4. Tabuleiro
Eu tinha problemas demais para lidar, problemas estes que incluíam Kim Taehyung bêbado.
É, aparentemente seu gene é fraco para bebidas alcoólicas mas não importava tanto quando tomava dose através de dose como se o mundo pudesse acabar, se ele estava acabando Taehyung seguia junto.
Caindo para os cantos com seu andado instável balanceado para lá e para cá murmurando repetidas vezes que estava em uma corda bamba e não poderia cair, caso acontecesse morreria drasticamente. Eu poderia empurra-lo e mostrar que do chão não passa a menos que crie um grande buraco.
Mas... não o fiz.
Embora quisesse muito, resisti.
Havia também um detalhe informal seguindo meus passos como uma sombra menos atraente claro, Jungkook me observava sem falar ou agir apenas um olhado de soslaio que é suficiente para suspeitar de qualquer possível ação programada em sua mente.
Tipo uma criança, quando muito quieta está aprontando.
O único detalhe é meu envolvimento.
— Poderia ajudar seu amigo? — Digo irritadiça caminhando para alcançar Taehyung, outra criança. — Não me formei como babá de marmanjos que não sabem lidar com álcool.
— E você acha que eu me formei?
— Poderia, se formar como babá te daria as chaves para lidar consigo mesmo. — Continuo sentando o bêbado na calçada calmamente esperando que não caia dali.
— Me chamou de criança? — Pergunta aproximando o corpo para perto do meu.
— Eu não disse isso mas se dentre tudo que disse foi essa sua dedução tem algum motivo não acha? — Sorrio logo voltando ao normal. — Onde ele mora?
— Vou chamar o motorista dele. — Afasta-se com o celular em mãos e fico frustrada pelo decorrer da noite, não tudo, mas uma boa parte.
Uma noite que aparentemente prometia muito, rendeu pouco. O que se pode esperar de homens tentando me subjulgar, o acontecimento frequente nessa noite.
Não vindo de Taehyung e Jungkook — estes que se mantinham bebendo como se estivessem no deserto ou soltando flertes monótonos respectivamente. Mas fiquei um tempo à mercê de senhores medrosos, que por terem testosterona se acham os melhores do universo.
Pensando bem, exatamente isso os fazem sem graça.
Porque pessoalmente não há nada melhor que um homem ciente do poder de uma mulher e que não se ofende por isso... Mentira, há algo melhor sim.
Uma mulher que conhece sua própria força.
— Ele chegou. — Avisa. — Deixe-me levantar ele.
— É claro que deixaria, eu definitivamente não o levantaria. — Resmungo. — Taehyung é um péssimo companheiro para noitadas.
— Oh, você ainda tem à mim.
— Tenho a mim mesma, julgo ser o bastante.
Jungkook sorri calmamente colocando o corpo mole de Taehyung com certa facilidade no carro, parecia um costume rotineiro deles.
Eu tinha desperdiçado uma noite inteira para esse momento, minha casa não tinha grandes atrativos além da preguiça fixa ao corpo de Yoongi que quase fundia-se com o sofá quando não estava compondo.
Embora não dissesse diariamente, amava ouvir seu cantarolar sem sentido pela casa enquanto imaginava melodias. Era minha boa companhia, a segunda melhor.
— Prontinho. — Disse ao acenar para o motorista que já mantinha o carro preparado. — Pode ir e me desculpe pelo incômodo, sei que está tarde.
— Não se preocupe senhor. — Respondeu o homem com um sorriso cansado.
Depois de dar partida olhamos o carro sumir de nossas vistas gradativamente ao tomar cada vez mais distância, levando consigo um empresário bêbado em uma corda bamba.
E quando meus olhos voltaram para frente eu já tinha um expectador.
Deslizando os olhos pelas coxas revestidas pelo jeans e subindo lentamente dentre o cós da calça ao vão entre meu seios e terminando ao lábios acentuados pelo gloss. E sua análise dura tempo suficiente para que note meu olhar questionador.
Foi uma análise bem detalhada.
— Bem, — Começa. — somos apenas eu e você.
— E isso deveria significar alguma coisa? — Arqueio a sombrancelha.
— Você não gosta de mim, não é? — Questiona se aproximando. — Ou tem medo de não resistir?
— Talvez para a primeira, não para a segunda. — Digo suspirando. — Acredite se uma mulher fica com você não é seu encanto ou sua forma de falar é o desejo dela, decisão dela. Então não Jungkook, não há nada para resistir em você.
— É decisão de ambos.
— Sim. Decisão do homem tentar, decisão da mulher ir ou não.
— Se não está resistindo à mim... — Continua a se aproximar até parar em distância razoável. — Está resistindo a si mesma, seus desejos?
— E o que isso importa?
— Importa porque você me quer, e eu também quero você.
Desejo mútuo é o querer de muitos, todos já sofreram com algo não correspondido seja no amor, ou em quaisquer relações que a vida nos dá. Comigo não é diferente, ter problemas em ser o único a sentir e possuir um cultivo pessoal é complicado.
Mais complicado ainda é ter o desejo correspondido e não poder ceder.
Eu não poderia, gostava da minha independência e aquele homem significava deixar ir embora tudo que lutei para construir nesses anos.
— Não vai acontecer, não agora, e definitivamente não nesse momento da minha vida. — É o que digo.
— O que te impede?
— A sociedade.
— Sério? — Debocha. — Dyana uma mulher como você não parece e nem deve se importar com isso, você sabe quem é e o mundo não deveria interferir nisso.
— Você é homem. Não diga que é simples porque para mim nunca foi nem vai ser. — Dou alguns breves passos para frente. — As coisas são diferentes, realmente não me importo com o que dizem. Eu sei quem sou, e isso me basta mas não é assim que funciona.
— Eu vou insistir e você sabe.
— Eu vou dizer não e continuar no não.
— Sinceramente? Eu não ligo, você vai estar negando a si mesma não a mim.
— Me faça um favor? — Peço. — Pare de querer dar sermão, você não pode. Jungkook você não precisa se provar e isso se deve exatamente ao seu gênero. Tente pensar como uma mulher numa sociedade conservadora que mantém uma imagem submissa e vai saber que não estou negando nem a mim nem a você, mas estou lutando para chegar ao lugar que o seu pau não pode me levar.
— Ela é fascinante. — Sussurra para si mesmo mas consigo ouvir.
Nós mantemos um contato e presumo ser um costume nosso estabelecido em pouco tempo.
Certas coisas não podem ser negadas, realmente existia algo aqui entre nós mas nem tudo que pode acontecer vai acontecer, é necessário tempo. Tempo para que um contato seja mais que um contato, tempo para que esteja segura sobre isso.
Isso que não existia porém poderia existir.
— Você já começou a jogar, nem esperou minha jogada.
— Não veja assim, não é. Mas enquanto um contrato estiver entre nós nada vai acontecer, nada.
— Como disse, a decisão é da mulher. — Ele levanta a mão para colocar meu cabelo atrás da orelha deixando um acariciar leve. — Eu quero você, não menti quanto à isso e como homem vou tentar.
— Usando minhas palavras contra mim?
— Você me deu a possibilidade de tentar, não pode me tirar isso.
— Por que? — Pergunta repleta de dúvidas.
— Não entendi.
— Por que tudo isso para uma noite de sexo? Eu não sou simplória, consigo entender algo quando vejo e no começo não perguntei porque também queria. — Respiro. — Por que tanta insistência? É só sexo.
Eu gostava de analisar a forma como ele me olhava, porque com tudo que acontecia ou de todas as formas que me olhavam nesse meio empresarial aquele olhar era diferente, uma exceção.
Porque ele não me olhava como ameaça ou mantendo um padrão ultrapassado sobre a posição da mulher não caber entre homens, mas com admiração, pensando que aquele era meu lugar.
Onde eu queria estar.
Ele não me julgava menos por causa do meu gênero, nem tentava parecer superior sobre meus olhos. Era igualdade que continha como adversários aptos para seguirem num embate e essa parte mais cativante em si que chamava-me, excitava-me em demasia.
Jungkook é a personificação do que o mundo precisa.
Mesmo sendo convencido, com o ego tão grande quanto outros e sendo um homem dominador, entretanto ele compreendia.
Que se uma mulher quiser dominar ela definitivamente o fará, e que se um homem tem essa posição é porque ela voluntariamente o deixou ficar lá.
— Dyana... — Chama. — Não é só sexo, e sexo com você eis a diferença.
Ele parece sincero e acreditar veemente que eu faria ser uma grande diferença para si, tanto como eu acreditava que poderia ser para mim.
— Gosta de mulheres dominantes?
— Gosto de você. Em posição dominante ou não.
— Não nos conhecemos.
— Porque você decidiu assim, eu reconheço um mulherão quando vejo. — Seu calor se retém afastando de mim desvencilhando o toque. — Não sou como outros homens.
— Por que acha que me sinto tão atraída por você?
— Tenho bons motivos para listar, quer que comece? — Aceno deixando que continue. — Eu sou bonito.
— Milhares de homens no mundo também são, motivo descartado.
— Eu sou excitante, mesmo que apenas em um olhar breve, eu sou.
— Ser excitante de aparência não significa ser excitante na ação Jungkook. — Sorrio. — Motivo descartado.
— Eu sou um ótimo amante.
— Um homem que se preze é oficial não alguém que precise satisfazer uma mulher as escondidas, e isso também serve para mulheres. O negócio é ser o homem com ou sem alguém olhando. Então... — Dou uma pausa. — Motivo descartado.
— Não falava nesse sentido, digo em questão ao sexo que é espetacular.
— Não tivemos relações portanto não posso provar a teoria, motivo ainda descartado.
Ele franze o cenho e não posso deixar de sorrir com o feito.
— Eu sei o poder de uma mulher e o acho admirável.
— Bom ponto. Excelente na verdade.
Nos caminhavamos, eu seguindo para meu carro enquanto ele apenas seguia.
— Não quer perguntar o que gosto em você?
— Porque perguntar quando já sei a resposta.
Retiro as chaves do bolso disparando o alarme, quando sinto sua mão presa em minha cintura encurralando-me entre a porta do carro e seu corpo febril prendendo-me.
Esse toque... de quem poderia me desvendar com um olhar.
Despindo-me em sua mente depravada.
Eu gostava, eu o desejava.
— O que então?
— Eu conheço meu poder, melhor que isso eu sei que ninguém deve me dizer como devo ou não ser. Sendo mulher ou não. — Aproximo em provocação.
Eu realmente não posso ceder mas não prometo nada quanto as provocações.
— Me conheço sou independente e não ligo se tem pau se não age como um homem. — Passo a língua nos lábios. — E conheço a influência que tenho sobre você, mesmo sem muitos contatos.
— Então...?
— Então te excita o fato de que se eu quiser você fica de joelhos como também posso te deixar por cima, mas melhor ainda eu te excito porque sou uma mulher empoderada e você admira isso.
— Convencida.
— Você que investe demais. — Sorrio empurrando seu corpo para longe e logo adentrando o carro abaixando a janela sentindo a brisa fria.
E novamente eu o deixo sem falas.
— Boa noite, Senhor Jeon.
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Atualização!!! Ficou pequeno eu sei mas realmente tem sido complicado escrever, ou me concentrar. Perdão.
Mas temos uma atualização!!! Gostaram? O que acharam da conversa?
Gente eu sinceramente amo a Dyana, se confundir alguém vou explicar de antemão a Dyana não vê os homens como inferiores mas para ela a definição de homem se complexa baseado nas atitudes dele, dando igualdade à uma mulher. Então em alguns momentos ela vai ser amável ou nem tanto, Ok?
Vocês também vão saber mais sobre ela, à partir de agora conhecendo cada passo para ela chegar à tudo isso.
Gente eu nem se vocês gostam porque ninguém me fala nada, socorro. Interajam comigo please não mordo juro.
Querendo postar outro bônus na shortfic que seria uma parte do futuro deles que vai aparecer nessa fic. O que acham?
Obrigada por lerem, sério mesmo.
Beijinhos ✨
Até a próxima ❤️
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