade, por isso nós pedindo para ele ficar por aquela noite.
- Essa história está muito esquisita! Como vocês deixaram um homem que tentou matar a amiga de vocês a continuar no resort? — sentindo ainda mais repulsa pelo pai biológico, ela perguntou.
- Hoje eu sei que esse foi nosso erro, mas na época não pensamos direito, estávamos todos entorpecidos pelo álcool de alguma forma, achamos que era uma discussão boba de um casal estranho e abusivo, além disso, ela também pediu para ele ficar para os dois conversarem no outro dia para quem sabe se resolverem, na verdade a sua mãe amava aquela situação de todos ao seu redor a bajulando. - retrucou nervosa.
- Sério que você vai continuar a falar mal da minha mãe? – perguntou se levantando na intenção de sair dali.
- Eu só vim te dar minha versão dos fatos, para você não pensar que eu matei a Olivia, não teria motivos para fazer isso.
- E por que toda essa preocupação de que eu pense que você matou a minha mãe? – perguntou desconfiada.
- O advogado disse que não posso mexer nas contas do meu marido, pois o testamento está inválido, por que o Héctor está vivo, na verdade eu não sei o que fazer, e com você por aí desconfiando de todos nós não é bom para ninguém.
- Na verdade eu estava desconfiando apenas do Héctor, foram vocês mesmos que se colocaram como suspeitos, e a cada momento eu penso mais que todos vocês estão envolvidos, e por isso estão todos com medo e desejando que eu vá embora e deixe isso para lá. – disse a encarando.
- Seria melhor para todo mundo que você esquecesse esse assunto, principalmente para você mesma. – resmungou se afastando.
- Espere! – a mulher se virou para ela. - Qual é o seu nome?
- Alice.
- Onde está o corpo dela? No cemitério eu sei que não está porque eu não encontrei nenhuma lápide.
- Infelizmente não sei, meu marido cuidou do enterro e nunca me interessei em perguntar por causa do trauma.
- Muito bem, dona Alice. Eu sinto muitíssimo pelo seu marido, acredito no quanto deve estar sendo difícil, principalmente com esse problema financeiro e ainda há todos esses traumas! – disse com desdém. - Mais todos vocês incluindo o Héctor continuam sendo suspeitos para mim, sua vinda aqui não muda em nada. Espero que você compreenda que o meu trauma como filha pode ser muito maior que o seu, e eu tenho que ser inflexível, ou vocês me engolem. Se a senhora for realmente inocente eu vou lhe pedir desculpas, por enquanto todos são culpados até que se prove o contrário. – disse sem nenhum remorso se retirando.
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