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Capítulo Único

Londres, Abril de 1813

Mais uma temporada social havia se iniciado e, como era o costume, o evento que daria um início oficial a isso era o baile de Lady Blackwood, que sempre ocorria na enorme mansão da duquesa viúva, localizada em Mayfair.

O baile sempre era composto por mamães casamenteiras, velhos em busca de um herdeiro, mocinhas ansiosas e rapazes nem tão ansiosos assim... Entre estes últimos, podemos destacar o Sr. Entwistle e Sr. Townshend, dois melhores amigos da época de Eton. Ambos acreditavam que aqueles bailes eram perda de tempo, comparecendo apenas por pressão de suas mães. Na verdade, nenhum dos dois eram considerados os melhores partidos da temporada.

John Alec Entwistle, de 24 anos, era filho de um conde, porém, seu pai há muito que estava endividado até os dentes. Este era um dos motivos de tanta pressão para que ele achasse uma esposa logo, o que o deixava revoltado, afinal, praticamente o estavam mandando se casar com o dote de uma garota... Não era isso que queria para sua vida, com certeza! Havia, inclusive, uma mocinha que havia acabado de debutar e que o pai o obrigara a ficar de olho, Lady Lewis, irmã de outro conde.

Peter Dennis Blandford Townshend, que estava a menos de um mês de completar 23 anos, por sua vez, não era herdeiro de nenhum título, apenas sobrinho de um visconde. Haviam, pelo menos, quatro pessoas em sua frente antes do título poder pertencê-lo, o que, ele sabia, era quase impossível de acontecer. Ainda assim, sua família possuía muito dinheiro e, apenas para sustentar os bons costumes e o nome da casa Townshend, sua mãe praticamente o arrastava para os bailes. As mulheres quase nunca colocavam os olhos sobre ele...

Portanto, lá estavam os dois velhos amigos, num canto do salão, não dando a mínima para o que ocorria em volta, sabendo que aquele ano seria a mesma coisa de sempre: pressões, baboseiras e a obrigação de serem perfeitos cavalheiros.

Do outro lado do salão, duas melhores amigas adentravam, com seus trajes elegantes e ajustados perfeitamente em seus corpos. Ambas estavam deslumbradas e, ao mesmo tempo, maravilhadas.

A garota que estava usando um vestido azul claro de seda era Lady Josephine Lewis, irmã de Nicholas Lewis, conde de Mason. A mocinha já contava com seus 20 anos, já que Lorde Mason, compadecido das crises de ansiedade que afligiram a irmã no ano anterior, permitiu que ela só debutasse na primavera seguinte. Sabia que sua mão era muito cobiçada, mas também não era boba nem nada. Não era uma beldade, apesar do corpo esbelto, portanto, tinha a mais plena consciência de que a cobiça era, na verdade, voltada para seu dote generoso.

A outra garota, trajando um belíssimo vestido cor de pêssego, não teve a mesma sorte que a amiga de poder esperar um ano para debutar. Lady Helena Radcliff, de 18 anos, não teve muita escolha. Seu pai, visconde de Fitzwalter, havia recém descoberto uma doença e não queria falecer antes de ter a certeza de que sua filha única geraria um herdeiro para o viscondado. Mas, para isso, ela precisava de um marido... O quanto antes! Helena sabia, também, que, por conta do desespero de ter a filha logo casada, o homem havia adicionado mais do que é costume de um visconde no dote da garota.

Enfim, as duas jovens tinham motivos de sobra para estarem nervosas, sentiam como se estivessem adentrando um campo de batalha, mas, apesar disso, não deixavam de estar maravilhadas com a beleza daquilo. Já haviam comparecido a eventos sociais antes, mas nunca ao baile de Lady Blackwood, uma lenda entre os círculos da alta sociedade!

-- Está muito quente aqui... -- Lady Radcliff comentou baixinho, inspirando o ar que parecia estar comprimido em seu tórax pelo espartilho apertado.

-- É só o nervosismo, Hel... -- Lady Lewis respondeu, sorrindo para as pessoas que olhavam a entrada das duas damas, seguidas de perto por suas mães, também muito amigas, que já estavam bem mais à vontade naquele tipo de situação.

-- Sinto que vou desmaiar a qualquer momento, Josie... -- A amiga retrucou, um pouco desnorteada por ver tantos rostos desconhecidos. Josephine parecia mais calma, mas estava tão espantada quanto.

-- Faça isso, a alta sociedade adora uma dama que desmaia! -- Josie zombou, sem desfazer o sorriso, se lembrando de todas as histórias de desmaio que já chegaram aos seus ouvidos. A maioria acabou em casamento. Lady Elizabeth, mãe de Josie, a deu um tapinha com o leque fechado, discreto.

-- Josephine! -- A mais velha repreendeu a filha pela piada. Helena escondeu os lábios com a mão e deu uma risadinha. E também recebeu uma lecada de sua mãe, Lady Maryse.

-- Helena! Vocês duas precisam se comportar! Este lugar está cheio de maridos em potencial. -- Lady Maryse comentou com um certo ar de superioridade, inspecionando cada canto do salão, estudando os rostos dos cavalheiros.

-- Maryse tem razão... Este é o primeiro baile de vocês, a primeira impressão é a que fica! -- Lady Elizabeth complementou.

Josie precisou conter um revirar de olhos e Helena se segurou ao máximo para não bufar. Neste momento, uma figura apareceu, iluminando o rosto das duas garotas: Nick, irmão de Josie. Aquele era o único rapaz com quem Helena se sentia confortável, mas sabia que não era nada que ultrapassasse a amizade.

-- Olá Srta. Radcliff... -- Nicholas se inclinou para beijar a mão enluvada da amiga. Helena estava desconcertada com aquela formalidade toda vinda do rapaz, que a vida toda a havia chamado de Hel, mas sabia que tudo tinha a ver com as boas normas. Em seguida, ele se voltou para Josie, também beijando-lhe a mão. -- Irmã... Vocês duas estão deslumbrantes!

-- Obrigada! -- Elas agradeceram em uníssono, fazendo uma breve reverência. Em seguida, Lorde Mason deu um beijo no rosto da mãe e um na mão de Lady Maryse. Então, voltou-se novamente para a irmã.

-- Josie, chegou aos meus ouvidos que o Sr. Entwistle quer muito te conhecer... -- Nick sorriu, vendo uma expressão de confusão no rosto da garota. Aquele nome não lhe era estranho, mas também nunca havia visto o sujeito. Helena ergueu as sobrancelhas, impressionada. Mal haviam adentrado no salão e já havia um rapaz querendo conhecer sua amiga. -- Posso te apresentar a ele?

-- Claro... Por que não? -- A garota respondeu, olhando para a mãe em busca de aprovação. A mais velha assentiu e, então, Josie tomou o braço do irmão. Antes de irem, ele lançou um olhar à Helena, que havia ficado um tanto desconfortável sem a presença da melhor amiga ao seu lado.

-- Srta. Radcliff, quando eu retornar, me concederia a honra da primeira dança? -- Ele sorriu de forma amigável para ela, que, com as bochechas coradas, assentiu.

Então, os dois irmãos se viraram e seguiram vagarosamente pelo baile.

-- Escute, Josie... Vou ser sincero com você... -- Nick começou, um tom de preocupação em sua voz, cumprimentando algumas pessoas com a cabeça. -- Sr. Entwistle é um belo jovem, quanto a isso você não precisa se preocupar, mas, sinceramente falando, a família dele está com problemas financeiros, então, pode ser que o interesse dele...

-- Esteja no meu dote... Eu sei, eu sei... -- Josie o completou, cansada já daquela história de dote. Ela olhou para o irmão com uma certa irritação. -- Você me acha tão abominável assim a ponto de ter certeza de que qualquer homem só irá se interessar por mim por conta do meu dote?

-- Não diga uma besteira dessas, Josephine! É claro que não! Você é linda, sabe bem disso! Só sou seu irmão mais velho...

-- Por quinze minutos... -- A garota revirou os olhos. O irmão a ignorou.

-- E me preocupo com você! Não quero te ver com o coração partido, Josie... -- Ele a olhou por um instante, um brilho forte tomando os olhos de ambos. -- Então, assim, saiba que, se você não gostar do Sr. Entwistle, não irei te obrigar a ficar com ele... Este é só seu primeiro dia da temporada e...

-- Nick, eu vou ficar bem, ok? Não é como se ele tivesse me pedido em casamento! Nós vamos apenas nos conhecer... -- Josephine sorriu, passando confiança ao irmão, que apenas assentiu com lábios comprimidos, antes de avistar algo mais além.

-- Ah, ali está ele... -- Lorde Mason acenou e conduziu a irmã até lá.

*****

John estava mais que contente por ainda não ter sido abordado naquela noite. Esperava que as coisas continuassem assim e, então, dali uma meia hora, daria um jeito de dar no pé sem ser percebido. Levaria Pete consigo, é claro. Não seria capaz de largar o melhor amigo naquela tortura enquanto ele próprio estaria no clube de cavalheiros bebendo whisky e jogando baralho. Porém, enquanto os dois comentavam sobre os resultados da corrida de cavalos de White City, Lorde Entwistle encontrou o filho.

-- John, Lady Lewis chegou! -- O homem comentou, num sussurro não muito baixo, puxando o filho de lado. Townshend escutou e, instintivamente, olhou para a porta de entrada do salão, mas haviam tantas pessoas que seria impossível reconhecer Lady Lewis, ainda mais que ele nunca a havia visto.

-- E daí? -- Perguntou John, com tédio na voz. O pai apertou o ombro dele e o puxou mais para baixo.

-- Não seja condescendente comigo, está entendendo? -- O mais velho sussurrou entre os dentes trincados. John o olhou com uma certa fúria enquanto Pete deu um passo para trás, querendo escapar dos olhos do pai do amigo. -- Você sabe muitíssimo bem de nossa condição... Aquela garota seria a solução de todos nossos problemas, por isso, trate de ir já se apresentar! Ela não é feia, é uma jovem encantadora, apesar de não ter uns... -- O pai fez uns gestos no ar na região do peito, indicando algo grande ali, completando o que havia deixado inacabada com estes.

-- Está bem, pai, eu cumprimentarei Lady Lewis, mas saiba que não irei quebrar o coração de uma pobre garota só porque você não sabe fazer jogos de aposta...

-- O que eu disse sobre ser condescendente? -- O mais velho apertou mais uma vez o ombro do filho, olhando com muita fúria dentro dos olhos dele. John sentiu até um arrepio na nuca. -- Vamos...

John deu uma última olhada ao melhor amigo, que o observava com uma certa graça, acenando de forma sarcástica. Ao menos Pete não era obrigado a escolher uma esposa...

-- Lá está ela! -- Informou Lorde Entwistle, trazendo o filho pelo ombro consigo, parando no meio do salão.

John viu Lorde Manson acenar na direção deles. Ele havia se esquecido de que Lady Lewis era irmã de Lorde Mason! Então, o rapaz prestou atenção à garota que estava com o braço dado ao moço, que agora andava na direção deles. Ela não era feia, muito pelo contrário. John achara o rosto dela muito agradável, com mechas grossas castanhas e encaracoladas de cabelo caindo delicadamente ao lado da face e olhos castanhos esverdeados gentis... Mas seu coração não havia errado uma batida por ela. Os dois jovens irmãos se aproximaram e fizeram uma reverência, tal como John e seu pai. A garota sorria e John retribuiu, ainda um pouco irritado com aquela situação toda.

-- Lorde Entwistle, Sr. Entwistle... -- Lorde Mason cumprimentou com um manear de cabeça. -- Esta é minha irmã, Lady Josephine Lewis...

-- Boa noite... -- Lady Lewis cumprimentou, estendendo a mão primeiro ao Lorde Entwistle, que a beijou com um certo deleite, já imaginando-a como futura nora, e, depois, a John, que também deixou um beijo quase imperceptível sobre a luva de cetim da garota.

-- Muito prazer, Srta. Lewis! -- O pai de John foi quem falou, empurrando o filho pelas costa para que chegasse mais perto da pretendente. -- Meu filho, John, ouviu falar muitas coisas boas sobre a senhorita!

-- Ah, obrigada! -- Ela sorriu novamente e John percebeu um rubor tomar conta das bochechas delicadas dela. -- Infelizmente, não posso dizer o mesmo, afinal, nunca ouvi falar do senhor...

Houve um momento de silêncio muito estranho, afinal, ninguém imaginaria que a garota responderia isso. O irmão parecia atônito ao lado dela e Lorde Entwistle parecia assustado. John quase começou a rir. Aquilo fez valer o encontro deles. Não havia maldade na voz dela, ela só estava sendo sincera.

-- Oh, mil perdões, não foi o que quis dizer... -- A mocinha tapou a boca com os dedos, verdadeiramente arrependida por aquele momento. John alargou seu sorriso.

-- Não precisa pedir desculpas, é sua primeira temporada, não é obrigada a conhecer todo mundo... -- John comentou, apressado, com medo de que ela pudesse ficar ainda mais vermelha e, sei lá, explodir! Mais um breve momento de silêncio... Até que Lorde Entwistle pigarreou. Era a deixa de John, que soltou uma bufadinha imperceptível antes de estender novamente a mão na direção da moça. -- Aceita me acompanhar numa dança, Lady Lewis?

-- Claro! -- Ela trocou um olhar rápido com o irmão antes de aceitar a mão do moço e acompanhá-lo até a pista de dança, próxima ao palanque onde os violinistas e violoncelistas tocavam uma melodia romântica e alegre.

John podia não ter sentido o coração derreter pela garota, mas já não havia a achado desprezível, o que era muito mais do que metade das garotas com quem era obrigado a socializar.

Ao ver a irmã em boas mãos, Nicholas trocou um manear de cabeças com Lorde Entwistle e retornou para o local onde havia encontrado a irmã minutos antes, afinal, havia prometido uma dança a Helena.

Diferente da irmã, não havia uma grande pressão sobre Nick para se casar, afinal, ele era homem. Para um homem de 20 anos, o casamento podia esperar uma eternidade para se concretizar, afinal, ele era jovem. Para uma mulher de mesma idade, muito pelo contrário, faltava muito pouco para se tornar uma solteirona, por isso, era bom se apressar... Nick não achava isso certo, tanto é que permitiu de bom grado que a irmã esperasse um ano a mais para debutar, mas a sociedade não seria tão compreensiva e ele se preocupava o suficiente com Josie para não querer que esse tipo de coisa acontecesse com ela. Nem com Helena, que era praticamente uma irmã para ele também. E é por isso que ia tirá-la para dançar.

Nicholas sabia, em seu íntimo, que o sonho de sua mãe e o de Lady Maryse era vê-lo casado com Helena, mas não conseguia vê-la mais do que como uma irmã. Seria tão estranho quanto se ele se casasse com Josie! Ok, talvez não tão estranho... Mas, mesmo assim, não podia fazer isso com Hel, não seria justo com ela... Nem com ele que, apesar de não aparentar, sonhava em encontrar seu verdadeiro amor. Porém, uma dança com a amiga não faria mal algum, na verdade, adorava a companhia dela e seria um bom jeito de se distrair das preocupações que o assolaram no momento em que a irmã pegou a mão do Sr. Entwistle.

-- Senhoras... -- Nicholas cumprimentou novamente ao chegar no local em que sua mãe, Lady Marysa e Helena conversavam com uma outra dama que o jovem não reconheceu. Helena logo olhou para ele e sorriu, como se estivesse agradecida por ele ter aparecido para salvá-la daquela conversa. -- Srta. Radcliff, queira me acompanhar numa dança... -- Nick fez uma mesura e estendeu a mão para Helena, que logo a tomou de forma animada, permitindo que ele a conduzisse até a pista. Nick percebeu, com o rabo do olho, o olhar que sua mãe e a mãe de Helena trocaram.

-- Que bom que você apareceu, Nick... Se eu escutasse mais uma vez a palavra solteirona, eu ia ter um ataque! -- Helena comentou, bem humorada, fazendo Nick rir.

-- Sei bem, Hel... As pessoas conseguem ficar dez vezes mais chatas e maldosas nesses bailes... -- O rapaz respondeu, pousando a mão na cintura da amiga e tomando a mão dela na outra, rodando levemente nos primeiros passos da dança. Ele conseguia ver a irmã e seu pretendente rodando e conversando mais adiante, mas tentou não se preocupar com isso.

-- Relaxe, Nick, ela está bem! Josie não é boba nem nada... -- Helena falou, sabendo que era para a amiga que Nicholas olhava.

-- Eu sei, eu sei... Eu só... -- Nick balançou a cabeça antes de se concentrar no rosto de sua parceira de dança. Ela dançava muito bem, era até engraçado como Nick sempre aguardava o momento em que ela pisaria em seu pé, como Josie, e isso não ocorria. -- Hel, posso perguntar uma coisa muito importante?

O rosto da garota adquiriu um ar preocupado e ansioso, o que fez com que Nick se apressasse.

-- Relaxe, não irei te pedir em casamento... -- Ele soltou uma risadinha quando a amiga pareceu aliviada. -- Na verdade, é justamente sobre isso...

-- Fale...

-- Você tem noção de que nossas mães querem que a gente se case, não tem? -- Nicholas estreitou os olhos, sendo cauteloso. Helena assentiu, parecendo cansada.

-- É claro que tenho... Sempre que tem uma oportunidade, minha mãe gosta de lembrar seus melhores atributos e refrescar minha memória sobre como nós dois somos amigos... -- A garota revirou os olhos, se esquecendo, por um momento, de que aquilo era proibido num evento social. Nick riu, rodando-a pela mão, logo trazendo-a para perto de novo.

-- Pois é... Mas, eu só sinto que preciso te dizer isso... Não quero te magoar nem nada, mas...

-- Nick, relaxe, eu não quero me casar com você, está bem? E sei que você não quer se casar comigo... Seria...

-- Estranho! -- Os dois falaram em uníssono, rindo em seguida.

-- Exatamente, é o que eu digo para minha mãe, que me casar com você seria como me casar com Josephine... Mas ela diz que é questão de tempo e que pelo menos já temos uma afinidade entre nós, o que é bem mais do que a maioria dos casais que se casam hoje em dia... Mas, não... Somos tão jovens ainda, vale a pena esperar a pessoa certa... -- Nicholas suspirou e a amiga assentiu.

-- Concordo com você, Nick... E espero de coração que você encontre a perfeita Lady Mason... Ela será uma garota de sorte... -- Lady Radcliff sorriu e Nicholas retribuiu.

-- Obrigado, Hel... Sei que você também encontrará seu felizardo...

Enquanto isso, a alguns metros dali, John puxava novamente sua parceira no ritmo da música, preparado para o pisão que com certeza levaria no pé, assim como todas as outras vezes que fizeram aquele passo.

-- Opa, mil desculpas Sr. Entwistle... -- Josephine pediu, fechando os olhos de forma culpada... Como das outras vezes.

-- Tudo bem... Se me permite dizer, Lady Lewis, a senhorita consegue ser mais desastrada que meu amigo, Pete... -- Ele comentou, rindo baixinho, se lembrando do melhor amigo que, por conta do desastre, já os colocara em várias enrascadas. Josie riu meio sem graça.

-- Ele deve ser um poço dos desastres, para o senhor estar me comparando com ele... -- A garota respondeu, com muito bom humor para a sorte de John.

-- Ele é, sim... Uma vez, ele foi cumprimentar Lady Dawson... -- O homem fez menção à senhora mais idosa dos círculos sociais. Era impossível não se conhecer Lady Dawson. -- Quando abaixou a cabeça para fazer uma reverência, acertou a testa na cabeça dela...

Josie precisou tapar a boca para que sua risada não soasse alta. Ela estava em choque com aquela história.

-- Ele precisou passar uns dois meses indo até a casa dela para ler para ela todas as tardes para se redimir...

-- Ele deve ser adorável... -- Josie comentou, sem pensar muito, imaginando o tal amigo do Sr. Entwistle lendo para uma velhinha rabugenta.

-- Foi o que Lady Dawson disse depois dos dois meses... -- John deu de ombros e, por conta da distração, se esqueceu de rodar Josie, agradecido por ter se esquecido da dança e não ter o pé trucidado.

O homem não conseguiu conter um suspiro indicando que já estava cansado daquela dança.

-- Me desculpe por entediá-lo, Sr. Entwistle... -- A garota falou com uma certa mágoa, desviando os olhos dos dele, que agora estavam arregalados diante da fala da garota.

-- O quê? Ah, não, não é isso... É que eu odeio dançar... Não tem a ver com a senhorita... Na verdade, você é bem agradável... -- Ele sorriu um pouco forçado, afinal estava realmente de saco cheio daquela dança.

-- Igual minha amiga, Helena... -- Josie deu uma risadinha. -- Ela odeia dançar, mas é uma dançarina esplêndida! Não é justo... Agora eu, que amo dançar, Deus faz com dois pés esquerdos...

John riu, desviando o pé da frente do de Josie, que já estava prestes a acertá-lo de novo.

-- Esse tipo de coisa acontece... -- John comentou e logo se perdeu em pensamentos. Era como ele e Pete. Seu amigo possuía muito mais um perfil de cara romântico do que ele, cheio daquelas baboseiras de escrever poemas e comprar flores e, ainda assim, era ele quem precisava encontrar uma esposa o quanto antes.

Para a sorte de John, a dança havia acabado. Ele ofereceu o braço à Lady Lewis, que o tomou, e a conduziu até os arredores do salão, ao local onde ela havia dito ter avistado a mãe.

Ao chegarem lá, John foi abordado por duas senhoras sorridentes que o cumprimentaram com afinco e alegria. Quando já estava prestes a beijar a mão de Josie e ir embora daquela situação constrangedora, ouviu uma voz soando atrás de suas costas.

-- Ah, Sr. Entwistle, espero que tenha cuidado bem de minha irmã na pista de dança... -- Era Lorde Mason.

Quando se virou para cumprimentá-lo e poder sair de vez de lá, seus olhos encontraram a criatura mais maravilhosa que já haviam visto, ali, enlaçada ao braço do recém-chegado. John ficou embasbacado com a forma suave como ela havia corado ao ver que ele a encarava.

Seu coração havia errado uma batida...

-- John Entwistle, senhorita... -- Comentou, a voz soando distante, se esquecendo de tudo e de todos que estavam em volta dele, estendendo a mão para que aquela belíssima garota a pegasse.

-- Muito prazer, Sr. Entwistle... Helena Radcliff... -- Ela sorriu, entregando a mão a ele, que a beijou com suavidade, ainda com o coração acelerado. E foi arrebatador!

-- Lady Radcliff é a melhor amiga de Josephine... -- Nicholas entrou no meio da conversa, alheio àquela forte conexão e às faíscas que escapavam em torno de John e Helena. O rapaz parecia não ter noção nenhuma daquilo e continuou ali, sorrindo, o braço enroscado ao de Helena.

-- Encantado, verdadeiramente encantado... -- John ainda segurava a mão da garota ao dizer isso, olhando-a profundamente nos olhos.

Josie sorriu observando a cena, notando a mudança repentina na forma de agir de John. Sabia que algo o havia acometido... Paixão, talvez? Josephine também conhecia perfeitamente bem a melhor amiga para saber que, o que quer que tivesse ocorrido com Entwistle, havia ocorrido com ela também. A garota se apressou para arrastar o irmão sem noção para longe deles, pegando-o pelo braço.

-- Ei... -- Nick protestou, mas Josie continuou a puxá-lo para junto de si.

-- Você não percebe? Aquele pode ser o início de uma longa história, portanto, não atrapalhe! -- Josie sussurrou, ríspida, trazendo o irmão confuso com ela para perto da mãe e Lady Maryse que, ao mesmo tempo, pareciam perplexas e felizes, como se o plano delas não tivesse funcionado mas outro melhor aparecera.

-- Quer dançar, Lady Radcliff? -- John perguntou, sem nem perceber que Nick havia sumido de perto deles. Helena assentiu, sorrindo, aceitando o braço do rapaz e o seguindo de volta para o local apinhado de gente que haviam ambos acabado de sair.

Então, se unindo na posição correta da valsa, ambos repararam, pela primeira vez, o quanto amavam dançar. Bastava, apenas, se encontrar o parceiro certo.

Enquanto isso, Josie observava do mesmo lugar, o braço enlaçado ao do irmão, deitando a cabeça pensativa no ombro dele. Então, aquilo que acabara de presenciar era amor à primeira vista... Josie sabia que precisava disso para sua vida, uma paixão tão arrebatadora que, quando seus olhos se encontrassem, ela esqueceria de tudo e de todos.

-- É uma pena que ele não tenha gostado de Josephine, mas, por sorte, ele e Helena parecem perfeitos um para o outro... -- Elizabeth Lewis comentou, com um suspiro triste (permeado com uma certa inveja, talvez?), tirando a filha do transe.

-- Pois é... A família dele está um pouco quebrada em questões financeiras, mas dinheiro nunca foi nosso problema... Assim, juntamos o útil ao agradável, Helena precisa de um herdeiro e o Sr. Entwistle, de dinheiro, desta forma... -- Lady Maryse falava, mas Josie a interrompeu, indignada, deixando para lá todas as regras de etiqueta que lhe foram ensinadas durante todos aqueles anos.

-- Vocês estão falando sobre duas pessoas! É muito mais do que dinheiro e títulos! Estamos falando de sentimentos e de vidas aqui! Vocês não podem parar de tratar das nossas vidas como negócios um minutinho sequer?! Eu não aguento mais isso! -- A mocinha explodiu, se livrando do braço do seu irmão e saindo apressada dali, deixando para trás três rostos embasbacados e mortificados. De repente, ficou difícil de respirar no meio daquela gente toda.

-- Josie, espere! -- Nick tentou ir atrás da irmã, mas foi impedido pela mãe, que segurou seu braço.

-- Deixe-a respirar um pouco... Só... Certifique-se de que ela não vai entrar em enrascadas... -- Lady Elizabeth ordenou entredentes, categórica, olhando diretamente nos olhos do filho para ter certeza de que estava sendo clara.

Nicholas assentiu apenas uma vez, as sobrancelhas franzidas de maneira séria. Então, quando a mãe o soltou, ele foi atrás da irmã... Mas já a havia perdido de vista. Eram tantas pessoas! Decidiu começar sua busca pelos jardins...

*****

Lady Josephine Lewis sentiu seus olhos arderem de lágrimas conforme ela andava apressada entre as pessoas, pedindo licença, esquecendo-se, por um momento, das boas normas de não sair por aí sozinha sem uma acompanhante. Ela estava frustrada, principalmente pelo fato de que todos em sua volta pareciam sempre preocupados com títulos e riqueza, com o que os outros iriam pensar e esse tipo de superficialidades. Josie estava cansada disso! Ela queria... Se apaixonar....

Ela vira o brilho nos olhos de John e Helena quando se viram pela primeira vez. Era isso que queria, mas, temia nunca encontrar. Temia passar a vida esperando pelo rapaz perfeito e acabar totalmente sozinha...

Não estava com inveja de Helena, muito pelo contrário, desejava mais que tudo que a melhor amiga fosse genuinamente feliz! Mas, queria saber, por que algo daquele tipo não podia ocorrer também com ela? Por que todos os rapazes de que ouvia falar só estavam de olho em seu dote? Até seu irmão parecia ter certeza disso...

Limpando as lágrimas teimosas que escorriam por suas bochechas, Josephine sentiu uma extrema necessidade de sair logo da vista de todas aquelas pessoas. Sabia que, se a vissem chorando, no dia seguinte, todos da alta sociedade já saberiam da fofoca. A garota viu uma enorme porta de carvalho e maçanetas douradas entreaberta. Sabia que não deveria entrar ali, mas era sua única opção... Com um pouco de falta de ar, Josie adentrou rapidamente por esta. Puxou-a atrás de si e respirou fundo, encostando-se na superfície de madeira. Fechou os olhos molhados e recostou a cabeça para trás... Havia adentrado em um novo corredor cheio de portas fechadas.

Então, seus ouvidos foram tomados por uma belíssima melodia que, até então, não havia prestado atenção. Era o suave martelar das teclas de um piano, disso Josephine tinha certeza... Mas, não havia um pianista no baile!

Ela percebeu que, na verdade, o som vinha de dentro de alguma daquelas salas do corredor que havia invadido. Com curiosidade, ignorando a vozinha em sua cabeça que dizia que seria melhor ela sair dali o quanto antes, Josie caminhou a passos lentos na direção do som.

A música foi se tornando mais alta e, também, mais acalorada, guiando a jovem dama até outro corredor, onde ela viu a luz de uma sala com a porta entreaberta se projetando longamente no chão. Era de lá que o som estava vindo. Josie se aproximou devagar, o sentimento de que não deveria estar ali crescendo mais. Ela olhou pelo vão da porta e tudo o que viu foi um pedaço do piano e... Parte das costas do pianista. Era um homem, disso ela tinha certeza, usando uma casaca de veludo azul esverdeado, aparentemente alto e com cabelos castanhos um tanto quanto longos.

Lady Lewis definitivamente deveria sair dali, o que aconteceria se outras pessoas descobrissem que ela, a jovem e inocente irmã de Lorde Mason, estava bisbilhotando um homem? Ou, pior, o que aconteceria se o homem a descobrisse ali, o bisbilhotando? Porém, Josie não conseguia se mexer... Estava hipnotizada pela música intensa que saía do belíssimo instrumento. Era como se cada nota estivesse entrando por seu ouvido e escorregando por suas veias até seu coração.

Ela fechou os olhos, na esperança de que aquilo pudesse fazer com que ela se esquecesse, por um momento, que estava infringindo um milhão de regras da sociedade... Mas então, seu corpo pendeu para frente e, num tropeção, ela caiu sobre a porta, que se escancarou com um barulhão, e caiu graciosamente no chão. Aquilo só podia ser um pesadelo!

-- Ai... Ai... -- Ela reclamava, sentindo seu pulso dolorido, erguendo-se no chão. A música havia parado.

-- A senhorita está bem? -- Josie viu uma mão se estendendo diante de seus olhos e, ao erguê-los com um susto, viu que pertencia ao pianista.

E quando seus olhos se depararam com os dele, tão azuis quanto o céu de primavera, Josephine perdeu qualquer habilidade de fala que até então possuía. Como não conseguia falar - e nem desviar os olhos dos do rapaz -, Josephine apenas assentiu e tomou a mão dele para que a ajudasse se levantar...

No momento em que os dedos do moço se fecharam ao redor dos dela, a dama sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha, acabando-se em sua nuca. Porém, é preciso dizer, o rapaz parecia tão atônito pela presença dela quanto ela própria pela dele. O jovem sentiu até mesmo sua respiração se tornar mais pesada e o coração acelerado querendo rasgar-lhe o peito. Já ouvira dizer que anjos caíam do céu, mas que caíam de portas? Essa era novidade...

-- A senhorita se machucou? -- O jovem pianista perguntou, conseguindo, finalmente, desviar os olhos dos da garota, pousando-os sobre a mão dela que ainda se encontrava sobre a sua.

-- Eu só... Estou com uma dorzinha no pulso... -- Lady Lewis admitiu, soltando, um pouco relutante, a mão do moço, tentando virar o braço. -- Ai!

-- A senhorita permite que eu dê uma olhada? -- O moço perguntou, adquirindo um tom preocupado, apontando para o braço de Josie, que assentiu.

Ele, então, cobriu o cotovelo nu dela com a palma - Josie pensou que suas pernas fossem ceder e que ela fosse cair ao sentir a pele quente dele em contato direto com a sua -, o agarrando para trazer o braço dela para mais perto. O polegar dele passou escandalosamente pela extensão do antebraço dela, se enfiando perigosamente por baixo da luva de cetim.

-- Não parece quebrado... Deve ter sido só uma torção... -- O rapaz comentou, sem tirar os olhos do braço da moça, que parecia estar se derretendo inteira pelo toque dele. Ele também, não podia negar, estava se deliciando com a pele macia dela, se perguntando travessamente como deveria ser a sensação de puxar aquela maldita luva pelos longos dedos dela. Ele precisava se concentrar! -- De qualquer forma, quando chegar em sua casa, peça a uma criada para fazer uma compressa de água quente para por aí...

-- Como você sabe tanto sobre isso? -- Josie perguntou, as sobrancelhas franzidas de forma curiosa, sentindo um certo formigamento em sua pele quando o moço soltou seu braço. Ele deu de ombros.

-- Digamos que... Eu sou um pouco desastrado e acabo me machucando bastante... -- Ele respondeu, um pouco envergonhado, e Josie arregalou os olhos, como se tivesse encontrado a última peça do quebra-cabeça mental sobre aquele pianista misterioso.

-- O senhor é... -- Josie se conteve. Estava prestes a dizer "Pete", lembrando-se da conversa com John, mas parou ao ver que não seria nada adequado chamar aquele cavalheiro pelo primeiro nome. -- Amigo do Sr. Entwistle?

-- Sou sim, milady, Peter Townshend, ao seu dispor... -- Ele fez uma mesura um tanto quanto brincalhona, tomando a mão da moça novamente na sua e dando um beijinho nos nós enluvados desta, que sorriu genuinamente, sentindo uma nova onda de arrepios percorrendo-lhe o corpo.

-- Lady Josephine Lewis... -- A mocinha respondeu, fazendo uma reverência breve com a cabeça quando o moço a soltou novamente. -- Se me permite perguntar, o que estava fazendo aqui?

-- Ora, que eu saiba, era a senhorita que estava me espiando... -- Pete a lançou um sorriso esperto, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha. Não havia maldade alguma na fala dele, mas, mesmo assim, Josie sentiu as bochechas queimarem de vergonha. -- Foi só uma brincadeira, eu deveria estar aqui tanto quanto a senhorita... O baile estava uma chatice... John sumiu e eu não tinha mais com quem conversar... Então, resolvi dar uma fugidinha... Como tive aulas de piano com Lady Blackwood quando era criança, sabia da existência desta sala e, sinceramente, creio que ela não se importaria de me ver aqui...

-- Pelo visto, as idosas gostam de você... -- Josephine comentou, sem pensar muito, e Pete franziu o cenho, soltando uma risada, confuso.

-- O que quer dizer com isso?

-- Nada... Apenas... Esqueça... Eu estou com a cabeça meio distraída hoje, mil perdões, Sr. Townshend... -- Josie admitiu, pesarosa.

-- É por isso que você está aqui? -- O rapaz perguntou, compadecido, indicando a extensão da sala com a cabeça. Josie assentiu.

-- A primeira temporada pode ser bem estressante... -- Ela respondeu, soltando um risinho nervoso que se misturou com as últimas palavras de sua fala. Pete abriu um sorriso gentil.

-- Eu imagino... Não te culpo por querer dar uma escapadinha...

-- Agora, se me permite perguntar... -- Lady Lewis começou a caminhar na direção do piano, tocando a madeira lustrada ao parar diante do instrumento, olhando para o rapaz que a observava cuidadosamente a alguns passos de distância. -- Qual música era aquela que você estava tocando quando eu... Bem...

-- Caiu? -- Pete completou, solícito, vendo novamente as bochechas de Lady Lewis serem pintadas de rosa. Era adorável, sinceramente, ele poderia passar o resto da vida tentando achar formas de fazê-la corar. A jovem assentiu. -- Ah... Na verdade, era uma composição minha...

-- Sua? -- Os olhos castanhos dela se arregalaram, impressionada. Agora foi a vez de Pete corar, sentindo as orelhas quentes. -- Impressionante! Era maravilhosa!

-- Não é nada... -- O rapaz deu de ombros, desviando os olhos para o lado.

-- Não é nada? Por Deus, havia tempo que eu não ouvia nada tão... Magnífico! -- Josephine teimou, fazendo gestos com as mãos e Pete de súbito sentiu uma vontade de tocá-las novamente... Mas se conteve. Já era escandaloso o suficiente o fato de estarem sozinhos numa sala, sem a supervisão de ninguém. -- Você poderia tocar novamente?

-- A... A senhorita quer que... Que eu toque minha música para... Para você? -- Peter arregalou um pouco os olhos, atônitos, mexendo os dedos nervosamente atrás das costas. Lady Josephine assentiu, sorrindo.

-- Não é como se eu ainda não tivesse escutado...

-- A senhorita estava me espionando! -- Pete relembrou, na esperança de que aquilo pudesse trazer novamente o rubor à face cheia de sardas delicadas da garota, mas esta já parecia estar com outras preocupações.

-- Agradeceria se parasse de relembrar este fato... -- Ah, ali estava o rubor. -- Por favor! Eu estou machucada, se esqueceu? Não se pode negar nada a uma garota machucada!

Pete a olhou de rabo de olho, irônico, um sorriso brincalhão tomando conta de seus lábios, cruzando os braços longos.

-- Você tem um irmão, não é mesmo? -- Pete falou mais numa afirmação do que numa pergunta. Conhecia Lorde Mason, só não imaginava que este teria uma irmã tão encantadora. A mocinha assentiu. -- Já está perita em persuasão masculina...

-- Como adivinhou? -- Lady Lewis riu enquanto observava Pete se aproximar do piano e tomar seu lugar no banquinho. Ele bateu a mão na madeira ao seu lado, indicando que havia espaço o suficiente para que Josie se sentasse ali. Ela hesitou. -- Não sei se deveria...

-- Milady, se me permite dizer, sua reputação já estará comprometida se alguém nos pegar aqui dentro, que mal fará você se sentar ao meu lado? -- Peter argumentou, sincero, erguendo as sobrancelhas. Josie acabou cedendo e se sentou ao lado dele.

Pete estralou os dedos e começou a dedilhar as teclas, preenchendo novamente todo o espaço amplo daquela sala bem decorada com as notas intensas e melódicas da canção. Josie ficou ainda mais embasbacada. Era, realmente, uma música maravilhosa e Pete a tocava com tanta maestria e habilidade. Era hipnótico olhar os longos dedos dele pressionando as teclas de marfim... Aquilo estava fazendo com que Josie sentisse coisas...

Coisas que ela nunca havia sentido.

Coisas que ela nem sequer imaginava que poderia sentir.

Coisas que a deixavam vermelha só de pensar sobre.

Coisas maravilhosas.

Então, ela constatou algo do qual já suspeitava: estava apaixonada por Peter. Havia acontecido com ela e não foi nada do que ela imaginava. Foi melhor. Ela não se esqueceu de tudo e de todos, como imaginou que aconteceria, mas, pelo contrário, imaginou aquela sala como sendo o centro de tudo e de todos.

Quando Pete terminou sua peça, ainda parecia um tanto quanto fora de si, ofegante. Josie apenas encarava as mãos dele repousadas sobre as teclas e, sem conseguir se conter, suspirou.

-- Eu poderia passar minha vida inteira te ouvindo tocar... -- Ela comentou num sussurro, ainda atônita. Sentiu os olhos de Pete cravando-se em seu rosto mas não conseguiu se mover.

-- E eu poderia passar minha vida inteira tocando para você... -- O jovem respondeu, finalmente conseguindo que os olhos da garota se encontrassem com os seus. Havia uma força agindo ao redor deles, os empurrando mais e mais na direção um do outro.

Pete ergueu uma mão e passou os nós dos dedos suavemente na bochecha quente de Josie, que sentiu-se estremecer pelo toque dele. Tal carícia foi tão sutil que provocou cócegas... Mas Pete continuou a roçar os dedos no rosto dela, deleitando-se com a vermelhidão cada vez mais nítida deste.

-- Eu também poderia passar minha vida inteira acariciando seu rosto, desta forma, vendo você ficar vermelha... -- Pete sorriu, aproximando mais o rosto do de Josie, que estava ofegante.

-- Sr. Townshend... -- Ela começou a dizer, olhando atentamente para a boca de Pete, tão próxima à sua, tão perfeitamente delineada, tão convidativa... Mas o homem a calou, escorregando os dedos para os lábios dela. Por Deus, ela estava sentindo calor em lugares proibidos!

-- Shh... Me chame de Pete... -- Ele pediu num sussurro, sedutor, o hálito quente ricocheteando o rosto de Josephine.

-- Pete... -- Ela falou de forma baixa e intensa, adorando a intimidade daquilo tudo. -- Você vai... Me beijar?

Pete alargou seu sorriso. Ela era tão ingênua, tão delicada... Tão pura... Não que ele próprio fosse um libertino devasso, mas, ainda assim, havia uma certa excitação ao ter a noção de que ele era o primeiro a estar provocando tais reações na garota.

-- Eu pretendo... -- Ele respondeu, sincero, segurando, agora, o rosto dela com as duas mãos. -- A senhorita me permite, Lady Lewis?

-- Apenas se me chamar de Josie... -- Ela respondeu, astuta, abrindo um sorrisinho que complementava sua brincadeira. Aquilo estava enlouquecendo Pete, que, sem se segurar mais, pressionou os lábios contra os dela, num beijo sutil e calmo. O primeiro beijo de Josie. A sensação macia da boca dele era mil vezes melhor do que ela imaginara...

-- Ah, Josie... Josie... -- Pete arfava, se deliciando com o nome dela em sua língua, pressionando novamente os lábios nos dela, desta vez um pouco mais profundamente, escorregando uma das mãos pelo pescoço fino da garota, que se arrepiou inteira.

-- Pelo sangue do nosso senhor, Jesus Cristo! O que é que vocês dois estão fazendo?

Havia uma figura parada à porta... Seja quem fosse, havia os flagrado e estava mortificada!

*****

Fazia muito tempo que John não se divertia de verdade como estava se divertindo ali, na presença da Srta. Radcliff. Ela era verdadeiramente encantadora, tímida e reservada, exatamente como ele próprio. Apesar disso, a conversa dos dois fluiu perfeitamente bem durante a dança. John sentia como se pudesse dizer qualquer coisa a Helena, pois sabia que ela o entenderia... Era como se...

Era como se eles fossem partes de um único todo!

John nunca pensou que fosse se sentir assim por alguém e, agora que aconteceu, estava maravilhado e um tanto quanto atônito.

Antes daquela dança, John não sabia literalmente nada sobre Lady Radcliff, apenas que era filha única do visconde de Fitzwalter. Porém, apesar disso, não fazia parte da lista de mulheres que seu pai fazia questão que ele conhecesse.

Que fosse às favas aquela lista!

John não tinha muitas certezas naquela vida, porém, uma delas era a de que queria se casar com Helena. Passara menos de uma hora na presença dela e, ainda assim, sentia como se a conhecesse a vida inteira! Nem com Pete, que era seu melhor amigo desde os sete anos, ele se sentia daquela maneira!

A vida o havia dado uma chance... Era bom ele não desperdiça-la.

Depois da dança, John oferecera o braço à Helena e a conduzia pelos arredores do salão, beliscando vez ou outra os sanduichinhos de salmão defumado e alcaparras maravilhosos que se encontravam empilhados em vários pratos de prata arrumados à mesa de comidas.

-- A senhorita está se divertindo? -- John perguntou, cheio de expectativas. Lady Helena sorriu, o que aqueceu cada milímetro do coração do jovem.

-- Mais do que imaginei! -- Ela respondeu, comendo o último pedacinho de sanduíche que ainda estava em sua mão. -- Isso aqui é uma delícia!

-- Não é? Espere só até ocorrer o baile na casa de Lady Atkinson! Todo ano servem um sanduíche de queijo francês com geleia fresca de frutas vermelhas! -- John comentou, entusiasmado, já se imaginando de braços dados com Lady Radcliff no tal baile mencionado.

-- Pare, Sr. Entwistle, pare... Isso é tortura! Está me deixando com água na boca! -- A garota reclamou de forma zombeteira e John riu.

-- Posso dizer que estes sanduíches são as únicas coisas que gosto verdadeiramente nos bailes... Isso e... Dançar com a senhorita... -- John admitiu, sentindo um frio na barriga. Helena sorriu, as bochechas avermelhadas. John avistou um feixe de luz da lua que adentrava por uma das longas janelas do salão. -- Hoje é noite de lua cheia... A vista lá do jardim é maravilhosa, quer me acompanhar até lá?

-- Claro! -- Helena respondeu e permitiu que John a conduzisse por entre todos aqueles convidados, até que chegaram ao lado de fora, onde havia uma balaustrada longa perto das escadas que levavam ao jardim.

Não havia ninguém ali fora, ainda assim, aquele não era um lugar comprometedor, afinal, era aberto para quem quisesse ir até lá. John e Helena se aproximaram da balaustrada. A garota se apoiou nesta, olhando maravilhada para a lua. O rapaz, sem conseguir se conter, passou o braço ao redor da cintura de Helena, que prendeu a respiração ao sentir a mão dele tão próxima de sua barriga.

Aquilo era tão escandaloso, o que só tornava a situação mais interessante. Para deixar tudo ainda mais comprometedor, John aproximou os lábios do ouvido de Helena, que fechou os olhos ao sentir a respiração dele ricocheteando em seu pescoço.

-- A vista do jardim é ainda mais bonita que a daqui... -- Ele sussurrou e a garota estremeceu. Então, John a ofereceu novamente o braço e os dois caminharam até a escadaria. John deu uma última olhada para trás apenas para se certificar de que ninguém os seguia.

Os dois logo se encontravam no jardim, onde havia um imenso chafariz no qual a lua se refletia. Os dois pararam diante deste e, de pronto, John abraçou Helena, trazendo o corpo dela para mais perto do próprio. A garota ficou desconcertada com aquele ato, sem saber como reagir. As mãos dele estavam as duas em sua cintura!

-- John... -- Ela começou, um pouco nervosa, sem ao menos se dar conta de que o havia chamado pelo primeiro nome. -- Podem nos ver...

-- E o que acontece se nos pegarem? -- Ele respondeu, gostando daquela ideia de brincar com o perigo, sentindo as mãos de Helena pousarem deliciosamente em seus ombros largos. Ela ficava tão pequena nos braços dele...

-- Você será obrigado a se casar comigo... -- A garota respondeu, não conseguindo esconder o deleite que sentia por tal ideia.

-- Você acha mesmo que isso seria algo ruim? -- John se curvou mais na direção dela, roçando, agora, a ponta de seus narizes.

-- Você acabou de me conhecer... -- Helena respondeu, os olhos fechados, sentindo um nó na garganta ao dizer tal coisa. John a calou por uma mão que subiu até o rosto dela, tomando-lhe a bochecha na palma.

-- Eu não precisei de mais do que cinco minutos para decidir que queria me casar com você... -- Ele admitiu, sendo sincero, esperando ver tal sentimento retribuído nos olhos castanhos de Lady Radcliff.

-- Oh, John... -- Ela respondeu, sôfrega, e, num lampejo de ousadia, acabou com a distância que separava seus lábios dos de John.

O homem a segurava com firmeza e gentileza ao mesmo tempo, agarrando-lhe a nuca enquanto seus lábios exploravam os da garota, sentindo-a estremecer em seus braços, o calor de seus corpos se fundindo.

Helena arfou de surpresa quando os lábios destemidos de John escorregaram de sua boca para seu pescoço, trilhando beijos pela pele quente dela.

-- Lady Helena Radcliff... -- A voz abafada de John fazia cócegas na pele de Helena enquanto ele trilhava seus beijos pela extensão do braço dela, segurando-a pela mão, até que finalizou com um último beijo sobre os nós dos dedos dela e a olhou nos olhos. -- Quer se casar comigo?

Helena, que até uma hora atrás estava convicta de que aquele ano seria como qualquer outro - ela acabaria solteira, submetida às pressões do pai para o ano seguinte -, não podia acreditar nas palavras que adentravam seus ouvidos. Tudo bem que John já havia mencionado um possível casamento entre eles, mas, agora que ele havia dito aquilo com todas as letras, ela se sentia atordoada, mas de uma forma boa.

A garota sorriu, se emocionando, e balançou a cabeça rapidamente. John sorriu também, a puxando para um abraço, sem tirar os olhos dos dela.

-- Sim! Sim, eu aceito! -- Ela finalmente conseguiu dizer, sendo interrompida apenas pelos lábios sedentos de John que a beijaram vorazmente enquanto as mãos ágeis dele percorriam cada extensão do corpo dela, apertando suas costas, sua cintura e... Por Deus! Ele apertava suas coxas!

-- Agora, se alguém nos flagrar... -- John dizia com a voz rouca e entrecortada, os lábios quase grudados aos de Helena. -- Terei o maior prazer em mandar o sujeito sumir da nossa frente, afinal... Você é minha noiva!

Ele mal deixou que Helena respondesse, afinal, a beijou naquele pontinho sob a orelha onde ela acabara de descobrir que amava ser tocada e tudo que conseguiu sair de sua garganta foi um gemido de prazer...

Haviam tantas expectativas naqueles atos, tantas promessas para uma vida inteira que se decorreria. E tudo começou com uma simples troca de olhares...

*****

Josie não sabia onde esconder sua cara, agora mais vermelha do que qualquer outro momento anterior daquela noite. Ela e Pete haviam se soltado num sobressalto e se levantado rapidamente do banco. Ali, parada diante da porta, estava Lady Blackwood, a boca e os olhos formando três "o's" perfeitos.

-- L-lady Blackwood, não é o que parece... -- Josephine começou a se explicar, mexendo as mãos nervosamente.

-- Eu só estava mostrando-a uma música no piano... -- Pete interveio, tão vermelho quanto a garota. Os dois continuaram com as explicações, mas Lady Blackwood, que era quase uma força da natureza dentre a aristocracia, os calou quando ergueu uma mão, mandando-os parar.

-- Quietos, os dois! -- Ralhou ela, sem nunca perder a elegância. -- Eu sei muito bem o que vi! A menos que vocês tenham uma ótima explicação humanamente impossível para justificar o porque dos lábios do Sr. Townshend estarem colados aos de Lady Lewis e o porque das mãos do senhor estarem onde estavam... Acredito que sei muito bem o que se passava entre vocês dois!

-- Lady Blackwood, nós...

-- Eu ainda não terminei! -- A viúva arregalou mais os olhos verde-escuros e sérios, fumegando diante da interrupção, os calando de imediato. -- Acredito que isso não seja algo que vocês, dois jovens respeitáveis, principalmente a senhorita... -- Lady Blackwood direcionou o olhar à Josephine, que não sabia para onde encarar e esquecera-se como ficar parada totalmente imóvel. -- Deveriam estar fazendo! Estou certa? -- Silêncio. A senhora bateu com a bengala no chão. -- Estou certa?!

-- Sim, Lady Blackwood... -- Os dois jovens responderam em uníssono, olhando para baixo, envergonhados.

-- Que bom que sabem... -- O tom da voz da senhora se amenizou e ela soltou um suspiro, como se o que ela estava prestes a dizer fosse um pouco contra sua vontade. -- Apesar disso, já fui jovem um dia, podem acreditar, e sei como vocês são, por isso, fiquem tranquilos, não contarei sobre este ocorrido à ninguém... -- Os dois já suspiravam de alívio quando a senhora prosseguiu. -- A menos, é claro, que isso não venha a se repetir!

-- Não, com certeza... -- Josie concordava nervosamente com a cabeça. Pete assentiu ao lado dela. Os dois trocaram um olhar envergonhado mas cheio de carinho, o que não passou despercebido por Lady Blackwood.

-- Pelo amor de Deus, está na cara que eu vou dar as costas e vocês vão se beijar de novo! Eu não nasci ontem! Vocês se gostam, até um cego veria! -- A idosa exclamou e os dois começaram a protestar, sendo, mais uma vez, interrompidos pela bengala da senhora. -- Estou certa ou não estou?

-- Sim, Lady Blackwood... -- Os jovens responderam juntos mais uma vez, trocando um sorrisinho.

-- Então, em nome de Cristo, Peter! Peça-a logo em casamento! -- A viúva ralhou, como se aquilo fosse a resposta mais óbvia do mundo. Pete ainda não havia pensado naquilo, mas, realmente, fazia muito sentido. Nunca havia se sentido da forma que estava se sentindo ao lado de Josie. Era como se, do nada, nestes últimos minutos, ela passasse a ser algo essencial em sua vida. -- Escutem bem, Lorde Mason está desesperado atrás da senhorita, por que vocês já não falam do noivado para ele?

-- Mas, eu ainda nem pedi a mão dela! -- Pete respondeu, um pouco exasperado com a rapidez toda daquela situação. A viúva o lançou um olhar condescendente. Josie escondia um risinho ao lado dele.

-- E o que está esperando?! -- Lady Blackwood exclamou. Pete olhou-a incrédulo antes de se virar para Josie, que parecia estar se divertindo.

-- Não quero que você pense que eu sou desesperado ou algo do tipo... Ou louco... Ia odiar que você pensasse que eu sou louco... Afinal, nem fiz um cortejo adequado, não tive tempo de te mandar flores e...

-- Pete... -- Josie o calou, tomando-lhe as mãos nervosas nas suas. -- Eu não pensarei nada disso de você, fique tranquilo...

Ela abriu um sorriso radiante que derreteu o coração do rapaz, que retribuiu o sorriso. Era tudo que ele precisava para ter a certeza absoluta do que estava fazendo.

-- Sendo assim... Quer se casar comigo, Josie? -- Ele perguntou, cheio de expectativa, sentindo os dedos da garota se apertarem em suas mãos. De alguma forma, o sorriso dela se alargou e, novamente, seu rosto foi tomado pelo rubor adorável que Pete decidira que amava.

-- Quero! -- Ela respondeu, sem hesitar, e Pete sentiu seu coração palpitar, curvando-se alegremente para beijá-la... Mas, antes que o fizesse, Lady Blackwood pigarreou e os repreendeu com um olhar. Os dois soltaram risadinhas sem graça mas mantiveram as mãos unidas.

-- Agora sim vocês podem anunciar o noivado de vocês ao irmão de Lady Lewis... Então, me sigam... Se sairmos os três juntos daquela porta, vocês dois não terão problemas... -- A senhora saiu pelo batente e, neste momento, Pete curvou-se novamente sobre sua noiva para beijá-la... Mas lá estava o pigarro e a cabeça de Lady Blackwood com a expressão severa que aparecera pela porta. -- Agora!

Então, obedientemente, os dois jovens de braços dados a seguiram. Decidiram que teriam tempo de sobra para beijos depois. A vida inteira, para serem mais exatos...

*****

Depois daquele fatídico baile, não demorou muito para que os dois casais se encontrassem muito bem-casados e felizes. É claro que, antes disso, houveram alguns problemas...

O pai de Lady Helena Radcliff não havia curtido muito a ideia de ver sua filha casada com um homem endividado, porém, não importava o que ele dissesse, ele sabia que não ia conseguir fazê-la mudar de ideia. Além disso, John era um rapaz decente e com títulos e, sinceramente, dinheiro não era problema para Lorde Fitzwalter, que, na verdade, estava mais preocupado em arranjar um neto. Então, diante da felicidade da filha por ter encontrado o amor de sua vida, acabou concordando com o casamento dos dois. O senhor faleceu um pouco mais de um ano depois, mas não sem antes ter realizado seu sonho de ter um netinho - depois do casamento, não demorou para que Helena engravidasse e, quando a criança nasceu, apesar de não se importar com esse tipo de coisa, ficou contente por ter sido um menininho, realizando, assim, a vontade de seu pai que, naquele ponto, já estava muito doente.

Quanto à Lady Lewis, sua mãe não ficou muito contente em descobrir que a filha havia se apaixonado por um rapaz sem títulos, porém, Lorde Mason ficou até o fim ao lado da irmã. Ele via a forma que Pete a tratava e como ela estava contente. Nenhum título pagaria o alívio que ele sentia por ver a irmã feliz e ao lado de um homem que a tratava como uma verdadeira princesa. A mãe acabou cedendo, tocada pelo amor quase palpável dos dois e, logo depois, se casaram. Pete dedicou a vida à música, escrevendo milhares de canções, todas inspiradas em Josie, sua musa, que o instigou a mostrar suas composiçõess ao público - e que fizeram muito sucesso, diga-se de passagem. Os dois, também, construíram uma bela - e enorme - família.

E tudo isso começou com um baile onde nenhum dos quatro jovens queria estar presente...

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