1. Xadrez
"Quando você vive [...]
E dá tudo de si para as pessoas
Você sempre se rende um pouco mais"
Então ele era Jeon Jungkook.
Vestindo um elegante terno preto, a calça se alongava nas pernas bem torneadas marcando o volume das coxas e alargando em direção ao tornozelo. O primeiro botão da camisa social branca aberto sem revelar muito mas acrescentando um toque sedutor ao traje e seu paletó abraçando os músculos amenos.
Em sua mão segurava desleixado uma taça com champanhe exibindo-se com a feição séria que fazia seus oponentes tremerem de medo, todos exceto eu. Para mim aquele homem não era nada mais do que assustadoramente excitante, como se emanasse poder por todos os poros do corpo. Uma verdadeira tentação para minha resistência e infelizmente não poderia pecar.
Afinal éramos concorrentes.
O ramo de telecomunicações garantia grande mérito e reconhecimento, sendo uma mulher obstinada que não aceita menos do que merece este sobretudo era meu objetivo, ganhar a confiança de outras empresas para fazer a divulgação de seus produtos não exigia grande esforço, não para mim. A confiança é um elemento essencial que tinha de sobra mas para lamento meu oponente carregava os mesmos requisitos.
Persuasão. Confiança. Manipulação. Anseio. E aquele que nos fazia caminhar em parâmetros iguais, o desejo pelo poder.
Olhando ao longe Jeon Jungkook parece a fonte de poder a qual serei obrigada a secar.
Uma missão deveras interessante.
— Senhorita Dyana. — Uma voz rouca chama quase como uma melodia em meus ouvidos.
Impressionantemente ele consegue ser melhor de perto. Seus olhos intensos encontram os meus num pequeno decifrar que correspondo lentamente com uma pitada de interesse subtendido nos olhos.
Como um bom predador Jeon avalia os movimentos que realizo sem deixar transparecer nada, nos encaramos no meio deste salão deveras cheio de pessoas as quais tem como a discrição o movimento principal. Mas nada neste homem consegue ser discreto, posso sentir seu desejo por dominação a quilômetros, um desejo insaciável pela obediência.
Uma pena que não faço o tipo submissa.
Em briga de leões também posso atacar e ele parece um bom prêmio para se brigar.
— Senhor Jeon. — Respondo com um tom firme no entanto receptivo para uma conversa.
— Devo dizer que é bom vê-la hoje. Minha concorrente a qual tanto falam, seja coisas boas ou ruins.
— O que envolve as boas? — Viro meu olhar para o grande salão quase perdendo a visão pelos exageros de iluminação.
— Competência, profissionalismo, obstinação. — Demora na última palavra como se ela dançasse em seus lábios.
— Verídico, mas posso ser um pouco melhor do que lhe contaram.
— Penso que sim.
— E os detalhes ruins? Eles são sempre os mais interessantes de se ouvir. — Tomo um pequeno gole do champanhe saboreando a bebida enquanto espero.
Ele parece se perder em um pequeno transe ao me observar mas finjo não notar sem olhá-lo. O silêncio se prolonga por um tempo até que as palavras se arrastam para sair.
— Antipática, calculista, sedutora. — Um riso me trai ao ouvir essas palavras bem mais leves do que pensei que seriam. — Verídico?
— Não. — Pouso a taça no balcão perto ao bar encontrando a imensidão de seu olhar preso a mim. — Posso ser um pouco pior.
— Desejo que sim.
Nossos olhos são atraídos magneticamente e posso enxergar as faíscas imaginárias nos rondando. Pois aqui, neste momento há muito mais do que apenas dois empresários lutando por reconhecimento ou sucesso, existe algo nas entrelinhas que se torna indefinível.
Temos nossas diferenças escondidas por nossas equivalências que apontam fielmente para uma colisão desastrosa mas estou acostumada com os eventuais estragos, somente preciso entender em qual profundidade estou entrando. Um jogador precisa reconhecer o terreno onde vai montar sua estratégia, cada pensamento precisa ser exato para que no final haja apenas um ganhador.
De preferência que seja eu a vencer.
Mas Jeon Jungkook rompe esses equilíbrios exatamente por sermos estrategistas com ponto iguais.
Um nome com imponência quase tão grande quanto quem o carrega. Eu amaldiçoou silenciosamente por ser intensamente fascinante.
— Jungkook estava te procurando. — Desvio meus olhos para a mulher ao lado com um batom vermelho gritante em seus lábios e um decote bastante revelador.
— Diga. — É sucinto.
— Namjoon o está procurando. — Ela ignora minha presença voltando a mendigar a atenção dele. — Vamos.
— Yun-hee acho que notou que estou tendo uma conversa com a senhorita. — Repreende com um tom mais encorpado que o normal.
— É Jungkook eu percebi de longe como conversavam. — Bufa passando as mãos pelo paletó impecável dele. — Venha oppa.
Ela manha, deixando-me com um pequeno desconforto.
— Pare de me chamar de oppa. — Respira fundo desvencilhando calmamente as mãos dela de si tomando distância. Pequena mas suficientemente boa. — Diga a Namjoon que estou ocupado.
— Jungkook eu também quero a sua companhia.
— Querer não é ter. — A frase escapa rapidamente sem que possa controlar meus impulsos.
O que raios foi isso?
— Olha caso não saiba sou a acompanhante dele. — Estufa o peito o que dá uma visão parcial de seus seios. E claro não foi um ato impensado.
— Você é a acompanhante do senhor Jeon? — Pergunto retoricamente.
— Sim!
— Oh, isso explica toda atenção que ele não está lhe dando. — Sorrio pegando outra taça de champanhe, virando novamente ao "casal". — Senhor Jeon, senhorita Yun-hee.
Sigo andando sentindo os olhos queimarem em minhas costas, um par de olhos bem específicos.
Acredite estar perto de Jeon Jungkook é mais tentador do que um vislumbre ao longe.
O decorrer da noite foi agradável, não compreendia os atrativos dessas festas, da alta sociedade ela eram deprimentes como se o dinheiro fosse um grande empecilho para a diversão pois todo assunto envolvia este tema ou negócios mas francamente meu objetivo hoje era conhecer possíveis aliados e avaliar mais de perto a concorrência.
Esta que aparentemente observava-me ao longe. Devo dizer que pegar Jeon Jungkook perdendo-se em suas conversas por estar olhando meus movimentos era bastante satisfatório. Em contrapartida sentia uma vontade súbita de seguir seus passos.
— É um ramo bem complicado para mulheres. — Diz um homem na faixa dos trinta olhando fixamente para mim. Estamos em uma conversa de empresários e este está tentando me diminuir a bons cinco minutos. — A senhorita não se sente ameaçada de alguma forma?
— Ameaçada? — Debocho mas o mesmo não nota.
— Veja bem somos homens e mais experientes no ramo empresarial.
— Com todo respeito o ramo de telecomunicações se deve a inovação que por sinal eu entendo bastante. — Começo acalmando meu nervo porque no final é apenas um homem com ego ferido por ser superado por uma mulher. — E o fato de possuir um útero não me faz sentir ameaçada pelo contrário faz-me sentir mais apta.
— Senhorita! — Diz em espanto.
— As mulheres definitivamente não são o sexo frágil. — Aquela voz se aproxima abrindo espaço no círculo. — Acredito que façam um jogo mais estimulante.
— Já os homens que precisam de esforço para não tornar tudo tedioso. — Alfineto provocando-o.
Ele não parece se surpreender mas sim sorri lentamente como se fosse exatamente a resposta que esperava. Algo que nos colocasse em um impasse.
Esse sorriso encantadoramente tentador.
Foco Dyana. Foco.
Ele se aproxima sob os olhos dos outros empresários provavelmente pensando em como tenho uma atenção maior do que normalmente alguém aleatório ganha de si. Todavia, seus olhos dizem que não sou um alguém aleatório mas o específico.
— Você é uma boa jogadora? — Suas mãos se encontram na base da coluna em um inclinar perto do meu rosto.
Sua loção aplaca meu olfato uma mistura deliciosa de virilidade e sedução no aroma levemente amadeirado que levam uma parte de resistência. O perfume me deixa tonta impregnado na memória porém com menos força.
Em poucos segundos este homem está chutando meu equilíbrio como algo descartável. Mal posso esperar para retribuir a gentileza.
— Em que se baseia um bom jogador senhor Jeon?
— Acho que podemos definir enquanto dançamos. — Estende a mão curvando-se um pouco. — Me acompanharia em uma dança?
— Bem, temos algo a definir. — Nossas mãos se encontram causando um onda de contradição entre o frio e o calor. — Seria uma honra.
Seguimos para o espaço designado a dança, não há tantas pessoas dançando um número pequeno se aventura por aqui mas o foco de todos neste lugar é outro. Consigo sentir olhares em nossos movimentos por serem um conjunto entre mim e Jungkook, éramos para ser como leões brigando pela liderança, porém temos uma forma mais sutil de agir.
Jungkook passa o braço por minha cintura deslizando sobre o tecido até que nossos corpos se chegam perto suficiente para que sinto sua respiração em meu pescoço.
— A senhorita é ousada. — Diz no começo da música quando nos mexemos de forma lenta.
— Ousada por me defender de homens como eles? Isso não é ousadia mas sim provação própria.
— Eles não valem o esforço. — Respira fundo. — Delicioso perfume.
— Então você vale o esforço?
— Você vale?
— Depende do seu objetivo comigo.
— Acredite eu posso pensar em muitos objetivos que terminam em você no meu escritório nua ou na minha cama. — Puxa-me possessivo levando uma respiração sôfrega. — Como preferir.
— Isso deveria ser uma conversa que nos levaria a odiar um ao outro. Somos concorrentes fortes demais para se deixar levar. — Digo querendo cair em contradição em minhas palavras.
Torna-se impossível resistir com essa voz rouca tentando me seduzir palavra após palavra, com a entonação leve mas decida sobre o que quer.
E o que ele quer no momento sou eu.
Não que o interesse não seja recíproco pois tudo em mim parece querer reagir. Ele é o tipo indefinido que aos olhos atentos expressa o que deseja e conhecendo melhor é muito mais do que aparenta.
Eu me perderia nele voluntariamente.
— Diga-me por que veio aqui hoje. — Pede ou exige.
— É um evento importante para se criar laços conhecer meus concorrentes. Todos sabem disso.
— Concorrentes ou eu? — Afasta seus tronco para me olhar.
— Não é a mesma coisa? — Sussurro.
Jeon tem traços característicos que não se esquece facilmente. Olhos castanhos quase negros que igualam-se as constelações do universo, uma pele alva que rurboriza com incentivos, lábios finos e atraentes avermelhados com um pontinho logo abaixo no centro.
Por alguns segundos permito-me perder naquele homem me segurando em seus braços éramos com os imãs, sendo atraídos um para o outro.
— Não, definitivamente não é.
— Por que veio aqui hoje? — Desvio o olhar retomando um pouco da minha resistência.
— Diferente de você vim pelo motivo que disse mas em especial porque soube que você viria. — Ele me roda logo depois me puxando para si novamente. — Você não tende a vir nessa eventos então por
que veio?
Suspiro cedendo ao dizer: — Estava curiosa sobre você. Jeon Jungkook o nome que todos parecem conhecer.
— Obrigado por ser verdadeira embora já soubesse da verdade.
— Diga-me algo verdadeiro. — Peço sentindo-me exposta demais.
— Eu deveria te evitar essa noite, avaliar como age manter uma distância. Mas a senhorita é intrigante demais para resistir.
A dança termina e nossos corpos continuam juntos, com um fogo subindo aos olhos intensamente não mais com impasse.
Mas com desejo.
— O que faz um bom jogador Jungkook?
— O que você acha? — Sorri sugestivo.
Como ele fica lindo sorrindo.
— Qual é a sua vantagem no jogo? — Pergunto. — Todo jogador tem uma vantagem, uma jogada ou uma carta na manga. Qual é o seu?
— Temos pontos na vida, a única diferença entre todos é que eu escolho com quem e o que quero jogar.
Se é assim, podemos continuar.
— Então senhor Jeon, sabe jogar xadrez?
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Minha primeira shortfic postada!!! Gostaram? Qualquer erro me avisem por favor!
A música da mídia é a que eles dançam então é importante ouvir lendo junto ok?
Serão três capítulos e talvez eu faço um bônus mas só se der certo mesmo meu amores. Espero que gostem!
Beijinhos de luz❤️
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