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Único.

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Eu prometo, não vou te deixar
Você se tornou uma luz para mim
Você vai brilhar mais do que qualquer
coisa para sempre
(I.P.U (I Promise U) - Wanna One)
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O silêncio do ambiente foi interrompido por uma vinheta anunciando o nome da rádio e logo em seguida a música de um grupo do momento explodiu. O corpo do que estava deitado implorava por "só mais cinco minutinhos", mas a música lembrava constantemente que devia levantar.

Levou uma das mãos até o despertador e antes que pudesse apertar seu interruptor ele conseguiu identificar a canção. Não se tratava de um hit de sucesso do momento, embora já tenha sido um dia, mas sim a sua música, que havia virado seu hino. Lembrava perfeitamente de como havia escrito cada letra, cada cifra daquela canção pensando nela.  E sorriu de canto completamente amargo ao perceber tais pensamentos.

Olhou o mostrador digital do objeto, o qual sua mão ainda estava em cima, e percebeu a data 14/02/2017 tremulando acima da hora. Sabia que o dia seria cheio, teria que fazer tudo aquilo que já havia virado ritual para ele e como de costume tudo teria que estar impecável do jeito que a garota gostava.

A primeira coisa que fez ao levantar foi recolher suas roupas no armário, tanto a que usaria para o dia como a que usaria para o jantar especial logo no final da tarde. E percebeu as roupas da garota ali completamente limpas e organizadas, ela sempre fôra bem exigente quanto a manter tudo organizado. Passou a mão sobre as peças e parou diante de um vestido florido que continha além de um decote sensual uma saia rodada, o bom gosto era sem dúvida alguma eminente e pensou em como gostaria de vê-la vestido na peça.

"Ela" não se encontrava ali, já tinha se tornado tradição durante todos os anos que viveram juntos passar o dia buscando idéias para surpreender o outro durante a noite. O rapaz realmente não sabia o que faria, mas com toda a certeza durante o dia ele daria um jeito de bolar algum plano.

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As ruas estavam completamente movimentadas, com certeza ele não era o único namorado atrasado  procurando por  presente, estava até parecendo com o dia de natal quando as pessoas deixavam para fazer as compras de última hora.

Além de movimentadas estava bem decorada, havia cartazes, avisos de desconto, corações e cupidos espalhados por todos os cantos. O menino chegou a pensar que o número de casais deviam ter aumentado bastante no último ano para que os lojistas estivessem investindo tão pesado assim na data.

Parou em um floricultura vendo uma flor maravilhosa, a preferida dela conseguia enxerga-la ali conversando com as plantas e dando a quantidade suficiente de água a elas. E ele a seguia, pelos corredores formadoa pelas bancadas do interior da estufa, com um sorriso nos lábios tocando cada flor que ela também tocara, inavala o seu aroma e conseguia compreender seu amor por aquelas coisas tão frágeis.

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"- O que essas flores tem demais?

- Você não entende nada mesmo, não é? - Levou a mão pequena e delicada e apertou as maçãs do rosto do rapaz. - Não vê como apesar de delicadas são lindas? Além de tudo elas representam sinceridade...

- Além de fortuna e prosperidade! - A senhora que acabara de montar o buquê, e estende em direção da menina, entra na conversa. - Tome querida.

- Obrigada! - Após o receber levou até o nariz se deliciando com o perfume da flor. - E principalmente, - volta a falar com o garoto. - O perfume delas sempre me lembra você, o que me faz amar elas ainda mais.

Ao ouvir a última frase ele leva a destra a cintura dela e a puxou colando seus corpos e seus lábios também em um breve selar, o que arrancou suspiros e aplausos da vendedora."

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A primeira parte estava feita, um lindo e imenso buquê havia sido encomendado. Durante os cinco anos de namoro ele nunca havia dado essa flor para ela, o que o fizera se sentir culpado diversas vezes. Esperava que pudesse então se redimir.

Sentiu então o nariz escorrer, levou a mão até o rosto e achou uma pequena trilha de sangue que ia da narina esqueda em direção ao lábio, tratou de pegar rapidamente o lenço e limpar aquilo. Descartou o pano em uma lixeira ali próxima e sentou em um banco de madeira que havia na pequena praça para descansar os pulmões que já começavam a reclamar. A neve caia fina pintando todo seu sobretudo com pequenas bolinhas brancas, comos pés ele brincou fazendo desenhos com os pés na neve.

Ao levantar os olhos percebeu que logo a frente se encontrava o prédio que carregava um pedaço da sua história.

Ele podia ver a sua garota claramente sentada em uma das mesas conversando com o dona do estabelecimento, ela era assim conseguia conquistar a todos com seu sorriso fácil e sua sensibilidade. Havia vezes que ela ia até lá apenas para conversar e claro, ganhava vários bolinhos com aquilo mesmo aquela não sendo a intenção.

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"- Nelly, você é a pessoa mais importante para mim. Me ensinou...

[- Corta essa por favor! Você quer namorar ela ou quer que seja sua professora? - A voz divertida acompanhada de gargalhadas preenchiam a linha.]

- Você não está ajudando em nada, Hobi! - Sussurrou tentando parecer bravo.

[- Olha só, só seja sincero e vá direto ao ponto. Sinceridade é muito melhor do que palavras bonitas e bem articuladas.]

- Nossa, quando você ficou tão romântico?

[- Vai se...]

- Ops! Tenho que desligar, ela está vindo! - Ao vê-la sair do toalete ele encerrou a chamada e guardou o celular para que ela não visse.

- Desculpe a demora! - Sorriu de canto tomando seu lugar a mesa.

- Não, está tudo bem. Nossos pedidos nem chegaram, o que é bom.

- É bom nossos pedidos atrasarem? - Seu olhar era confuso, não mais do que o menino sentado a sua frente. E isso sempre lhe arrancava sorrisos a fazendo esquecer problemas, o que tinha feito dele a melhor companhia.

- Não, não! Não era isso que eu queria dizer.

- Tudo bem.

- É que... Tenho algo para falar antes.

- Estou te ouvindo, Kim TaeHyung. - Apoiou o cotovelo a mesa e repousou o maxilar sobre as mãos em uma posição fofa, o que fez o rapaz ter a certeza que realmente queria aquilo.

- Nós estamos saindo há algum tempo... Devo dizer que foram os melhores dias da minha vida, você me diverte, me torna uma pessoa alegre e melhor. Consegue arrancar de mim sorrisos de forma fácil. Você está me fazendo enxergar a vida com outros olhos. - Parou para inspirar ar, pois estava esquecendo de fazer isso tamanho era seu nervosismo. - E eu acabei descobrindo que eu quero isso para mim. Quero você para mim.

O sorriso vacilou nos lábios da garota.

- Não vou dizer que não quero ser seu amigo, pois eu quero. Mas, não quero ser apenas isso, quero ser seu confidente, seu parceiro, seu porto seguro. Quero ser seu namorado. - Tomou a mão livre da garota entre as suas. - Quer namorar comigo, Nelly?

- Você... - Tentava articular as palavras, mas, seus pensamentos estavam a mil.

Por logo dois anos, durante as séries iniciais do ensino médio, Nelly observou e acompanhou TaeHyung. Sonhava acordada com o momento que seria notada pelo rapaz e quando ele se aproximou dela como amigo sua felicidade foi tão grande que nem sequer reclamou de serem apenas isso. Ter o rapaz por perto e poder cuidar dele já bastava, nunca imaginou que ele poderia nutrir esse tipo de sentimentos para com ela. Seu coração batia tão acelerado que seu cérebro não conseguia formular as frases. Só tinha certeza de uma coisa, se fosse um sonho não queria acordar de forma alguma.

- Tae, eu realmente não sei... O que falar. - Sussurrou já com o sorriso voltando aos lábios

- Você só precisa dizer sim.

- Sim. Eu aceito TaeHyung.

- É sério? - Suas pupilas dilataram levemente ao ouvir a resposta, aquilo soava como música para seus ouvidos.

Ela apenas confirmou com a cabeça e encontrou os lábios dele em um selar breve por cima da mesa."

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Aquilo não poderia ser apenas um grande coincidência, primeiro a floricultura e agora o restaurante. Só podia ser o destino, então Tae teve uma belíssima idéia. Se estivesse em um filme provavelmente naquele momento sobre sua cabeça apareceria um lâmpada acesa.

Ele queria que aquele fosse o dia dos namorados mais marcantes de todos na vida dos dois e vendo o restaurante ali teve a certeza que conseguiria. Não demorou para entrar e pedir a sobremesa favorita da garota, lembrava como ela sempre falara dos bolinhos com brilhos nos olhos.

Era quase um ritual que uma vez por semana ela passasse no local e levasse consigo para casa várias da guloseima. Ela nunca se preocupava com o peso e nem precisava, seu corpo era escultural e para TaeHyung ela ficaria linda de qualquer forma, não era uns quilos a mais que mudaria isso.

Voltou a caminhar pelas ruas imaginando o quê mais precisaria, olhava para todos os lados esperando que outra coincidência do destino surgisse a sua frente, foi quando seu telefone tocou.

[- Queria falar comigo? - Foi a primeira coisa que ouviu.]

- Sim, queria. Mas já resolvi meu problema. - Olhou para o semáforo que indicava que poderia atravessar a avenida.

[- E qual era? - O menino bocejou do outro lado.]

- Estava sem ideias para fazer algo para Nelly, mas eu já resolvi.

[- Olha só, TaeHyung... Já está na hora de deixar isso para lá, não acha? Esqueça ela. Tá, tá... - Interrompeu o garoto que ameaçou falar algo. - Eu sei que o quê vocês tiveram foi algo forte, que é difícil esquecer assim, mas, você deveria tentar.]

- Eu não posso. - Suspirou olhando uma pequena vitrola na vitrine de uma loja. - Não agora que estou tão perto.

Um objeto brilhou em sua frente, como se chamasse pelo seu nome e sorrindo entrou no recinto e fazendo gestos para uma vendedora apontando para o objeto na tentativa de saber seu preço.

[- Como assim? O que você está querendo dizer, Kim TaeHyung? O que raios está planejando? - Seu voz assumira um tom preocupado.]

- Eu estou indo encontrá-la, Hobi. Isso não é demais?

[- O que quer dizer com "estou indo encontrá-la?]

- Estou preparando uma surpresa de dia dos namorados. - Pensou bem sobre suas palavras, não sabia até onde poderia contar ao amigo. - Estou indo ao seu encontro e farei desse o dia dos namorados mais feliz da vida dela.

Seu rosto estava completamente iluminado tamanha era a felicidade do garoto, o sorriso ia de orelha a outra contagiando até mesmo a vendedora que não sabia sobre o quê aquilo se tratava mas ainda assim sorria junto a ele.

[- TaeHyung, por favor. - Suspirou sabendo que seu clamor era em vão.]

- Hobi desculpa, mas eu tenho que resolver uma coisa aqui. Nos falaremos outra hora. - Em um futuro não tão próximo, completou mentalmente encerrando a chamada e guardando o smartphone.

Passou o indicador sobre vitrola cor de vinho que agora estava ali ao alcance do seu toque sabia que aquilo não seria tão barato assim, mas não importava quanto custasse, ter o sorriso da sua garota seria muito mais valioso.

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Parece que estamos no mesmo lugar
Porque quando olho em volta tudo que vejo é você, é verdade
Todas as coisas que acontecem
Se tornam especiais por sua causa
('TOUCH - NCT 127)
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TaeHyung entrou no apartamento que, aquela hora, já não era mais dele.

Conseguia ver claramente Nelly lhe esperando próxima ao fogão cozinhando algo, o cheiro estava por todo local e era realmente atraente, pôde sentir o estômago protestando já faminto apenas de sentir o aroma, não precisava ver a aparência da comida e nem sequer prova-la para saber o quão deliciosa estaria, Nelly tinha um dom nato para a culinária, conseguia imagina-la perfeitamente em sua meia idade como a senhorinha do prédio que fazia comidas deliciosas para compartilhar com os vizinhos, ou aquele que sempre seria os melhores nos encontros de casais que frequentariam.

A garota virou radiante e lhe ofereceu o mais belo sorriso e ao percebê-lo saltitou na sua direção

- Você me comprou flores? - A tomou das mãos do rapaz e antes de se afastar lhe deixou um breve selar sobre seus lábios.

Ao se separar do beijo ela caminhou até a cozinha e procurou por um jarro no armário que ficava abaixo da pia e após colocar a medida certa de água para aquele tipo de flor a garota o colocou sobre a mesa da cozinha, depois trataria de transfiri-la para seu jardim que ficava na varanda.

Nem sequer conseguiu responder nada, apenas acenou com a cabeça, mesmo sabendo que ela não estava vendo, o coração bateu mais forte não importava o quanto a visse, todas as vezes eram como se fossem a primeira, ela o fazia se sentir como aquele garoto bobo do ensino fundamental.

Ele levou a sacola com as guloseimas para o quarto para que ela não visse, era capaz de comer tudo antes da hora. Pelo mesmo motivo ele já havia levado o Toca Discos para o local do encontro, pois caso contrário teria que cancela-lo, tinha a total certeza que nada a tiraria de casa.

A garota era amante do vintage, mantinha uma coleção de livros em edições antiga de capa dura e umas até imitando coro. Em seu quarto havia uma tv grande de tubo que transmitia em preto e branco, era adepta de fotografia, mas à moda antiga, tinha transformado a dispensa do apartamento em uma câmera escura para revelar os filmes e para onde ia levava consigo sua câmera instantânea para que não perdesse nada, e só aceitou o modelo mais atual pois as mais antigas que imprimiam em polaroid eram muito pesadas para ser carregada.

Possuia também uma coleção de vinis que havia herdado da avó e ainda não podera ouvir pois a máquina que havia herdado junto não funcionava mais. O que não a impedia de lavar todos os discos para estarem em perfeito estado quando fosse em fim usa-los. Ela sempre dizia que havia nascido no século errado, toda aquela tecnologia e correria do cotidiano não era para ela que gostava de desenhar, ler e escrever mil histórias de amor entre um príncipe e uma plebéia, ou mocinhas encontrando sei cavaleiro de armadura brilhante. E isso nunca incomodou TaeHyung, que na verdade fazia questão de ouvir cada uma de suas histórias antes de dormir.

Ele caminhou de volta para a sala e já podia imagina-la ali dançando, com seu vestido florido que ele tanto gostava, fingindo que estava em um baile ao som de Mr. Big Stuff de Jean Knight ou então sentada em sua poltrona vermelha, já um pouco desgastada, apenas ouvindo sua coleção Led Zeppelin. Sempre lhe dizia que a música não devia ser a trilha sonora para uma atividade, como ir as compras, caminhada e etc. Mas, que ela era uma protagonista e precisava do seu espaço, então, mesmo que em seu ipod, sempre separava um tempo para não fazer mais nada além de ouvir suas músicas favoritas.

Tae caminhou na direção dela que estava conversando com uma de suas rosas na varanda e a abraçou por trás aproveitando ao máximo que podia aquele momento. Suas mãos repousaram exatemente em cima do ventre dela e seus lábios traçaram um caminho de beijos do seu ombro exposto até próximo ao lóbulo. Sentiu o perfume floral lhe adentrar o nariz, o fazendo se sentir vivo. A apertou mais antes que ela escapasse, mas já era tarde demais, Nelly foi desaparecendo ali mesmo em sua frente deixando para trás apenas seu perfume e sua risada.

As mãos do garoto fecharam com força tentando controlar o choro forte que ameaçava aparecer, precisava encontra-la não conseguiria viver mais nenhum dia daquela forma.

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Ele optou por ir de metrô pois o carro também já não lhe pertencia, estava no nome de Hobi e guardado em sua garagem.

Olhou seu reflexo através da janela em vidro ao seu lado e o que viu foi um belo garoto vestido em um terno vermelho vinho por baixo do sobretudo negro, aquela era a cor favorita dela, uma gravata borboleta, pois nunca soube usar uma gravata normal. O cabelo castanho estava jogado para o lado e os fios da franja caia sobre sua testa quase lhe cobrindo os olhos. O buquê embrulhado em um papel de seda rosa repousava sobre seu colo e segurava em uma das mãos sacolinha de papel. Ninguém dentro do transporte estranhou as flores, pelo contrário, muitas mulheres suspiravam ao olhar para elas ou sorriam satisfeitas mostrando que estava fazendo a coisa certa.

As mãos suavam e borboletas brincavam de pega-pega em seu estômago, era possível ver uma coloração rosada em sua bochechas e logo um rastro de sangue surgiu de seu nariz o fazendo pensar em alguns palavrões. Ele estava nervoso não pelo que faria, alguns pessoas provavelmente ficariam paralisadas pelo medo diante da mesma situação, mas não ele, o garoto já havia se decidido. O seu nervosismo era todo culpa dela, porque ele iria vê-la.

Pensar que ela o havia esquecido, que já não o amasse mais o aterrorizava e o fazia suar frio, por isso sempre que eles vinham tratava de afasta-los o mais rápido possível e focava apenas no quanto ela iria ficar feliz em vê-lo e surpresa com o que ele havia preparado.

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Usando o meu coração para sentir,
eu sei que você estará ao meu lado
Eu prometo a você, eu quero o nosso
"para sempre"
(Promise - Exo)
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Ele caminhou e sorriu ao ver suas pegadas na neve, lembrou da sua infância onde ele e Hobi costumavam fazer bolas de neve e enfrentar os vizinhos da frente em batalhas épicas, a disputa valia a conquista de castelos feitos de papelão e todo o reino do adversário que nada mais era o jardim em frente as casas dos garotos.

Já com Nelly, costumava fazer bonecos neve com direito a nariz de cenoura e olhos de botão na parte traseira do prédio, em uma área longe das vistas das crianças para que não pudesse destrui-lo, lhe davam nome e todos os dias durante o inverno iam lá ver como ele estava, se uma parte derretia então pegavam mais neve e consertavam. Às vezes até criavam uma família inteira de bonecos de neve.

O toca discos que estava em baixo de uma arvore já continha alguns flocos de neve, se certificou antes de sair que ele não ficaria coberto e agradeceu por a neve ali ser pouca.

Então ela estava ali, sentada no banco de cimento em frente ao abismo. O campo ficava em uma região alta e o local que estavam era o limite, após ali só havia um vácuo, se alguém caísse dali passaria vários minutos em queda livre até que alcançasse o chão abaixo.

- Você demorou. - Ela nem sequer se virou para olha-lo, tinha notado sua presença apenas pela respiração.

- Desculpe, tive que fazer algo antes de vir. - Ele caminhou na direção dela para sentar ao seu lado.

Entregou o buquê de peônias brancas que foi recebido pela menina com um grande sorriso estampado no rosto e ela ainda nem havia visto as guloseimas

- Como o quê? - Ela arqueou uma sobrancelha. Sua expressão lhe dizia que não estava zangada, apenas curiosa.

- Estava observando a paisagem, tentando identificar quais histórias elas teriam para me contar.

Ela nada disse, apenas sorriu e tomou seu braço entrelaçando ao próprio e encostou a cabeça ao seu ombro.

- Já pensou que um lugar pode guardar várias histórias e segredos? Vários casais já passaram por aqui, muitos deles se beijaram outros brigaram... Muitos segredos foram aqui confessos. - Ele encarou o horizonte que não passava de uma mar branco, por conta da neve, formulando uma história em sua mente, ele era bom nisso. - Uma menina sentada neste mesmo banco chorou sobre o colo de sua melhor amiga por que tinha perdido seu primeiro amor, mal sabia ela que muitos outros ainda viriam...

Ela o encarou acenando com a cabeça, provavelmente ela desenvolveria um enrendo depois para esse plot.

- E qual a sua história?

- A minha? - Ele sorriu de canto. - Eu vim reencontrar meu único e verdadeiro amor.

E então menina desapareceu sobre seus olhos novamente, dessa vez sem um beijo, um toque ou qualquer palavra confortante, mas aquela seria a última pois ele iria encontra-la.

Desde que Nelly morreu era aquilo, sua presença estava impregnada em todos os lugares, o perfume dela o perseguia não importa onde ia, ela sempre estava ali independente se fosse o comércio na esquina ou do outro lado do oceano. Ele conseguia vê-la conversar com ela, mas isso sempre acontecia, ela sempre sumia. TaeHyung sabia que no fundo aquilo não era real, tampouco aquele era o espirito dela, na verdade era apenas sua mente o pregando peças por quê não conseguia esquecê-la.

E como poderia? Ele não saberia o significado de amor se não fosse por ela, afinal foi amando-a que ele aprendeu. Aprendeu também a viver pois ela lhe ensinou a ver a vida com outros olhos, mostrou que a felicidade pode sim estar em pequenas coisas com um sorriso, um "eu te amo" dito completamente fora de contexto, em ver as estrelas em uma noite qualquer na varanda de casa ou em simplesmente sentir o calor daqueles que lhe são importantes. E se ela não estava mais viva, nada fazia sentido.

Ele levantou e, mesmo sabendo que ela não gostava daquilo, gostaria de um ter uma trilha sonora de fundo para aquele momento. Então ele imaginou uma canção em sua mente e cantarolou, desejou fortemente que ela aparecesse em sua frente, mas como sempre aquilo não aconteceu, ela só aparecia quando queria. Mas isso não impediu de improvisar uma dança com a mão na cintura imaginária de Nelly e ia se aproximando cada vez mais do precipício.

Ao chegar no limite ele parou, olhou para baixo e respirou fundo, era chegado a hora, não havia o que temer afinal todos vamos morrer um dia, certo? Ele só estava tendo um privilégio que poucos tinham, estava escolhendo ele próprio o momento. Se não morresse daquela queda em breve morreria do câncer que via se alastrando em seu corpo. Então ele deu mais um passo sentido a ponta do pé já fora da planície e então ela apareceu, ali na sua frente completamente linda como ela sempre fora com seu vestido floral, as flores em suas mãos flutuava sem nenhuma preocupação sobre o nada.

"Ela veio me buscar. Ela não me esqueceu e ainda me ama!" O seu coração não podia suportar tamanha felicidade e se algum resquício dúvida ainda estivesse ali desapareceu por completo ao vê-la. Não se preocupou se morreria da queda ou de uma parada cardíaca antes de chegar ao chão; se sentiria dor ou não. Então a mão estendeu na direção do garoto que não êxitou e estender a sua para toca-la dando um passo que o fez despencar sentindo o vento maltratar seu rosto na descida e seu estomago revirar. Mas, nada mais importava, agora eles ficariam juntos para sempre.

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O silêncio do ambiente foi interrompido por uma vinheta anunciando o nome da rádio e logo em seguida a música de um grupo do momento explodiu. O corpo do que estava deitado implorava por "só mais cinco minutinhos", mas a música lembrava constantemente que devia levantar.

Ao virar-se na cama sentiu o calor que emanava do outro corpo, que tateava sobre o criado mudo e fez com que o despertador silenciasse.

- Você não precisa acordar cedo, hoje é domingo. - Ela falou com a voz embargada de sono e jogou um dos braços sobre o corpo do garoto.

Ele a tocou, ela estava ali em carne e osso, totalmente real e quente. O que fez com ele soltasse a respiração que nem sabia que estava prendendo.

Então ela estava ali e tudo não passara de um sonho, sonho não, pesadelo...

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