Capítulo 27
2...
— Mas eu sou a dupla do Louis — Matteo protestou.
— Hoje não — professor Heard bufou.
— Non, deve estar errado — Louis insistiu.
— Eu sei que são muito amigos, mas hoje ficarão separados por algumas horas, vocês sobrevivem — o alfa mais velho disse. — Arrumei a lista por ordem alfabética.
— Então, Du Lac — Matteo apontou para Louis. — De Lucca — apontou para si.
— Douglas — o professor apontou para Garrett, que sorria para o ômega.
— Non, isso non pode acontecer — Louis pediu. — Se non for com Matteo, posso ir sozinho.
— Parem de drama, subam no ônibus e vamos — Heard bufou irritado.
— Não precisa ficar irritado, prometo me comportar — Garrett disse levantando as duas mãos, em sinal de paz.
— Em hipótese nenhuma me toque — o ômega o avisou e saiu de perto, voltando para os amigos.
— Isso vai dar uma merda gigantesca — Jake falou.
— Jura? — Matteo zombou. — Não sei o que é pior, Lestat saber agora e acabar com o passeio, ou saber a noite e tentar matar todos os envolvidos.
— Pensa pelo lado bom, você é beta, não vai te matar. Agora Jake e eu... — Donna disse passando a mão pelo rosto.
— Como que, não importa o que aconteça, eu sempre me ferro? — Jake perguntou revoltado. — Sou sempre eu que vou parar no hospital.
— Se Garrett tentar qualquer coisa, por mínima que seja, eu mesmo o amarro e deixo de presente para Lestat.
— Mon Loup vai ficar muito irritado — Louis suspirou.
Como eles estavam entrando em fábricas, conhecendo todo o sistema de produção por dentro, não podiam deixar os celulares ligados. Louis não queria esconder nada de seu alfa, mas teria que esperar voltar para contar o que tinha acontecido.
No momento eles estavam andando pelas vinhas, o guia falava sobre plantação e o tratamento correto das plantas, tentando manter a atenção contando curiosidades. O professor tinha contado que Louis vinha de família com tradição em vinhos, por ele e Garrett andavam na frente de todos e o guia sempre terminava suas frases com "não é?" ou "sabia disso?" para o ômega.
Louis respirava fundo e tomava vagarosos goles de água gelada para se conter. O cheiro de uvas podia ser gostoso para a maioria, mas para ele não. Sempre olhava para Matteo, que prestava atenção no ômega e não no guia. O beta fazia sinais de respiração profunda, ajudando o ômega a se acalmar.
— Não precisa ficar assim — Garrett sussurrou próximo demais e Louis se afastou.
— Non chegue perto.
— Calma, eu te disse que não vou fazer nada.
— Então fique longe.
— O que? Nem conversar podemos? Sério Louis, esse lúpus mexeu com sua cabeça. Nem amigos podemos ser.
— Non fale de mon loup — disse entredentes, bebendo mais um gole de água.
— Aqui é a produção, temos que usar equipamentos de segurança e não podem entrar com nada em mãos. Qualquer objeto tem que ser deixado na entrada, mas receberão de volta na saída — o guia avisou.
Foi triste deixar sua garrafa de água, mas era necessário. Ele seguiu com o grupo, Garrett ainda tentava falar com ele às vezes, mas o ômega ignorava. O dia tinha sido um pouco complicado e a questão das vinícolas tinha sido um incômodo maior do que pensara, mas em algumas horas estaria com seu alfa, então tudo ficaria.
— Louis e eu podemos — Garrett os voluntariou.
— Obrigado, eles ficam na última sala desse corredor. E é até melhor que seja o senhor Du Lac, ele já entende mesmo de vinhos — o professor brincou.
— Vamos — Garrett indicou a sala, onde, aparentemente, ficavam alguns crachás que eles precisariam.
Louis foi a contragosto, seu lobo estava agitado, mas como ele já estava passando mal com o cheiro do vinho, não sabia se era por isso, ou outra coisa. Os dois passaram pela porta dupla e andaram pelo corredor e Louis estranhou, seu irmão possuía uma produção de vinhos e, mesmo sendo bem menor que aquela, nunca tantas salas ficavam vazias.
— Aqui — Garrett apontou para a sala.
Bateram na porta e abriram, como as outras, ela estava vazia. Nesse momento Louis já tinha entendido que não era o aroma do lugar que estava deixando seu lobo louco. Caixas separadas com crachás estavam nas prateleiras, o ômega começou a procurar a da sua turma para pegar e sair dali.
— Nós não conversamos depois da noite do bar, quando seu alfa nos interrompeu.
— Quando você me agarrou, quer dizer? — Louis perguntou, sem se virar para o alfa. Onde estavam os malditos crachás?
— Não exagera, estava só tentando te beijar.
— Depois de eu ter dito non.
— Viu? Você provoca.
— O quê? — Louis se virou revoltado.
— Fica dando dicas contraditórias e fica agindo desse jeito. Por favor, ninguém fala assim — o alfa disse como se fosse óbvio.
— Assim como?
— Por favor, Louis, você não consegue falar a palavra "não"? — zombou. — Fica forçando esse sotaque francês só porque sabe que é sexy.
— Eu sou francês! — O ômega exclamou. Ele não sabia se estava mais irritado ou ofendido.
— Sim, mas precisa forçar o sotaque? Nunca sei se você está falando "non" em francês ou inglês. E fica com esse jeito de menino ingênuo, bobinho, mas sabe que é gostoso.
— Je ne suis pas... Esquece! — empurrou o alfa e tentou sair, mas a porta estava trancada.
— Fechei para termos privacidade — Garrett disse com sorriso malicioso.
— Abra, agora!
— Só quero conversar — ele tentou tocar no ômega, que empurrou sua mão.
— Abra essa porta, agora!
O alarme de incêndio começou a tocar e eles olharam assustados. Na porta tinha um visor para o corredor, mas não tinha ninguém. As luzes se apagaram, só funcionando as de emergência. O barulho era alto e ecoava pelo lugar, mas eles não viam fumaça.
— Por que non abriu ainda? — Louis perguntou exasperado.
— Ah, sim — só então o alfa percebeu que tinha que destrancar a porta, o ômega revirou os olhos.
Mas Garrett se atrapalhou e derrubou a chave, a sala estava quase toda escura, apenas sendo iluminado pelo visor da porta. Louis bufou irritado, se recusou a morrer do lado de um idiota. Se Lestat quisesse matar Garrett, Louis daria todo apoio.
Eles tiveram que ajoelhar no escuro para procurar, o ômega percebeu que Garrett estava entrando em pânico. Normalmente ele tentaria ajuda, mas naquele momento, queria tanto bater no alfa, que não se importava. Finalmente achou a chave e conseguiu abrir a porta.
O alarme continuava tocando e continuavam em iluminação, fora as fracas luzes azuis de emergência pelo corredor. Tentaram voltar pela porta dupla que tinha no início do corredor, mas estava trancada. Os dois a forçaram várias vezes, mas parecia ser algum tipo de trava de segurança.
— Non! — Louis bateu na porta.
— Não era para isso estar acontecendo — Garrett estava entrando em pânico, Louis revirou os olhos de novo. — Socorro! Alguém! Socorro! — gritava batendo contra a porta.
Porém, no meio dos gritos do alfa e do barulho da sirene, o Louis percebeu que tinha mais alguma coisa. Ele tentou se concentrar, respirando fundo e se conectando com seu lobo, tentou fazer Garrett parar, mas ele não parava. Então seu lobo uivou no seu peito e ele entendeu qual era o barulho que estava ouvindo.
Eram tiros.
— Garrett, para! Pare! Temos de encontrar outro jeito de sair! Garret!
— Me solta! — empurrou o ômega e continuou a gritar batendo na porta.
— Non! Pare de chamar atenção! Vem!
O ômega tentou puxá-lo de novo e o alfa iria empurrá-lo, mas um rosto coberto por uma máscara negra surgiu no visor da porta, os assustando. Louis recuou com medo, mas Garrett travou no lugar. Então surgiu outro, os dois com rostos totalmente escondidos pelas máscaras pretas.
Mas, mesmo com os rostos cobertos, Louis sabia que as duas pessoas olhavam para ele. E, então, ele entendeu quem eram.
— Non — o ômega murmurou. — Garrett, venha!
As pessoas começaram a forçar as portas e, pela movimentação. O ômega percebeu que eram bem mais que duas. Louis teve que agarrar o braço do alfa, o puxando para trás.
Eles correram pelo corredor vazio, só havia algumas portas, as primeiras estavam trancadas e as que estavam abertas davam em escritórios sem saída. O corredor estava acabando, a porta estava cedendo atrás deles e não tinha como sair daquela parte do prédio. Louis abriu uma porta, dava em um escritório maior que os outros. Dentro só tinha a porta que dava para o banheiro, mas tinha uma grande janela, teria que servir.
Louis tentou se lembrar de todas as recomendações do seu alfa e procurou algo para bloquear. Pensou em usar a cadeira, igual nos filmes. Mas se aqueles alfas estavam arrebentando uma porta com trava automática, a cadeira não era nada. Então ele lembrou quando Lestat quebrou o estante de seu pai e a derrubou contra a porta, seria isso.
Com um pouco dificuldade e nenhuma ajuda de Garrett, que estava pirando, Louis derrubou o grande armário, bloqueando a porta. Bem a tempo da porta dupla ceder e as pessoas entraram no corredor, os perseguindo.
— Non! — Louis bateu contra o vidro da janela quando percebeu que ela estava trancada e não conseguiria abri-la do jeito normal.
Olhou em volta, não é que teria que usar a cadeira de qualquer jeito?
— Não era para acontecer isso... não era... — Garrett murmurava enquanto Louis batia a cadeira contra a janela para quebrar o vidro.
As pessoas mascaradas estavam do lado de fora da porta, tentando entrar, mas o armário ainda bloqueava passagem.
— Não era...
— Bien, aconteceu! Agora me ajuda! — Louis gritou. Ele só conseguia pensar no seu alfa, implorando por ele e rezando internamente que seu lobo o avisasse que precisava de Lestat.
— Era só para te afastar dos outros... ter um tempo com você... — Garrett parecia perdido no que falava. — Isso não estava combinado.
— O que? Garrett, o que você fez?
— Eu não sabia, Louis, juro que não sabia. Eu só queria ficar sozinho com você para acertarmos, sabe, tudo,
— Idiot! Je ne crois pas! Se não morrermos, espero que mon loup te mate! Connard!
A porta fez um grande barulho de metal arrastado, então Louis bateu a cadeira com mais força. O trincado finalmente cedeu e o ômega tentou limpar os cacos, subindo no parapeito. No mesmo momento, uma das pessoas conseguiu passar o corpo pela abertura que tinha feito entre a porta e o armário. Segurava uma arma e apontava para ele.
— Eu ajudei vocês, podem levá-lo — Garrett disse com as mãos para o alto. — Não quero problemas, vocês...
Mas três tiros interromperam sua fala. Sangue espirrou pela parede e o corpo do alfa desabou no chão, bem na frente de Louis.
O ômega pulou a janela, caindo rolando na grama e correu. Queria dar a volta pelo prédio, mas viu mais pessoas de preto ao longe e não sabia em quem confiar. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e usava as mãos para limpar a visão, afinal, já não sabia para onde estava indo, se não pudesse enxergar seria pior.
— Odeio uvas — murmurou quando se viu perdido em uma imensidão de parreiras. Ouvia barulhos ao longe, muita confusão e não sabia o que estava acontecendo. — Mon loup, por favor.
Sentiu o lobo uivando e, jurava, que ouviu um uivo de volta. Lestat estava chegando, iria salvá-lo e Louis quase chorou de alívio. Mas aí ouviu passos, pessoas estavam correndo atrás dele.
Louis correu por pouco tempo quando alguém pulou sobre ele, o derrubando no chão. A pessoa vestida de preta e com máscara tentou contê-lo, mas o ômega se debatia. Não sabia lutar muito bem, mas não iria desistir.
— Fique quieto, ômega estupido — a voz masculina gritou e a pessoa deu soco bem forte no rosto de Louis, o atordoando por um momento. Sangue escorreu pela sua pele.
— Acabe logo com isso — alguém surgiu e Louis se desesperou. Mais pessoas chegavam perto e ele estava com muito medo.
— Tudo isso por esse ômega? É desperdício matar, mas fazer o que? — uma das pessoas deu de ombros.
A conversa foi interrompida por um rosnado baixo e assustador. Louis sorriu e respirou fundo, se sentindo aliviado. O enorme lobo branco surgiu do meio das parreiras, pulando sobre eles. Sua boca cheia de presas se agarrou no pescoço do mascarado mais próximo e, diante dos olhos de todos, arrancou a cabeça dele.
O lobo estava parado, encarando as pessoas, ele parecia uma criatura vindo do reino de Hades. Seu pelo branco eriçado e sujo de sangue, seus dentes à mostra, até as garras estavam apostas para rasgar a carne de todos que ousaram tocar em seu soulmate.
O mascarado que segurava Louis foi puxado violentamente, então o ômega viu outro lobo que ainda não conhecia. Era cinzento, um pouco menor que Lestat, mas assustador. Seus olhos eram azuis e, sem entender bem como, Louis soube que era Oscar.
Por alguns segundos, todos estavam paralisados, obviamente os alfas mascarados não estavam preparados para enfrentar lobos raivosos. Lestat olhou nos olhos do ômega e Louis entendeu o que fazer. Ele se levantou e correu, enquanto Lestat e Oscar avançavam contra os alfas.
Louis correu o que pode, aleatoriamente entre as parreiras, sabia que seu alfa o encontraria logo, só precisava se distanciar. Ele queria achar Matteo e Jake, mas não sabia se era seguro voltar, havia muitas pessoas à volta, ele estava perdido e com medo.
Seu lobo rosnou e, instintivamente, Louis se jogou no chão, bem a tempo de escapar de um tiro que teria acertado sua cabeça. Ele olhou para trás e viu o professor Heard apontando uma arma e sorrindo maldoso.
— Me disseram que seria difícil, mas não achei que tanto — o professor falou caminhando até o ômega, a arma sempre erguida, mirando em Louis. — Subestimei você, mas não me culpe, sempre pareceu uma barata tonta prestes a ser esmagada.
— Por quê? — Louis murmurou. Precisava ganhar tempo e ficou se preocupando porque, aparentemente, todos seus professores o odiavam.
— Dinheiro, sua cabeça está valendo muito dinheiro, sabia? — Heard perguntou perto do ômega. Mais alfas apareceram.
— Finalize isso, temos que ir — um deles disse preocupado.
Os uivos estavam cada vez mais perto e havia sons de tiros. Heard encostou a arma na cabeça de Louis, lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas não iria mostrar fraqueza.
— Mon Loup vai te matar — Louis disse entredentes.
— Ele vai ter que me pegar primeiro — o alfa respondeu, mas o rosnado o interrompeu.
Lestat estava a frente, ainda mais sujo de sangue e parecendo ainda mais demoníaco. Os alfas sacaram as armas e apontaram para o lobo branco, mas os olhos do lúpus estavam em seu soulmate.
Heard se virou, encarando Lestat, mantendo a arma na cabeça do ômega, o usando como escudo. Três alfas disparam, Lestat corria e conseguiu desviar da maioria dos tiros, mas um pegou e o fez cair, imediatamente atiraram de novo.
— NON! — Louis gritou, as lágrimas. — Mon Loup!
Louis se debateu quando mais tiros vieram. Gritava, implorando para que Lestat se levantasse, mas o alfa parecia mal. Mesmo ficando de pé, o lobo branco parecia que ia cair novamente a qualquer momento.
A raiva cresceu dentro do ômega, aquilo não era justo! Não era! Ele não podia perder Lestat! Era seu alfa, eles deveriam se casar e ter filhotes! Eles deveriam passar a vida inteira juntos! O amava mais do que tudo, Lestat era todo o amor que tinha, não podia perdê-lo! Não ia perdê-lo.
— O que... — Heard se assustou quando o ômega nos seus braços se revirou se transformando em um lobo branco.
Louis abocanhou o pulso do professor, da mão que segurava a arma, e o mastigou. O professor gritou e os alfas em voltas não sabiam em quem atirar, o que deu tempo de Lestat derrubar um deles.
O ômega cuspiu a mão de Heard, que ele tinha arrancado do corpo com seus próprios dentes. O professor caiu no chão, gritando e sangrando continuamente. Mas Louis não perdeu tempo, pulando sobre um dos alfas, direto no braço e se jogando no chão, levando o mascarado com ele.
O alfa gritou e tentou se soltar, mas Louis usava suas garras para prender o corpo e chacoalhava a cabeça, dilacerando a carne do braço. Os companheiros do mascarado não sabiam em quem atirar e, mesmo podendo acertar o colega deles, tentaram acertar Louis.
Lestat podia estar ferido, mas não permitir que machucassem seu soulmate, ele derrubou e um dos alfas e mordeu sua cabeça, arrancando mascarar e qualquer equipamento. Uma de suas presas perfurou o olho do alfa e o arrancou fora. O lúpus não parou até o alfa estar totalmente desfigurado.
Louis se aproximou do seu alfa, passando o focinho por seu pescoço. O ômega estava preocupado, mas, mesmo estando ferido, Lestat parecia bem. O alfa também passou seu focinho no pescoço do soulmate, o acariciando, e deu algumas lambidas em seu rosto, o confortando.
Um barulho veio da lateral e mais alfas apareceram, Lestat revirou os olhos. Quando se houve barulho de lobos raivosos dilacerando a carne dos seus colegas, não se sabe que tem de correr para o lado oposto, para salvar sua vida?
Certo, Lestat ainda os perseguiria e rasgaria suas gargantas, mas, pelo menos, ganhariam mais tempo de vida. Dias talvez.
Louis tomou a frente de Lestat, protegendo seu alfa e pronto para matar qualquer um que se aproximasse. Apesar de estarem armados, os alfas pareciam hesitar, observando o cenário à volta.
Eles deram o primeiro passo em direção aos lúpus, mas, nesse momento, um lobo negro e um lobo castanho pularam sobre eles. Derrubaram os alfas e morderam quem puderam. O lobo castanho parecia se divertir, mordendo todos que pudesse e onde pudesse. Já o lobo negro tinha a nítida intenção de destroçar cada um deles.
Louis não precisava fazer mais nada, mas ele queria. Ele pulou sobre o pescoço de um dos alfas que tentou escapar, seus dentes foram direto na garganta, rasgando pele e carne. O ômega ficou frustrado, porque seu alfa fez parecer tão fácil, mas ele não conseguiu arrancar a cabeça de uma vez. Soltou o corpo que se engasgava no próprio sangue e tentou de novo. Se mexeu mais, tentando romper todos os ligamentos e quebrar os ossos, mas precisou de mais uma tentativa para conseguir e teve que puxar muito.
Como Lestat fazia tão fácil?
Quando Louis voltou, Oscar tinha se juntado a eles, os quatro lobos estavam cobertos de sangue e o ômega nem queria pensar em como ele mesmo estava.
Tiziano e Danila mordiam o mesmo alfa que, para o azar desse, ainda estava vivo. Cada um mordia uma extremidade e puxavam, como um cabo de guerra, mas a corda, era um alfa vivo gritando enquanto seu corpo era rasgado.
Quando finalmente se partiu, Tiziano tinha um braço na boca e Danila uma perna, o resto do corpo estava no chão. Tiziano chacoalhou a cabeça, como se fosse um cachorro com o brinquedo de morder e, "acidentalmente" jogou o braço direto em Oscar, que o olhou revoltado. O italiano o encarou, como se desafiasse a fazer algo, mas Oscar não fez.
Eles voltaram para onde as pessoas estavam, havia muita confusão, carros de polícia, bombeiros, resgate. Lestat andava mais lento do que o normal, Louis ficou do seu lado o tempo todo, preocupado com seu alfa. Danila caminhava do outro lado do amigo, preparado para ampará-lo se fosse necessário. Tiziano andava tranquilo, parando para comer algumas vezes às vezes.
— Ali — Heidi apontou na confusão. Matteo, Jake, Donna e Victor estavam com ela.
— Il mio Zeus — Matteo disse chorando e se jogou em Louis, o abraçando com força. — Nunca mais sai de perto de mim!
— Se vistam rápido, sua mãe quer mostrar uma coisa para você — Heidi avisou Lestat. Ela, Jake e Donna seguravam roupas.
Lestat, mesmo machucado, se recusou a deixar seu ômega voltar para forma humana na frente dos outros. Por isso tiveram que se afastar ainda mais, Matteo foi o único permitido a chegar perto, então sobrou a tarefa dele segurar as roupas para que os dois se vestissem.
— Nem na nossa lua de mel — Victor suspirou quando voltaram para perto. — Louis, pensa bem, se a minha foi assim, imagina a sua.
— Se vai ser assim daqui para frente, é bom que a empresa de vocês tenha um ótimo plano de saúde — Matteo exclamou. — Preciso de um cardiologista urgente.
— Mas assim que é divertido — Tiziano sorriu.
— Nem pense em me beijar, vai escovar os dentes e usar um pote de enxaguante bucal, pelo menos — Victor avisou.
— Vamos — Heidi indicou a direção.
A confusão era enorme, por isso era difícil os notar passando por ali. E, mesmo quando eram lobo, tinham se mantido em um ponto para não serem vistos. Pelo o que Louis tinha ouvido das pessoas à volta, estavam achando que aquilo tinha sido uma grande tentativa de assalto, o que nem fazia sentido. Por que mercenários armados invadiriam e tentariam roubar uma vinícola?
— Que bom que chegaram — Gabrielle sorriu.
Apesar do sorriso doce, ela estava com sua roupa elegante suja de sangue e segurava uma faca, na qual o líquido vermelho escorria. Ao lado dela Angelo estava tranquilo, mesmo segurando uma arma. Atrás deles havia cinco alfas ajoelhados e muito machucados.
— Achei que gostaria de encontrar com quem orquestrou e financiou o ataque de hoje — Gabrielle falou para o filho, apontando para o alfa ajoelhado no meio.
— Quem é ele? — Lestat perguntou frio.
— Wesley Lioncourt Carver — Oscar respondeu e Lestat o olhou confuso. — Nosso tio? — sugeriu, mesmo assim o loiro não tinha lembrado. — Meu Zeus, ele é primo do nosso pai. A mãe dele se casou com o herdeiro da família Carver, que hoje não anda muito bem, mas eles nunca quiseram tirar o sobrenome Lioncourt.
— Aprenda como se faz — Tiziano provocou. — Cane pazzo, sabe aquele ali do lado do tio do ano? Ele é o que fez aquela "brincadeira" com Harry Styles em uma festa de Natal, quando Harry era pequeno e você o surrou até quebrar a costela e a perna.
— Ah, o que fez o jovem Styles cair na piscina do meio do inverno, então mostrei como era sentir muita dor e não conseguir respirar.
— Viu? — Tiziano provocou Oscar, que revirou os olhos.
— Lestat...
— Calado — o lúpus interrompeu o tio. — Todos sabem como sou, sabem muito bem como o código funciona, tentaram burlar nossas regras e criaram distrações. Mas, obviamente, tudo falhou.
— Vincent disse...
Lestat chutou o primo, provavelmente quebrando sua mandíbula.
— Vocês foram burros demais para acreditar em meus irmãos e meus cunhados. Eles sabiam que se algo acontecesse com meu soulmate, eu iria atrás de um por e não descansaria até ter o sangue de todos em minhas mãos. Eles sabiam que logo vocês seriam mortos e todo dinheiro ficaria para eles, então vocês, seus idiotas desprezíveis, também foram enganados.
Os alfas da frente se entreolharam surpresos e com medo. Lestat pegou a faca de sua mãe e foi até seu tio. Os alfas estavam com medo de tremiam, mas não tentaram implorar, afinal todos sabiam que Lestat de Lioncourt não tinha misericórdia.
— Mon Loup — Louis falou, com a mão no braço do alfa. — Posso?
— Você quer fazer isso? — perguntou confuso.
— Oui — respondeu confiante. Ele pediu a arma para Angelo, que o entregou. — Pode me ajudar?
— Claro — Lestat sorriu de canto.
O alfa estava atrás do seu soulmate, uma mão em sua cintura e a outra sobre a mãe que segurava a arma. Lestat apoiava seu ômega, que tremia um pouco. Eles encostaram o cano da arma bem no meio da testa de Wesley Carver, o alfa tentou se mexer, mas Gabrielle o segurou pelo pescoço.
— Quando quiser, aperte o gatilho — o loiro sussurrou.
— Vocês tentaram me matar por um dinheiro que eu non queria — Louis disse com raiva. — Mas eu estou vivo e com o dinheiro e você está morto.
Então ele disparou.
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