³Achei que fosse mais esperta
Era tarde, e a noite parecia mais fria do que nunca. Lucas insistiu para que eu pegasse um táxi depois do trabalho, mas eu recusei. Prefiro andar, mesmo que isso signifique cortar caminho por ruas meio perigosas. O problema é que, hoje, minha paranoia estava gritando. Desde que aquela mulher apareceu na cafeteria, tudo parecia diferente.
Ainda podia vê-la claramente na minha mente: cabelos rosa bagunçados, olhos azuis que brilhavam como gelo, e aquele jeito despreocupado enquanto lambia os dedos e dizia "tava uma delícia." Como ela era idêntica à mulher do meu sonho, eu não sabia. Mas não conseguia tirar essa coincidência absurda da cabeça.
Caminhei mais rápido quando virei no beco, tentando ignorar a sensação de que algo estava errado. Foi aí que eu ouvi: passos. Lentamente, virei a cabeça. Não era possível que...
Meu coração parou quando vi. Não era ela. Não dessa vez. Era uma criatura — humana, mas não exatamente. A sombra estava abaixada sobre outra pessoa, fazendo um som horrível, como se estivesse... devorando carne.
Meu corpo congelou, mas minha mente gritou. Corre!. Mas antes que eu pudesse reagir, a criatura se virou para mim. Olhos amarelos brilhantes, dentes afiados e um sorriso que era puro terror.
Comecei a correr, meu coração batendo como nunca. A adrenalina tomou conta, mas minha coordenação falhou quando virei uma esquina e escorreguei no chão molhado. A queda foi feia, e o impacto me deixou sem ar.
Antes que eu pudesse me levantar, senti uma mão me agarrar pelo braço. Meus olhos se arregalaram.
— Achei que fosse mais esperta. — A voz dela me fez congelar novamente.
Levantei os olhos, e lá estava ela. Vi. Igual ao sonho, igual à cafeteria. O rosto dela estava iluminado pela luz fraca de um poste próximo, os cabelos rosa grudados por conta da chuva. Mas algo estava diferente. Agora, ela tinha um olhar frio, quase calculista.
— Você... — sussurrei, completamente confusa.
Ela sorriu, mas era um sorriso afiado, como o de alguém que sabia exatamente o que estava fazendo.
— Bem, é a segunda vez que você me encara como se eu fosse um fantasma. — Ela me puxou de volta para ficar de pé. — Tava pensando, você vai fazer isso toda vez?
— O quê? — Minha voz saiu mais aguda do que eu esperava.
— Ficar olhando pra mim como se não tivesse visto antes. — Ela deu um passo para trás, ajeitando a luva ensanguentada. — Ou... você já sabia que eu tava aqui, né?
Minha mente girava. Como ela podia estar ali de novo? Por que ela estava me salvando? E o que, pelo amor de Deus, estava acontecendo?
— Por que você tá aqui? — Finalmente consegui falar, ainda com as mãos tremendo.
— Pra te salvar, claro. — Vi piscou, irônica. — E pra acabar com a festa do maníaco ali. — Ela apontou com a cabeça para onde a criatura estava, agora caída, imóvel.
Foi só então que percebi a lâmina presa à luva dela, ainda pingando sangue.
— Você... — comecei, mas as palavras desapareceram.
Ela deu de ombros, despreocupada.
— Você tá bem? Ótimo. Agora, vá pra casa e tente não morrer no caminho.
— Espera! — gritei, antes que ela pudesse virar as costas. — Quem é você?
Ela parou, olhou pra mim por cima do ombro e sorriu.
— Só alguém que faz o trabalho sujo. — E, com isso, Vi desapareceu na escuridão, deixando apenas perguntas na minha mente.
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