¹|You Are So... So!
❗uso de drogas na fic❗
caso não goste, recomendo que não leia.
Eai, carinha.
Esse não é um bom jeito de começar a escrever em um diário, mas é melhor do que escrever "Querido Diário" logo no começo. Sou praticamente uma mulher bem desenvolvida, não vou fazer algo assim... digo isso, mas aqui estou eu escrevendo em um diário para surtar pela minha paixonite de ensino médio e fingindo que não sou nem um pouco emocionada demais.
Enfim. Você vai servir para mim como um saco de pancadas serve para um lutador, mas calma, não vou encher você de porrada. Não, não tem nem como. Ou até tem... mas não vem ao caso. Eu somente vou descontar em você toda a frustração que sinto por ser tão travada em dizer para ela o que eu realmente quero dizer. (E aproveitar do meu amor por escrita).
"Mas quem é ELA" você deve estar se perguntando. Calma meu jovem gafanhoto, irei te contar tudo, igual a vizinha fofoqueira faz com a outra vizinha fofoqueira da casa do outro lado da rua.
Começando pelo começo, com você ignorando a redundância da minha frase, tudo começa com ela. Ela é ninguém mais, ninguém menos, que Lalisa Manoban, a garota mais incrível que meu coraçãozinho já resolveu bater por. Ela está no clube de dança que se apresenta todo ano na escola, em praticamente qualquer evento que haja nela. Foi passando pela primeira vez pelos portões da nova escola —já que sou uma estudante transferida— que eu, uma mera aluna nova comum do clube de esgrima, conheci a beldade que é Lalisa Manoban. Claro que tive que perguntar por todo lado para saber o nome dela, mas isso dá para deixar em off.
Eu vou narrar para você como as coisas acontecem no dia, como se estivesse acontecendo agora, vou te encher de detalhes, utilizar dos dons que eu acho que não tenho. E isso tudo só para suprir a necessidade que tenho de falar o que penso por aí. Combinado? Ótimo.
Okay, e lá vamos nós.
Meu primeiro real contato com Lalisa, foi no banheiro de uma festa, a qual acabei de voltar para casa. Sim, um ótimo começo. Uma festa feita em um salão por alguém da escola —que eu nem sequer sei quem é— com a desculpa de ser volta às aulas e comemorar com quem chegou ao último ano daquele inferno para adolecentes.
Eu estava bem no meu canto, apoiada na divisa entre aquele espécime de cozinha onde estavam mantendo as bebidas e o enorme salão onde a festa estava rolando. Uma loucura. Sim, isso definiria bem o local. Uma completa loucura. Luzes neon, pessoas com o rosto pintado, copos e mais copos além de corpos. Uma bagunça até que confortável eu diria. Mas aquilo estava sendo muito para minha mente no momento, então tudo que fiz foi agarrar um copo de bebida da bancada e rumar em direção ao banheiro.
No caminho ao banheiro passei por um grupo de "viajantes" sentados em um círculo de sofás e puff's, sem muita restrição somente me enfiei entre eles e consegui para mim um baseado depois de ouvir as diversas doideiras que eles conseguiam dizer. Foi cômico demais, e eu apenas ria de tudo que diziam porque se eu digo que aquilo estava muito engraçado, pode ter certeza, estava muito engraçado o papo sobre girafas de algodão doce nas nuvens. Então eu enfim me lembrei que estava sem o isqueiro.
Que merda. Beleza posso lidar com isso.
— Esqueci de trazer o isqueiro, acende 'pra mim?
Com minha bebida em uma mão e o baseado aceso entre os dedos da outra mão, traguei lentamente algumas vezes durante meu difícil percurso em direção ao banheiro. Passar por entre aquela montoeira de corpos que apenas se balançavam de um lado a outro ao ritmo da música foi bem difícil. Pensei estar fazendo parte do elenco de "Missão Impossível" sem saber. Uma vez dentro do cômodo observei meu reflexo no espelho. Não estava nada mal, típica roupa modinha, calça preta com cinto na mesma cor, camisa branca e uma jaqueta de couro. Eu me acho bonita, e isso é suficiente.
Coçando levemente o piercing na minha sobrancelha sigo em direção à parede do fundo, me apoiando nela e me jogando em direção ao chão.
Divida entre dar goles na minha bebida e fumar, somente me deixei levar pela sensação. A letargia do momento embarcada na voz da Ariana Grande tocando abafada atrás da porta do banheiro.
—I've never been this scared before, feelings I just can't ignore, don't know if I should fight or flight, but I don't mind - acompanhei a música ouvindo minha voz ecoar alto pelas pelas paredes daquele enorme banheiro. Eu me sentia cada vez menor ali dentro, mas a música estava me deixando bem.
Subitamente enquanto deixava a fumaça sair através do nariz, notei a música já abafada torna-se ainda mais distante, até um pouco distorcida, o lugar todo movendo-se algumas vezes mais lento que o normal. Eu estava aproveitando disso, com a cabeça apoiada contra a parede, abrindo e fechando os olhos sem pressa alguma.
Uma loucura agradável.
Mas então ouvi um barulho contra a porta, a fechadura se abrindo, a música mais evidente. Alguém entrando, fechando a porta com força, uns segundos de silêncio e então a torneira sendo aberta. Eu estava relutando em abrir os olhos, mas tenho algo chamado "curiosidade do caralho", ou seja, minha curiosidade é num nível alarmante, meu bem.
Se tudo já estava parado antes, ficou ainda mais assim que notei de quem se tratava a pessoa dividindo o local comigo. Ao que vejo Lalisa, fico estática. Como pode uma beldade dessa estar andando livremente ao invés de estar presa por estar passeando por aí roubando corações. Esse mundo de hoje em dia, não tem salvação. Mesmo dizendo isso, só queria dizer mesmo um "Multiplica Senhor!".
Ela me encarou através do espelho e tudo que pude fazer foi tragar do beck e arquear uma sobrancelha. Que diabos estou fazendo? Bancando a fodona, mesmo sabendo que não passo de um ouro de tolo?
Então ela se virou para mim enquanto se apoiava no granito da bancada onde estavam as pias. — Hey.
—Hey!
Eu estava animada, não é todo dia que se consegue trocar meros cumprimentos com sua crush. O silêncio havia reinado novamente, e eu realmente pensei que aquele seria um momento memorável por ser a primeira e única vez que consegui falar com minha crush.
—'Tá bom aproveitar a festa aí? — seu riso foi encantador, mesmo que estivesse rindo da minha cara. Eu já estava numa incrível paz por causa da querida marijuana, mas com o sorriso de Lalisa acho que encontrei as portas do céu.
— 'Tá ótimo, se quiser pode se juntar também.
Eu sabia que tinha demorado demais para responder e sair dos meus pensamentos devido à sua expressão ainda mais risonha, mas esqueci tudo que estava pensando e quase engasguei com o último gole da minha bebida no momento em que ela se moveu em minha direção e sentou-se ao meu lado.
Eu estava confusa. Qual o sentido de aquela beldade ter aceitado sentar do meu lado num banheiro putrefato como este? É o mesmo que assoprar sorvete, como se assoprasse algo quente. Não faz sentido!
— Quer? — ofereci o baseado como quem não quer nada. Tenho que adimitir que estava torcendo para ela dizer que não queria, caso contrário minha mente iria ficar fantasiando com um beijo indireto através de um baseado.
— Passa pra mim então.
— Como quiser madame.
Mesmo meio avoada consegui conduzir meu corpo a tragrar novamente com certa urgência pensando em entregar o beck para ela em seguida, mas foi totalmente fora dos meus planos quando segurei o rosto de Lalisa com meu indicador, médio e polegar, o mantendo no lugar e passando a fumaça da minha boca diretamente para a dela.
A cena de seus lábios sugando dos meus a fumaça, mesmo que com certa distância entre nós e sem nem sequer um toque além dos meus dedos, me fez soltar fogos de ano-novo internamente. Eu estava surtando, mesmo que por fora tudo que eu fizesse fosse parecer uma estátua.
A verdade é que eu estava completamente hipnotizada com a visão de Lalisa soltando a fumaça lentamente pelo nariz com seus olhinhos fechados. Uma cena e tanto. —a saia Sailor cinza subindo por suas pernas vez ou outra me distraía também. Mas eu não olhei demais, claro que não— .
Um momento inesquecível, completamente inesquecível.
Permaneci observando seus movimentos, passando a língua pelo piercing em meu lábio e então despertando quando ouço Lalisa coçando a garganta para chamar minha atenção de volta à Terra.
— Qual seu nome?
— É Jennie. Jennie Kim, sou nova na escola.
— Terceiro ano certo? — somente confirmei com a cabeça enquanto aproveitava do momento de olhos fechados — Meu nome é Lalisa Manoban, é um prazer te conhecer enquanto fuma sentada no banheiro de uma festa.
— É um prazer te conhecer também Lalisa, depois de passar a fumaça para você — ri fraco ainda de olhos fechados.
— Gostei dos piercings, você tem só esses?
— Sem contar com brincos da orelha, tenho cinco.
— Cinco? Onde colocou?
— Por aí no meu corpo — ri enquanto abria apenas um olho para ver sua face descrente.
— Certo - revirou os olhos — um dia eu descubro. Lê quadrinhos?
— Se estiver falando de mangá, sim.
— One Punch Man?
— Incrível. Saitama meu personagem favorito de todos os mangás que leio, mesmo que eu nem sequer tenha saído do primeiro volume dele.
— Te entendo completamente — imitou minha posição apoiando a cabeça na parede.
Seu olhar estava fixado em algum desenho feito com caneta permanente em uma das cabines do banheiro, mas mesmo assim ela continuava deslumbrande diante de meus olhos. Faltava apenas a purpurina flutuando ao seu redor. Absorvi todos os detalhes que pude daquele momento em que ela estava distraída, gostaria de pendurar em algum quadro dentro da minha mente.
— Put your head on my shoulder, hold me in your arms... — comecei a cantar assim que notei a música que estava tocando. Não posso escapar, sou uma apaixonada por músicas antigas.
— Baby... Squeeze me oh-so-tight... — ela me acompanhou.
— Show me that you love me too — suspirei observando o teto procurando detalhes interessantes e não bolas de papel higiênico molhadas coladas lá — Estou surpresa por ter tocado essa música aqui.
— Se não foi sem querer então de duas uma, ou quem organizou tem um ótimo gosto músical e é um apreciador de músicas antigas, ou é só porque queriam aproveitar a vibe de algo mais leve para acompanhar a brisa.
— Bom ponto.
Passamos então por um momento em silêncio, apreciando o momento letárgico e ouvindo as músicas, era um silêncio em que sem nem precisarmos dizer nada, compreendemos que realmente não era preciso dizer nada. Aconchegante era a palavra certa.
— Quer dar uma volta? Estou pensando em sentar no meio-fio na frente do salão.
— Será que devo confiar em você? E se quiser apenas abusar do meu corpinho? — Fiz um gesto como se tentasse esconder meu tronco com meus braços enquanto me balançava exageradamente. Recebi como resposta uma risada e um revirar de olhos. Melhor do que nada. — Certo, vamos — levantei me apoiando contra a parede, voltando a recuperar alguns sentidos e meu equilíbrio. — Acho que perdi meu equilíbrio e não consigo encontrar.
—Besta.
Quando dei por conta, estavamos sentadas fora do salão bebendo deveria fazer algum tempinho, conversávamos sobre diversas coisas e também diversas pessoas passavam e a cumprimentavam. Observavamos as pessoas que rodeavam o local e até mesmo comentavamos sobre qualidades de cafés, mas no momento estavamos falando sobre grama. Sim, grama.
— Tem certas gramas que não dá para sentar. Essa aqui atrás de nós eu achei até macia.
— Tem aquelas que cortam também, não tem? — ela perguntou, demonstrando certa indignação.
— Tem aquelas que dão uma puta coceira também. Chego arrepiar só de pensar.
E então ficamos em silêncio, como em diversas vezes aconteceu durante nossas conversas. Parecia algo como aproveitar a situação e também entender o rumo que estávamos seguindo com cada assunto. Era um momento que do nada tornou-se respeitável.
— Gostei de você Jennie.
— Que gratuito — ri fraco — É assim que seduz suas garotinhas Lalisa?
— Você não parece nem um pouco uma garotinha.
— Vou levar como elogio.
— É um elogio — ela sorriu simples, desviando seu foco para a rua em nossa frente — Aquelas duas vão se pegar a madrugada toda e depois vão brigar.
— Como sabe?
— Intuição? — deu de ombros como quem não está dizendo nada demais — Quer fazer uma aposta?
— Sobre?
— Se elas aparecerem brigadas amanhã na escola, cheias de chupões pelo pescoço, eu ganho. Caso contrário, a vitória é sua.
— E qual o prêmio?
— Vamos deixar em aberto, podemos decidir isso quando for conveniente.
— Gostei, apostado. — estendi minha mão para ela na intenção de fazer como uma empresária, e ela prontamente a apertou com a sua. — Sem voltar atrás Lalisa, ou vou dizer que está abusando do fato de eu estar praticamente fora de órbita.
— Vou manter isso em mente, querida — Apenas deu risada, apoiando sua bochecha contra seu joelho — eu realmente gostei de você. Você me fez rir de verdade diversas vezes, e me manteve interessada em assuntos que eu jurava que nunca seriam nem um pouco legais. Espero que seja minha amiga amanhã na escola e me acompanhe assim de novo.
Tudo que fiz foi sorrir contido. É obvio que estou na friendzone, mas não há nada que eu possa fazer quando tudo que eu faço é agir como idiota na frente dela. Quando meus olhos encontram sua figura, na minha mente tudo que se passa é:
"Incrível, até o cabelo dela é bonito balançando contra o vento...ah, Lalisa, você é tão linda. Você é tão... Tão!"
Mas tudo que sai por minha boca é — Então... você gosta de pão com vinagrete?
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Obrigada por ler minha nova fic, espero que gostem. Não sei quando sai o próximo cap já que ainda estou presa nos ead's.
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