Capítulo 15
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O relógio na mesinha ao lado da cama, aponta onze horas da noite. Para os moradores do casarão, isso é bem tarde, já que todos ali, acordam "com as galinhas"
Valentina já está em seu quarto e de camisola. Seus pés descalços, caminham vagarosamente, sentindo o frescor do piso de madeira sobre seus pés, porém sua expressão é um jeito inquieto. Depois que Taehyung a atiçou daquela forma, tudo o que ela quer é que o rapaz apareça em seu quarto o quanto antes.
Ela se aproxima da janela e se encosta ali, olhando distante ao redor. A chuva agora cai, fazendo um barulho gostoso nas telhas, os pingos caem grossos, mas calmos, sem vento, pingando pelas folhas, fazendo escorrer pela grama no escuro. O cheiro que exala, trás uma sensação gostosa de aconchego e frescor.
Ela aguarda ansiosa, mas sabe que vai ter que esperar um pouco, então caminha até a cama e se deita de lado, puxando a colcha florida, fica pensativa olhando a chuva.
Normalmente ela acorda bem cedo e essa hora o sono já começa a chegar. Ela boceja algumas vezes, ouvindo o barulho gostoso da chuva e sente o corpo relaxar, os olhos ficam pesados e sem esperar ela acaba dormindo. Sonha rápido:
Se vê caminhando sozinha na chuva pelo campo escuro, olhando ao redor. Ela para e vê que está de frente para a cerca onde ficam as ovelhas, ela abre e entra a procura da pequena Rica. Mas passando os olhos ao redor, ela não a encontra, seus olhos vão ficando preocupados.
- Rica? - Ela caminha para dentro, procurando. - Rica, cadê você?! - Sente um aperto no coração e um medo a toma, então ela sai pelo campo correndo embaixo da chuva, chamando o seu nome e a preocupação aumenta cada vez mais, sua visão vai ficando embaçada e uma tristeza toma seu peito. Seu coração acelera em ver que não a encontra.
Enfim ela acorda, sentido-se assustada, senta na cama depressa. Seu pensamento vai em Rica, enquanto respira ofegante e com olhar confuso. Seu coração parece que vai sair pela boca, sente o ar lhe faltar nos pulmões.
- Rica! - Ela joga a colcha rápido para o lado e se levanta preocupada.
Vai até a janela e vê que a chuva ainda cai, porém mais calma agora, ela olha no relógio e vê que só passou meia hora.
- Mas o sonho pareceu tão real! O-o que está acontecendo comigo? - Pergunta confusa.
Ela caminha até o guarda roupas, puxa uma calça, um moletom e veste rápido, sentindo suas mãos tremerem, enquanto resmunga para si mesma sem entender
- Droga! Eu... Eu não acredito que essa ovelha vai me fazer sair nessa chuva por causa dela, justo agora?
Ela realmente não faz ideia do que está se transformando por causa daquele lugar a ponto de sair do seu quarto uma hora daquelas e na chuva, atrás de uma ovelha. E tudo simplesmente porque teve um sonho maluco e seu coração está apertado.
Será que Taehyung estava certo quando disse que eu estou me descobrido nesse lugar? Que assim como o Dr Sandro disse, eu posso mesmo ter alguma vocação pra isso!?
Pode ser que sim, porque em outro momento em sua cidade, ela nunca se submeteria a uma coisa dessas, por causa de uma ovelha, pelo contrário, nunca se importou com nada.
Mas hoje nem se reconhece, pois nunca se apegou tanto a um lugar e àquelas pessoas. Principalmente a Taehyung e a essa ovelhinha, justo os dois que ela julgou não gostar um dia.
Ela sai na garagem e logo cruza os braços assim que o ventinho frio da madrugada toma seu corpo. A chuva ainda escorre pelas telhas e olhando longe, vê que seria impossível chegar até o campo caminhando numa chuva dessas.
- Droga! - Ela pega a capa de chuvas amarela, as botas e coloca rápido, constrangida consigo mesma, sentindo-se uma idiota.
Então ela vê a pequena caminhonete e logo pára. Seus olhos se prendem no vazio, enquanto seu pensamento vai longe, tem um devaneio. Lembra-se de quando saía nas baladas e por duas vezes, pegou o carro sem a permissão de seus pais e dirigiu por brincadeira, sob efeito de muito álcool e drogas. Sim, foi isso o que aprendeu com Robson e suas duas amigas. Se arriscava muito, não tinha medo de nada.
Vamos lá Valentina! Será que pelo menos uma vez na vida você vai usar essa coragem para alguma coisa útil?
Ela briga sozinha, então decididamente, tira a chave do prego atrás da porta bem rápido e entra no carro.
Ok!... Vamos lá, você consegue, é importante agora!
Ela respira fundo, olhando para a frente, a chuva ainda cai. Enfim ela dá partida no carro e sai em direção do campo. O carro vai devagar meio desordenado, mas ela segue firme, não vai desistir agora.
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Finalmente ela consegue. Então encosta o carro de qualquer jeito em frente da cerca de madeira e logo sai apressada, segurando o a touca da capa em sua cabeça para não se molhar tanto. Tenta abrir a cerca, mas parece difícil.
A água escorre por seu corpo, pela força que faz para tentar abrir a cerca, sua touca grande não fica muito tempo em sua cabeça. Mas ela já não liga pra isso agora. Logo seus cabelos se molham com rápidez. Enfim ela consegue entrar, e caminha apertando os olhos por causa dos pingos pesados que a atrapalham de achar Rica, no meio das outras ovelhas. Seus passos são ouvidos pesados, misturados com lama pela grama.
- Ah, Rica! Aí está você! - Assim que ela entra na cobertura, abre um sorriso satisfeito ao ver a ovelinha, finalmente, mesmo já estando toda molhada. Mas logo seus olhos mudam rápido ao perceber que Rica não se mexe.
- Nossa! - Exclama ela, olhando para os lados, preocupada, então se abaixa e percebe que Rica está mal. A pequena ovelhinha apenas abre os olhos e fecha de novo.
- Ah, você está viva! - Valentina suspira mais calma. - Fique de olhos abertos por favor! - Ela levanta a cabeça, olhando ao redor e não faz idéia do que fazer. A essa hora já estão todos dormindo e Rica está realmente mal dessa vez.
- Eu preciso cuidar de você! Vou te levar pra casa, agora! - Decide ela, preocupada.
Então ela passa os braços ao redor do corpo da ovelha e levanta a trazendo para a chuva, mas não consegue carrega-la por muito tempo. Suas mãos escorregam por estar molhada.
- O que eu vou fazer?! - Seu olhar é perdido. - Eu não posso te deixar aqui, eu preciso te levar - A garota se ajoelha no chão, suas pernas se sujam na lama, enquanto puxa a ovelha para seus braços, mas não consegue.
- Não se preocupe, Dara, eu vou cuidar dela pra você! - Valentina conversa com a ovelha maior, tentando se animar. - Eu não vou te decepcionar... Eu prometo! - Inesperadamente, ela se senta no chão, abraçando Rica mais forte e sem perceber, seus olhos vão ficando molhados - Eu sempre decepciono as pessoas, mas eu não vou mais fazer isso!... Vai ficar tudo bem, Rica.
Valentina se vira e tenta acalmar Rica, enquanto pensa em alguma coisa bem rápido.
- Sabia que meus pais me mandaram pra cá, porque eu já os decepcionei demais!?
Pergunta ela, acariciando a pobre ovelinha, inciando uma conversa com ela como forma de tentar acalmá-la.
- Mas aqui eu também não fui uma pessoa melhor, além dos meus pais, eu já decepcionei a tia Márcia, Ana Júlia, até mesmo o Taehyung, quando eu não o conhecia. Mas foi aqui também que eu conheci você!... E eu não me arrependo disso, ouviu?
Ela aperta os olhos sentindo-se perdida, então ela cansa de ser forte e desaba. Aperta os olhos e suas lágrimas começam a cair, se misturando com as gotas da chuva, escorrendo por suas bochechas.
- Não me arrependo de conversar com você também, Dara! - Ela olha para a ovelha maior.
Seus cabelos estão ensopados, ela olha ao redor e não vê ninguém, está só.
- Eu vou aprender como cuidar de você e de todos os bichinhos daqui e eu vou te curar!
Então Valentina se levanta e coloca todas as suas forças, puxando Rica em seus braços. E finalmente consegue levanta-la, caminhando rápido, ela consegue colocá-la dentro do carro, então respira fundo tomando o ar.
Ela olha decidida para a ovelhinha mais uma vez antes de dar partida no carro e sair em seguida. Ela dá a volta com dificuldade e finalmente consegue seguir em direção de casa.
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No silêncio da madrugada, Taehyung caminha descalço, a passos lentos pelo corredor de madeira em meio ao barulho da chuva. Ele olha atento no corredor para ver se não ouve qualquer movimentação. Então se encosta devagar na porta de Valentina e um pequeno sorriso discreto aparece em seus lábios.
Mas assim que abre, sua expressão muda completamente e seu sorriso se apaga, ficando confuso assim que vê sua cama vazia. Ele entra caminhando devagar no quarto.
- V-valentina? - ele está confuso, se aproxima de sua cama, então vai até a janela olhando meio assustado, mas logo ouve o motor da pequena caminhonete encostando na garagem.
- Valentina! - Deduz ele, saindo rápidamente do quarto.
Logo que sai pela porta dos fundos, ele se depara com Valentina saindo do carro, carregando Rica nos braços com dificuldade.
- O que aconteceu!? - Tae corre para ajudá-la, ainda com jeito confuso.
Valentina senta no chão com Rica nos braços. Ela está completamente encharcada e suja de lama, seus cabelos grudam no rosto, mas isso não a preocupa mais, só quer saber se Rica vai ficar bem.
- Ela precisa de ajuda Tae, por favor! - diz Valentina, agitada, olhando para ele.
Taehyung se abaixa ainda confuso, para ver o que se passa com Rica, e logo percebe que ela já está muito mal, ele olha sério pra Valentina e engole a seco. Então pega na cabeça dela com as duas mãos e levanta procurando seus olhos. Por um breve momento a pobre ovelhinha abre os olhos com dificuldade, olha pra eles dois pela última vez, então... Se vai...
- Rica?! - Exclama Tae arregalando os olhos, de forma assustada.
Ele parece não acreditar no que está vendo e se preocupa com Valentina. Ela se apegou a essa ovelhinha, mais do que ele. Ele procura seus sentidos vitais, mas infelizmente não os acha mais.
- Vamos Tae, não me olhe assim, precisamos levar ela para o Dr Sandro, rápido! - Diz, ainda agarrada a ovelha com os olhos preocupados.
Taehyung continua olhando para Valentina, calado, não consegue se mexer.
- Valentina.... - Ele parece tomar o ar. - A Rica se foi... - Ele desvia os olhos dela.
Assim que a garota ouve, fica parada olhando para ele, por alguns segundos. Então se dá conta e se levanta rápido com os olhos completamente assustados, ficando ofegante.
- Não, Tae... Por favor! - Ela implora, sacudindo a cabeça, seu nariz começa a doer pelo choro que já se inicia novamente, encostando o punho para tentar aliviar, ainda olhando assustada.
Seu peito dói. Em seus olhos juntam lágrimas diferentes agora, parecem doloridas, uma dor que nunca sentiu, elas caem pesadas por suas bochechas, carregadas por um sentimento distinto, um peso diferente, não se parece com nada do que já sentiu antes.
Tae se levanta e a puxa para seus braços, a apertando contra seu peito com firmeza, enquanto limpa uma lágrima com o polegar que escorre de seus olhos bem rápido para que ela não perceba. Valentina não consegue devolver o abraço, ainda está sem ação com o que acaba de presenciar.
- Me solta! - Inesperadamente sua reação é de raiva, tenta se soltar dos braço de Taehyung. Ela só quer sumir dali e não ver mais aquela cena.
- Não!...
- Me solta, Taehyung, agora! - Ela tenta se libertar, mas ele a aperta mais forte enquanto ainda luta.
Nessa hora aparecem todos, tentando saber o que se passa.
- Mas o que está acontecendo aqui!? - Jorge abre a porta com jeito confuso e encontra Valentina tentando sair dos braços de Tae - Quem estava dirigindo a essa hor... - Mas ele pára de falar assim que avista a ovelhinha caída. - O que aconteceu? .. - Ele se abaixa. E depois de examiná-la, se levanta olhando para Tae, que está agarrado a Valentina. - Ela está morta... - Deduz ele, com voz baixa, olhando para eles.
- Me solta!... - Valentina não quer olhar mais.
- Eu não posso te deixar sozinha! - Responde ele, com os olhos tristes a segurando com firmeza.
- Solte ela, Taehyung! - Pede a Sra Kim, olhando para ele.
- Mas, mãe... - Ele se mostra relutante.
- Filho. Por favor! - Pede sua mãe, mais uma vez. Então Taehyung a solta e mais que depressa, Valentina corre para dentro sem olhar para trás.
Enfim ele não a tem mais nos braços, teve um incomodo ao sentir seus braços vazios tão rápido naquele momento. Valentina se foi rápido demais.
Ana Júlia olha para Taehyung com tristeza.
- Filho, há momentos que em precisamos, ficar só, entende? E isso já basta. - Diz sua mãe, se aproximando. Então o abraça, Taehyung fica lá, seus olhos estão tomados pela tristeza e preocupação.
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