t r i n t a
Chaos
🥀
Havia dias em que eu me perguntava o real sentindo da existência humana...
Existia vezes em que o silêncio pacífico da noite era a chave para desencadear meus pensamentos mais profundos, se me lembro bem, conforme o clima seguia em um tempo monótono e sem alguma luz, meu vício era minha perfeita solução, deixar meus pulmões cada vez mais impotentes era uma tarefa diária.
Tragédias não eram minha parceiras mas após conhecer Jimin, elas se tornaram algo previsível.
Todos possuímos cicatrizes, não só aquelas visíveis aos olhos mas exatamente aquela em nossa alma, aquela memória que você deseja apagar, fingir simplesmente que nunca existiu.
Anular o sofrimento.
Meus sentimentos são exatamente assim quando se trata do meu passado, principalmente do meu transtorno, a bulimia foi algo que me arrancou da bolha de um mundo de contos de fadas, ela foi a responsável por mostrar que até os sorrisos mais belos são obscuros, apresentou a realidade para mim e soube fazer isso da forma mais dolorosa e impiedosa possível.
A verdade é que eu tinha medo e ao mesmo tempo raiva de mim mesma por não ter sido forte o bastante, a ira é como uma bomba que pode explodir a qualquer momento e me arrependi amargamente por não ter lutado naquela época.
Minhas percepções eram limitadas e as minhas palavras eram vazias, achei que conhecia bem as cores mas isso mudou a partir do desastroso dia em que conheci ele.
Park Jimin era indescritível, como aquelas músicas que ouvimos porém não sabemos explicar o significado que ela traz.
Como aquelas palavras que queremos tanto dizer contudo nossa mente as perde em suas memórias.
O garoto de olhos melancólicos podia se assemelhar a uma paleta de cores, pois são diversas emoções que só os tons quentes podem descrever e existe somente sensações em que os tons frios são sobreviventes.
Pensei em como sou boba, ao ponto de perder minha razão ao me envolver em algo predestinado.
Concluí que sou uma tola por imaginar situações hipotéticas que provavelmente nunca podem se concretizar.
Eram exatamente 7:30 da manhã quando sai do apartamento de Jimin, correr criava uma distração, um escape para minhas frustrações.
Parei no meu refúgio, o único lugar que poderia ser descrito como belo ao ponto de ser tonar uma obra sublime.
Havia lacunas que impediam a vida eterna, que seguravam os finais felizes e os contiam.
Era nítido até demais que eu estava em um labirinto, que logo parecia inacreditável e repleto de linhas intermináveis. Não importava qual era o meu destino, mesmo que por sinal, não fosse a saída, uma barreira sempre me impedia.
A princípio achei que fosse apenas alguma espécie de sabotagem minha todavia no final vi o que estava sempre escondido, o meu pessimismo afastava as conquistas e impedia a felicidade.
Algo que era considerado um defeito, era minha virtude, a maior parte da minha vida foi resumida em uma palavra: mentira.
Escapar desse jogo doentio entre a família Walker e eu era algo difícil.
Me tornei fechada as pessoas por não ter mais a chama que me motivava a conhecê-las. Me tornei negativa quando o gosto metálico do sangue entrou em minha boca, quando me vi sendo gradativamente moldada em alguém que não era eu.
Encarei o céu, o azul se colidia com o alaranjado, era de fato uma imagem encantadora.
Lembrei da noite passada, quando após nosso tempo juntos, o garoto me abraçou tão forte que pensei que nossos corpos iriam formar uma só junção, diante o céu noturno Jimin me beijou como fôssemos estrelas, necessitadas da atenção humana para mostrar nosso brilho, dormimos enquanto olhávamos cada imperfeição deixada sobre nossa pele e nossa alma.
E por aquele precioso tempo eu adormeci em paz, esqueci do meu pesadelo e imaginei o paraíso perfeito.
O rapaz deve está preocupado, sai sem deixar nenhum bilhete ou mensagem. Procurei por meu celular mas reparei que na pressa, devo tê-lo esquecido no quarto.
─ Vejo que está bem, senhorita.- escutei a voz carregada de sarcasmo e imaginei logo um sorrisso cínico em seus lábios.
─ Percebo que você ainda continua com sua atividade preferida, a perseguição.- me virei em sua direção e com um sorriso em minha face ao notar meu celular em sua mão.
─ Talvez você esteja certa.- retrucou bem humorado.
─ Como sabia onde me encontrar?- perguntei após determinados segundos em silêncio.
─ Sei que aqui é seu refúgio e provavelmente depois de ontem você não estava bem, fiquei preocupado quando não te achei ao meu lado e ainda estava sem o celular, não queria que aguentasse tudo sozinha.- disse tímido, um sorriso se abriu em meus lábios ao perceber suas bochechas adquirirem uma baixa totalidade de vermelho.
─ Não sabia que você era tão romântico assim, Park.- tentei provocar o rapaz em um tom de humorístico, enxergando sua feição mais alegre.
─ Sou uma aventura cheia de surpresas, você está disposta a conhecê-las?- sugeriu e seus braços se abriram, indicando que um abraço traria um apego a felicidade.
Uma risada escapou, vi nosso momento como uma cena de algum filme de comédia romântica.
Em passos rápidos, cheguei até seu alcance e senti nossos corpos criarem uma barreira, que nos fornecia segurança e proteção.
─ Você é um bobo, Park.- sussurrei próximo a sua orelha, escutando seu riso contagiante.
─ Eu sei, sou um bobo somente por você.- disse e senti os raios se direcionarem a nós, hoje podia ser um dia feliz.
E tarde demais percebi que não importava o quão destruídos nós iríamos sair, pois meu coração estava em uma sintonia com o de Park Jimin, estávamos a mercê do próximo temporal.
Quando chegamos a faculdade, alguns olhos estavam atentos a nós, eu e o garoto eram as novas atrações do campus, nossas mãos estavam entrelaçadas enquanto cada pessoa tinha sua reação. Uns surpresos, outros sorriam travessos para o garoto e outros pouco se importaram.
Eu sabia que era estanho o fato de Park, mesmo não tendo uma reputação, era amigo e próximo a Aaron e seus companheiros, lógico que iriam prestar atenção.
Não tivemos aulas juntos, o que chateou o rapaz já que seu desejo era sentarmos perto um do outro. O dia andou tranquilo, muitas atividades e novos conteúdos, era cansativo porém essencial para meu crescimento.
Escolhi seguir o curso de Psicologia, pois meu desejo é poder ajudar as pessoas que assim como eu, foram forçadas a viver uma vida controlada, quero poder ser a pessoa que não tive quando precisei de ajuda, poder ajudar aqueles a perceberem que não existe o padrão de vida perfeita.
Fui pega de surpresa quando a mão de Susan bateu em minha cabeça, encarei minha amiga, em dúvida.
─ Alô, mundo chamando, Crystal.- falou apressada.
─ O que aconteceu?- perguntei confusa.
─ Faz mais de dez minutos que perguntei sobre seu relacionamento com Park Jimin.- cruzou seus braços e me olhou aguardando uma resposta.
Meu olhar se fixou em meu prato, encarei a comida em minha frente e as lembranças sobre minhas crises chegam, balanço minha cabeça tentando afastar essas memórias.
─ Somos recém casados.- respondeu uma voz masculina conhecida por mim.
Sou despertada quando senti sua boca sobre a minha, Jimin deixou apenas um selar e se dirigiu a garota.
Aaron veio logo atrás e abraçou Susan, que sorriu envergonhada pela ação do companheiro.
Todavia sua expressão mudou totalmente para intrigada, minha amiga pegou uma garrafa de água e a bebeu rapidamente.
─ Vocês são o que? Aaron o que é essa bebida?, por acaso é álcool? Porque só posso está louca ou bêbada.- questionou apressada com a voz desesperada, seu namorado ergueu as mãos, mostrando que não sabe de nada.
─ Olha bêbada acho que não, mas louca se considerando suas atitudes, claro que sim.- falei debochando de sua reação, ganhando as risadas dos rapazes e um olhar seu de advertência.
─ Vou fingir que acredito, só falta me dizer que vocês têm filhos.- ela continuou ainda confusa.
─ Ainda não, mas estamos pensando, o que acha de Ally e Alina? Deixo você ser a madrinha.- tentei testa sua reação com nossa nossa brincadeira.
Susan sempre quis planejar meu casamento, segundo ela, se isso acontecesse seria um verdadeiro milagre. Agora com sua face coberta pela dúvida, não podia ser mais divertido.
─ Então quem pediu? Qual é a história de vocês?- perguntou ela, apoiando sua cabeça sobre o ombro de seu compromisso.
─ Eu pedi, tudo começou quando a Crystal se apaixonou a primeira vista por mim, depois não pude evitar, ela soube me conquistar.- Jimin disse convencido, passando seus braços por meus ombros.
─ Na verdade tudo começou quando esse garoto aqui.- apontei para Park, percebendo ele segurar seu riso.─ O nosso início foi marcado pela perseguição dele, não posso fazer nada se ele se encantou por mim.- disse e todos riram, com exceção do garoto de olhos melancólicos.
─ Era o destino, não foi perseguição.- falou egocêntrico.
─ Então esse destino se chama Park Jimin, não acham?- dou um fim sendo sarcástica.
─ Crystal, nossa!, eu estou completamente espantada com isso, espero que não seja uma brincadeira porque se não for eu nunca mais deixo você pegar as minhas fatias de pão.- a garota respondeu em um misto de emocionada e ameaça, sorri para ela, feliz por tê-la como aliada.
─ E Park Jimin trate de fazer minha amiga feliz, se eu ver uma lágrima dela por você, eu quebro sua cara e ainda posto para todos.- disse em tom de ameaça, mesmo eu sabendo que era mentira, Susan não conseguia nem matar formigas pois dizia que elas tinham uma vida toda e que não queria que uma família fosse desmanchada.
Seu parceiro apenas gargalhou e sussurrou algo em seu ouvido, fazendo com que ela o acompanhasse.
─ Vocês dois são demais.- falou Aaron rindo, apontando para mim e Park.
─ Eu diria que eles são estranhos.- acrescentou Susan.
─ Já eu acho que somos perfeitos um para o outro.- Jimin declarou com ternura em sua voz e me abraçou, nossos amigos riram e falaram para ele parar de ser brega.
Olhei em volta e percebi o quão alegre estou, vasculhei por cada pessoa presente na mesa do refeitório, até notar que somos a mais chamativa, a mais divertida e a única que soube melhorar o meu dia.
A vida tem diversos lados e alguns deles não são tão agradáveis, uma sensação de alívio dominou meu corpo quando percebir que existem momentos em que a felicidade é algo tão distinto.
Olhei para Park, encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo sua mão acariciar meu cabelo.
E agradeço por poder desfrutar desses poucos instantes, cheio de um sentimento sutil e aconchegante.
(...)
Continua?
Gostaram do capítulo ?
O que acharam do capítulo ?
Estam gostando da história? Por favor deixe aqui seu comentário, pois ele me motiva tanto a continuar escrevendo TSI.
O que você mais gosta em TSI ?
Não se esqueçam de votar pois isso é super importante para mim, me deixa boiolinha quando alguém vota no capítulo, também não se esqueçam de comentar, sério, eu fico toda feliz quando alguém comenta, amo ver a reação de vocês no capítulo.
Vamos de meta? Divulguem a história para sua(e) amiga (o) que ama uma fanfic, eu me dedico completamente e é muito bom ver novas pessoas lendo a fic, vamos fazer Todas as suas imperfeições atingir 3k de leituras !!!
Isso me ajudaria muito, de verdade, então a partir quando TSI fizer 3k De leituras e como recompensa irei publicar o capítulo imediatamente, não haverá demora para postar.
Falta pouco para conseguirmos atingir essa meta.
Estou tão emocionada com o crescimento da história e isso me deixaria ainda mais feliz ❤❤
Até a próxima !!
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro