Pete Townshend #11
Estava relendo umas fanfics minhas antigas e encontrei essa que fiz lá por 2021/22... Como é temática de Halloween (e como o menino Pete ainda é o amor da minha vida e merece todo o carinho desse mundo), decidi transformar ela em imagine e postar aqui pra vocêsss... Tenho um carinho muito grande por ela, então espero que vocês gostem!! <3 <3 <3
✨ 𝐈 𝐇𝐚𝐭𝐞 𝐌𝐲𝐬𝐞𝐥𝐟 𝐅𝐨𝐫 𝐋𝐨𝐯𝐢𝐧𝐠 𝐘𝐨𝐮 ✨
31 de Outubro, 1961
Pete andava animadamente pela casa onde acontecia a festa, vendo todas aquelas pessoas fantasiadas e engajado num jogo pessoal de tentar adivinhar quem era quem. Aquela múmia tenho certeza de que é Richard... O da máscara da morte me parece Andrew...
Até que seu jovem coração disparou quando seus olhos recaíram sobre uma silhueta feminina que estava de costas, a bons passos de distância de onde ele estava. A garota em questão estava vestida de bruxa... Uma bruxa sexy, ele pensou. Aquela só podia ser Theresa, a garota de seus sonhos. As curvas delicadas e atraentes dela a entregavam.
Então, seu melhor amigo, Keith, surgiu do lado dele, vestido com o que parecia ser um jaleco todo surrado e sujo, manchado em diversos lugares com uma tinta vermelha, os cabelos erguidos como se ele tivesse levado um choque. Pete quase morreu do coração.
-- Keith! Você quer me matar?! -- Ralhou o mais alto. Keith não conseguia parar de rir.
-- Isso quer dizer que minha fantasia de cientista louco funciona! -- Comemorou o outro, antes de dar uma olhada na roupa do amigo, franzindo o cenho. -- E você, do que está vestido? Travesseiro velho?
Pete revirou os olhos - que estavam pintados com maquiagem preta -, alisando o lençol antigo que ele havia feito um buraco e passado pela cabeça.
-- Sou uma alma penada do submundo... -- Explicou com condescendência. Keith segurou o riso.
-- Isso explica a maquiagem... Sua mãe não deve ter ficado muito contente...
Mas Pete não respondeu, apenas revirou os olhos e continuou a observar a garota mais adiante que estava mexendo com sua mente. Então, Keith o atrapalhou de novo, puxando-o pelo pescoço para que se aproximasse mais dele, para, assim, poder se fazer ouvido no meio daquele som alto e disforme.
-- Você viu a Theresa? -- Perguntou o mais novo, as sobrancelhas grossas mexendo-se de forma maliciosa. Pete abriu um sorriso torto e começou a assentir, mas algo chamou a atenção de seu amigo afobado, que logo o virou pelo pescoço para que olhasse em outra direção. -- Olha ela lá, vestida de vampira! Está uma gata, não está?
Mas Pete estava sem palavras. Não por conta da beleza da garota... Mas, se ela estava ali, quem era a dona daquelas curvas que tanto o haviam hipnotizado minutos atrás? E por quê raios ele não estava se sentindo da mesma forma agora que estava vendo, de fato, a garota por quem passou quase toda sua adolescência suspirando?
Quando ele se virou novamente, buscando a garota fantasiada de bruxa com os olhos, prestes a perguntar ao amigo quem era aquela, obteve uma resposta, afinal, ela havia se virado de frente... E Pete sentiu sua garganta se fechar e o estômago ficar embrulhado...
Porque aquela garota a quem ele havia desejado com tanto fervor nos últimos minutos era ninguém mais ninguém menos que S/N, sua arqui-inimiga, por assim dizer. Quer dizer, ele não sabia ao certo quando havia começado a rixa entre eles, mas desde que se lembrava, eles não se davam bem. Ela parecia o desprezar, parecia ter nojo dele. Ele não sabia o motivo disso, mas a hostilidade dela fazia com que ele a tratasse igual. Mesmo que, ele devesse admitir, achava-a um tanto quanto atraente... Mas o fato de detestá-la fazia com que esse outro fato fosse quase esquecido.
Fechando a cara, ele voltou a focar-se em Theresa, que dançava com algumas amigas do outro lado do salão.
-- Você devia ir falar com ela, cara! -- Sugeriu Keith, bebendo uma bebida verde neon que Pete tinha até medo de descobrir do que era feita.
-- E-eu? V-v-você está doido, Keith? Ela é... Ela é...
-- Muita areia pro seu caminhãozinho? Totalmente... -- Keith respondeu de uma forma natural nada reconfortante que fez Pete cruzar os braços com uma expressão carrancuda. -- Mas, ei, cara... Hoje é Halloween! O dia das fantasias! É a sua chance, homem! Além disso, você está uma fronha muito atraente! -- O rapaz deu uma piscadela pro amigo, que riu com o nariz antes de empurrá-lo de forma brincalhona.
-- Eu não sei, Keith... Eu...
-- Cara, deixa comigo! Escreva o que vou te falar... Você vai beijar Theresa esta noite, nem que essa seja a última coisa que eu faça! -- Então, Keith deu uma risada diabólica monstruosa e, tirando algo dos bolsos e jogando o que quer que fosse no chão, uma fumaça espessa tomou conta do lugar em que os dois rapazes estavam...
Uma bomba de fumaça, típico de Keith, pensou Pete, tossindo, tal como outras pessoas que se encontravam perto com olhares nada agradáveis. Quando a fumaça se dissipou, Keith não se fazia mais visível entre os outros convidados... Por dois segundos, até Pete vê-lo tossindo mais adiante. Pete revirou os olhos e deixou-o pra lá... Estava preocupado com o que o amigo tinha planejado para ele, mas ia tentar não pensar muito nisso. Bem, se isso fosse fazer com que ele beijasse Theresa, quem seria ele para reclamar?
Então, sentindo-se estranhamente confiante - e ainda um pouco indignado consigo mesmo por ter confundido a doce Theresa pela chata da S/N -, decidiu dar mais uma volta pela casa e descolar alguma bebida.
Quando finalmente se viu com uma garrafa de cerveja em mãos, trombou com alguém e derramou parte do conteúdo na pessoa.
-- Ah, me desc... Você! -- Sua expressão culpada e polida logo foi roubada por uma cara feia e rancorosa. Claro, ele havia trombado em S/N.
-- Olha por onde anda, panaca! Olha só o que você fez! -- Ela reclamou, olhando para baixo, analisando seu próprio vestido de bruxa e vendo que a cerveja de seu nêmesis a havia deixado toda molhada.
Contra sua vontade - e martirizando-se por isso -, Pete deixou que seus olhos caíssem pelo corpo da garota, observando o tecido molhado que havia ficado ainda mais colado, ressaltando aquelas malditas curvas infernais! Com as sobrancelhas franzidas e a testa enrugada, S/N o fuzilou com o olhar antes de dá-lo um empurrão para que saísse da frente. Com passadas pesadas e largas - ela tinha pernas incrivelmente longas, Pete se pegou pensando nisso e, mais uma vez, se auto reprimiu -, ela foi em direção aos banheiros.
Pete deu de ombros... Melhor para ele que ela saísse de seu caminho. Mas ainda assim, havia algo no simples fato de saber que a garota estava por lá que o incomodava. Especialmente quando parou para pensar que o desejo que - estava - tinha sentido por ela era muito mais forte do que o que ele havia sentido por Theresa sua adolescência toda! Ele não sabia se era a fantasia, se era o simples contexto da noite... Mas aquilo o estava deixando aterrorizado!
Eram emoções demais para um garoto de dezesseis anos!
Sabia que aquilo devia ser só fruto da noite mágica de dia das bruxas e que, na verdade, a odiava e a abominava... Ele só precisava beijar Theresa e sabia que tudo isso seria esquecido, afinal, passara anos desejando um beijo dela! Tinha certeza de que, quando acontecesse, seria arrebatador e ele sequer se lembraria de seu nome.
Mas, enquanto Keith não colocava a mão na massa, Pete decidiu que precisava aproveitar a festa... E ficar o mais longe o possível de S/N.
*******
Um bom tempo - que na cabeça de Pete parecia uma eternidade - passou e Pete não via nem sinal de Keith. Deveria se preocupar? Provavelmente...
Mas logo se esqueceu deste problema quando, ao olhar pela janela para ter um vislumbre dos jardins - que também estavam abarrotados de gente -, teve que segurar um gemido assustado. Afinal, aquele devia ser seu pior pesadelo: Theresa e S/N conversando e trocando risadinhas conspiratórias.
O rapaz franziu o cenho e observou, indignado, enquanto S/N falava algo para Theresa. Esta, por sua vez, parecia estar achando o que quer que fosse muito engraçado. Sua inimiga fazia gestos grandiosos com as mãos enquanto falava e Theresa se acabava em risadas...
Qualquer dúvida que Pete tinha sobre elas estarem falando dele foi sanada quando S/N apontou bem para a janela onde ele se encontrava e disse algo no ouvido de Theresa, que cobriu a boca para dar uma risadinha. Ele ficou indignado! Aquela garota, além de destruir sua vida na escola, agora iria sabotar suas chances com a garota dos sonhos? Quem ela pensava que era?!
As duas garotas trocaram um abraço rápido e, enquanto Theresa seguia para outro canto do jardim, S/N fez seu caminho de volta para dentro da casa... Bem em direção às garras vingativas de Pete.
Assim que passou pela porta, S/N abafou um berro ao sentir uma mão voraz segurar com força seu braço e a puxar para o lado. A indignação da garota só aumentou ao ver que o dono do puxão era Pete... O tolo, idiota, maldito e atraente Pete...
-- Qual é a sua, assombração? -- Bradou a garota, com raiva, sentindo os olhos azuis dele queimarem sobre ela. Ela respirava com dificuldade, sobretudo quando percebeu a proximidade dos dois depois que Pete a arrastou até um canto da parede.
-- Não venha com essa de desentendida! -- Ralhou o rapaz, curvando-se levemente sobre a garota, sentindo um formigamento com o calor do corpo dela que, mesmo não estando encostado ao dele, estava muito próximo. Ele precisou respirar fundo para manter-se focado. -- Eu vi muito bem que você e Theresa estavam de conversinha!
-- E? -- S/N cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha de forma arrogante. -- Terry é minha amiga, amigas conversam! Além disso, ela estava com um pequeno problema e veio me pedir uma ajuda, mas, isso não é da sua conta!
-- É da minha conta sim! Porque eu sei que vocês estavam falando de mim! Eu sei que você estava enchendo a cabeça dela com coisas ruins sobre mim! -- Retrucou Pete, batendo o dedo indicador no ombro da garota, sem ao menos se dar conta de que estava fazendo isso. Só parou quando S/N lançou um olhar mortal ao dedo dele. Ele prezava pela própria segurança, por isso parou, cruzando os braços.
-- Você é idiota ou o quê? É claro que não estávamos falando de você! Temos assuntos muito mais interessantes para conversar! -- Respondeu a garota num tom ácido que quase fez Pete acreditar nela.
-- Mas... Eu vi você apontando para mim!
-- Eu apontei pra você? -- Ecoou a menina, sem entender.
-- Sim, na janela! -- O rapaz respondeu. Ele ficou extremamente confuso quando a menina começou a gargalhar, fechando ainda mais a cara. -- O que é...
-- Apontando pra você... Essa foi boa! -- S/N limpou os olhos enquanto sua risada sessava. Então, de forma zombeteira, apertou a bochecha do rapaz, que não achou aquilo nada engraçado. -- Pra sua informação, o mundo não gira em torno de você, você não é o rei deste maldito universo! Eu estava apontando para a decoração de abóboras que estão na balaustrada em cima da janela e comentei que logo logo uma sai rolando para baixo e acerta a cabeça de alguém! Não mencionei nada sobre a ilustre imagem de vossa majestade! -- Ela respondeu de forma irônica, revirando os olhos. Pete ficou se sentindo meio bobo, mas não ia dar o braço a torcer. Manteve-se curvado sobre ela, os braços cruzados, sentindo-se ameaçador. S/N o empurrou exatamente da mesma forma que havia feito mais cedo. -- Se me der licença, vou atrás de alguém interessante para conversar...
Mas, antes que pudesse deixar seu arqui-inimigo totalmente para trás, ele a chamou... E sua voz soou tão diferente do normal, como se ele estivesse pedindo uma trégua ao dizer aquelas duas sílabas. E isso a fez parar e se virar de novo para ele, com uma má vontade ainda muito evidente.
-- Por que você me odeia tanto? -- Pete perguntou. Os olhos de S/N se arregalaram levemente, cheios de fogo e ardor. Ela estava indignada.
-- Você ainda pergunta?! -- Ela retrucou como se a resposta fosse a parada mais óbvia a possível, o que só deixou Pete mais confuso e impaciente.
-- Claro! Eu não sei o que foi que eu te fiz! Eu simplesmente não sei! Você parece ter asco de mim e eu queria saber o motivo! É meu nariz?
-- Ora, faça-me o favor, não tem nada a ver com esse seu nariz estúpido! -- Ela respondeu com raiva, cuspindo as palavras. Pete até se espantou com a reação dela, arregalando os olhos e tocando inconscientemente na ponta do próprio nariz com os dedos. S/N cruzou os braços, adquirindo uma expressão condescendente. -- Então você não se lembra?
Pete negou com a cabeça de forma firme. S/N soltou um riso sarcástico e melancólico, balançando a cabeça.
-- É claro que você não se lembra, não sei nem porque me surpreendi... -- A voz dela soou incrivelmente magoada e aquilo fez um nó crescer na garganta de Pete. Agora que ele estava prestes a saber da verdade, não tinha tanta certeza se queria. O tom de voz da moça não parecia nada bom. S/N soltou um suspiro cansado. -- Você se lembra de algo antes da nossa briga começar? Porque, se sim, vai se lembrar que eu não te odiava... Muito pelo contrário... Eu era doida por você...
Com o início da narrativa, Pete se pegou pensando e, depois de forçar muito sua memória, conseguiu se lembrar um pouco de S/N uns anos atrás. Ela era bem apaixonada por ele, coisa de criança... Ele quase riu ao se lembrar... Mas então, o que fez com que, do nada, ela o odiasse tanto?
-- Então, uma vez, quando tínhamos onze anos, eu estava correndo atrás de você, como de costume, e você fugindo... Eu nem me importava mais, era tudo uma brincadeira e, bem, eu gostava de correr atrás de você... Você fugia como um bebê assustado... -- Ela permitiu-se soltar um riso anasalado ao se lembrar deste fato. Pete protestou mas foi ignorado. -- Naquele dia, eu finalmente consegui te pegar... Eu te abracei e você tentou sair de perto de mim e me empurrar para longe... Então, quando eu disse que queria que você me desse um beijo...
Ela fez uma pausa melancólica, suspirando com tristeza. Pete ainda não se recordava do episódio mas sentia-se aflito com a continuação do relato.
-- Você disse que eu era a criatura mais repugnante que você conhecia e que nunca me beijaria, nem por um milhão de libras... Nem se eu fosse a última garota na face da terra... E, bem, depois disso... Eu decidi que te odiava... -- S/N terminou de contar, balançando a cabeça. Pete viu os olhos dela brilharem e engoliu em seco ao perceber que eram lágrimas que ameaçavam escapar. Ela abriu um sorriso lateral e irônico. -- Feliz? Agora sabe porque eu te desprezo tanto!
-- S/N, eu... Eu não me lembrava disso... Eu... -- Pete sentiu que precisava se desculpar, mas não fazia ideia de como fazer isso. Ora, aquilo havia ocorrido cinco anos atrás, pelo amor de Deus!
-- É claro que não se lembrava! Não foi você que saiu machucado daquilo! -- Ela vociferou, o maxilar tensionados e os olhos penetrando fundo nos dele.
-- Eu... Pelo amor de Deus, nós tínhamos onze anos! Éramos crianças estúpidas e idiotas! Mal sabíamos o que estávamos fazendo! E mesmo assim você me odeia até hoje! -- O rapaz retrucou, frustrado por não saber como pedir desculpas e se redimir com a garota. Foram cinco anos de brigas e provocações, xingamentos e desprezos, não seria tão simples assim se redimir.
-- Pete, aquilo me machucou e muito! Você não tem ideia do quanto e... Quer saber?! Não sei nem por quê te contei essa maldita história! -- Ela virou-se abruptamente para sair, a voz embargada. Pete percebeu que ela estava, finalmente, chorando.
-- Ei, espere! -- Ele tentou chamá-la, o peito apertado. Mas ela não se virou.
-- Me deixa em paz! -- Foi tudo o que ela respondeu antes de sumir no meio de todos aqueles convidados fantasiados e animados.
E deixou para trás um Pete atordoado, que não sabia o que fazer. Totalmente abismado pela revelação da sua arqui-inimiga.
As coisas poderiam ter tomado outro rumo. Tudo poderia ter sido diferente...
Esse pensamento, ele sabia, o atormentaria por muito, muito tempo.
*******
-- Que cara de morte é essa? Isso aqui é uma festa, não um velório! -- Keith afirmou ao encontrar novamente seu amigo, que estava sentado nos jardins, sozinho, bebendo melancolicamente uma garrafinha de cerveja.
Pete grunhiu em resposta.
-- Vamos, anime-se, cara! Eu já sei como você vai dar uns beijos na Theresa! -- Afirmou o mais novo, eufórico. Ironicamente, Pete percebeu, aquilo não o havia animado muito. Keith o fulminou com o olhar. -- Pare de grunhir e abre logo a porcaria de um sorriso! Eu pensei muito a noite toda para ter uma ideia boa e que não fosse nem idiota, lamentável ou desrespeitosa!
Pete suspirou e forçou um sorriso - mesmo que ainda fosse visível que não estivesse animado, mas Keith o ignorou.
-- Tá, qual foi sua ideia?
-- É algo tão simples, não sei como não tinha pensado nisso antes! -- Keith falou com entonação, mexendo as mãos como um maníaco. Pete não sabia ao certo se ele estava apenas entrando no personagem de sua fantasia ou empolgado ao extremo. Então, enfiando a mão no bolso do jaleco imundo, tirou de lá uma garrafa vazia. O amigo sacou na hora, mas ia deixá-lo explicar, afinal, vindo de Keith não se pode ter certeza de nada. -- Vamos jogar verdade e desafio!
Nem deu tempo de Pete responder nada, já que Keith o havia agarrado pelo pulso e o puxava novamente para dentro da casa, buscando um lugar vazio. No meio do caminho, Keith já tinha reunido uma boa horda de participantes para o jogo.
-- Ok, ali naquele quarto parece bom, não tem muita gente... Vão se sentando que eu já volto para começar o jogo! -- Mandou o cientista maluco. Todos obedeceram, inclusive Pete, que havia deixado o entusiasmo de seu amigo contagiá-lo um pouco. Qualquer distração era bem vinda.
Keith saiu pelo corredor à procura de Theresa, afinal, só faltava ela para que o jogo pudesse começar. Finalmente a encontrou, parada ao lado da lareira apagada, conversando com outra menina da sala deles, S/N. Keith sabia que a segunda não se dava nada bem com seu amigo, mas ele em si gostava muito dela, então, aproximou-se sorrindo, abraçando as duas garotas pelos ombros, cada uma com um de seus braços.
-- Meninas, que bom encontrá-las! Sabe, vamos jogar verdade e desafio e estou procurando mais gente para participar... O que acham de um pouco de emoção? -- Ele mexeu as grossas sobrancelhas, tentando despertar o interesse das garotas. S/N ainda não estava no melhor dos ânimos, mas Theresa se interessou de pronto.
-- Ah, parece uma boa ideia! Mas... Eu estava aqui conversando com S/N e...
-- Tudo bem, Terry, pode ir! A gente conversa mais depois... -- Respondeu a menina, sorrindo de forma um tanto quanto fraca. Keith a apertou mais no braço.
-- Ah, que isso, S/N? Venha também! Vai ser divertido! Eu prometo! -- O rapaz continuou a tentar persuadi-las. Theresa assentiu com a cabeça, sorrindo para a amiga.
-- Sim! Vamos! Vai ser legal! Se estiver muito chato, a gente volta pra cá! -- Tranquilizou a mocinha. S/N acabou suspirando, dando-se por vencida, erguendo as mãos.
-- Ok, vai! -- Ela respondeu e os outros dois comemoraram.
Keith, então, as guiou para o local onde aconteceria o jogo... Assim que chegaram, S/N viu Pete...
Pete viu S/N...
Mas, desta vez, não houveram carrancas e nem expressões desdenhosas, mas, sim, uma troca de olhares pesarosos, desapontados por parte da garota e culpados por parte do garoto. Sem tirar os olhos dos de Pete, S/N hesitou em se sentar no local que Keith havia indicado.
-- Acho que não é uma boa ideia... Eu vou...
-- Não, não, vai ser legal, prometo, só senta aí e relaxa! -- Insistiu Keith, fazendo uma leve pressão no ombro da menina para que ela se sentasse, mesmo que ela ainda estivesse relutante.
-- Sim! Por favor, amiga! -- Exclamou Theresa e, por Deus!, Pete só havia reparado que ela estava ali agora que havia falado. O que estava acontecendo com ele?
O rapaz olhou para as próprias mãos, que tremiam levemente. S/N abriu um sorrisinho nada convincente para os outros e se deu por vencida diante de toda aquela insistência., sentando-se ao lado de Terry, que, consequentemente, estava quase de frente para Pete na rodinha.
Satisfeito, Keith sentou-se em seu lugar e dispôs a garrafa de vidro no centro da roda. Ao todo, haviam nove pessoas na roda. A garrafa começou a girar e Pete se pegou observando S/N, mas desviou os olhos assim que ela retribuiu o olhar com os olhos entristecidos e gélidos.
-- Certo, o jogo vai começar... Vocês precisam fazer tudo que for mandado sem reclamar, ok? Prometo que não terá nenhum desafio mirabolante! Mas, mesmo assim, não podem descumprir os desafios... Concordam? -- Keith comentou num tom solene. Todos assentiram e murmuraram concordâncias. -- Ótimo! Vamos começar!
Os três primeiros giros, para a frustração de Keith, passaram longe de cair em Pete ou em Theresa... Mas era só o início do jogo e ele ainda tinha muito tempo pela frente para realizar seu plano. Finalmente, na quarta rodada, a garrafa parou sobre Pete.
-- A-há! -- Exclamou Keith num tom alto. Ele esfregou as mãos diabólicas e olhou para o amigo, que engoliu em seco. -- Pete, eu desafio você...
-- Mas, ei, você nem o perguntou se ele queria verdade ou desafio! -- Interrompeu Roger, um garoto que também estava no jogo. Keith o lançou um olhar mortal.
-- Verdade ou desafio? -- Perguntou entredentes, ainda lançando um olhar irritado para o outro.
Pete revirou sutilmente os olhos e soltou o ar de forma cansada.
-- Desafio... -- Respondeu, e, como sabia, deixou Keith numa nova onda de euforia.
-- Ótimo! Pete, te desafio a beijar a menina mais bonita desta roda! -- Comentou o garoto, dando uma piscadela ao amigo. Pete sentiu o estômago revirar.
Haviam quatro meninas na roda, mas Keith sabia quem Pete iria escolher, afinal, foi para isso que ele havia montado aquele jogo. Ainda assim, não deixaram de haver alguns burburinhos entre as garotas. A única que não falava nada era S/N. Na verdade, ela parecia estar em outro mundo, olhando para as próprias mãos de forma desconfortável.
Vamos, Pete, chegou a hora... Não estrague tudo, vamos, pensou o rapaz, enquanto se punha de joelhos, sentindo as mãos suarem. Olhou para Theresa e a viu lançar-lhe um sorriso encantador... Mas então, olhou para S/N e, mais uma vez, seus olhos se encontraram por uma fração de segundos, antes que ela voltasse a olhar para as próprias mãos.
E Pete soube... Naquele momento, o rapaz soube o que deveria - e queria - fazer e soube que aquilo mudaria para sempre sua vida. Então, decidido, ele se aproximou do lado oposto da roda de joelhos, segurando o lençol de sua fantasia nas mãos para facilitar.
S/N tinha certeza, ao ouvi-lo se aproximar, de que ele beijaria Terry, que estava ao seu lado.
Mas o coração dela literalmente parou de bater por um segundo quando sentiu dedos gentis tocarem seu queixo e erguerem seu rosto. E, ao fazer isso, viu o rosto de Pete extremamente próximo ao seu. Os olhos dele, mesmo estando envoltos por enormes círculos esfumaçados de maquiagem preta, passavam uma mensagem de desculpa e sensibilidade e ele esboçou um sorrisinho pequeno e torto.
Segurando-a pela nuca, Pete fechou os olhos e aproximou mais o rosto do dela. Ele primeiro apenas roçou os lábios nos dela, numa carícia sutil que a fez estremecer e, naquele momento, ele soube que podia prosseguir. Então, pousando a outra mão no rosto dela, ele a trouxe para si e a beijou... Beijou como nunca havia beijado uma garota antes. S/N sentiu toda a sua consciência se esfarrapar naquele momento. Teve certeza disso quando ergueu a mão para agarrar-lhe a nuca e colar ainda mais seus rostos, sentindo os cabelos dele fazerem cócegas em sua pele.
Havia raiva naquele beijo, frustrações, ressentimentos... Mas também havia uma promessa de redenção, esperança e uma explosão de sentimentos verdadeiros que nem sequer sabiam que jovens de dezesseis anos eram capazes de sentir. As línguas se enrolavam de forma voraz enquanto os lábios se moviam incansáveis.
Keith observava aquilo horrorizado... Os enormes olhos ainda mais arregalados... Que diabos... Na verdade, todos na rodinha pareciam chocados, observando o casal que ainda se encontrava perdido no beijo.
-- Acho que já está bom! Isso aqui é um jogo, pelo amor de Deus! -- Keith interveio.
E só então os dois se desvencilharam, ofegantes, os olhos espantados diante do ocorrido. Enquanto voltava a se sentar em seu lugar, Pete abriu um sorriso para S/N que, corada, retribuiu, tocando nos próprios lábios com a ponta dos dedos, como se ainda não acreditasse no que havia acabado de acontecer. O rapaz também não pôde deixar de agradecer mentalmente pela garota não estar usando batom preto como quase todas as outras meninas da festa... Aquilo teria feito uma bagunça...
-- Pete, mas que... Era para você ter beijado a Theresa! -- Disse Keith num sussurro entredentes para que só o amigo o escutasse. Pete deu de ombros, ainda sorrindo como um bobo. Keith percebeu que ele estava verdadeiramente contente, então, pigarreou e prosseguiu com o jogo, mas este não durou muito...
Quando o jogo acabou, todos se dirigiram novamente para a sala principal, mas, antes que S/N pudesse prosseguir, Pete a puxou pela mão, desta vez de forma mais gentil do que quando a tinha puxado mais cedo para acusá-la de sabotagem.
Estavam sozinhos no corredor, então ambos coraram ao se encararem. Pete sorriu para ela.
-- S/N, me desculpa... Por tudo... Pela vez que te insultei anos atrás e, bem, por todas as provocações desde então...
-- Tudo bem... Desculpa também, sei que fui uma pedra no seu sapato nesses últimos anos... -- Admitiu a garota, os lábios levemente retorcidos num biquinho nervoso, mas atraente.
-- Tá tudo bem! -- Garantiu Pete, alargando seu sorriso.
Houve um momento de silêncio... Queriam dizer tanta coisa, mas não sabiam por onde começar. S/N, então, desviou os olhos para as próprias mãos e soltou um suspiro.
-- Pete, você não fez... Isso... --Ela gesticulou com as mãos para que Pete entendesse que ela estava falando sobre o beijo. -- Por pena, fez?
O rapaz arregalou os olhos diante da pergunta dela. Ele nunca havia sido tão sincero em toda sua vida como quando a beijou. Mas entendia a preocupação dela... Por isso, tocou a bochecha dela com a palma gentil, fazendo com que seus olhos se encontrassem.
-- Posso te garantir que não... Sabe, se eu pudesse voltar no tempo, daria uma surra no Pete de onze anos por ter dito aquelas coisas para você... Porque, meu Deus, você pode ter sido uma pedra no meu sapato, mas é a pedra mais linda que eu já vi... -- Ele sorriu para ela e ela retribuiu. Ele acariciou o rosto dela com o polegar. Então, mais uma vez, seus lábios foram de encontro com os dela e se perderam num beijo, tão profundo quanto o primeiro, mas mais gentil e suave. Ele a abraçou e permitiu que seus braços enlaçassem a cintura curva dela, enquanto sentia as mãos dela em sua nuca.
Pete soube que aquilo não era apenas ilusão mágica de dia das bruxas... Soube que, na verdade, aqueles sentimentos sempre estiveram lá, só precisaram de um empurrão para se mostrarem. Também soube que eles estariam lá amanhã e depois, e ele estava feliz com isso, feliz por ter feito a coisa certa e pelo rumo que as coisas estavam tomando. Ele amava aquela garota, e sempre amaria. E ele não sabia como nem porquê, mas sabia que ela o amava também.
***********
Era pra eu esperar até o Halloween pra postar esse imagine mas, ansiedade é foda né... Bem, como eu disse, tenho um carinho imenso por essa fanfic, lembro que fiquei muito feliz quando escrevi... Sinto falta de escrever sobre o Pete e é algo que pretendo voltar uma hora ou outra, afinal, chega cara sai cara da minha vida e ele continua pra sempre no meu coração jshadkjahsdkjashjkd enfim, é isso, prometo que logo saem os pedidos de vocês, mas espero que curtam esse capítulo! Beijo beijoooo <3 <3 <3
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro