29 | DESTINY
Amo minha mãe, amo mais que tudo, principalmente se levarmos em conta que ela é minha única família próxima que restou. Mas não é tão fácil conviver com alguém tão intenso. Não sei como meu pai conseguiu, ele era como eu, exceto pela aparência, mamãe diz que eu e ele somos iguais.
Acho que é por isso que ela também não vem tanto aqui.
Nos falamos muito, por mensagem ou ligação nos mantemos próximas, só não é como era antes. Quando ainda éramos nós três, costumávamos ter uma noite da família toda semana, só para sentar na sala de estar e passar um tempo juntos.
Sinto falta desses momentos, dela me encorajando a viver uma vida um pouco mais agitada, porém eles não vão voltar. Então fico feliz de saber que ela não vai ficar tanto tempo. É possível amar de longe e funcionamos bem assim.
— Acho que devíamos fazer algo hoje — Sammy diz ainda sentado em minha frente.
E claro, ainda havia isso com Sam. Ele tem agido estranho e, diferente do que eu achava, não está saindo com alguém; apenas ficando com garotas em banheiros de desconhecidos. Olha, entendo que Stassie seja muito bonita, muito mesmo, mas ao ponto dele perder a noção básica de higiene?
— Não vai sair? — Pergunto para ele.
— Não, Destiny, não vou.
— Ótimo — minha mãe diz. — Vou fazer algo para o almoço e vocês me contam sobre as suas experiências da faculdade.
Sorrio para ela. Tudo bem, isso é bom, vamos ser nós três e talvez com alguma sorte ela me ajude a trazer de volta o juízo de Sammy. Mesmo eu achando que ela está mais inclinada a fazer o contrário.
Com nós três eu consigo lidar.
— E você pode chamar o Nate se quiser, Sammy — ela completa porque, óbvio, ela acha Nate um ótimo rapaz.
Quem no mundo acha Nathan Maloley um ótimo rapaz? Poderia descrever ele de muitos jeitos, e alguns bons porque é impossível conhecer alguém por três anos e não achar coisas boas, mas ótimo rapaz não é uma delas.
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De repente estão todos aqui. Sky e Stormy vieram porque não mandei mais nenhuma mensagem, o que deixou as duas preocupadas — ou apenas interessadas em alguma fofoca. Sammy chamou Nate, mas como não disse que o motivo do convite era minha mãe, ele convidou Johnson e Gilinsky.
Não sou boa em lidar com tudo isso ao mesmo tempo. Mesmo sendo apenas nós, ainda parece coisa demais. E se minha mãe perceber que gosto de Johnson? E se Nate e as garotas se desentenderem por porta copos ou qualquer outra coisa? E se mamãe concordar que Sammy devia continuar saindo quase todos os dias sem me contar nada? Acho que as possibilidades de "e se" na minha cabeça são infinitas.
Estou sentada no sofá da sala, enquanto as garotas conversam com minha mãe na cozinha e os meninos entre si no outro sofá. Me levanto, mas depois de dois passos meu melhor amigo me impede de continuar.
— Nada de se esconder no quarto — Sammy diz vindo para perto de mim.
— Eu não ia fazer isso. — Talvez eu fosse. — A única pessoa que tem se escondido recentemente é você.
Ele solta uma risada anasalada fraca e balança um pouco a cabeça, voltando para perto dos outros logo depois. Por que ele nunca leva a sério quando quero conversar sobre isso?
— Des! — ouço Jack me chamar e paro no mesmo instante.
Espero, muito, que ele não faça algo que possa pelo menos sugerir para minha mãe que tem algo entre nós. A mulher gosta tanto de histórias que não largaria do meu pé até eu contar tudo caso visse algo minimamente interessante para ela. E eu não teria nada para contar, porque, o que nós temos? Alguns beijos? Não é grande coisa, não se compara com as histórias dela.
— Oi Jack — cumprimento com um sorriso.
— Foi legal conhecer sua mãe, ela é bem divertida. — Diz tomando um gole de sua bebida.
— Tenho certeza que ela vai gostar de ouvir isso.
— Não sabia que vocês são incrivelmente parecidas. Quer dizer, fisicamente.
Fisicamente.
— Pois é, — respondo sem o mínimo interesse no rumo que a conversa tomou. — Tenho que ir no banheiro, com licença.
Acho que estava desacostumada a ouvir isso, mas é o que todos dizem depois de passar no mínimo dez minutos conosco. Extremamente parecidas, mas com personalidades muito diferentes. Se ela é tão incrível como todos dizem, e eu sou seu oposto, isso faz de mim o quê?
Não preciso de uma resposta para isso. Só não esperava que Jack também fizesse questão de ressaltar o fato.
Suspiro comigo mesma enquanto vou até o banheiro, vai ser um longo dia.
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Me jogo na cama exausta, o cansaço veio depois que todos foram embora. A tarde toda foi como se eu estivesse dentro de um furacão, pessoas demais, conversas demais. Sei que eram os nossos amigos de sempre mas parecia diferente com minha mãe aqui.
— Pretende tomar a cama toda? — Sammy pergunta entrando no quarto e nem me dou ao trabalho de levantar a cabeça para olha-lo.
Por que eu estava tão cansada?
Tinha planejado dormir no sofá já que deixei meu quarto para minha mãe e não queria afetar sammy com a chegada repentina dela. Estou começando a repensar isso. Afasto um pouco e Sam se deita ao meu lado, ainda com o cabelo molhado do banho.
— São só quatro dias.
— Eu sei. E é minha mãe eu estou feliz que ela está aqui.
Pelo silêncio após isso tenho certeza que ele não acredita em mim. Não é justo ele me ler tão bem quando não faço ideia do que está acontecendo na vida dele.
— Então, Stassie...? — começo com a única coisa que eu sei.
— O que exatamente você quer tanto saber?
Por onde começar?
— Quero saber se vou perder meu melhor amigo. — Digo o que mais tem me preocupado com a ausência dele.
Samuel se vira na cama ficando com o rosto próximo do meu. Consigo sentir o cheiro de seu perfume e quero muito abraçar ele.
— Isso nunca vai acontecer, Des, mas às vezes algumas coisas mudam.
— E essa mudança envolve você longe de mim?
— Eu estou bem aqui — diz em um tom como se fosse óbvio.
— Ainda estaria se não morassemos juntos?
Sempre tive essa certeza, que mesmo se um dia nos mudássemos, o que vai acontecer algum dia quando conhecermos alguém, ainda estaríamos juntos. Agora me preocupa bastante que talvez eu seja a única a pensar assim.
— Sempre que você precisar.
— Eu não...
— Sempre que você precisar, até quando não admitir que precisa. — diz me interrompendo.
Então ele me abraça e deito a cabeça em seu peito. Ficamos assim até eu adormecer.
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até a próxima,
jenny
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