Capítulo 11
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- O que pensa que está fazendo, Ronald? - pergunta Lara, já sentindo-se contrariada pelas ações de seu marido. - Acha mesmo que eu vou deixar você desamparar minha filha desse jeito?!
Ronald caminha devagar, ouvindo as palavras de sua esposa, depois senta-se, jogando seu corpo de qualquer jeito, sobre o sofá, pensativo. Levando as mãos até seus cabelos e os esfregando de forma agitada.
- E não adianta ficar assim. - Lara se aproxima dele, caminhando apressada.
- Eu estou tão triste, Lara. - Um suspiro pesado sai de seus pulmões. - Eu só queria ajudar minha filha a realizar seu sonho de estudar no exterior. Antes de ela ir nós ficamos acertados, mas o que ela fez? Me desapontou! - declara desanimado. - Ela iria voltar assim que terminasse a faculdade, mas agora eu já nem sei... Se ela quer voltar!
- Você precisa aprender a ter mais calma com suas decisões e entender que sua filha cresceu, Ronald! A Eliza tem a vida dela agora. Mas sei que ela precisa ser mais independente para você não a controlar mais dessa forma - avisa Lara, com olhar incomodado.
- Eu não quero desampará-la, só quero que ela volte pra casa para não a perdermos para esse gringo! - Ronald se aproxima de sua esposa, levando suas mãos até os ombros dela devagar, olhando preocupado. - O que aconteceu com nossa filha?! - pergunta parecendo perdido.
- Nossa filha cresceu! - avisa Lara, com voz firme, olhando fundo nos olhos grandes de seu marido. - Ela sempre foi uma boa menina e não queria nos decepcionar, mas se apaixonou por um gringo e você sabe que não podemos controlar o nosso coração. O importante é ela estar feliz.
- Não, Lara, não! Ela se sente feliz me deixando triste? - Ele solta dos ombros dela e se vira, saíndo do controle novamente. - Isso não entra na minha cabeça! Eu vou conseguir convence-la a voltar atrás, nessa decisão idiota. Pode ter certeza! Vou ficar dois ou três meses sem mandar dinheiro, pois sem renda alguma, ela não terá como continuar lá.
Ronald volta a se aproximar de Lara, colocando as mãos sobre ela novamente.
- Você está ficando louco, Ronald? - Lara se vira, encarando seu Marido, sem acreditar.
- Ela vai voltar, Lara. Eu sei! Eu não vou deixa-la sem dinheiro por muito tempo. Quero apenas deixá-la sem opção e assim decidida, ela vai voltar. Logo nossa filha voltará para nós e tudo vai ser como antes! - Ele tenta anima-la.
Mas Lara apenas balança a cabeça o olhando com ar de reprovação.
- Se minha filha passar necessidades naquele lugar... você me paga. Eu juro! - Lara tira as mãos dele de seus ombros, o olhando séria, então se vira e sai apressada do quarto.
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Damien - Olá, pequena!
Eliza - Ola, amor!
Damien - Você não está atendendo minhas ligações ultimamente. Já estou preocupado! - avisa ele, com o celular encostado no ombro, enquanto tira seu cartão e entrega para a moça do caixa, no mercado.
Eliza - Eu... precisava estudar. Mas mudando de assunto, posso fazer uma pergunta bem pessoal?! - Ela caminha pela casa com o celular no ouvido.
Damien - Vá em frente, amor!
Eliza - Eh... Como você... paga suas contas? Seus pais te ajudam ou tem outro jeito?
Damien - Eu tenho minhas economias, mas se eu precisar mesmo, meus pais me mandam dinheiro. Mas porquê a pergunta?
Eliza - Foi o que eu imaginei. - Comenta Eliza com voz mais baixa, como se dissesse a si mesma. - Nesse caso, acho que vou precisar de um emprego logo!
Damien - Vamos lá, Liza. Me diga o que está acontecendo, você é péssima em mentir e sabe disso! - Ele deduz, mudando o tom de voz.
Eliza - Não é nada. Eu só não quero mais depender do meu pai para tudo, sabe. Quero ter minhas responsabilidades e assim, tomar minhas decisões. Acho que amanhã mesmo já saio a procura de trabalho.
Damien - Vejo que precisamos conversar - diz decidido. - Não vai mesmo me dizer o que houve?
Eliza - Já disse para não se preocupar.
Damien - Tudo bem. Vou esperar que venha conversar quando sentir-se pronta. Mas saiba que se precisar de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. É só me falar. Até mesmo se precisar de dinheiro, tudo bem? - Ele se mostra preocupado.
Eliza - Obrigada, mas fique tranquilo, eu já tenho você, então eu já tenho tudo! - diz ela, carinhosamente. - Preciso desligar.... Te amo! - declara Eliza, em português.
Damien - Te amo - responde o rapaz, também em português.
...
Passam-se os dias.
Nesse tempo, o pai de Eliza não depositou o dinheiro para ela. Ele cumpriu mesmo o que disse. Mas dessa vez, Eliza também está disposta a cumprir o que disse ao seu pai. Não vai terminar o seu namoro e nem pretende voltar para o Brasil sem ele, então decidida, ela vai em busca de um emprego pela cidade, para ter sua liberdade.
Depois de andar muito, finalmente ela consegue uma vaga de atendente, em uma bela cafeteria, perto da faculdade.
Ela dá a notícia para, Damien, que fica desconfiado com tanto mistério da parte dela, já que Eliza não que lhe dar detalhes do motivo de ter mudado tanto sua rotina naquela cidade. Mas ele vai esperar mais um pouco, para ela lhe dizer o que está acontecendo.
...
Logo mais um dia de trabalho começa para Eliza. Ainda está clareando aos poucos, mas ela já está de pé. Hoje completam três semanas que Eliz está trabalhando na cafeteria.
A garota sai apressada de casa, empurrando sua bicicleta, rápido. Está mais um dia atrasada, então coloca sua touca branca, com um pompom no alto, ajeita seu lenço azul e sobe na bicicleta, ajeitando sua bolsa ao redor do ombro.
Ela pedala apressada pela calçada, mas assim que olha no relógio, se assusta:
Poxa! Só faltam dez minutos!
Ela se apressa ainda mais, enquanto seu lenço azul voa contra o vento, junto com seu casaco, por causa da velocidade que segue. Mesmo assim a beleza daquele lugar ainda. A garota admira as belas ruas movimentadas, lojas, cafeterias e restaurantes da região. E por um momento, mergulha fundo em seus pensamentos. Acaba se distraindo e nem vê que uma mulher, vem atravessando a avenida:
- Opa! ...
Eliza aperta os freios da bicicleta bruscamente, colocando os pés no chão, parando bem perto da mulher, alta, de cabelos platinados e curtos, que ia atravessando a esquina.
- Désolé (me desculpe!) - pede Eliza, esticando a mão em sua direção com os olhos assustados e preocupada. Foi tudo tão rápido.
Enquanto a mulher atravessa a rua olhando para ela com reprovação, Eliza suspira desanimada, apertando os olhos. Se dá conta de que sua rotina mudou drasticamente nos últimos dias. Sente-se cansada, sobrecarregada, sem tempo e o pior. Ainda sem dinheiro.
Assim que para na porta dos fundos da cafeteria, encosta sua bicicleta e entra rápido, tirando seu lenço do pescoço de forma apressada.
...
- Ah! Que bom que você chegou. - Isabel, sua colega de trabalho, a pega pela mão a levando para dentro, parecendo preocupada. - Você está atrasada!
- Me desculpe, Bel! Está tudo tão corrido para mim ultimamente. - Eliza respira rápido - Agora sei o que realmente sente uma pessoa que trabalha e estuda - ela vai até seu armário e pega seu avental.
- Tudo bem, não se preocupe, o Sr René, ainda não chegou. - A garota alta, de olhos pequenos e de rosto redondinho, lhe sorri, amigavelmente, dessa vez.
- Você está me ajudando tanto com os horários, Bel, eu só tenho a agradecer. - Eliza fala enquanto aparece no balcão ainda amarrando seu avental na parte de trás, com jeito apressado. - Nossa! Quanto movimento! - Ela olha ao redor, surpresa.
- Mas você sabe que sempre damos conta - Isabel arruma as xícaras nas prateleiras olhando para ela, com animação.
- Veja quem está aqui. - Isabel olha para a entrada e vê os amigos de Eliza entrando e procuram por ela.
Eliza sorri surpresa, ao ver Oliver e Louise, sentarem em uma das mesas de madeira escura, próximo a janela.
- Vai lá, Liza. - Isabel lhe entrega a maquininha de anotações, e Eliza caminha até eles:
- Olá, meninos! - Ela sorri.
- Oi, Liza - cumprimenta Oliver. - Um café vai ser ótimo, depois de passarmos horas na biblioteca da faculdade, finalizando mais um trabalho - declara ele, parecendo cansado.
- Desculpem eu não poder ter ido com vocês, mais uma vez. - Eliza se mostra desapontada consigo mesma.
- Fique calma, Liza, nos próximos trabalhos você vai fazer o possível pra ajudar - Louise a anima.
- Na verdade, todos os meus trabalhos estão atrasados - Eliza respira fundo, desanimada.
-Tenha cuidado para não repetir em alguma matéria. - Oliver se preocupa.
- Está tão difícil pra mim.
- Quem está preocupado é Damien. Ele nos procurou, sondando para saber o que está havendo com você - declara Oliver - Acho que você precisa conversar com ele. Se vocês estão juntos nessa, ele tem que saber, Liza.
- Oliver, eu não posso dizer para Damien, que os trabalhos da faculdade, inclusive a fatura da faculdade, e minhas contas, estão todas atrasadas ( E o dinheiro não está dando para absolutamente nada) unicamente porque não quero terminar meu namoro com ele! Ai, droga! Isso está sendo realmente frustante, pra mim!
Eliza suspira, sentindo a tristeza tomar conta de seu peito.
- Já dissemos que pode contar conosco - diz Louise. - Mas não esconda nada do Damien. Tudo bem?
- Obrigada. E você têm razão - ela consente - Eu prometo falar com Damien, logo. Agora eu preciso trabalhar. - Ela se despede.
...
A tarde foi bem corrida, mas Eliza e Isabel, conseguiram dar conta de tudo. Já no fim do expediente, ela ainda serve um café no balcão, para o último cliente, quando levanta os olhos na direção da porta e para a sua surpresa, vê Damien entrar.
O loiro olha atendo. Parece procurar por ela. E quando seus olhos se cruzam aos dela, o rapaz se permite sorrir de satisfação, ao ver sua, pequena, depois de dias.
- Ah, Bel, ele veio me vêr! - Eliza cutuca Isabel, vendo o loiro caminhar em sua direção.
- Olá, pequena! - diz o rapaz com sua voz adorável, assim que se encosta no balcão, com os olhos presos, nela.
A garota apenas lhe sorri.
- Sei que ainda falta um pouco para o fim do seu expediente. - Ele olha para o relógio. - Mas quero te levar para comer seu lanche preferido, na melhor cafeteria que existe!
- Mas aqui tem chocolate quente. O que acha de tomarmos por aqui mesmo?
- Não Liza, tem que ser na "sua" melhor cafeteria! - declara ele, sorrindo gentil e Eliza parece esquecer como se respira.
- Só faltam alguns minutos, podem ir, eu me viro por aqui - pede Isabel.
- Tem certeza, Bel? - Eliza olha preocupada.
- Divirtam-se! - Termina Isabel, dando-lhe uma piscadela.
- Obrigada, Bel, você é demais! - Eliza comemora, entrando rápido na cozinha ao mesmo tempo em que desamarra seu avental de forma apressada.
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Assim que Eliza abre a porta dos fundos, Damien se vira, surpreso.
- Eu não sabia que você veio de bicicleta. - Ele pega a bolsa dela e a pendura sobre seu ombro.
- Hoje o dia foi corrido, então acabei me atrasando - diz Eliza, empurrando a bicicleta.
- Eu tenho uma ideia melhor para chegarmos mais rápido. - Damien decide pegar a bicicleta das mãos dela. - Vem, Liza. Eu te levo. - Ele sobe na mesma e encosta a mão na cintura dela.
- Se você me derrubar?
- Ah, pare com isso, Liza! Você é leve como uma pluma! Agora venha, eu prometo tomar cuidado. - Ele afasta uma mecha de cabelo do rosto da pequena garota e deixa um selar carinhoso em sua bochecha.
Logo eles seguem caminho pelas lindas ruas da cidade, admirando tudo enquanto conversam. Eliza sente o vento bater em seu rosto, levando seus cabelos. Por um momento, ela sorri fechando os olhos, parecendo sentir-se bem melhor.
Damien pedala com calma e sorri assim que o vento traz o perfume de morango dos cabelos de sua pequena, bem próximo de seu rosto.
Assim que chegam na cafeteria, Eliza desce. Damien encosta a bicicleta e segue em direção da porta, abrindo para ela. Eles entram e mais que depressa, o calor aconchegante do ambiente, junto ao aroma bom de café, parecem lhes cumprimentar. Eles encontram um bom lugar perto das janelas altas, onde a vista é convidada:
- Precisamos conversar, Liza. - Ele puxa a cadeira, se ajeitando.
Eliza encontra seus olhos azuis, depois suspira desanimada.
- Eu te conheço à alguns meses e já posso falar sobre suas características. E uma delas é que você é péssima em mentir, ou guardar segredos. Sei que já falou com seu pai e pelo visto, não foi uma conversa fácil.
- Sim, Damien. Eu... falei com ele - declara ela, sem querer dar muitos rodeios. Porém, sente seu coração apertar.
- Vamos, me conte como foi?
- Foi horrível! Meu pai ficou tão bravo, disse que eu preciso... terminar o namoro e voltar para o Brasil - declara ela, de uma vez.
- O que!? - Damien franze o cenho ao ouvir tal declaração, ficando surpreso e logo em seguida, pensativo.
- Ai, Droga! Eu deveria ter dito isso com outras palavras! - Ela se preocupa, esfregando a mão sobre a testa.
- Não se preocupe, Liza. Agora vamos, me conte tudo! - Ele a apressa.
- Eu tentei convencê-lo de aceitar nosso namoro, mas não adiantou, então nós discutimos feio. Ele ficou tão bravo que decidiu não me ajudar mais. Nem estamos nos falando. - Ela abaixa o olhar - eu terei que me virar agora, se quiser continuar aqui e terminar minha faculdade.
- Porque não me disse antes, Liza? - ele olha preocupado. - Sabe bem que estamos juntos nessa e eu quero te ajudar no que precisar.
- Eu tentei falar, mas estava tentando me ajeitar primeiro. O que me preocupa é como vai ser agora. Estou tentando pegar a faculdade, o aluguel e as outras contas com o dinheiro da cafeteria, mas... Parece que não está dando certo.
Eliza confessa seus anseios, deixando Damien surpreso. Depois abaixa a cabeça. Bem baixo. Sente suas bochechas esquentarem e os olhos embaçarem, iniciando um choro doído, baixinho, junto a soluços.
- Você me disse tantas vezes que não queria me trazer problemas! - Declara ela em meio a soluços.
Damien fica preocupado, enquanto observa lágrimas escorrerem rápido, pela face linda de sua pequena.
- Oh, Liza! Não chora... - Ele se levanta e vai para o lado dela. Senta-se bem junto a ela e passa o braço ao redor de seus ombros. - Você deveria ter me dito antes. - Ele olha para a frente afagando seus cabelos - eu não vou te deixar, Liza. - Ele aperta os olhos a abraçando apertado - Eu já havia decidido isso. Espero que você também. Apesar de tudo.
- Mas as coisas estão ficando tão complicadas! - Ela levanta os olhos em sua direção. O acastanhado de seu olhar brilha de lágrimas e profunda tristeza, pareceu quebrar o rapaz por dentro.
- Você me disse uma vez que está fazendo isso por mim! - Ele limpa uma lágrima dela com o polegar. - Por isso, eu quero fazer tudo o que eu puder por você, também.
Eliza o abraça ao ouvir isso.
- Sim, eu estou. - diz ela, com o rosto em seu peito. - Eu só não faço ideia de como fazer isso realmente, me sinto perdida.
- Não chore! - pede ele, com os olhar triste. - Eu odeio te ver assim. - diz o loiro, mas seus olhos também brilham, parecem formar lágrimas.
Eles ficam ali por um momento, abraçados.
....
- Coma alguma coisa, pequena.
Damien tenta animar Eliza, com um olhar adorável, empurrando a xícara branca com o chocolate quente, que trás um belo desenho dentro, para perto dela. Porém, Eliza ainda mantém a cabeça baixa, enquanto o chocolate esfria:
- As coisas vão melhorar, eu já pensei em algo, vou pedir dinheiro para os meus pais, então você paga a faculdade com dinheiro do trabalho e eu pago o seu cartão para você usar no que precisar, hum?! - Ele tenta vê-la melhor.
- Não, isso não! - A garota nega rápido, enquanto tem os olhos fixos nele.
- Liza, me deixa te ajudar. - Ele segura o queixo dela e sorri de leve, em meio ao clima triste.
- Eu não posso aceitar seu dinheiro! - ela olha inconformada. - por favor, não me peça isso.
- Saiba que não me importo, é uma boa opção, mas você é quem decide, amor!
- Não se preocupe, eu vou pagar as coisas com o dinheiro do trabalho e minha mãe vai pagar meu cartão. - Termina Eliza.
- Não quero que isso atrapalhe nosso relacionamento. Nós vamos continuar juntos e vamos lutar por isso, certo? - Mesmo sabendo que vai ser difícil,
eu quero que os seus dias sejam os melhores aqui em Paris!
Damien termina a apertando forte contra seus braços.
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