18. Raptada
Dois homens me puxavam me afastando do poço, minhas pernas ficaram arranhadas por causa do atrito das pedras. Eu pensei que era Iskender e Murad, mas percebi que não vestiam as mesmas roupas e nem eram delicados. Eram dois homens diferentes
— Me larga! — Eu ficava chutando, esperneando igual a uma criança. Fiquei agitada, pois estavam me afastando do que eu mais queria... voltar para casa.
— Olha só. — Disse um deles, pegando nas maçãs do meu rosto, prensando meu maxilar e me avaliando. — Veja o que temos aqui.
— Parece que a moça iria se jogar. Seria uma pena se isso acontecesse. — Eu relutava para eles me largarem.
— Olha aqui mocinha, se você continuar se mexendo assim, vamos te matar. — Um deles me ameaçava com uma faca, comecei a ficar com medo de verdade.
— O que vocês querem?
— Vamos ver o que o Erem vai decidir. — Ele sorriu descaradamente, e me puxou junto com o outro para dentro da floresta. Fiquei pensando na senhora Vaisa, em minha mãe, meu avô, Iskender e Murad, todos ao mesmo tempo. Um furacão de pensamentos ficaram em volta na minha mente.
Ali próximo, subindo um pouco mais a colina no meio das árvores tinham homens acampados, mas não eram dos nossos. Com certeza eram um grupo de ladrões.
— Olha o que trouxemos. — Os homens me jogaram com tanta força no chão que quase meus lábios tocaram a grama, se não tivesse me apoiado com as mãos minha cara estava estabanada.
— Onde achou?
— Estava querendo pular um poço. Vem cá. — Um deles me ergueu para ficar de pé, alisaram meu rosto como forma de avaliar minha pele.
— É não se encontra uma dessas por aqui. — Um homem que estava sentado se levantou e agarrou minha cintura e meus quadris, dei um tapa por essa ousadia nojenta. Ele tinha uma barba castanha, era calvo e fedia a vinho. Meu Deus eu não tinha ideia do que iria acontecer comigo ali, fiquei com medo e torcendo para os janízaros me encontrarem. Me arrependi amargamente de ter me afastado do acampamento.
— Ela é brava hein. Venha cá que eu vou te mostrar! — Ele me deu um tapa tão grande que caí no chão, cheguei a bater a cabeça, mas nada que me deixasse desacordada.
— Parem! — Eu estava agachada no chão, quando vi uns passos se aproximando em minha direção. Um homem com um bigode muito bem feito, com duas pontas e um turbante simples na cabeça, usando um kaftan de cor marrom, e botas escuras, iguais a que Iskender e Murad usavam.
— Ela deverá valer algo para nós. Amarrem ela naquela árvore. — Com certeza deve ser o Erem, do qual eles falavam. Ele me encarava como se estivesse me desafiando. Um homem me pegou pelo braço, eu estava tonta depois de ter caído no chão. Ele me levou até uma árvore, que estava bem próximo ao acampamento deles, eu forçadamente me sentei no tronco, e ao lado havia uma árvore alta, e com espessura um pouco fina, suas folhas iam até onde eu enxergava, o sol encandeava entre elas. Um dos homens que me trouxe amarrou as minhas mãos firmemente no tronco da árvore. As cordas eram ásperas e me pinicavam, ele amarrou com força, tanto que fiquei um pouco de mal jeito, torta na minha posição. Ele deu três nós para que garantisse que eu não fugiria da li.
E agora?
— Vocês vão fazer o que comigo?
— Você pode nos da ruma boa venda. Mas se não, Erem vai deixar você par nós. — Ele saiu rindo. Tive uma vontade louca de xinga-lo. Meus olhos começaram a marejar, e uma agonia eu senti no meu coração. Queria que Iskender ou Murad, ou qualquer um do acampamento aparecesse.
Eles estavam conversando algo ao redor. Eu vi três cavalos, provavelmente roubados, um saco com utensílios de alguma coisa dentro, acho que eram peças valiosas. Estavam bebendo e riam alto. Uns me olhavam, e outros se xingavam. O Erem, deve ser o líder desse grupo, mas ele estava distante dos outros, organizando as coisas, ele segurava uns punhais, outro momento ele analisava os objetos que tinha guardado. Fiquei imaginando se ele não assaltou os soldados e o príncipe, mas acredito que não teria chance.
A noite havia chegado, e o frio estava tomando conta da região. Eu me encolhia com o vento frio, e tentava me posicionar melhor devido as minhas mãos amarradas, eu estava sentada há horas. Os homens estavam ao redor de uma fogueira, dois deles haviam saído para caçar e trouxeram dois coelhos para assar. Também fizeram uma sopa, com alguns legumes que haviam trago em um dos sacos. O líder deles, Erem vinha em minha direção, com um prato de sopa e m seu ombro direito, uma manta feita de peles. No escuro da floresta eu só avistava pelo clarão da fogueira, mas eu só via a sombra dessas pessoas.
— Tome. Aprecie antes que esfrie. — Eu com muito esforço tentava pegar o prato.
— Ah deixa pra lá. — Ele afrouxou as cordas, meus pulsos estavam machucados, ardiam muito, mas de todo jeito ele não me soltou.
— Pronto, veja se dá para pegar agora. — Eu consegui pegar o prato adequadamente, ele colocou ao meu lado, no tronco da árvore em que eu estava sentada a manta feita de pele.
— Isso aqui vai te esquentar a noite.
— O que vocês irão fazer comigo?
Ele me encarou por alguns segundos.
— Na verdade pretendemos saquear um acampamento.
— O... o acampamento que está na planície? Por que?
— Ora moça, somos ladrões. — Ele me observou, sabendo que eu tinha uma ligação com o lugar que eu falei.
— Você pertence a esse acampamento?
Fiz um sinal com a cabeça de que sim.
— É, pelo jeito que está vestida ou é da realeza ou pertence a alguém muito importante. Você nos dará muito dinheiro pelo resgate. — Eu havia tomado uma colher cheia bem quente de sopa, quase me engasguei com o que ele disse.
— Resgate? Poderia me soltar pela floresta, não valho nem mesmo o tesouro do sultão.
— Ninguém se veste tão bem assim a não ser a realeza. Amanhã pediremos um valor de um resgate. — Falou convencido da ideia tola. Ah que droga. Ele se afastou, indo se reunir com os outros. E agora? A senhora Vaisa vai me culpar por ter acontecido isso. Não vimos sinal de ninguém do acampamento o dia todo. Comecei a pensar que eles iriam me deixar. Fiquei pensando na minha volta pra casa, se eu tivesse conseguido, estaria mais velha como estou aqui? Como está minha mãe, depois que desapareci? Imaginei tudo, minha mãe relatando a polícia, e talvez acusando o coitado do Jalil pelo meu desaparecimento. Eu sou a culpada de tudo. Fico me martirizando, e comendo a sopa, que nem mesmo o gosto apimentado dessa refeição me faz sentir o amargo. Eu me sentia desolada.
Depois de martelar minha cabeça me martirizando, eu consigo dormir tranquilamente. Estava com a cabeça apoiada na árvore, com sono leve mas minha consciência estava longe. Sinto uma presença estranha, quando toca minha boca eu levo um susto que me fez quase ficar de pé. Com os meus olhos arregalados por conta da reação, eu vejo Iskender, ele faz um sinal pedindo silêncio. Fecho os olhos e internamente começo a agradecer pela presença dele. Ele me desamarra, bem devagar, eu vejo janízaros aparecendo e cercando o acampamento dos ladrões, uns que estavam montando guarda caíram só com um golpe no chão.
— Iskender como me achou?
— Vasculhamos quase a floresta inteira. Você é louca de sumir assim. Mas não foi difícil de te achar moça. — Ele espiou de lado, e deu um leve sorriso no meio daquela barba. Senti minhas mãos livres naquele momento. Ele me ajudou a levantar e saímos da li. Era quase de manhã, alguns homens haviam espertados. Os janízaros litavam contra eles, Erem olhou em minha direção e viu que eu estava solta, correu com uma espada até nós.
— Vem! — Iskender pegou minha mão e saímos da li, passando pelas árvores. Erem vinha logo atrás. Meu desespero aumentava, e minhas pernas doíam muito.
— Iskender ele esta vindo logo ali. — Erem não se cansava, era um ótimo corredor. Iskender segurava firme a minha mão e não me soltava. Infelizmente por onde corremos, Erem conseguia nos alcançar. Iskender parou no caminho, e puxou a sua espada da bainha.
— Iskender o que está fazendo?
— Fique atrás de mim! — Ele me segurava, colocando a mão na minha frente, eu fiquei bem atrás dele. Ele era mais alto e mais forte que eu. Eu ficava encostada a ele e espiava Erem vindo. Meu Deus eu estava nervosa, com medo.
— Nadira se afaste. Fique atrás daquela pedra. — Eu imediatamente obedeci. Fiquei lá, um pouco agachada e por trás da pedra. Longe entre o local de combate entre os dois. Iskender queria ter certeza de que eu não me machucaria.
Erem avançou com a espada, Iskender imediatamente o bloqueou. Uma luta desenfreada de espadas começou. Erem estava furioso, mas ele era ágil e atento aos movimentos de Iskender. Iskender era rápido e direto, ele quase golpeava o ombro de Erem. Os timbres entre as espadas eram altos, eles se afastavam e depois começavam novamente. Erem acertou o braço de Iskender, que logo rangeu de dor. O corte é uma linha sangrenta entre sua roupa e sua pele, mas Iskender continuou. Mas dava pra ver que ele estava sentindo dor, mas continuou. Iskender o chutou e ele caiu na grama, Iskender foi pra cima dele, já para dar o golpe final. Mas na mesma hora Erem tirou uma faca da bota e enfiou no abdômen de Iskender, e depois tirou. Meu Deus nessa hora, senti um calafrio, um desespero grande. Mas Iskender o esbofeteou e depois cortou o pescoço de Erem. Fechei os olhos para não ver. Depois de uns minutos, senti duas mãos tocando meu rosto. Quando abri os olhos Iskender estava me encarando preocupado, suas mãos cheias de sangue.
— Iskender...
— Desculpa, você está suja de sangue, são as minhas mãos.
— Deixa pra lá. Você está ferido. — A roupa dele apesar de ser escura, o sangue aparecia muito bem. Já era de manhã cedo.
— Iskender venha, sente-se. Peguei a barra do meu vestido e um dos punhais dele, rasguei um pouco, em um formato feio de faixa, mas está tudo bem.
— Não, Nadira não faz isso! Por Alá mulher!
— Não estou fazendo nada de errado Iskender. — Falei firma enquanto amarrava a faixa em seu abdômen para estancar o sangue. Ele me examinava, seus olhos brilhavam e eram atentos.
— O que foi? — Inesperadamente, Iskender me beija com toda vontade, pôs uma das mãos em minha cabeça para aproximar mais. Eu estava gostando dele, e não só o beijo confirmava isso, mas o que há entre nós vem aumentando. Eu continuei retribuindo os beijos. Seus lábios eram macios, e sua voracidade aumentava meus desejos, querendo ter mais dele. Fomos interrompidos quando ouvimos pessoas correndo, e alguém gritando por Iskender. Nós paramos imediatamente. Os janízaros haviam prendido dois dos bandidos, os outros, eu tenho certeza que foram degolados.
— Iskender!
— Estou aqui. — Iskender colocava a mão no abdômen e desajeitadamente caminhava em direção aos soldados.
— Prendemos esses dois aqui. Vamos leva-los. O que foi isso Iskender?
— Ah, é que eu salvei a serva de um deles, está ali.
O janízaro olhou para o corpo de Erem que estava no gramado, que agora estava tingido de sangue.
— Ah, ele era o líder. Andava roubando nas estradas. Vamos levar a moça, Murad está nervoso por ter que fazermos a busca. Vamos.
Enquanto eu esperava os janízaros se afastarem, interrompi a caminhada de Iskender para falar com ele.
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