v i n t e e s e i s
Chaos
🥀
Era impressionante em como a chuva deixava tudo mais melancólico…
As gotículas caindo sobre os corpos era uma colisão previsível mas mesmo assim era deprimente.
Porque tinha algo que destruía a ambos, existia algo ali que fazia com nós fôssemos partes daquela chuva.
Aquele temporal era a minha liberdade mas em contra partida era a ruína de Park Jimin.
Seu corpo tremia sobre meus braços, seus soluços eram escultados em meio ao silêncio, só restava nós enquanto o lugar estava vazio.
O que estava acontecendo?
Por que isso está acontecendo ?
Eu achava que podia definir a tempestade que acontecia dentro de Jimin mas aquilo era além da minha capacidade.
Era tão quebrada que sentir por poucos segundos sua dor ser passada a mim.
Eu e Park éramos cheios de mentiras e segredos.
Aqueles que corroem a alma, aqueles segredos que nem as palavras mais complexas conseguem descrever-lo.
Enquanto estávamos pertos, afastei seu corpo por centímetros apenas para tentar desvendar-lo.
Nossas testas se mantém juntas, minha mão toca delicadamente o rosto do rapaz, sentindo sua pele gélida em contato com meu dedo, quis abrir diversas vezes minha boca, dizer algo, fazer algo mas era praticamente impossível.
Aquele era o único momento em que o silêncio era a melhor opção.
A noite era especialmente a nossa inimiga, não havia estrelas para iluminar, não havia um refúgio até o lugar que era sagrado se tornou opaco.
A luz servia para afastar os monstros, mais conhecidos como pesadelos porém eles estavam a solta.
Fazendo os sonhos felizes se tornarem reféns.
O ritmo apático se divide em apreciar a destruição sobre o céu noturno ou fazer com que o sofrimento haja com mais efeito.
As vezes eu era gananciosa por desejar algo que estava fora do meu alcance.
Era uma ilusão infantil, eu não conseguia me imaginar sendo feliz, mas sonhava em possuir tal sentimento.
Minhas lágrimas saíam sem controle, faziam uma sincronia perfeita entre o momento de nós dois.
Talvez algum dia aconteça, talvez em alguma época no futuro um pouco da minha imaginação fértil se concretize.
Mas ainda era um sonho impossível.
─ Precisamos sair dessa chuva.- disse o garoto com a voz angustiada.
Não me atrevir a falar uma palavra, o frio estava me dominando, o tecido da minha roupa era fino demais para aguentar a temperatura, os braços do rapaz me envolveram, corremos pela chuva, inertes demais ao fato que estávamos frágeis e emotivos.
Caminhamos pelas ruas vazias e gradativamente as luzes dos postes piscavam.
Chegamos ao apartamento de Park, a porta foi aberta e logo o garoto ofereceu sua mão em minha direção, sentir o calor apesar de estamos ensopados de água, a fagulha de fogo em suas mãos.
─ Fique aqui, irei pegar toalhas para nos secar.- disse desfazendo seu toque sobre mim, quase um resmungo saiu de meus lábios por conta de seu afastamento.
Olhei em volta, o local era arrumado e perfeitamente organizado, os móveis eram limpos e nada de bebidas ou roupas espalhadas, não era nada exorbitante, apenas simplório.
Vasculho meus olhos sobre a sala, sou surpreendida quando sinto algo sobre minha cabeça, minha visão é tampada por um tecido macio.
Logo sinto um carinho em meus cabelos, Jimin joga a toalha sobre mim e me ajuda no processo de nos secar.
Tentei olhar-lo ou questionar sobre o que havia acontecido, mas o rapaz evitava me encarar.
Quis poder abraçar seu corpo, porque eu sentia e desejava que a dor que estava sobre nós, partisse.
Ele sai novamente e me oferece suas roupas, quentes e macias, andei até o banheiro e simplesmente deixei a água aquecer meu corpo, minhas pernas doíam por conta dos ferimentos, o garoto me levou até seu quarto e lá permaneci, sentada sobre a cama espaçosa.
Encarando o teto, esperando alguma cura.
Mas eu sabia que não havia nenhuma.
Sinto o perfume harmonioso do rapaz, fecho por segundos meus olhos, absorvendo tudo que aconteceu, tentando aproveitar o aconchego de está finalmente livre.
Minha mente me sabota, cria a idéia que mesmo com dias de felicidade ainda aconteceria o caos.
Minha natureza era ficar apenas na melancólia.
Meus pensamentos me levam longe, além da superfície de um mundo caótico, distante o suficiente para poder tocar o paraíso.
Um paraíso período.
Quis fugir para esse lugar, onde o ambiente era puro e a profundidade era intocável.
Mais uma vez estava eu e meus devaneios.
Mas sou surpreendida quando esculto o ruído da porta sendo aberta, abro meus olhos enxergando a figura masculina de Park, ele parece pensar em algo mas não se pronuncia, sua boca se abre repetidas vezes mas só saem suspiros frustrados.
─ Pode confiar em mim.- digo quebrando a barreira de suas idéias, o mar de olhares está novamente.
Seus olhos amendoados percorrem por cada centímetro do meu rosto, entro em outra dimensão apenas para descobrir o que se passa em sua cabeça.
Park Jimin se assemelhava a um perfeito enigma.
Seu sorriso convencido até suas palavras impactantes surgiam um efeito alucinante em mim, o fato era que Jimin era um desastre disfarçado de emoções que não o pertenciam.
─ Aaron foi visitar os pais, então pode ficar no meu quarto, vou dormir no dele, qualquer coisa pode me chamar.- disse interrompendo nosso confronto.
Me levanto sem raciocinar em nada, seguro sua mão contra a minha, ganhando em troca a confusão.
─ Fique aqui.- digo sussurrando, minha voz sai fraca, quase inadiável.
Ele balança a cabeça em negação, me aproximo perto o suficiente para sentir o aperto de seu coração. Em um silêncio conduzo nossos corpos até a cama, ficamos sentados, um em frente ao outro.
Meus dedos percorrem seus machucados, sentido a dor dos ferimentos em mim.
─ O que aconteceu, Park?- pergunto, querendo saber a verdade por trás de sua máscara.
Sua camisa tinha alguns botões abertos deixando evidente parte de seu peitoral, mas algo ali chamava minha atração.
A cicatriz, não era algo chamativo, chegava a ser insignificante mas me atraía.
Eu estava perdida, em dúvida sobre os mistérios que nos envolviam.
─ Quantos segredos você esconde, Jimin?- falo novamente, aguardando anciosa sua resposta.
Me diga a verdade
Fale, por favor.
─ Eu não posso, Crystal.- disse colocando uma mexa do meu cabelo para trás da minha orelha, colido ainda mais nossos corpos, uma separação era inevitável.
─ Eu sou uma viciada em nicotina.- digo conseguindo sua atenção.─ Por isso entrei no grupo, esse vício não é algo que simplesmente pode ser resolvido, não é algo que posso parar, dias sem meus cigarros são como assinar meu decreto de morte.- falo temerosa pelas sensações que aquela declaração pode me trazer.
─ Todos que estam no grupo são arruinados, ninguém ali consegue viver sendo feliz ou como uma pessoa "simples", só preciso de uma reposta sua, qual é o seu vício Park Jimin? Qual é a sua destruição, porque eu estou cansada de ser apenas eu a única que não tem a droga de uma máscara, estou farta de esperar que me mostre quem é você de verdade.
Ao dizer coisas que se passavam por minha cabeça, respiro fundo ao notar o semblante surpreso dele sobre mim.
─ Álcool.- diz automaticamente.─ Desde dos meus quinze anos, não é algo que me orgulho, mas tudo começou como uma escapatória e depois virei um dependente, luto contra isso desde da minha adolescência.- disse angustiado, aproximo nossos rostos, escultando a respiração acelerada de nós dois.
Em mil hipóteses eu nunca imaginaria sobre esse passado do garoto.
─ Eu não posso me aproximar mais de você porque temo, pois nós dois significa perder o controle e isso vai nos destruir. Lembro da sua pergunta, "quem sou eu sem minha máscara?" A verdade é que sou tão quebrado que tenho medo de te arrastar comigo.
Sem ao menos notar as lágrimas caem, fogem livremente, a mão de Jimin toca em meu rosto, ele tenta impedir a ruína que está se formando.
Enquanto deixei a fagulha de uma chama se apagar, a brasa queimava minha pele.
─ Em uma das minhas noites, bebi demais e acabei em uma briga de bar.- disse vago explicando a razão por trás de seus machucados.─ Mas não se preocupe, o outro cara ficou pior que eu.- falou rindo sem humor, tentando fazer o clima deprimente se tornar alegre.
Não posso negar que um sorriso foi arrancando de mim.
A vida podia ser cômica, por situações que tiram nossas mentes do sério, por dúvidas que carregam o peso da culpa.
Eu estava entretida na forma em como éramos espectadores da nossa própria tragédia, uma conexão que quebrou os limites, uma linha tênue entre seguir um rumo ou se perder nele.
Eu queria apagar os rastros de memórias relacionadas a dor, queria poder inventar uma vida cheia de mentiras boas e me jogar nela, noto que estamos perto demais, nossas bocas quase estavam juntas, percebo que o garoto também reparou.
Se afaste – minha mente repetiu.
Estava enfeitiçada pela imensidão que encontrei ao olhar-lo, eu tinha um novo vício e ele era provar do sabor dos lábios de Jimin.
Seria um pecado, seria selar o destino de estilhaços reservado para nós.
─ Não podemos.- declarou o garoto.
─ Não fuja, garoto dos olhos melancólicos.- falei mas já era tarde demais.
Antes que o desejo de nos entregar seja forte o suficiente, o descontrole de sentir algo além da dor me toma, a ruína era uma inimiga declarada mas a única razão pela qual a tempestade crescia.
Especialmente naquela noite estávamos mais vulneráveis que já estivemos em nossa vida toda.
O futuro era óbvio.
O fogo me queimava enquanto usufruir do pouco de alegria que tive.
A escuridão era forte o bastante para nos afogar, o caos era previsível para tirar meu fôlego.
Até chegar a luz.
Porque sentir os lábios de Jimin avançarem sobre os meus.
Porque a luz do garoto dominou cada célula do meu corpo.
Dizem que a alegria de viver pode ser sentida somente três vezes, no nascimento, no crescimento e no envelhecimento, mas na realidade aquilo nunca se encaixou sobre mim, não era a verdade, essas emoções nunca me foram permitidas acessar.
Mas talvez agora isso possa acontecer.
Pois quando o beijo com Jimin se tornou inexplicável, as mais diversas sensações me preencheram, era impossível me desviar do caos que seríamos juntos, era um desejo incontrolável.
Perdidos, essa era a nossa definição.
Jovens viciados perdidos, um bom pensamento.
Em minha vida, tive poucas memórias que quis recordar e uma delas certamente seria o beijo de Park Jimin.
Talvez se eu fosse uma escritora poderia mergulhar no vale de suas frases convencidas, poderia escrever sob a luz da noite todos versos sobre seus olhos castanhos, poderia me viciar completamente em descrever em estrofes o sabor de seus lábios, sobre a sensação de desfrutar de seu toque.
Jimin nos separa por instantes
Por 20 segundos, raciocinando se aquilo realmente valia a pena.
─ Perca o controle, Park.- digo sussurrando, querendo novamente sua boca sobre a minha.
Ele encosta nossas testas, nossos olhares estam em uma sincronia própria. Enquanto sua mão desce e puxa minha cintura ao seu encontro, seus dedos machucados brincam com uma mexa de meu cabelo.
─ Desculpe.- antes que eu possa sequer me pronunciar, seus lábios formam uma colisão arriscada, explosiva e dominada de vontades.
Sua outra mão segura minha nuca, Jimin deixa claro que a partir de agora todas as consequências que chegarem, seram extremamente delicadas e um só erro, as quebraria como um vazio.
Estávamos assinando nossas mortes, a garota dos olhos enigmáticos e o garoto dos olhos melancólicos estavam se jogando do abismo, era o ápice do fim e a trégua da guerra.
Talvez a profundidade e o raso possam formar uma junção.
Talvez fosse possível não morrer.
Era um mundo cheio de farpas, espalhado de superfícies sem algum conhecimento, mas naquele momento sentir a necessidade de poder viajar para outra dimensão, pois só seria eu e Park.
A faísca era intensa e por nós era denominada como desejo, algo puro aos olhos mas sujo nas mãos dos humanos.
O mar poderia está com a onda mais selvagem, mas aquilo não importava, eu estava sobre os braços de Park Jimin, o garoto sujeito a diversas interpretações, uma âncora tem a função de segurar o navio, ela tem o poder de não permitir que os tripulantes se afoguem, mas a minha relação com o rapaz não era essa, nenhum dos dois podem garantir estabilidade diante as dificuldades que ambos enfrentam.
Ao me distanciar, percebir o garoto com seus olhos fechados, como se estivesse entregue em seus devaneios, em um ato impensável, meus dedos deslizam pelas rachaduras marcadas em sua pele, apreciam as imperfeições que estavam em seu corpo.
Era algo que se assemelhava a perfeição.
Passeio sobre sua cicatriz até chegar aos seus ferimentos, deixo ali meu toque, um carinho singelo e simples.
─ Você é belo, Park Jimin.- falo inebriada pela tempestade que ocorre dentro de seus olhos.
Encarar-lo era como admirar um vaso quebrado, partido em milhares de pedaços, para reconstituir cada parte sua seria uma tarefa árdua, cada caco perfura e deixa seu rastro.
Após minutos em silêncio, estávamos deitados sobre a cama espaçosa, enquanto Jimin brincava com as mexas do meu cabelo, eu acariciava sua pele, desenhava linhas imaginárias sobre sua cicatriz.
Ninguém se atreveu a falar nada depois do nosso momento, talvez fosse o medo daquilo não ser real, talvez fosse a insegurança de tudo aquilo acabar rápido demais.
─ Como será daqui para frente? O que irá acontecer amanhã?- perguntou ele, arruinando a barreira que coloquei para que o efeito do beijo ainda durasse.
─ Eu não faço a mínima idéia, Park.- respondo nervosa, sentindo meus batimentos cardíacos aumentarem de acordo com a frequência do meu medo.
─ Acha que podemos ser felizes? Acha mesmo que não vamos acabar com isso, Crystal?- questionou desafiador.
─ Nós vamos fazer isso dá certo, Jimin, eu prometo.- não tive controle de minhas ações quando falei.
Subir meu rosto até poder enxergar seus olhos me olhando duvidosos, cheios de marés que me levariam ao fundo da minha razão.
─ Não faça promessas que não pode cumprir, Crystal.- disse sério, com sua face coberta pela escuridão, deixando apenas uma parte com luz.
─ Então não tenha medo do que você não pode prever, Park.- retruco ganhando um sorriso sarcástico do rapaz.
─ Vamos nos casar.- disse simplesmente, me deixando espantada com sua audácia. Pensei ser mais uma brincadeira sua mas ao ver a firmeza que estava sobre sua frase, fiquei assustada.
─ Tem certeza que você está bem?, você ainda está bêbado?- falei tentando atrair seu lado humorístico mas nada de uma risada sua ou o olhar prepotente.
─ Não tem nenhuma gotícula de álcool em mim, estou totalmente sóbrio.- respondeu de imediato.
─ Então por que disse essa bobagem?- digo sincera.
─ Porque é a única forma de sermos felizes, podemos mudar de cidade, mudar nossos nomes, vamos ter novas identidades, podemos viver sem o peso de carregar um sobrenome.- falou apressado, agitado com sua idéia, sua mão agora está sobre a minha, entrelaço as duas e lhe dou um sorriso tranquilo.
─ Se for assim quero me chamar Elisa Park, acho que iria ficar lindo, vou pintar meu cabelo de rosa e você vai se chamar Jonh Park, nós vamos ter uma casa grande e espaçosa, um cachorro que se chamará Billy e todos os dias você irá preparar nosso café da manhã.- digo enumerando cada passo nosso no futuro.
─ Aliás se tivermos filhos, quero que seja duas meninas, Ally e Alina, o que acha?- ao terminar de falar, o som do riso contido do rapaz sai, não aguento e me entrego a sua contagiante risada.
─ Agora você me deixou sem palavras.- falou ele depois de um certo tempo.
─ Eu sei, acho que é um dom.- falo sarcástica, ganhando mais uma vez seu riso, nos recordando do dia na biblioteca.
E por aquela noite desejei que continuasse assim e que nada acabasse em uma tragédia.
(...)
⚠️ Nicotina: Nicotina é uma droga psicoativa, alcaloide básica, líquida e de cor amarela que constitui o princípio ativo do tabaco.
Continua?
Gente do céu, eu tô impactada depois desse capítulo e vocês?
Gostaram do capítulo?
Estam gostando da história ?
Cysmin é perfeito, não acham?
Me digam aqui o que vocês sentem ao ler TSI.
Sobre as atualizações: São dois capítulos por semana, já que eu tenho que revisar e reescrever algumas coisas, mas se depender da situação alguns dias vão ter apenas um capítulo por semana.
Estam gostando desses capítulos mais longos?
Não se esqueçam de votar pois isso é MEGA SUPER importante, me ajuda muito e me deixa feliz demais, viu ?
Também não se esqueça de comentar, por favor, comentários são essenciais, tenho que saber a opinião de vocês sobre a história, quando alguém comenta em TSI eu surto de amores, pois isso tem uma importância gigantesca para mim.
Até a próxima !!!
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