
041
"Estou com muita dor de cabeça, deve ser porque estou pensando muito em você"
Acordo confusa e com uma enxaqueca infernal, aí meu deus eu passei dos limites ontem, não me lembro de quantos shots tomei, mas deve ter sido vários para eu não estar me lembrando do que aconteceu.
Sinto algo se movendo na cama. Não é possível. Viro-me para o outro lado da cama e dou de cara com o rosto de Vinnie, ele está dormindo feito uma pedra e não ronca como pensei. Agora que estou frente a frente com ele e o pertinho, vejo o quão lindo ele é. Abençoado seja o útero da mãe dele, que descanse em paz.
Diana o que é isso? Você viajou, agora não é isso que importa, você deveria estar se perguntando o porquê de Vinnie está dormindo na minha cama, e minhas roupas de ontem não estarem mais no seu corpo.
Eu me lembraria se tivesse transado com Vinnie, quem não se lembraria? Ou será que ele foi capaz de ficar comigo mesmo eu estando inconsciente?
Não me aguento de curiosidade e angustia por não me lembrar de nada do que fiz ontem, fico sentada na cama depois cutuco os ombros de Vinnie, ele resmunga um pouco até abrir seus lindos olhos castanhos.
- Que diabos você está fazendo aqui? -pergunto com o cenho franzido.
- Bom dia para você também, Angel. - diz com a voz rouca.
- O que você está fazendo na minha cama Vinnie?! - repito a pergunta.
- Bom, eu estava dormindo até você me acordar. - responde.
- Dormindo eu sei que você estava, isso eu percebi.
- Então por que a pergunta?
- Por acaso eu e você... - aponto para nós dois.
- Se transamos? - ele fala sem vergonha alguma. - Não, não mesmo.
- Ok... Isso é bom. - penso positivo, pelo menos não fiz nenhuma merda. Ótimo.
- Mas se dependesse de você... - ele dá um sorriso malicioso.
- Ah não. - fecho os olhos e coloco minha mão no rosto. - Eu fui muito safada, não é?
- Safada é pouco. - ele ri.
- Vinnie minta para mim, só para eu ter um pingo de esperança de que eu não passei muita vergonha. Por Favor.
- Nossa, por onde eu começo? - ele finge pensar. - Você dançou em cima do balcão do bar como uma striper, quase vomitou em mim, me chamou de bonitão várias vezes e, não em palavras explícitas, mas disse que queria ficar comigo. - ele faz uma lista de coisas vergonhosas que eu fiz.
Eu quero me esconder debaixo de um buraco no meio da terra e me enterrar.
- Calma, não foi tão vergonhoso assim.
- Você tirou a minha roupa? - ele balança a cabeça confirmando.
- Se te consola, eu fiz de olhos fechados.
- Eu super acredito em você. - ele começa a rir da minha cara. - Por que você está rindo Não ria de mim.
- Foi engraçado. Se eu não tivesse que cuidar de você depois, eu deixaria você beber mais vezes, só para te ver passar aquela vergonha de novo. - ele ri.
- Sai do meu quarto!
- Como era a letra da música que você estava cantando mesmo. - ele finge pensar. - "Eu quero que você toque aquela coisinha que balança no fundo da minha garganta". Não é isso? - ele cita uma parte da música, meu rosto queima de vergonha.
- Sai daqui! - jogo um travesseiro na sua cara.
- Bem educativa essa música viu. - ele sai da cama correndo. - Ótimo para colocar em um almoço entre família, no natal por exemplo. - brinca.
- Sai caralho! - jogo outro travesseiro na direção dele, mas ele sai do quarto antes de atingi-lo.
De todas as vergonhas que eu já passei, não sei dizer qual é a pior. Pensar na ideia de Vinnie ter me visto pelada, senhor, essa sim estaria no topo da porra da lista.
• • •
Um mês depois...
Depois do jantar eu fui treinar um pouco o piano, estou praticamente com a minha nova melodia pronta, agora só preciso devora-la. É tão incrível o jeito que a música me faz esquecer de totalmente tudo a minha volta, nem vejo o tempo passar.
É bom fazer o que a gente gosta, assim damos nosso melhor naquilo. A música faz parte de quem eu sou, de quem me tornei, do meu passado, presente e futuro. A música faz eu me conectar comigo mesma, não consigo viver mais sem ela. A última nota que faço morre aos poucos.
- Que lindo, Diana. - Nessa aparece na sala com um lindo sorriso e passando a mão no seu barrigão.
- Obrigada. - dou um sorriso gentil.
- A música é nova?
- Sim, eu criei.
- Você é muito talentosa. - ela diz, surpresa.
- Obrigada, Nessa. É bom ouvir isso. - não consigo esconder meu sorriso e mostro todos meus dentes.
- Eu aposto que Noah e Louise também gostam da sua música, quando você toca eles ficam quietinhos, você para e eles parecem que estão lutando na minha barriga. - eu rio.
- Sério? Então talvez eu devesse ensiná-los a tocar.
- Estão ouvindo crianças, titia Diana vai ensiná-los a tocar piano. - ela fala olhando para a barriga. Que fofura.
Não vejo a hora desses toquinhos chegarem. Vou virar uma tia muito babona.
- Ui! - Nessa diz de repente, ela coloca as mãos nas costas como se estivesse sentindo dor. Eu franzo o cenho. - Acho que os bebês estão nervosos viu.
- Tudo bem? - pergunto preocupada.
- Sim, é só uma dorzinha boba nas costas, mas já passou.
- Tem certeza?
- Tenho. Semana passada eu estava sentindo a mesma coisa, Matias me levou as pressas para um hospital, cheguei lá e era alarme falso.
- Será que isso não é contração Nessa?
- Acho que não, eu não sei. Nunca fiquei gravida antes. - ela ri.
- Bom dor nas costas e cólica são sinais de uma possível contratação.
- Ou as crianças só estão agitadas.
Repentinamente Nessa arregala os olhos e fica paralisada no lugar.
- Diana... - ela diz meu nome.
- Oi. - respondo.
- Acho que minha bolsa estourou. - ela faz uma cara de desespero.
- Sério? - também faço a mesma cara. Ela desencosta do sofá e quando se vira vejo seu vestido todo encharcado como se ele tivesse feito xixi, nesse momento fico desesperada de verdade.
- Nessa, sua bolsa estourou! - arregalo os olhos.
- Ai meu deus, e agora?! - ela fica perdida. -Jaden não está em casa. O que eu faço?
- Calma. Onde está a bolsa dos bebês?
- No quarto deles.
- Ok. Pegue a bolsa e eu vou atrás do Jordan para ele levar a gente no hospital, depois ligamos para Jaden. - ela assente.
Procuro Jordan pela casa toda, grito ele, mas nada. Onde que esse miseravelmente se enfiou? Quando mais preciso dele não o acho, e quando não preciso, ele fica na minha cola como uma sombra. Não podemos esperar Jaden voltar, Vinnie saiu com ele também. E não vamos poder esperar a boa vontade de Jordan aparecer. Eu mesma deveria levá-la.
Volto para sala de estar, Nessa está esperando aflita com a bolsa dos bebês e com uma roupa diferente.
- Nessa você confia em mim?
- Confio, mas por que? O que aconteceu? - a deixo preocupada.
- Não achei Jordan.
- Caralho, e agora? - ela fica nervosa.
- Eu terei que te levar. - mostro a chave do carro preferido de Vinnie, por sorte eu conheço o esconderijo das chaves dele.
- Tudo bem, seja o que Deus quiser. - dá para ver no rosto de Nessa o quanto ela está com dor, mal aguenta andar, estou com medo dela parir aqui mesmo.
Assim que chegamos na garagem, ajudo-a a entrar no carro, depois vou correndo para o volante. Talvez Vinnie fique bravo por pegar o Audi R8 dele? Talvez. Mas será por uma boa causa, tem duas vidas em minhas mãos agora e eu não posso ficar esperando.
Tiro o carro da garagem e quando chego no portão da casa sou barrada pelos seguranças.
- Onde vão? - um deles pergunta, nunca soube o nome de nenhum deles.
- Eu preciso passar agora. A bolsa da Nessa estourou, preciso leva-la para o hospital.
- E Jordan? - o outro segurança pergunta.
- E eu lá sei de porra de Jordan, ele deveria estar fazendo o serviço dele, mas sumiu, e vocês devem fazer a porra de seus serviços e me deixar passar agora mesmo, se não quiserem ter suas vidas marcadas por Jaden e Vinnie! - digo alterada.
- Tudo bem. - ele diz. - Vamos deixa-la passar.
- Ótimo.
Quando eles abrem o portão eu acelero o carro quase arrancando-o. Os gritos de Nessa começam a ecoar pelo carro todo e eu não sei se dirijo ou ajudo ela. Nem vou fazer a pergunta besta se ela está bem, porque pelos gritos, obviamente ela não está.
Em um recorde de quatorze minutos chegamos no hospital, saio do carro já gritando que tem uma gravida em trabalho de parto no carro, pego a bolsa dos bebês e ajudo Nessa sair. Rapidamente dois enfermeiros vem até nós com uma cadeira de rodas. Eles a levam para dentro as preças enquanto eu os sigo e tento ligar para Vinnie.
Assim que ele atende, digo o que está acontecendo e que eles devem vir correndo para o hospital. Dou a localização e espero até que eles cheguem logo.
Enquanto fico em uma sala de espera andando de um lado para o outro, super nervosa e ansiosa, Nessa está no quarto sendo preparada para o parto dos bebês gêmeos. Alguns minutos depois Vinnie e Jaden chegam desesperados na sala, eles estão ofegantes, certeza que correram da entrada até aqui.
- Onde ela está? - Jaden pergunta.
- No quarto sendo preparada para a cesariana, eles perguntaram se eu seria a acompanhante dela, mas eu disse que você não demoraria para chegar.
- Qual o número do quarto? - ele pergunta.
- Quarto duzentos e doze. - ele sai correndo. Vinnie ri do irmão.
- Você a trouxe? - ele entra na sala.
- Sim. - respondo. Agora que eles já chegaram posso ficar mais tranquila, sento-me na poltrona. - Eu peguei o seu carro favorido, espero que você não fique bravo. Era o único que eu sabia onde ficava a chave e o que eu já dirigi antes.
- Foi uma causa maior, está tudo bem. - ele se senta do meu lado. Ficamos em silêncio profundo, os dois pareciam ansiosos.
- Obrigado. - ele diz do nada.
- Pelo que? - fico confusa.
- Por ajudar Nessa, pelos meus sobrinhos. - ele diz. Nem parece que é um mafioso falando.
- Não precisa agradecer, gosto dela e vou gostar mais ainda dos gêmeos. - sorrio.
- É... Eu sei que vai. - ele fica de cabeça baixa. Estranho, seu tom de voz mudou.
Ficamos longas horas esperando, meus olhos começaram a arder de sono, olho no meu celular e já são quase duas da manhã. Olho para o lado e Vinnie não parece estar com nenhum pingo de sono. Saio da sala à procura de café preto, cafeína irá me ajudar a despertar.
Vou até o refeitório do hospital e peço dois cafés preto, um com açúcar para mim e outro com adoçante para Vinnie, me lembrei que ele só bebe café se for com adoçante, pelo contrário ele nem encosta a boca. Não sei qual é a diferença.
Volto para sala com os cafés, entrego um para Vinnie e bebo o que é meu.
- Que gentileza sua. - Vinnie diz, sorrindo de lado.
- Você não parece estar com sono, mas mesmo assim eu trouxe, sei que você não gosta de café com açúcar, então eu pedi para colocarem adoçante.
- Você lembrou disso? - ele me olha intrigado.
- Claro. - sorrio depois tomo um gole de café.
Duas horas depois um homem de meia idade que usava um jaleco entra na sala, ele veio dar notícias de Nessa finalmente.
- Vocês são parentes da Senhorita Nessa? - o médico pergunta.
- Eu não... - Vinnie me corta.
- Somos sim. - diz Vinnie.
- Os bebês já nasceram? - pergunto, apressada.
- Sim, os bebês nasceram, com uma saúde de ferro. A senhorita Nessa já está em seu quarto se recuperando da cirurgia.
- Podemos vê-los?
- Se quiserem, agora mesmo. - o médico diz, abro um sorriso de orelha a orelha.
Vinnie e eu seguimos o médico até a sala onde Nessa e Jaden estão. A coitada já está dormindo, enquanto seu marido fica ao seu lado segurando a sua mão e fazendo um carinho em seus cabelos.
- Onde estão os bebês? - Vinnie pergunta assim que entramos na sala. Jaden vira para trás para nos olhar.
- Nos berçários. Eles acabaram de ser amamentados, são a coisa mais linda que eu já vi. - Jaden diz com um sorriso bobo no rosto.
- Quero vê-los. - diz Vinnie.
- Sobem lá, fica no quarto andar. Não quero deixar minha esposa sozinha.
- Tudo bem, eu fico aqui com ela. - digo.
- Você não se importa? - Jaden pergunta.
- Claro que não. - dou um sorriso gentil.
Esse é um momento de irmãos, Jaden é o pai e Vinnie é o tio, eu não sou nada. A prioridade são eles. Me sento na cadeira onde Jaden estava, enquanto os dois sobem para ver Noah e Louise.
• • •
Diana está sendo mais prestativa que qualquer pessoa que já fez parte dessa família. Ela sempre esteve disposta a ajudar no que precisasse, ela foi a primeira pessoa a saber da gravidez de Nessa e a ajudou quando a mesma passou mal, trouxe ela para maternidade, além de se preocupar e ter a gentileza de me trazer um café.
Ela presta atenção nos detalhes assim como eu. Mesmo não sendo do nosso sangue, ela é leal como se fosse. Caralho, Diana é incrível.
Sigo Jaden até o berçários, não podemos entrar lá dentro então olhamos pelo vidro transparente. Meus sobrinhos eram as coisas mais pequenas que eu já tinha visto, eram as crianças mais lindas. Noah era cabeludo, e se mexia bastante, esse vai dar trabalho. Louise também tinha bastante cabalo mas ao contrário de Noah ela estava quietinha dormindo.
- São a cara da Nessa - Jaden diz orgulhoso.
- Realmente. - concordo.
- Mas eles tem os olhos claros, como os meus.
- Pelo menos alguma coisa boa eles tinham que herdar. - olho para ele e rio. Jaden me lança um olhar mortal. - É brincadeira.
Ficamos alguns minutos em silêncio observando os bebês.
- Sabe... - Jaden quebra o silêncio. - Eu odeio menos Diana agora.
- Ah é? - falo encarando o vidro.
- Achei que ela seria um problema, mas me enganei.
- Eu disse que ela não daria trabalho nenhum.
- Ela tem a minha confiança depois do que fez.
- Ela é tão leal quanto nós. - digo.
- Vinnie, vocês já estão casados mesmo, você já pensou na possibilidade de se apaix... - corto ele imediatamente antes mesmo de completar a frase.
- Não, isso não vai acontecer, Jaden. - digo curto e frio.
- Você ainda permanece com a vingança? - ele pergunta.
- A vingança permanece. - respondo.
- Você está perdendo um tempo muito precioso maninho. - ele dá dois tapas no meu ombro. - Mas é você que sabe. - Jaden se afasta e some pelos corredores.
Por que Jaden tocou nesse assunto do nada? Os bebês eram o centro, de repente mudamos para Diana. Diana, sempre Diana. Não importa o que eu faço mas esse nome sempre estará me perseguindo, tudo acaba nela. E falando nesse nome, ela aparece do meu lado e, assim como eu, encara o vidro para ver Noah e Louise.
- Aqueles são eles? - ela aponta para os mesmos.
- Sim. - confirmo.
- Que gracinha... - ela da um sorriso bobo. - Eles são lindos. - sussurra.
- Eles são parecidos comigo, óbvio que seriam lindos. - digo, ela revira os olhos.
- Convencido. Só espero que eles não tenham seu temperamento.
- Noah será igual ao pai e ao tio.
- Nessa está perdida. - ela ri.
- Louise parece um pouco com o pai.
- Eles tem bastante cabelo, não é?
- Sim. - sorrio de lado. - Sempre quis ter filhos, mas depois que... - engulo seco -Depois que Catalina morreu, essa vontade passou.
- Você a amava, não é?
- Muito.
- Era recíproco?
- Acredito que sim.
- Pelo menos você teve a chance de experimentar esse sentimento. Deve ser bom, quer dizer, a parte de se conectar com alguém, formar uma família... - ela olha para os bebês hipnotizada. - Acho que ninguém nunca sequer me deu uma flor, eu gostaria de receber flores. Um gesto tão simples que para alguém é algo tão grandioso.
Por que diabos alguém não se apaixonaria por Diana? Ela é linda, tanto por fora, quanto por dentro. E outra vez, tudo gira em torna de Diana. Caralho.
Os filhos de Nessa nasceram AAAA 🥺 ❤️
Será que a vingança permanece ainda? Será?
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