¹⁰|Uma vez eu contei
Eu gostaria de dizer que me arrependo de ter tomado certas decisões na minha vida. Gostaria de dizer que vou aguentar mais um tempo desse jeito. Mas amor, a unica coisa que eu sei, é que eu não sei se aguento, nem se me arrependo ou não.
Confesso que eu estava confiante no começo de tudo isso. Eu acreditava piamente que um dia voltaria a ver o brilho em seus olhos, estava confortável em apenas mencionar nossas lembranças felizes e sentir aquele calorzinho bom no peito.
Mas aos poucos, lentamente, sem que eu percebesse, uma pequena semente da dúvida, da tristeza e da culpa, foi plantada em mim, adubada com muita indignação e regada com muitas lágrimas de saudade. Ela virou uma grande árvore, amor, quase não cabe mais em mim.
Eu penso apenas na boa época que tivemos. Quando eu deitava minha cabeça em seu colo e seus longos dedos acariciavam meu cabelo, ouvindo sua voz melodiosa me contar uma história, assim como se faz com crianças que não conseguem dormir. Era um dos meus momentos favoritos do dia. Quando entrávamos na nossa bolha de carinho. Ali, para mim só existia você, seus carinhos, sua voz, seu coração.
Naquele dia eu quis fazer diferente, lembra?
Fui eu que te contei uma história, naquela tarde de sábado ensolarado. Eu que acariciei seu cabelo, e te encaixei numa bolha de carinho e paixão. Eu queria fazer diferente logo cedo. Ainda lembro do que contei.
Era uma vez, um casal de jovens meninas. Bobamente apaixonadas, se amavam perante o sol, a lua, o oceano e abaixo das brilhantes estrelas juravam amor eterno. Sentavam-se no bosque uma ao lado da outra, acarinhavam-se enquanto as flores desabrochavam na primavera, afagavam-se enquanto o sol ardia no verão, abraçavam-se enquanto as folhas caíam no outono, aqueciam-se uma a outra enquanto a neve tudo cobria no inverno, e amavam-se cada vez mais a cada estação que se repetia.
Amavam-se tanto, queriam dar um novo passo, juntas, quem sabe usando uma aliança na ilha de Jeju apreciando a lua e o mar, juntas. Esse amor, tão bonito, algo sempiterno, quentinho, colorido, florido e tão mútuo que até mesmo a natureza se honrava por presenciar.
A história que te contei, começava assim, eu esperava que você notasse, que você olhasse em meus olhos e percebesse que eu estava contando a nossa história. E quem sabe, você notou. Mas não tive tempo para perguntar. Eu precisava de mais tempo, eu queria mais tempo com você. Por que tão cedo, amor? Por que tinha que ser assim?
Eu queria que você me contasse uma história diferente agora, algo que tivesse um hocus pocus especial e coisas do tipo. Eu queria você.
Saber que, ao menos uma vez eu te contei uma história, me deixa um pouquinho mais calma, mas saber que provavelmente foi a última me desespera novamente.
Uma vez eu te contei a história que era pra ser o nosso futuro, era pra ser realidade. Mas por que tinha que dar tão errado, amor? Eu tenho tantas perguntas sem respostas, gostaria de saber de tudo, mas não há ninguém para responder.
Se existe mesmo um deus, abraxas, deuses do Olimpo, deus judaico, que seja, espero que entenda a injustiça que estamos vivendo. Caso contrário, eu não vou mais ter como te esperar Lili. Espero que nos contem uma história diferente para nossas vidas.
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