XVI. Bisbilhotando
E tudo voltou ao normal de repente. É como se aquilo nunca tivesse acontecido. Aquele dia na escola. Com o Jimin sendo todo...daquele jeito. Aliás, ele não age como se aquilo nunca tivesse acontecido, mas depois daquele dia, o resto da semana foi muito comum aos dias anteriores ao da mudança repentina dele. O que me fez estranhar muito e perder um pouco da força nas minhas suspeitas. Meu medo é isso ser de propósito ou algo assim. Ou eu realmente estou pensando demais no assunto, e aquele dia realmente foi só uma coincidência. Mas, não importa, porque hoje é o dia que vamos correr atrás de algumas respostas. Sexta-feira. Vamos nos encontrar com todo mundo. O ensaio para a apresentação. Encontrarei o Jimin e outros suspeitos. Espero conseguir algo disso.
Depois da escola, vou pra casa junto com a Rachel e vamos conversando no caminho.
- Eu vou tomar um banho e comer. Quando você estiver pronta e der a hora, só me manda uma mensagem que eu vou pra sua porta e a gente desce junto. Aí nós vamos. - Ela diz.
- Certo...sem problemas. - Fico imersa no meu nervosismo e por isso não falo muito.
E se não conseguirmos descobrir nada? Tenho certeza de que o Oráculo está entre as pessoas que estarão lá hoje. Mas existe uma pequena chance de não estar, ou estar e não descobrirmos nem um milímetro da verdade, e aí que esse engraçadinho vai ter mais orgulho do que está fazendo e eu não quero fazer ele se sentir assim por cima de mim. Somos amigos, claro. Eu não vou guardar ressentimentos. Mas, quanto mais eu sei, mas eu quero saber. E agora que já estamos nisso como um jogo por esse tempo todo, eu já sinto isso como uma competição. Mesmo que boba. E eu quero descobrir tudo.
- Jade? Tudo bem? - Rachel me puxa pra fora das neuras que estavam me prendendo. Pisco algumas coisas antes de focar no rosto dela. Sorrio quando olho para ela.
- Estou bem. Perdão. Eu estava pensando na reunião. Estamos indo pra lá e finalmente vamos nos encontrar com quem provavelmente é o Oráculo. E o próprio Jimin estará lá, então...eu estou nervosa.
Explico, esfregando as mãos uma na outra, sentindo nervoso e frio.
- Jade, sabe que no fim das contas, é só um jogo, não sabe? E que, mesmo que a gente esteja dedicada a descobrir, você está indo lá por causa da apresentação, certo? - Rachel parecia preocupada enquanto perguntava.
- Eu...eu sei. É só que eu queria muito descobrir. E não esquece a parte de que o Jimin estará lá. Não dá pra simplesmente ignorar isso. - Digo, cruzando os braços. Rachel sorri.
- Sim. Isso é óbvio. Só tenho receio de você estar distraída demais com esse jogo. Não pense demais sobre isso. No final, é só um evento da escola. Aproveite que estão tentando te juntar com quem você gosta e veja no que vai dar. E não esqueça, tem que arrasar na apresentação. Te deram uma missão, e você precisa cumpri-la. - Ela diz, como se fosse uma irmã mais velha me dando sermão.
- Estou tentando. Acho que vou acabar maluca. Vai ter tanta gente lá. E mesmo assim ainda não temos certeza de que é quem vimos seguindo o Jimin naquele dia. E se ele nem for um deles? - Digo, mexendo as mãos. Olho pra ela que me encarava com uma cada feia. - Tá. Parei. - Suspiro e murcho.
- Vamos com calma. Se analisarmos devagar e com calma, vamos chegar em algum lugar. E não esquece o que eu falei. Você só está evitando o meu ponto nisso tudo. - Rachel continua, parecendo chateada.
- Desculpa, desculpa. Eu vou parar. Vamos lá ver a coreografia. Ver o Jimin. E analisar...com calma.
Mais tarde, nós duas pegamos um uber até o local onde veríamos Jimin dançar. Dentro do carro fiquei sacudindo o pé o tempo todo, por estar realmente tensa. E que bobeira. Cada vez mais acho que Rachel está certa. Estou reagindo de uma forma muito explosiva. Não tem razão pra isso. Temos muito tempo pra descobrir quem é quem. É melhor não parecer a surtada hoje.
Logo chegamos em frente ao local. Descemos do carro e vamos para a entrada. Assim que entramos, Rachel vai perguntar na recepção onde fica a sala que procurávamos, e enquanto isso, aproveito pra ir beber uma água. Sigo por um corretor cuja plaquinha indicava que no final a direita dele estavam o bebedouro e os banheiros.
Quando estava chegando perto, ouço algumas vozes. Duas pessoas estavam conversando. Uma voz era muito familiar, enquanto a outra era completamente desconhecida. Era Jimin. Ele já estava aqui também. E estava falando com alguém. E não consigo evitar ouvir a conversa. Fico parada por perto, mas não apareço. Fico parada no corredor mesmo.
- E como está com ela? - A voz desconhecida pergunta.
- Nas mensagens ela parece muito feliz. Mas fico preocupado. Será que isso está bem ficando assim? Será que não é um pouco demais? - Jimin responde. E sua resposta me deixa nervosa.
- Ah, mas não tem o que fazer, tem? Se eles decidiram que tem que ser assim, deve ser melhor só seguir dessa forma. Mas não deixe de conversar com ela. Não vai querer se afastar dela num momento crucial desses. - Outra declaração da voz desconhecida.
- Você está certo. Vou continuar mandando as mensagens. Espero que não a incomode. Ela pode ficar com a cabeça muito cheia. Farei o possível para manter os assuntos leves. - Jimin responde.
- E acima de tudo, não saia falando pra todos sobre isso. Quanto menos gente sabe, melhor. De preferência, só as pessoas mais envolvidas devem saber. Esse tipo de evento deve ser particular.
É a última coisa que escuto antes de correr para Rachel.
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