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•006

Sinto meu corpo ser chacoalhado levemente para que eu acorde.

-Sai Cléo, hoje não vou pra aula.- digo de forma arrastada, e puxo a coberta cobrindo a minha cabeça.

-Considerando que ainda não está matriculada em uma escola, realmente não vai pra aula.- Pepper diz rindo.

Ao ouvir a voz da mulher me sento rapidamente na cama, me dando conta de onde eu estou. Olho para os lados um pouco assustada, e as lembranças de ontem vem à mente.

-Te assustei?- seu tom de voz é preocupado.

-Não é que… acho que não me acostumei ainda.- explico um pouco constrangida.- foi tudo tão de repente que parece sonho.- solto uma risada nasal.

-Tudo bem querida.- diz levando uma de suas mãos ao meu cabelo fazendo um carinho ali.-Desculpe por ter te acordado, só queria que tomasse seu remédio na hora certa.- diz me entregando um copo de água que estava em sua outra mão.

Meu cabelo com certeza estava armado e apontando para todos os lados, provavelmente tinha remela nos olhos e a cara amassada matinal, mesmo assim tentei não me importar com isso e agi normalmente pegando o remédio que tinha que tomar naquele horário.

Entrego o copo vazio para ela e me deito de novo, puxando as cobertas para mim. Estava frio hoje. Jarvis já tinha aberto a enorme cortina, deixando evidente o céu nublado.

-Jarvis me disse que demorou a dormir.- diz se sentando ao meu lado na cama.

Após a fala dela olho para o meu livro que estava em cima do criado mudo ao lado dos meus remédios, enquanto não conseguia dormir, fiquei lendo ele até ficar com sono, tinha passado da metade dele e marquei a página onde parei com uma das minhas fotos antigas.

-Acontece às vezes…- digo sem olhar para ela.

-Achei que tinha um remédio para isso.- Pepper diz com a voz suave, provavelmente com medo de estar me pressionando.

Mesmo não estando acostumada com isso, tinha que aceitar que ela era algo como minha figura materna, então seria normal esse tipo de preocupação.

-Ele me deixa enjoada, por isso não tomei ontem.- explico.

-Certo, vamos pedir para o Dr. Hazel mudar ele então.- diz olhando para mim, mas seus olhos descem para um ponto específico no que não demorei a perceber que é meu pulso.- Dói?- pergunta apontando para as faixas.

-Um pouco, pra falar a verdade, o corte foi muito fundo e infeccionou.- Respondo escondo meus braços, para evitar o olhar.- mas não se preocupe, estou cuidando. -Digo apontando para a pomada que estava junto aos meus remédios.

-Se começar a doer demais ou coisa do tipo, não hesite em me falar, ok?- diz com seu típico olhar carinhoso, que me faz concordar com um sorriso.- Bem, não queria te deixar sozinha, mas infelizmente tenho uma empresa para gerenciar.

-Oh, entendo…- fico meio nervosa com a ideia de ficar sozinha.

-Mas não se preocupe, o Tony vai estar aqui, provavelmente na oficina o dia todo.- diz sem saber que isso piora o meu nervosismo.- Mexi um pouco na minha agenda, vou conseguir chegar bem mais cedo em casa, então mais tarde podemos fazer alguma coisa juntas, o que acha?

-Ótima ideia!- digo animada.

Não sabia o motivo por ela querer passar o tempo comigo, mas não posso negar que gostava da atenção.

-Combinado então.- diz se levantando.- ainda tá cedo, então pode voltar a dormir, ou explorar a nossa sala de cinema.- fala se dirigindo a porta.

-Sala de cinema?!- me sento na cama visivelmente bem interessada.

-Sim, sala de cinema.- confirmar rindo da minha animação.

-Isso é tão legal.- digo animada.

-Bem, parece que já arranjou algo para fazer. Te vejo mais tarde querida.- se despede me lançando um beijo, ela sai pela porta antes que tenha a possibilidade de fazer o mesmo.

Me espreguiço na cama e tomei um impulso para levantar, ainda estava com sono, mas estava acostumada a levantar cedo então não iria conseguir dormir de novo.

Vou ao banheiro e faço as minhas necessidades e tento ajeitar meu cabelo. Assim que termino vou para o closet e resolvi colocar a mesma roupa de ontem ela cairia bem para o frio que está fazendo hoje.

"O clima hoje está nublado e com fortes chances de chuva, sugiro mais agasalhos se for sair de casa."

Jarvis declara assim que saio do closet.

-Não planejo sair Jarvis, mas obrigada pela informação.- digo enquanto desenrolo as faixas do meu pulso.- Que filme estão disponíveis na sala de cinema?- Pergunto começando a passar a pomada nas cicatrizes.

"Além de poder assistir todos os filmes que estão no cinema público, pode também assistir qualquer tipo de programação que desejar."

-Até mesmo filmes estrangeiros? .- Enrolei faixas limpas no meu pulso, e assim termino meu trabalho.

"Certamente."

Solto um sorriso radiante com isso, pode parecer cafona, mas agora poderia assistir minhas novelas mexicanas em alta resolução, sem ser pela tela rachada do meu celular.

Por falar em celular, me lembro dos eletrônicos na mesa de estudos. Me aproximo e vejo os aparelhos de última geração, coisa na qual eu nunca pensei que teria.

Pego meu celular que já estava com uma capinha transparente, ele já estava configurado, fuçando um pouco noto alguns números salvos. Pepper, Tony, Happy, Dr. Hazel e, alguém chamado Rhodes, não sabia quem era, mas para já ter o contato dele aqui, queria dizer que era alguém que Pepper confiava. Abro meu notebook que é da mesma marca e vejo que ele também está configurado.

Fico um pouco na dúvida se já ficava com o celular novo ou não. Decido ficar mais um tempo com o antigo, não sei se é por apego material ou por não querer parecer interesseira ao aceitar as coisas sem mais nem menos.

Saio do quarto olhando de um lado para o outro, eu ainda lembrava do caminho para a cozinha, mas não fazia a mínima ideia de onde ficava a sala de cinema na qual me interessei, ou qualquer outro lugar da mansão.

-Jarvis, porque não fazemos um tour pela casa?

"Agora?"

-Sim!- respondi animada.

"Muito bem então, siga por favor."

O mesmo caminho que foi feito no chão ontem é feito agora, ele me guiava para o andar de cima.

Não sei quanto tempo o tour durou, mas sei que conheci e me surpreendi com cada canto. Fiquei admirada assim que vi a sala de cinema, quatro fileiras de dez lugares e uma tela gigante, na qual fez meus olhos brilharem. Também fiquei admirada com a piscina na área externa do andar, mesmo não sabendo nadar fiquei tentada a dar um mergulho ali.

Me aventurei no escritório de Tony, fiquei meio apreensiva no começo, com medo dele não gostar que eu entrasse ali, mas Jarvis me assegurou que eu tinha acesso a todos os cantos da casa, então com o auxílio do papel com as senhas que Pepper me deu, eu entrei e fiquei admirada com as estantes de livros que tinha ali, todos falavam sobre tecnologia, mecânica e física, Jarvis disse que era o local onde Tony gostava de estudar, fiquei tentada a folhear algum, mas o medo de estar fazendo algo errado me venceu, então rapidamente sai dali.

"E por fim, a nossa sala. Fique a vontade com a televisão, temos todos os streamings disponíveis e vários canais para entretenimento."

Jarvis declara ao chegarmos no nosso último ponto que era a sala, fiquei surpresa com o tamanho da TV que era quase tão grande quanto a tela da sala de cinema. O sofá era enorme, do tipo que caberia perfeitamente um time de futebol.

-Impressionante.- digo me sentando no sofá, que é bastante confortável.

Apoio minhas costas no encosto do sofá e jogo a minha cabeça para trás encarando o teto agora. Me perguntava se um gigante de quase cinco metros caberia aqui dentro.

"Deseja que eu peça para fazerem seu café da manhã?"

Jarvis pergunta e imagino que quem faria seria as empregadas, não daria esse trabalho para elas, já imaginava o que elas passavam com essa mansão inteira.

-Eu mesma posso fazer meu café da manhã.

"Então recomendo que se dirija a cozinha mocinha, está acordada a uma hora e ainda não tomou café."

Quase rio com o tom quase mandão e severo da IA, mas confesso que fiquei admirada com o fato de que uma inteligência artificial consegue imitar um sentimento na voz.

-Bem já estou indo.- digo já me levantando e uma ideia me vem à cabeça, uma ideia na qual não queria ter.-Jarvis, o Tony já tomou café?

"Ainda não."

Respiro fundo com isso, pensando se chamá-lo para tomar café seria uma boa ideia.

-Ele está muito ocupado?

"Creio que não, Kelly."

Ok, pelo visto ele não está muito ocupado.

Fico parada por alguns segundos, pensando se realmente seria uma boa ideia. As palavras do meu terapeuta vem à mente, eu tinha que enfrentar meus medos, eu nunca falaria com meu pai se eu não tentasse me aproximar. E apesar do meu medo eu queria ter pelo menos uma relação de amizade com ele.

Calma Kelly, o máximo que pode acontecer é ele dizer que está muito ocupado agora e que não vai poder ficar com você.

Repito isso duas vezes para mim mesma antes de me mover até a oficina.

Ele não vai te bater.

Ele não vai tocar em você.

Você precisa ser forte.

Repito as frases enquanto desço as escadas.

Assim que terminei de descer vejo as portas e paredes de vidro da oficina, ele estava de costas para mim sentado em uma mesa com um notebook aberto em sua frente, parecia concentrado.

Sinto uma gota de suor escorrer pela minha nuca, droga por que isso é tão difícil?

Minhas mãos começam a tremer quando dou meu primeiro passo para a porta, na hora meus joelhos falharam e dei meia volta para subir os degraus novamente, para sair dali o mais rápido possível.

Porém assim que piso no segundo degrau as palavras do meu terapeuta voltam a rondar minha mente.

"Do que seu medo te priva?"

Não! Eu não vou mais deixar de viver por conta do meu medo!

Eu ainda estou apavorada, mas desço as escadas novamente e paro de frente para a porta de vidro. Eu preciso enfrentar isso!

Fico poucos segundos encarando a porta, pego o papel com as senhas e olho por um instante, no final decidi bater na porta, para não ser tão invasiva.

"Ele não vai te ouvir, o som está muito alto, mas pode entrar, você tem acesso."

A voz mecânica de Jarvis diz em um tom surpreendente baixo após a terceira vez que bati e nada.

Penso em pedir para Jarvis falar que estou na porta, mas o tom de voz que a IA usou deu a entender que estava torcendo para que eu entrasse.

Minhas mãos ainda tremiam, mas coloquei a senha no painel, e assim que a porta foi aberta o som alto de um Rock pesado invadiu meus tímpanos.

Entro na oficina admirada com a tecnologia, nunca tinha visto nada assim.

Assim que estou a uma distância considerável de Tony, penso em como chamá-lo, senhor Stark parecia muito formal e pai era uma palavra na qual eu custava falar em voz alta, porém ele podia não gostar que eu o chamasse somente de Tony.

Antes que eu dissesse qualquer coisa o volume da música abaixa bastante.

"Senhor Stark, a Kelly está aqui."

Assim que Jarvis termina de dizer, o homem vira rapidamente com uma expressão surpresa. Nossos olhos se encontram e eu não poderia estar mais acanhada.

-Hum, oi…- digo acenando em cumprimento, mas me arrependo imediatamente quando a manga do moletom deslizou revelando as faixas no meu pulso, odeio chamar a atenção pra isso.- Eu... Eu vim te chamar pra tomar café comigo…

-Estou ocupado agora, pede pra uma das empregadas fazer.- Diz com um tom sério voltando a olhar para o notebook.

Engulo em seco diante do tom indiferente que ele usou.

-Não é isso, eu consigo fazer sozinha… eu só queria passar um tempo com você.

Ele volta seu olhar pra mim ainda sério, porém suas sobrancelhas se encontram arqueadas. Desvio o olhar sem graça e mordo meus lábios, extremamente nervosa. Como isso consegue ser a coisa mais difícil que fiz na vida?

-Já disse, estou ocupado agora.- responde com seu tom sério, e novamente desvia o olhar para o que estava fazendo.

Sabia que depois dessas negativas seria melhor eu ir embora, mas querendo ou não, éramos uma família, não é? E também não é como se ele fosse me bater por insistir mais um pouco.

-Eu posso te ajudar então? Não entendo muito do que você faz, mas eu aprendo rápido e sempre tive curiosidade com…

-Olha garota.- me interrompe com a voz grossa se virando para mim e vindo na minha direção.- Eu já disse que agora estou ocupado, por que não arranja uma coisa pra fazer?

Arregalei os olhos com o comportamento bruto. Acabei tendo que piscar algumas vezes para espantar as lágrimas que instintivamente ameaçaram cair dos meus olhos.

-E-eu só…- tento argumentar, mas parece que isso o faz perder a paciência.

-Não era pra você estar aqui, eu tenho um monte de coisa pra fazer e não quero você me atrapalhando, então você pode por favor, sumir daqui.- diz quase gritando. Me encolho por um instante quando ele levanta a mão, mas vejo que era só para apontar para a porta.

-Já entendi, me desculpe.- digo com a voz falha por conta do choro preso.

Saio apressada dali assim que termino de subir as escadas solto o choro que estava prendendo, começo a ofegar e começo a me sentir claustrofóbica mesmo na mansão, e isso me faz sair da casa em busca de ar.

-Ele não ia te bater, não ia…- sussurro pra mim mesma enquanto tento recuperar a respiração.

A tentativa de me acalmar não funciona, e eu não suportaria mais a sensação de olhar para o Stark novamente. Ainda mais com as palavras dele se misturando com as palavras do meu avô na minha mente.

Mal vejo o momento em que eu saí da propriedade, eu estava apenas andando em modo automático enquanto a sensação de solidão e desespero me puxava para dentro de mim. Lágrimas ainda deslizam silenciosamente no meu rosto, e tento respirar fundo para impedir um choro forte.

Não sei por quanto tempo eu andei, mas só parei de andar ao sentir o chão mudar. Caio em mim e olho ao redor vendo absolutamente nada, somente o mar e a areia.

O tempo estava nublado e as nuvens estavam carregadas de chuva. Mesmo assim me aproximo mais do mar e me sento na areia.

Sempre tive vontade de ir à praia, o mar é uma coisa que me hipnotiza, infelizmente nunca tinha tido a oportunidade e fico desapontada por estar tão triste agora que não consigo nem ficar feliz por estar aqui pela primeira vez.

Um vento forte passa por mim, me fazendo abraçar meu corpo em busca de calor. Devia ter ouvido Jarvis.

Minha consciência grita para que eu volte pra casa. Mas lá não é minha casa, não com pessoas que nunca quiseram minha presença.

O meu terapeuta disse que eu tinha que viver, que eu tinha que deixar meu passado para trás. Ele também disse que meu passado não iria me machucar, mas machuca, toda vez que eu tento ser melhor ele vem e mostra que faz parte de mim, é uma coisa que não vai sair, por mais que eu tente.

"Senhor Stark, a Kelly…"

-Agora não Jarvis!- Tony grita impaciente para a IA.

"Mas senhor, ela…"

-Eu disse não!

"Desculpe senhor, mas devo insistir…"

O Stark não espera a IA terminar de dizer, simples pega o tablet que tinha o controle de Jarvis e o desliga.

Agora sabendo que a IA estava desligada, ele suspira e apoia a cabeça nas mãos.

Tony já tinha acordado estressado, tinha tido um pesadelo, no qual o impediu de voltar a dormir, o ferro ainda não tinha chegado e esse metal era uma parte crucial para o que estava trabalhando. Estava mandando um email para a empresa na qual tinha comprado o ferro quando a garota tinha chegado na oficina.

O Stark só tinha percebido o quanto foi idiota com a garota, quanto terminou de mandar o email, e se sentiu péssimo por agir daquele jeito com a menina que queria apenas passar um tempo com ele.

Isso fez seu estresse piorar e a última coisa que precisava agora, era de Jarvis o lembrando do quanto era idiota.

Na tentativa de esquecer que tinha acabado de acabar com sua única chance de se aproximar da sua filha, o Stark começa a trabalhar em uma das suas armaduras, essa sendo a única coisa capaz de distraí-lo.


O dia de Pepper foi cansativo, tinha adiantado algumas reuniões para conseguir sair mais cedo, por isso estava cansada, mas ao mesmo tempo estava animada.

Sentia que Kelly gostava dela e estava ansiosa para passar um tempo com a garota, com sorte convenceria Tony a sair da oficina e se socializar com sua filha. Se o tempo não fosse tão ruim os levaria para a praia, mas por enquanto se contentaria em assistir um filme na sala de cinema com eles.

-Tem o resto do dia de folga Happy.- declara para o homem antes de sair do carro. Deixando ele animado por poder colocar sua novela em dia.

Assim que pisa os pés dentro de casa, tira os saltos e agradece por ter tido a sorte de chegar antes da chuva que não demoraria a cair.

Passa pela sala e não vê a garota ali, imagina que ela estava em seu quarto.

-Kelly?- a chama dando duas batidas na porta. Sem resposta.- Querida, tudo bem?- novamente sem resposta. Por conta disso abre a porta devagar imaginando que a garota estaria cochilando. Mas encontra um quarto vazio.

O coração da mulher acelera um pouco, ela repete o jeito de abrir a porta do banheiro e do closet, mas também os encontra vazios. Seu coração quase sai pela boca, mas ela se lembra que a menina poderia estar na sala de cinema, não consegue segurar o suspiro de alívio com isso.

-Kelly, tava pensando…- se interrompe ao abrir a porta da sala e a encontrar vazia.- KELLY?!- grita por ela, sentindo seu coração voltar a falhar. Se ela não estava lá, onde estaria?

Ela imediatamente se põe a andar apressada, abrindo toda porta que vê pela frente na esperança de encontrar a menina. E pela primeira vez odiou morar em um lugar tão grande.

-Jarvis cadê a Kelly?- perguntou descendo as escadas quase correndo.- JARVIS?- grita ao não receber resposta e tem que segurar suas lágrimas por conta disso. Sentia que algo estava muito errado.

Pepper chega na oficina ofegante e desesperada, tal ato que preocupa o Stark que nota a mulher pela chegada brusca da mesma.

-Tony, a Kelly sumiu, não encontro ela em lugar nenhum.- a ruiva diz exasperada, ignorando as tentativas de Tony de acalmá-la.- Jarvis cadê a Kelly?! JARVIS!- gritar impaciente sentindo seu coração se apertar ainda mais. A preocupação era evidente na mulher.

-Respira fundo Pepper, ela deve ter se metido em algum lugar, olha o tamanho dessa mansão.- Tony tenta acalmá-la e pega o tablet com pressa por conta do estado da mulher. Assim que liga Jarvis novamente, o programa mal termina de reiniciar e a voz de Jarvis é ouvida com uma surpreendente preocupação.

"A Kelly saiu de casa."

-O que? Para onde? Por quê?- pergunta exasperada.

"Eu não sei pra onde, ela saiu visivelmente abalada depois depois da pequena discussão com o Tony."

Pepper puxa o ar em uma tentativa de conter os nervos.

-Que horas foi isso?- pergunta levando a mão à testa, secando as gotas de suor de puro nervosismo.

"Por volta das nove horas da manhã."

A ruiva prende o maxilar em pura preocupação, já eram quase quatro horas da tarde, vários cenários se passavam por sua cabeça.

Ela se volta para Tony, pronta para descontar tudo nele. Mas quando seus olhos encontram o homem, ela o vê com os olhos arregalados, visível desespero e preocupação junto com uma respiração ofegante, que beirava o pânico. Pepper perde a vontade de descontar aquilo nele, ele sabe o que fez, e isso já estava acabando com ele.

-Tony!- a ruiva chama alto. Diferente da raiva e do desespero que o Stark esperava, a voz grita decepção.- Eu quero te dizer um monte de coisa, inclusive o quão foi irresponsável, mas precisamos achar ela o mais rápido possível, antes que ela faça alguma coisa contra si mesma.

O que ela diz termina de acabar com ele de uma forma maçante. Não tinha se tocado até agora que poderia disparar gatilhos sobre os traumas da garota, traumas esses que fizeram ela tentar cometer suicídio. Agora, depois de todas essas horas que a menina passou fora de casa, podiam encontrá-la morta.

-Vou ligar pra polícia. Liga para o terapeuta, veja se ele pode ter uma ideia de onde ela está.- diz se movendo rapidamente pela oficina, Pepper segue seu exemplo e sobe as escadas o mais rápido possível para encontrar seu celular.

Em meio a sensação de desespero e preocupação, outro sentimento se instala ali, um sentimento no qual o faria achar sua filha viva, e a traria para casa custe o que custar.

~Se acalme, senhorita Potts, conheço um detetive do FBI, vou mandá-lo atrás dela agora mesmo.

-Obrigada, Dr. Hazel.- Pepper diz em prantos para o homem através do celular.- E-eu não sei o que fazer, estou tão desesperada, foi tudo culpa minha eu não…

~Respire fundo, pensar assim não vai ajudar em nada. Já estou a caminho, quero estar ai quando ela chegar. E tenho certeza que ela vai chegar.- acrescenta em uma tentativa de dissipar os pensamentos negativos da mulher.

-Tudo bem Hazel, te aguardo.- desliga a chamada depois de se despedir brevemente.

A sua preocupação era palpável, e ficou ainda pior quando a chuva começou a cair com um raio estrondoso a anunciando.

Ao ouvir os passos apressados do noivo subindo as escadas, ela se vira para ele esperançosa.

-A polícia disse que vai fazer o possível, falei até com Rhodes.- Tony declara assim que seus olhos encontram a noiva.- O que nos resta agora é esperar.

A mulher suspirou e se sentou no sofá, estava se sentindo completamente derrotada.

-Olha Pepper, me desculpa…

-Não é pra mim que tem que pedir desculpa, poxa Tony, na primeira vez que sua filha vai falar com você, recebe esse tipo de tratamento. Sabe que ela pode ser tirada da gente por conta disso, não sabe?

A fala da ruiva faz o Stark abaixar a cabeça.

Ele até pensa em dizer algo para a mulher, alguma coisa para rebater, mas como sempre, sua noiva estava certa. Então ele apenas sai dali derrotado.

Tony estava indo em direção a seu quarto, queria ficar sozinho em um lugar onde poderia deitar e chorar sem que ninguém veja o quão patético ele é por se entregar ao desespero da sobrecarga de sentimentos.

Desde Nova York seus sentimentos estavam à flor da pele, isso era tão novo para ele, e tão intenso, não estava preparado pra isso.

Antes que chegasse ao seu quarto, ele para de frente ao quarto da filha, parecia que uma força invisível o moveu, porque no segundo seguinte ele estava girando a maçaneta e abrindo a porta.

Ele adentrou o cômodo sem saber ao certo o porque estava alí, mas assim que prestou atenção nas coisas, o ar da realidade passou sobre ele.

Aquele era o quarto de sua filha, sua filha que estava morando com ele agora, finalmente, depois de 15 anos, e que agora não estava alí por conta de seu ego que vinha acompanhado do sobrenome Stark.

Tony analisou o quarto atentamente, era a primeira vez que estava alí, não tinha nem participado da decoração. Sabia que Pepper daria o seu melhor ali e realmente, parecia o quarto que toda garota sonharia em ter, embora faltasse um pouco personalidade da dona do quarto. Stark se perguntou que tipo de pôster ou decoração ela gostaria de ter ali, e desejou fazer parte desse momento, mesmo que agora duvidasse bastante que ela fosse o querer por perto.

Vendo cada detalhe que Pepper planejou para o quarto, uma sensação quente preencheu seu peito, porém essa sensação foi embora assim que entrou no closet da menina. Queria ver se ela já tinha arrumado as coisas. Seu coração de ferro se apertou ao notar somente alguns cabides sendo utilizados e o lugar onde cabia vários pares de sapatos parecia vazio apesar dos seus pares de sapatos gastos.

Saiu do closet com um gosto ruim na boca. Ele era a porra de um bilhonario e a sua filha não podia ter simplesmente comprar sapatos sempre que queria? Parecia uma piada cruel do universo.

Se sentindo completamente derrotado, se deita na cama da menina, olha pro teto por um tempo tentando afastar os pensamentos intrusivos que diziam o quão ruim ele era por ter deixado sua filha viver com tão pouco durante anos.

Na mesinha de cabeceira, ao lado da cama, ele nota um livro, podia se ver a página marcada com alguma coisa indicando que estava quase no final. Curioso para saber sobre o gosto literário da garota, ele puxa o livro para si, no processo acaba derrubando uma caixinha de remédio. Ao pegar o recipiente nota que se tratava de um antidepressivo, e ao colocar o remédio no lugar, ele tem que voltar a ignorar a voz que dizia que isso era culpa dele.

Tony obviamente sabia que era feio fuçar as coisas dos outros, por isso torcia para que Pepper não soubesse que ele estava ali.

Mas ao ter o livro de capa rosa em suas mãos, o que era aparentemente a única coisa que dizia sobre a personalidade ou os gostos da garota, teve que folheá-lo, querendo saber do que se tratava, mesmo que o título desse uma grande dica sobre isso.

Passando por entre as páginas, acaba deixando o marcador escorregar entre elas. Ao se dar conta do que a garota estava usando como marcador, o coração do homem dispara.

Uma foto na qual a Kelly não parecia ter mais de quatro anos, usando uma fantasia de abelhinha, em seus lábios sustentava um enorme sorriso, provavelmente mais do que feliz com o que usava.

Tony segura aquela foto como algo sagrado, tão delicado que parecia que ao menor toque aquela foto se desintegraria. Seus olhos se enchem de lágrimas e dessa vez é impossível segurá-las.

Era sua filha ali, tão pequena e inocente, muito provavelmente nessa idade a nem fazia ideia dos anos ruins que a aguardava. Imediatamente surge uma imensa vontade de pegar essa garotinha na foto e guardá-la em um pote e protegê-la do mundo.

Se arrependeria até o fim de sua vida por não ter feito parte dos primeiros anos dela. Em pensar que tudo que a garota passou poderia ter sido evitado e que sua vida poderia ter sido diferente.

Mas sinceramente depois de ter tratado a menina daquele jeito na primeira vez que ela tentou se comunicar, o fez ter certeza que teria sido um péssimo pai se soubesse da garota naquela época.

Entretanto, daquela época para cá, Tony Stark mudou, mesmo que seu ego e sarcasmo continuem, agora é um herói e faria de tudo para ter uma aproximação de sua filha, e recuperar todo tempo perdido.

"Senhor, sua presença é requisitada na sala."

-Estou indo.- responde bufando enquanto se esforçava para sair do colchão macio e convidativo da cama. A quantos dias não dorme direito?

Ainda com a fotografia em mãos, ele desce para a sala torcendo para que seja algo relacionado a sua filha.

Ele ouve algumas vozes na cozinha e quando chega lá se depara com Pepper e o terapeuta de sua filha tomando uma xícara de chá. Pepper tinha a expressão de choro enquanto o terapeuta mantinha uma expressão tranquila e tentava tranquilizar a mulher.

-Não foi sua culpa senhorita Potts, preciso que se acalme para que pense racionalmente.- o Terapeuta diz com seu típico tom monótono.

-Ele quer entrar na sua mente.- Tony não se contém em provocar sarcasticamente.

-Ele está aqui pra ajudar Tony, seja gentil.- Pepper repreende entredentes.

O Stark apenas levanta os braços em um gesto de rendição.

O terapeuta que até então o olhava com calma toma a palavra.

-Tambem não é sua culpa senhor Stark, a alguns meses atrás estava dentro de um buraco negro e é de conhecimento público seu mau relacionamento com o pai. É compreensível que sua primeira resposta a tentativa de aproximação de sua filha tenha sido o afastamento, por conta de seus próprios traumas.

Tony encara o terapeuta boquiaberto, como ele ousa compreendê-lo tão bem?

-Se está tentando entrar na minha mente, não vai conseguir.- cruza os braços com uma carranca.

-Talvez você devesse conversar com alguém sobre isso Stark, pelo bem de sua família.- o doutor diz, deixando Tony pensativo.

Pelo bem de sua família. Céus, o que o Stark sabia sobre família?

-Ele tem razão Tony, pelo bem dela.- Pepper diz tocando seu ombro com carinho.

A ruiva sabia que o Stark pouco se importava com seus próprios problemas, sempre achava que uma hora ou outra eles sumiram. Mas o senso heróico do noivo sempre fazia ele se importar com os outros, do jeito dele.

-Está bem…- Tony murmura em concordância.- vou procurar alguém para falar sobre.

Pepper sorri grandemente e o abraço com carinho, o abraço é prontamente devolvido por Tony, que tinha o repentino desejo de ter a filha no meio deles.

-O que tem aí?- a ruiva pergunta ao notar algo na mão do noivo.

Com um sorriso Tony mostra a fotografia para a mulher. E assim que os olhos da ruiva encaram a garotinha fantasiada e sorridente seu coração infla com um amor que mal podia conter no peito.

O terapeuta observava o casal admirando a foto, via ali um grande potencial para uma família e estava disposto a levar sua paciente a ver isso também, mais do que isso na verdade, queria fazer Kelly enxergar que ali era o seu lugar.

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