[14] Yór Nét (열넷)
Jimin
Ao fim da semana em que fiquei na casa de Jungkook, havia chegado o dia que eu menos esperei durante esses dias: é hora de voltar para casa.
Sinceramente, eu não esperava por esse dia, principalmente porque vou ter que ficar longe de Jungkook, e estando marcado, isso é ainda mais difícil.
Depois de juntar as poucas coisas que eu tinha aqui, eu enrolei antes de infelizmente ter que me despedir de Jungoo.
Agora, eu enfim entendo a real ligação do imprinting, e entendo o quanto ela é forte, ainda mais depois da marca. Ainda não sei como vai ser esse tempo longe dele, mas eu realmente espero que não seja tão difícil, tanto para mim, quanto para ele.
— Jun... — eu chamei, quando cheguei no escritório onde ele estava.
— Diga, meu anjo — ele respondeu, sorrindo minimamente enquanto parava com o que estava fazendo.
— Eu já estou indo — eu disse, ainda em um tom de voz baixo. — Vim me despedir.
— Não fique triste, sunshine, nós vamos nos ver sempre — ele disse, com um sorriso aberto, enquanto se levantava para vir até mim. — Eu sei que é mais difícil agora, mas nós podemos nos ver todo dia se você quiser.
— Quero — eu disse, o abraçando de volta quando ele me abraçou, também sorrindo.
Não sei em que momento fiquei com o coração tão mole, mas eu acredito que isso acontece apenas quando estou com Jungkook. Tirando todos os sentimentos que sinto da parte dele, e todos os sentimentos que eu mesmo sinto em relação a ele, parece que nada mudou. Não é atoa que dizem que o imprinting pode te mudar.
Depois dessa demorada despedida, Jungoo me levou para casa, me dando um beijo simples antes de ir embora.
— Jimin, que bom que chegou! — Hinamy me recepcionou, assim que eu cheguei na sala de casa. — Como foi lá? — ela parecia alegre.
— Muito bom — eu respondi, sorrindo imensamente. — Preciso te mostrar uma coisa — chegando perto dela, eu baixei um pouco a gola da blusa que estava vestindo, para que ela pudesse ver minha marca.
Percebi quando ela se assustou minimamente ao ver, mas logo abriu um sorriso, dizendo que minha marca era muito bonita
Não entendi a reação dela, mas pode ser que talvez achasse que eu não deixaria Jungkook me marcar tão cedo. Mas ainda é estranho, porque ela sabia que como um Supremo, ele precisava me marcar, mesmo que não soubesse sobre eu ter presenciado a primeira transformação dele.
— Filho, que bom que chegou — meu pai disse, chegando mais perto para me abraçar. — Como foi lá?
— Muito bom — eu respondi a mesma coisa, ainda meio confuso com a reação de Hinamy, e com o clima um tanto estranho que se formou ali.
— Jimin tem uma coisa para te mostrar, não é Minie? — minha madrasta disse, sorrindo minimamente, mas parecendo um sorriso nervoso.
Sem dizer nada, apenas mostrei minha marca, vendo meu pai também se assustar. Ele não disse nada de início, mesmo que tivesse tentado. Sua fala não foi mais do que poucos gaguejos.
Era claramente perceptível o nervosismo deles, e também é claro que eles estavam me escondendo algo. Se eles têm algo escondido que tem a ver comigo, é meu direito saber.
— O que está acontecendo? — eu perguntei, deixando claro que percebi toda a tensão. — Por que vocês se assustaram assim? — eu mantinha uma postura séria, com os braços cruzados.
— Preciso te contar uma coisa — meu pai disse, aparentemente meio a contra gosto.
— Vou deixar vocês sozinhos — Hinamy disse, começando a sair.
— Você pode ficar, Namy, se quiser — meu pai disse, quase pedindo com o olhar para que ela ficasse. Ela decidiu ficar. — Sente aqui, filho — ele pediu, apontando para uma poltrona que tinha à frente do sofá.
Me sentei naquela poltrona, enquanto via meus pais se sentarem no sofá, de frente para mim. A tensão era perceptível.
— Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que só estou contando agora porque sua mãe e eu concordamos em contar apenas quando você fosse marcado, principalmente se fosse por um supremo.
— Minha mãe? — agora, percebo o quanto isso pode ser importante e o quanto é antigo.
— Sua mãe vinha da linhagem dos supremos — ele disse, o que me deixou confuso de início. — Ela era irmã de um supremo Alfa que acabou se transformando, e infelizmente, ninguém sabe mais nada sobre isso.
— Então, o antigo supremo alfa da nossa aldeia era meu tio? — tudo isso era cada vez mais confuso, e sinto que preciso de explicações o mais rápido possível. — Mas porque só depois que eu fosse marcado?
— Assim como Jungkook, você também é de uma linhagem de supremos, e talvez seja por isso que você é um lúpus. Como você veio de uma geração de supremos, e Kim Namjoon era o antigo regente da aldeia, se vocês tivessem se encontrado em qualquer momento, você teria sido ligado com ele — nesse momento, assimilar qualquer coisa já se tornou complicado.
— Mas tem outro detalhe, além desse — Hinamy disse, olhando de mim para meu pai. Ao fim, meu pai resolveu dizer.
— Os lobos só se ligam com imprinting uma vez durante a vida toda, a não ser que sejam da linhagem suprema ou que tenham se envolvido com alguém da linhagem. Eu te disse que os lobos poderiam ter mais imprintings, mas era mentira, porque eu não queria que você soubesse sobre a linhagem da sua mãe antes do tempo — ele deu uma pausa. Esperei que ele terminasse de falar. — E é por isso que eu e Hinamy tivemos um imprinting.
Tudo isso era informação demais para mim, e eu não tinha a mínima ideia do que responder. Sei que isso é algo que preciso contar ao Jungkook, mas não agora.
— Eu posso subir? Preciso absorver melhor isso tudo — eu perguntei, recebendo uma fraca confirmação.
Sem dizer mais nada, eu me levantei calmamente, caminhando em direção à escada, subindo logo em seguida. Durante o restante da tarde, eu permaneci em meu quarto, andando de um lado para o outro, sem saber ao certo o que pensar e o que tudo isso poderia significar. Já na hora de dormir, eu me arrumei, antes de deitar na minha cama.
Tudo o que eu precisava era de uma boa noite de sono, para conseguir pensar em tudo com calma. No entanto, aparentemente, não era isso que eu iria ter.
Já era tarde quando eu comecei a sentir um leve incômodo em meu pescoço, onde estava a marca. Eu não estava bem, e isso era perceptível.
Eu sentia meu corpo cada vez mais quente, até o ponto em que comecei a suar. Tudo que eu conseguia pensar era em Jungkook, e eu tinha certeza de que o que estou sentindo tem a ver com ele.
Em um certo momento, a dor em meu pescoço se tornou quase insuportável, e foi inevitável não deixar um gemido de dor alto escapar. Sabia que meus pais iriam ouvir, mas eu não conseguia me manter em silêncio.
— Jimin? Aconteceu alguma coisa? — meu pai perguntou, aparecendo em meu quarto e acendendo a luz. Pude ver Hinamy aparecer logo depois. — Você está suando — ele constatou quando me viu, e se aproximou para ver minha temperatura. — Está queimando em febre. O que aconteceu? — ele estava preocupado. A dor era tanta que meus gemidos de dor aos poucos começaram a se transformar em gritos.
— D-dói... Muito — eu disse, e como se adivinhasse, olhou para meu pescoço. — Está ardendo.
— É a sua marca, está irritada.
— O que vamos fazer? — Namy perguntou, claramente preocupada.
— Só Jungkook vai conseguir ajudar agora. A marca ainda não cicatrizou, eles deveriam ter ficado juntos até que isso acontecesse — meu pai dizia, enquanto andava de um lado para o outro. — Vou atrás do Jeon — ele disse, começando a caminhar para fora do quarto.
Nesse instante, ouvimos batidas na porta de entrada. De alguma forma, meu olfato estava muito mais sensível, e consegui sentir o cheiro de Jungkook mesmo com a distância.
— Jungoo — eu tentei me levantar para ir até ele, mesmo que meus pais tenham me impedido. Eu mal conseguia ficar em pé. — Eu preciso... — precisava ir até ele. Com uma pontada mais intensa, eu perdi o equilíbrio assim que fiquei em pé, e quase caí.
Vi minha madrasta sair do quarto, provavelmente indo abrir a porta.
Com forças que não sei de onde saíram, eu caminhei até o corredor, enfim chegando perto da escadaria.
Meu momento de forças acabou, eu estava perto demais das escadas, o suficiente para cair delas. Entretanto, Jungkook chegou até mim antes, me segurando antes que qualquer coisa acontecesse.
— J-jungoo... — eu resmunguei, escondendo meu rosto em seu pescoço assim que consegui me manter em pé. Com esse pequeno toque e seu cheiro, a dor já havia diminuído minimamente.
— Shh, está tudo bem, estou aqui agora — ele sussurrou em meu ouvido, e a cada momento me fazia sentir cada vez melhor.
Talvez percebendo que eu ainda não estou forte o suficiente para andar, ele me pegou no colo, caminhando comigo até meu quarto, nos deitando na cama logo em seguida. Esses movimentos me fizeram resmungar pela dor ainda existente.
Eu me sentia cada vez mais sonolento, mesmo que ainda sentisse um pouco de dor.
— Descanse, quando você acordar eu ainda estarei aqui — ele disse, com a voz baixa e calma, como se estivesse me ninando.
Talvez apenas eu estivesse com essa sensação de "ninar", já que estava quase caindo no sono. Eu senti quando ele me direcionou para colocar meu rosto em seu pescoço, e senti quando ele intensificou seu cheiro.
A porta do meu quarto estava fechada, então seu cheiro não atrapalharia meus pais. A luz estava apagada e o abajur ligado, o que deixava tudo ainda mais aconchegante.
Não percebi em que momento caí no sono, ou em que momento parei de sentir dor. Apenas percebi quando, com a voz ainda mais baixa, Jungkook disse que me amava, enquanto acariciava meus cabelos claros.
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