4. Armadilhas
"porque eu sabia que você era problema quando você apareceu"
- i knew you were trouble | taylor swift -
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— Nossa, sua cara tá péssima. Sua pele tá horrorosa. Em cinco anos você vai estar aparentando ter quarenta e cinco anos. E essa nem é a pior parte. – O projeto de hobbit parecia ter engolido agulha de radiola essa manhã.
Estava sentado em uma cadeira alta próximo ao balcão enquanto tomava seu café com leite de soja. Aparentemente havia perdido os bons modos matinais, ou nunca tivera mesmo. Giwook olhava com indiferença a pequena criatura insuportável.
— Estou falando sério, Cya, sinto pena de você as vezes. – Ele se levanta, o que é ruim, já que agora estava ainda menor. — Você até que não é ruim na música, mas tenho a impressão que você vai se aposentar nesse emprego por não conseguir nada melhor.
Giwook suspira profundamente, repete novamente. É uma lástima que os seres humanos não possam soltar fogo pela boca ou laser pelos olhos, porque aquele momento seria o ideal.
Hwanwoong notou que havia irritado o mais novo, sendo assim, já havia concluído sua primeira meta do dia; irritar Lee Giwook. Deixá-lo estressado era seu dom. Embora não entendesse o motivo de a verdade lhe doer tanto. Estava estampado na face de Cya em letras grandes em fonte itálica a palavra "Fracassado", estava apenas tentando lhe dar o toque. Podia não ser amigo dele, mas se estivesse nesse mesma situação gostaria que alguém lhe avisasse. Talvez lhe dissesse "ei, cara, você tá tão na merda que parece que caiu num poço de bosta", não saberia usar palavras melhores pra descrever tal circunstância.
Notou as orelhas vermelhas do garoto de cabelos castanhos, inclusive, deveria dizer que esse corte está super fora de moda, mas isso implicaria em suas roupas também, Lee parecia ter saído de algum filme cafona dos anos 80. "É um caso perdido", Hwanwoong pensou consigo. Olhou seu reflexo no espelho atrás do rapaz, seus cabelos loiros estavam, definitivamente, esplêndidos essa manhã. Seu suéter preto de gola alta lhe dava uma aparência elegante.
— De todo modo... – Levantou seu pequeno dedo indicador para o atendente a sua frente.
— Vá pra... – Giwook começou a dizer baixo.
— Bom dia, amor da minha vida, você está tão bonito. – Youngjo abraçou seu namorado por trás e beijou sua bochecha. Lee revira os olhos.
Hwanwoong reclama que suas roupas poderiam amassar e ambos rumam ao escritório do chefe. Trazendo novamente o projeto de paz a Giwook que suspira aliviado. O dia começou bem.
Bem mal.
Mais um cliente entra.
Mais um cliente sai.
E assim, sucessivamente. Como todos os dias. Entediantes. Cansativos. Monótonos. Principalmente, chatos.
Porém, havia uma pessoa diferente das pessoas que Giwook costumava ver por ali. Um rapaz alto sentado próximo a janela, roupas pretas, coturnos militares, não havia feito pedido algum. Talvez esperasse alguém. Por algum motivo, ele havia chamado sua atenção.
Lee viu um jovem do lado de fora cumprimentando o rapaz alto, apesar do clima fresco, vestia apenas uma regata escura e jeans skinny rasgado. O cabelo loiro o diferenciava de uma forma sedutora. Ele caminha até a entrada do café e vai até a mesa que estava seu possível colega.
— ...até lá. – Não notou que a garota do caixa estava conversando com ele. Olha para a menina que tinha quase a mesma altura e ela o olhava de maneira estranha. Sua cara estava, majoritariamente, fechada.
— O quê?
— Você é tão... – Ela franze a sobrancelha. — Tapado.
Giwook pisca diversas vezes tentando digerir suas palavras.
— Quer elogiar mais, Mina?
— É pra você atender os projetos de baderneiros anarco-capitalistas ali. – Ela aponta com a cabeça para os recém chegados.
Giwook vai até a mesa dos garotos. De longe eram lindos, de perto era como se estivessem longe. Porém, ainda mais lindos. O rapaz alto, de cabelos escuros, parecia ter saído de alguma novela coreana, tão bonito que não parecia real. No entanto, quem chamou mais sua atenção foi o garoto de cabelos loiros bagunçados, não era apenas bonito, exalava certa plenitude e tranquilidade em seus traços, como se fosse inabalável.
Talvez estivesse encarando demais já que ele começou a sorrir, um sorriso lateral tão perfeito que poderia facilmente manipular até um inseto despercebido.
— Acho que o gato comeu a língua dele. – O moreno da uma entonação diferente a palavra "gato" indicando com a cabeça o loiro a sua frente.
— Bom dia, será que pode parar de me encarar? – O loiro sorri em seguida.
Lee não soube onde enfiar a cara assim que percebeu que estava fazendo seu melhor papel de tapado. Ele apanha seu bloco de notas e uma caneta. Por algum motivo, segurava a caneta na mão direita, sendo que era canhoto. Desajeitado manteve como estava para não passar mais vergonha.
— B-bom dia. – Pigarreia. — Estou um pouco aéreo hoje.
— Não faz mal. – O moreno lia o menu.
— O que me sugere? – O loiro mantém o sorriso lateral enquanto olhava fixamente para os olhos de Cya, ele sabia que poderia desestruturar e deixar qualquer pessoa desconcertada quando fazia isso.
— Sugerir?
— Sim. Sugerir. É a primeira vez que venho aqui, quem melhor para me informar a melhor bebida daqui a não ser você?
O moreno olha para o amigo e passa a observar o garoto constrangido que segurava, todo atrapalhado, seu bloco de notas. Ele aparentava ter uns vinte anos. Para além disso, seu semblante demonstrava que já havia vivido mais coisas do que gostaria, estava menos feliz do que desejava e não queria metade daquilo que estava passando. Pessoas assim caem em armadilhas com uma facilidade absurda. Algumas armadilhas possuem nome e sobrenome.
— Aliás, me chamo Kang Hyungu. – O loiro levanta sua mão esquerda para cumprimentar o atendente.
Acanhado, Giwook ergue sua mão esquerda e o cumprimenta.
— Me chamo Lee Giwook. – Responde timidamente. — Muito prazer, Kang Hyungu.
— Ah, por favor. – Ele se solta. — Me chame de Kanghyun, é muito mais charmoso.
— Você é canhoto também? – Lee estava confuso.
— Não, mas notei que não estava segurando muito bem a caneta.
Ninguém reparava no fato de Giwook ser canhoto. Nunca lhe fizeram o que Kanghyun fez, aquilo o deixou admirado. Os amigos fazem os pedidos, Cya entrega e os deixa conversando. Passou todo o tempo observando os rapazes misteriosos. Era um pouco curioso, visto que ali iam pessoas comuns, ricos, estudantes e idosos. Nunca receberam nenhum tipo de rockeiro, punk ou seja lá o que fossem.
Sentia algo inflamando dentro de si, uma energia que não sentia há muito tempo. Além da curiosidade. Queria saber como é viver uma vida livre. Pensou que, talvez, aqueles rapazes fossem a festas animadas, coisa que nunca fizeram por falta de oportunidade. Estava tão atento a eles, que nas últimas duas horas errara metade dos pedidos.
Enquanto deposita um copo de chá gelado a uma senhora, Kanghyun encosta no balcão, fazendo a senhora sair resmungando como os jovens de hoje em dia são mal educados.
— Aí! Yonghoon e eu vamos num rolê hoje a noite, se quiser colar lá... – Ele aponta para seu amigo que aguardava próximo a porta. Ele mexia no celular sem muito interesse. O loiro pega um pedaço de papel e um lápis ali do balcão e anota o endereço.
— Por que está me convidando? – Giwook observa o papel.
— Eu gostei de você. – Kanghyun o analisa com seu olhar penetrante. Seus olhos escuros pareciam uma noite sem luar ou estrelas, apenas o céu escuro. Olhos que fariam qualquer pessoa se perder em sua beleza assustadora.
— O que vai ter lá?
Kanghyun sorri, passa a mão no corpo, até chegar a cintura, onde a mantém. Joga a cabeça levemente para o lado enquanto sorri maliciosamente.
— Eu todo estarei lá, quer algo mais? – Percebendo as bochechas coradas do rapaz a sua frente, acena com a cabeça e sai da cafeteria com Yonghoon em seu encalço. Inabalável.
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// e finalmente kanghyun aparece nessa fic
// a cara dele transborda "problema", mas o maior problema é que ele é bonito aiai
// o que acham que vem aí?
// enfim espero que estejam gostando
// continue comigo, na quarta tem mais
// me deixe uma estrelinha aqui se gostou
// e até o próximo ❤️
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