Capítulo 10
Não vou mentir, o capítulo é QUASE todo tranquilo
- Tante Marjorie - Louis disse abraçando a beta mais velha carinhosamente.
- Mon chéri - a beta respondeu segurando o rosto do ômega - eu estava com saudades do meu pequeno.
- Eu sou mais alto que você - o ômega riu.
- Sempre será meu pequeno Louis - ela sorriu.
- Tante, esse é o meu alfa Lestat, e a mãe dele, Gabrielle - Louis os apresentou.
- Oh, nem um ano lá e já volta com um alfa? - a beta brincou cumprimentando o alfa.
- Na verdade, quem não perdeu fui tempo fui eu - Lestat respondeu educadamente.
- Fico muito feliz em te conhecer - Gabrielle falou abraçando a beta - Louis fala tão bem que estávamos ansiosos por vir.
A casa da tia de Louis era muito modesta, principalmente comparada ao luxo que Gabrielle e Lestat viviam, mas o ômega não estava envergonhado. Por mais que tenha morado pouco tempo com sua tia, ele tinha passado ótimos momentos ali em todas as férias que pode passar naquela casa. Se sentia seguro e foi o primeiro lugar que pode ser ele mesmo, sem julgamentos, apenas agir e falar como quiser.
- Querem um café? - Marjorie ofereceu - Acabei de fazer.
- Tem bolo? - Louis perguntou interessado e sua tia riu.
- Sim, mon chéri, eu fiz gâteu opéra - ela respondeu e os olhos do ômega brilharam, o que fez o alfa rir e o abraçar.
A casa era térrea, tinha três quartos, uma sala com uma estante cheia de fotos da família, uma grande cozinha que tinha portas de vidro para um jardim pequeno, mas bem cuidado e ao lado tinha uma horta. Os cômodos não eram tão espaçosos e a casa precisaria de uma reforma em breve, a pintura estava bem clara do que já fora, mas isso não a fazia feia, A dava uma sensação de lar.
- Eu senti muito a sua falta - Marjorie servia café pra todos.
- Não faz nem um ano que eu me mudei - Louis riu comendo o seu doce.
- Quando quiser nos visitar em Nova York, apenas avise e eu lhe mando a passagem - Lestat falou sincero e a beta arregalou os olhos.
- Oh, claro - ela respondeu hesitante - mas não quero incomodar.
- Não é incomodo, ma lune também sente muita a sua falta, como não podemos vir aqui com a frequência que gostaríamos, você poderia nos visitar - ele disse como se não aquilo não fosse nada.
- Ele é sempre assim - Louis riu da cara de espantada da sua tia - você se acostuma.
- Mon amour, você pode me mostrar onde posso trocar de roupa? - Gabrielle pediu a Louis que concordou.
- Claro, vamos para o meu quarto - ele sorriu, dando um beijo rápido em seu alfa e levando sua sogra para o final do corredor.
- Pode perguntar - Lestat falou tranquilamente bebendo seu café e tia Marjorie concordou.
- Não sou tola, sei que é um lúpus.
- Sou - Lestat respondeu com seu sorriso de canto - e qual o seu problema com isso?
- Eu não tenho problemas, desde que não faça mal para meu sobrinho - ela falou séria - o que você quer com ele?
- O que você acha que eu quero?
- Vejo o sorriso do meu sobrinho, estou vendo a mudança nele e sei que isso tem a ver com você. Ver Louis desse jeito, depois de tudo que passou, me deixa feliz. Não quero que isso acabe e nem que você faça algo que quebre o seu coração.
- Está com medo por eu ser um lúpus ou pelo seu sobrinho?
- Sinceramente, não dou a mínima para o que as pessoas são, desde que sejam boas. Louis é a pessoa mais pura que já conheci, talvez só depois da mãe dele. Se ele gosta de verdade de você, espero que cuide muito bem do meu menino e nunca o machuque.
- Tante Marjorie, sei que não me conhece, mas talvez já tenha ouvido falar do meu sobrenome, me chame Lestat Lionscurt - ele disse vagarosamente, deixando que o reconhecimento chegasse até os olhos da beta - também não sei o que sabe sobre nós, lúpus, mas uma coisa que pode ter como certeza é que nunca mentimos e nunca voltamos atrás. Louis é o meu soulmate, uma das pessoas mais importantes da minha vida e eu nunca o machucaria. Ao meu lado ele sempre estará seguro e se um dia alguém o ameaçar, eu matarei esse pessoa sem hesitar.
A beta ficou quieta, com expressão de assombro, assimilando cada palavra que o alfa tinha dito. O olhar de Lestat não vacilou, ele disse o que queria dizer e não mentiu em nada. O que ele não esperava era que os olhos da beta começasse a se encher de lágrimas.
- Soulmate? - ela perguntou em um sussurro.
- Sim, minha alma gêmea - o alfa respondeu, então, sem ele esperar a beta o abraçou apertado, chorando no seu ombro.
- Mon Zeus, merci - ela dizia entre lágrimas e o alfa se sentiu preso pelos braços da beta - eu estava com tanto medo do poderia acontecer com meu menino naquele lugar tão longe. E depois que ele terminasse os estudo, eu tinha medo de como tudo seria, mas agora ele tem alguém que o ama.
- Tante Marjorie? - Louis perguntou preocupado chegando até eles - O que houve?
- Nada, mon chéri, estou apenas feliz - ela respondeu limpando os olhos e depois abraçando o sobrinho.
- Esta era Sofia, a mãe de Louis - Marjorie disse entregando um álbum para Lestat mostrando as fotos da jovem ômega.
- Eles se parecem - Lestat murmurou olhando para as fotos.
A ômega tinha longos cabelos castanhos e olhos verdes, como Louis. Usava uma faixa vermelha no cabelo e um vestido preto. Ela sorria para a câmera, o batom vermelho marcava os lábios. Ela realmente lembrava Louis, como seus traços ou o jeito que sorria. Na outra foto ela segurava um bebê e tinha um menino pequeno do seu lado.
- Louis é o bebê - Marjorie informou, mesmo não sendo necessário - o outro é seu irmão mais velho.
- Sofia era muito bonita, parecia feliz - Lestat comentou.
- Sim, ela era linda e muito gentil, sempre disposta dar um ombro amigo e amava cozinhar, Louis herdou isso dela. Sempre me pergunto o que teria acontecido se ela tivesse descoberto o câncer mais cedo. Ela não deveria ter partido tão cedo, infelizmente nos deixou menos de um ano após ter descoberto o câncer no pulmão.
- Deve ter sido muito difícil para Louis.
- Foi difícil para todos, mas ele só tinha nove anos e perdeu sua melhor amiga. Apesar de ser muito ligada aos dois filhos, Thierry também teve uma conexão com Alain, o pai deles, mas Louis sempre foi só com Sofia. Depois disso as coisas ficaram, hmm, confusas.
- Você quer dizer entre Louis e o pai?
- Sim - Marjorie suspirou - Alain não é um homem mau, mas ele não tinha o mesmo espirito de liberdade de Sofia, nem a mente aberta ou gentileza. Ele vive fechado no seu mundo e nem sei como se apaixonaram. Eu acredito que ele realmente a amava, mas nunca a entendeu, assim como não entende Louis.
- Ma lune não fala sobre o pai e nem gosta de nada que o lembre.
- Você está falando de vinho, não é? - a beta perguntou triste.
- Eu não me importo se ele é pai do meu soulmate, se ele o tiver machucado, eu perderei a cabeça - Lestat o avisou calmamente.
- Eu gostaria de poder te contar, mas nem eu sei direito o que aconteceu, só que a relação deles foi piorando com o passar do anos. Pelo estado que Louis chegou aqui, eu tive vontade de ir para Arles e socar a cara do pai dele.
- Só me diga se ele o machucou - o lúpus perguntou sério.
- Fisicamente não - foi a resposta e Lestat concordou, por enquanto e só por enquanto, aquilo bastava.
Depois disso Louis e Gabrielle vieram da cozinha, onde o ômega estava cozinhando o prato favorito da sua tia. Lestat e Gabrielle dormiriam aquela noite na casa de Marjorie, no dia seguinte iriam para Arles, ver o irmão do Louis e o ômega estava muito animado com aquilo. O plano inicial era dormirem em um hotel, mas a beta se recusou, dizendo que agora eles eram família e deveriam dormir na casa dela, não abrindo espaço para discussões.
A tarde foi divertida, Marjorie mostrou várias fotos e ficou contando histórias do sobrinho, o que quase o fez morrer de vergonha. Ela também contou histórias sobre a mãe de Louis e como ela era tão distraída quanto o filho, o que também a colocou em alguns problemas. Isso fez Louis e Lestat se entreolharam e o ômega riu. Mas quando eram histórias que o faziam sentir saudades dela, seu alfa o abraçava apertado.
- Faz tanto tempo que eu não vou a um lugar assim - Marjorie riu, eles tinham ido a um bar restaurante na cidade - eu poderia ter cozinhado para vocês.
- Oui, mas essa noite é para aproveitarmos, não para você passar horas na cozinha - Louis sorriu para tia. O ômega estava muito feliz e se seu irmão estivesse ali, seria perfeito, com todas as pessoas que ele mais ama no mundo.
- Já trabalhamos demais, deixem que eles usem o dinheiro para nos bancar - Gabrielle falou para a beta, que riu.
- Louis? - alguém o chamou e quando ele se virou, viu uma ômega vindo na sua direção sorrindo - Meu Zeus, quanto tempo!
- Carole! - Louis se levantou e abraçou a ômega - Vou te apresentar, esse é Lestat, meu alfa, Gabrielle, minha ma belle-mère e acho que você lembra da minha tia Marjorie. Essa é Carole, nós estudávamos juntos.
- Olá - ela cumprimentou a todos educada, não deixando de ficar um pouco admirada com Lestat - Louis, eu estou com algumas pessoas da nossa sala lá no bar, não quer vir conversar um pouco?
- Eu não sei - ele disse hesitante, ele até queria ir, mas não queria deixar seu alfa ali.
- Ma lune, se você quer ir, tudo bem - Lestat falou tranquilamente.
- Você vem comigo? - ele perguntou em voz baixa e Lestat sorriu, se levantando.
- Claro, vamos - como se ele fosse deixar seu ômega ir sozinho.
Marjorie e Gabrielle não se importaram de ficar na mesa esperando por eles, Gabrielle até disse que era ótima ideia que eles dessem um tempo a sós para elas, porque assim dava para fofocar melhor.
Eles foram até o bar, deveria ter umas dez ou doze pessoas ali, mas apenas sete eram os que tinham estudado com Louis, os outros eram companheiros deles. Todos se apresentaram e Lestat nem se deu o trabalho de tentar memorizar o nome de ninguém, não importava para ele.
- Oui - Louis falava com seus colegas - eu estou morando em Nova York agora, estou fazendo minha especialização.
- E eu achando que tinha me dado bem por me mudar para Paris - um alfa brincou, mas ele estava abraçado a sua namorada, uma ômega. Lestat gostou disso, porque queria dizer que ele não devia ser nenhum incomodo.
- Mas eu morei em Paris também - Louis disse distraído - eu fiz faculdade lá.
- Ele tem que jogar na cara - o alfa bufou exageradamente e todos riram.
- Depois que terminar a sua especialização, você vai voltar para cá? - uma das colegas perguntou.
- Eu não sei - Louis respondeu um pouco hesitante, ele não tinha parado para pensar nisso, tinha que conversar com Lestat, porque ele não sabia o que fariam. Ficariam nos Estados Unidos? Para onde iriam? Alias, eles estariam juntos, tipo, casados?
- Ainda não sabemos, mas se depender da minha mãe e da tia dele, nos mudávamos amanhã mesmo - Lestat brincou e todos sorriram.
O resto do tempo usaram contando fofocas de todos que conheciam, apesar de Lestat não ligar para nada daquilo e não se importar nem com quem contava a fofoca e nem com quem era, ele gostava das reações que causavam no seu ômega. Louis era muito sincero e em suas reações, o que deixava muito fofo.
- Com licença - um dos alfas colegas de escola de Louis o chamou - desculpa, mas eu te conheço de alguma lugar.
- De onde? - Lestat ia responder como sempre, ou seja, dando uma patada, mas se controlou no último momento.
- Eu não sei, você nunca veio aqui, não é? - ok, talvez Lestat pudesse se divertir com aquilo, então apenas negou com a cabeça - mas você é francês, né? Porque você fala corretamente e com sotaque.
- Não, sou britânico, porém minha mãe é francesa - ele respondeu calmamente, bebendo seu drink.
- Será que já nos vimos em algum lugar? Eu moro em Lyon, foi para lá recentemente? - ele realmente estava se esforçando.
- Não, a última vez que fui em Lyon eu deveria ter quinze ou dezesseis anos - ele deu de ombros.
- Qual é, cara, me ajuda - o outro riu - você é famoso? Ator cantor ou algo assim?
- Também não, eu trabalho em um conglomerado financeiro - ele deu de ombros, sem explicar que ele não só trabalhava lá, ele era o dono.
- Será que é isso? Eu sou formado em economia, trabalho com assessoria econômica e financeira - o alfa disse pensativo - em qual empresa você trabalha?
- Olá, do que estão conversando? - Louis perguntou alegre, abraçando seu alfa.
- Louis, estou tentando lembrar de onde eu já vi o sue alfa, mas não acertei nada, só sei que ele trabalha na mesma área que eu - o colega riu.
- Mesma área? - Louis perguntou confuso e se virou para Lestat - Mon loup!
- Eu não menti - Lestat sorriu de canto.
- Mon loup é o dono da Lionscurt Group - Louis falou e o alfa a sua frente tomou um susto tão grande, que engasgou com a sua cerveja.
- Ma lune, você estragou a brincadeira - Lestat comentou.
- Porra! - o outro alfa finalmente de desengasgou - Você é Lestat Lionscurt?
- Sou - o lúpus deu de ombros e tomou mais um gole da sua bebida.
- Cacete! O sonho de todo economista é trabalhar em uma das suas empresas - o alfa disse ainda chocado - agora eu me sinto um idiota.
- Não se torture, se te serve de consolo, você me divertiu nesses minutos, o que é muito mais do que boa parte dos que trabalham comigo conseguem - Lestat falou como se aquilo não fosse nada e deixou o outro alfa confuso.
- Pode não parecer, mas foi um tipo de elogio - Louis explicou - mon loup é assim com as pessoas que ele não conhece muito bem.
- Não sei se sou diferente com as pessoas que eu conheço bem - Lestat comentou - enfim, vocês são amigos?
- Oui, Gilbert me ajudou a passar em física e química, não sei como teria me formado sem ajuda - Louis riu.
- Certo, me dê seu cartão e eu peço para alguém entrar em contato para marcar uma entrevista, se você quiser - Lestat falou para o alfa, que só faltou chorar com aquilo, mas imediatamente pegou seu cartão. Ele também fez questão de anotar mais números de telefone, para ter certeza que conseguiriam encontra-lo e colocou até o email do próprio noivo, para não ter nenhuma falha de comunicação.
- Foi muito gentil da sua parte - Louis disse para Lestat que sorriu.
- Não foi questão de gentileza - ele respondeu, mas não explicou.
Eles ficaram um tempo ainda lá, os ex colegas de Louis, quando souberam que Lestat era um lúpus, ainda mais um Lionscurt, tiveram um pequeno surto e ficaram enchendo o ômega de perguntas de como se conheceram e coisas assim.
- Pardon, não imaginei que iria acontecer tudo isso - Louis falou para seu alfa, em um momento mais calmo.
- Não se preocupe, isso acontece mais vezes do que eu gostaria, você se acostuma - Lestat respondeu tranquilo. Infelizmente, seu status e sobrenome traziam uma visibilidade que ele não queria ter - Confesso que normalmente isso me irrita um pouco, mas hoje não tem problemas.
- "Um pouco"? - Louis riu e o abraçou - Mas por que hoje é diferente?
- Eu não quero que você se sinta preso a mim e se limite a apenas ao que faz parte da minha vida - Lestat abraçou seu ômega de volta - é bom ver você interagindo e sorrindo com pessoas que fazem parte da sua vida.
- Mon Loup - o ômega beijou o rosto do alfa - eu gosto dessas pessoas e elas foram importantes para mim, principalmente no momento que me mudei para essa cidade e precisei passar pela fase de aceitar quem sou. Mas elas não fazem mais parte da minha vida, apesar de que eu nunca vá esquece-las e não gostaria de perder o contato, hoje minha vida está em Nova York.
Depois disso eles se despediram dos colegas e voltaram para a mesa de Gabrielle e Marjorie. Tia Marjorie já estava um pouco vermelha das bebidas que tinha bebida com a ômega e eles nem tinham começado o jantar realmente, mas Gabrielle, mesmo tendo bebido a mesmas quantidades, continuava tranquila como se ainda estivesse no primeiro copo.
O jantar foi divertido, Gabrielle e Marjorie tinham se dado muito bem, o que fez o ômega muito feliz. Inclusive estavam marcando uma viagem para as férias de verão, mesmo Louis não sabendo se teria folga no estágio porque seu supervisor era complicado, mas Gabrielle disse que isso não seria problemas e Lestat concordou.
Eles voltaram para casa tarde, no carro que Lestat tinha alugado para irem para Arles, já que a cidade natal de Louis ficava há menos de uma hora de distancia. Assim que chegaram, tia Marjorie foi dormir, porque estava um pouco tonta de tanto vinho, Louis foi tomar banho, mas Gabrielle segurou seu filho por um minuto, porque disse que queria combinar algo com ele.
- O que aconteceu? - Lestat perguntou preocupado, sabia que aquilo tinha sido só uma desculpa.
- Enquanto estavam com os colegas de Louis, aproveitei para conversar com Marjorie e tirar o máximo de informações dela.
- Depois fala de mim - ele zombou, tinha achado estranho mesmo a quantidade de bebida alcoólica que a outra tinha ingerido - o que descobriu?
- A madrasta de Louis se chama Véronique e serei eu que me acerto com ela, entendeu?
- Maman, o que houve? - ele perguntou entre dentes, ambos falavam em voz baixa, para não correr o risco que o ômega os escutasse.
- Nem Marjorie sabe de verdade, ela apenas tem especulações, mas para mim já são o suficiente - Gabrielle tinha o mesmo olhar frio do filho - eu não a matarei, por respeito ao Louis, mas se ela me irritar, eu não me importo de apresenta-la ao mundo lúpus.
- Eu não me importo com o que você faça, eu só quero saber o que fizeram ao meu ômega.
- Não sei exatamente o que foi, mas Marjorie disse que o pai de Louis nunca o aceitou como ômega. Nem ela entendeu bem o motivo, mas enquanto Sofia era viva o protegia, depois de sua morte, ele ficou nas mãos do pai e tudo piorou com a chegada da madrasta. Aparentemente ela não gosta dele porque o acha muito parecido com sua mãe.
- Louis não fala deles e diz o tempo todo que sente falta do irmão, meu receio é descobrir o que fizeram a ele e eu não me conter - Lestat sussurrou.
- O lado bom de matarmos o pai e a madrasta, é que Louis herda o vinhedo - Gabrielle deu de ombros e Lestat sorriu de canto.
- E as pessoas ainda dizem que eu sou o mais perigoso.
Lestat foi para o quarto dividiria com seu ômega, ele ainda estava no banho, então o alfa tirou sua roupa e entrou no box com ele. Louis estavam lavando o rosto, quando sentiu braços o envolverem, mas ele sabia que era seu alfa.
- Está tudo bem? - o ômega perguntou, os dois tomavam banho juntos, o alfa estava lavando o cabelo do ômega e Louis passava sabonete no corpo do seu alfa.
- Ma lune, eu preciso de ter perguntar e entendo se for difícil falar sobre isso, mas há alguma coisa que eu preciso saber antes da nossa ida para Arles?
- Por que? - Louis perguntou abaixando os olhos e aquilo já deu uma resposta para Lestat.
- Ma lune - o alfa trouxe o rosto do ômega para ele delicadamente - por favor, se tiver algo errado me conte, eu não quero descobrir lá. Você vai me contar?
- Oui - Louis sussurrou e Lestat beijou seus lábios.
- Vamos terminar o banho, depois conversaremos, tudo bem? - ele perguntou e o ômega concordou com a cabeça.
O banho foi tranquilo, Lestat fez massagem no ombros de Louis e era perceptível a mudança de ânimos. Ele não queria fazer seu ômega se sentir mal, mas ele se conhecia e se fosse pego de surpresa, sua reação seria muito pior. Quando o banho acabou, ele tirou seu ômega do box, o envolveu na toalha, fazendo parecer um pacotinho enrolado, enrolou uma toalha em sua cintura e o levou para cama, eles precisavam conversar.
- Meu pai não gosta de mim... - Louis desabafou - ele não é mau, mas eu não sei o que eu fiz.
- Não há nada que você possa ter feito para isso, ele é seu pai, deveria te amar e te proteger, não se culpe pelas merdas dele - Lestat respondeu fazendo carinho no rosto do seu ômega - e sua madrasta?
- Não gosto de falar disso - Louis desviou o rosto, de novo - ela não gosta de mim e ensinou o seu filho a não gostar, Claude e eu temos o mesmo pai, mas não somos irmãos.
- Quantos anos ele tem? - Lestat perguntou, mas era obvio que ele já sabia.
- Apenas dez, eu me sinto culpado por não gostar de ficar perto, mas ele também não gosta de mim - Louis tentou se justificar um pouco preocupado do que seu alfa iria pensar de si.
- Ma lune, você não é obrigado a gostar de ninguém. Eu acredito que como esse menino está perto da mãe, acaba tendo os mesmo comportamentos que ela, talvez no futuro vocês se deem melhor, mas hoje não e está tudo bem - Lestat falou com carinho e Louis concordou agradecido. Mas nunca mais ele ia deixar ninguém daquela família problemática chegar perto do seu ômega e o atormentar.
- Eu não queria me sentir assim com eles, é o meu pai, mas eu me lembro que ele nunca me defendeu e isso machuca.
- Nunca te defendeu do que? - ele perguntou com calma, mas queria matar alguém.
- Na nossa casa tinha alguns barris grandes de madeira que usavam para armazenar vinho antigamente, mas eles não usavam mais. Algumas vezes, foram poucas, minha madrasta me prendia em um deles para me punir de alguma coisa que eu tinha feito. Por isso eu não gosto de escuro e de vinho, o cheiro era muito forte e me fazia enjoar muito, até cheguei a vomitar algumas vezes - Louis confidenciou vergonhosamente num tom de voz tão baixo, que talvez se não fosse sua audição tão apurada, Lestat não teria escutado tudo.
- Seu pai sabia e nunca fez nada? E seu irmão?
- Thierry foi o único que me defendeu - Louis o defendeu na hora - ela só fazia isso quando eles saíam para trabalhar no vinhedo. Eu achei que meu pai não sabia e minha madrasta dizia que não era para eu contar para ninguém, que a culpa era minha, mas eu nem sabia o que tinha feito. Um dia, eu passei muito mal dentro daquele barril e vomitei em mim, eu finalmente criei coragem de contar para o meu pai, mas ele disse que sabia e que eu era fraco por não aguentar nada.
- E o seu irmão?
- Ele ouviu parte da conversa e me perguntou o que tinha acontecido, quando contei ele ficou tão irado, que pegou o machado e destruiu cada um dos barris que sobraram. Meu pai e Thierry brigaram muito feio, foi aí que eu percebi que não podia ficar mais lá. Minha tia sempre disse que sentia minha falta, eu liguei para ela e ela me aceitou na hora. Meu irmão me ajudou com a parte financeira, ele estava tão irritado que quase foi embora comigo, mas como temos parte do vinhedo, ele não quis deixar para trás.
- Vocês dois tem parte no vinhedo do seu pai?
- A parte da minha mãe ficou para nós, quando meu pai descobriu que ele tinha perdido os 50% dela, ele não gostou.
- Mas o vinhedo está na família do seu pai há gerações, como parte era dela?
- Quando meus pais se casaram o vinhedo não estava bem, minha mãe usou a herança que recebeu com a morte dos meus avós para ajudar os negócios, por isso que ela ficou com 50% , só que quando morreu ela deixou sua parte para mim e para o meu irmão.
- Ma lune, isso quer dizer que você tem 25% dos rendimentos do vinhedo, mas você não recebe nada, por que?
- Meu irmão está nessa disputa com meu pai, apesar deles até se derem bem agora, a questão financeira é complicada. Eu estou tão cansado de tudo isso, que não quero mais saber, só seguir com a minha vida - o ômega disse sentido e triste, então Lestat o abraçou fortemente.
- Eu entendo você e não pretendo deixar mais nada disso te afetar - o alfa afagava suas costas - porém eles mexeram com um lúpus e vão entender que isso é erro.
- Non, eu não quero que ninguém se machuque - ele pediu.
- Apesar de ser uma parte divertida, e talvez a minha favorita, não é só com violência que eu posso resolver as coisas. Eu dirijo um grupo financeiro, farei um contrato para você e seu irmão e nós cuidaremos da parte financeira. Vocês não precisaram se envolver com isso, tudo bem?
- Oui, eu gosto assim - o ômega suspirou abraçando seu alfa com força, aliviado por ter desabafado aquilo.
- Ma lune, sempre vou cuidar de você - o alfa disse e o beijou com carinho.
Lestat tinha gostado que seu ômega tinha se sentindo confortável o bastante para contar tudo aquilo e também estava orgulho de si mesmo, porque não tinha demonstrado o quão irritado estava. Mas também porque apesar de ter dado uma opção de como resolver a questão financeira, ele nunca disse que não usaria de violência.
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