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🌻 dear stranger, maybe i like you a lot 🌻

Boa leitura!
(se puderem, escutem a música acima e leiam a tradução antes de iniciar a leitura, foi a própria tatakgguk que indicou e achei que combinou bem com a oneshot, bom gosto musical o dela kkkk)

 

  

Kim Taehyung

 

 
Eu terminava de atender o último cliente quando percebi alguns respingos na vidraça que abrigava o letreiro em frente a loja. Observando o cliente sair com sua rosa branca, andei até a porta, chequei e confirmei o leve sereno que iniciava naquela noite. Retirei os cestos de flores e os coloquei do lado de dentro, tomando cuidado com as rosas vermelhas, que eram as mais delicadas ali.

Me permiti colocar uma música calma nos fones que não tirei do pescoço o dia todo, por pura preguiça e por combinar com meu estilo. Eram oito da noite e provavelmente ninguém mais iria entrar naquele lugar a procura de uma planta, flor ou buquê, a não ser que estivesse desesperado por pedir alguém em casamento ou atrasado para algum velório. Hoje em dia podemos esperar de tudo.

Bom, eu tinha bastante trabalho pela frente. Regar novamente os lírios e cactos, organizar os pacotes de sementes, mover as novas palmeiras para o canto vazio e depois me certificar de que os vasos de orquídeas não caíssem de seus ganchos no teto, da última vez eles não aguentaram o peso e precisei limpar uma bagunça e tanto de terra – sem contar que meu coração ficou partido ao ver minhas queridas orquídeas machucadas. Ah, e também, por os girassóis perto da vidraça para que amanhã cedo tomassem o primeiro sol, que é o mais nutritivo a eles.

Comecei pelas palmeiras, que era maiores e mais pesadas. Com um pouquinho de esforço movi os vasos um por um para perto da parede e deixei que ficassem alinhados. Peguei o regador e o conta-gotas iniciando a pequena irrigação e me dirigi até a enorme estante com produtos para jardinagem e, é claro, com inúmeros pacotes pequenos de sementes de variadas plantas.

Aquilo me dava dor de cabeça.

Até comecei a organizar os saquinhos mas minha genuína preguiça não me deixou terminar. Apenas me sentei no balcão e fiquei curtindo um pouco a música que se misturava ao barulho mais forte da chuva que caía e parecia ficar pior a cada minuto.

É, eu não ia pra casa nem tão cedo. Péssimo dia para ser contra a emissão de gases na atmosfera e vir trabalhar de bicicleta.

Eu não ligava muito, sinceramente. Estava em um ambiente que gostava junto às preciosidades de quem eu também gostava, as lindas flores de uma floricultura. Lembravam minha casa, quer dizer, minha outra casa que fica bem longe daqui. Flores me lembravam do meu mundo, especialmente os girassóis, onde cresci haviam enormes campos amarelos que perdia-se a vista entre as montanhas. Eu sempre ia com minha mãe, tanto ela quanto eu amávamos passear entre as flores, sentir a natureza, ouvir os pássaros cantar livres, observar o céu. Ah, que saudade...

Eu ainda pensava nos girassóis quando ouvi um baque vindo do lado de fora e som de coisas caindo, um susto tão grande que me fez gritar e cair para trás da bancada. Uau, aquilo doeu bastante e achei que tinha perdido minha coluna, a sorte é que não acertei minha cabeça em nada e nem machuquei sério. Em falar em machucados... Eu jurei ter ouvido bem baixinho um som de resmungo vindo da mesma direção que a porta. Congelei. Provavelmente tinha alguém ali agora.

Reuni um pouco de coragem – e forças pra levantar – ficando abaixado atrás do balcão e tentando ouvir mais alguma coisa que denunciasse o invasor. Não escapou nada.

Quando espiei por cima dele – morrendo de medo de ser algum monstro ou ladrão ali –, vi um ser humano caído à minha porta, ofegante. Corrigindo, um ser humano caído à minha porta encharcado, ofegante e... brilhante? É, brilhante, uma mistura de glitter dourado com gotículas de chuva pelos cabelos cacheados – além das presilhas de girassol, muita coincidência – e curiosidade. Se passaram bons segundos com olhinhos grandes e observadores analisando minuciosamente cada cantinho desconhecido da loja, esperando encontrar algo que tirasse o resto de seu fôlego ou desse o alívio necessário.

Demorou um pouco até que eu voltasse a respirar normalmente por conta do susto ou que ela me visse todo atordoado atrás do balcão. Ah, sim, ela, era uma garota ali. Uma linda garota em um moletom amarelo e mergulhada em brilhos amarelinhos também. Uma linda garota que agora me encarava tímida e tão assustada quanto eu, não parecia que iria tentar me matar como pensei por um instante. Ah, nesse momento eu já havia me levantado. E ela também. Estávamos um de frente pro outro sem conseguir dizer absolutamente nada, apenas nos olhando como duas estátuas.

— O-oi... Desculpa. — pediu quando saímos do transe – que eu não percebi estar preso, mas admito que seus olhos eram exuberantes – e só então vi que ela havia derrubado um cesto de vasos puros com sua correria, deve ter sido o causador do barulho junto com sua queda. — Acho que fiz bagunça.

— Você está bem? — perguntei, me aproximando um pouco e temendo que ela tivesse algum ferimento.

— Tô sim, por incrível que pareça. — concluindo sua resposta, se abaixou pra recolher os vários pedaços de vasos de plástico que haviam se partido e outros ainda inteiros. Fui até ela e ajudei também, tomando cuidado para que nem eu e nem ela se machucasse. — Olha, me perdoe... De verdade, eu não queria causar prejuízo, o-olha eu posso pagar e...

— Ei, tá tudo bem. São só vasos vazios, o que realmente importa está salvo, as plantas e você. — tentei tranquilizá-la e posso dizer que funcionou, ela até sorriu um pouco. Ela tinha um sorriso muito fofo, e somado ao glitter um pouco espalhado pelo seu rosto, fez com que meu coração derretesse por breves segundos, eu senti muito bem. Acabei por me perguntar o que havia acontecido pra ela estar assim, porém decidi tomar outro rumo na conversa. — Mas o que te fez parar aqui?

— A chuva, ela me apanhou de surpresa enquanto voltava pra casa e bem... — ela ficou um pouco tímida mas prosseguiu. — Eu precisava me abrigar, e o único lugar que vi aberto foi aqui. Só não sabia que o chão estava tão escorregadio...

— Ah, acredite, você não é a única a pensar assim. Tem sempre um querendo se encontrar com o chão. — sorri. Lembrei de todas as vezes em que eu ou algum cliente quase beijou o chão por ter escorregado.

— Não sei se fico feliz ou preocupada.

— Fique feliz, na maioria das vezes é engraçado.

— Você tem um estilo de humor inusitado. — comentou.

— É meu jeitinho. — dei de ombros. — Me chamo Taehyung. — levantei minha mão a cumprimentando, recebendo um aperto carinhoso de volta. Suas mãos eram quentinhas.

— Teerã? — tentou repetir a pronúncia, sem muito sucesso. Olhando pra mim, sua expressão perguntava se havia dito certo, neguei e sorri. — Teirrãn?

— Taehyung. — disse novamente, mas ela ainda parecia confusa. — Ah, deixa. Me chame de V, é meu apelido e é mais fácil.

— Ok então, V. Meu nome é Thainá. — disse e eu acenei, mais confortável. A gente já havia desistido de recolher a bagunça e agora só estávamos sentados no chão mesmo. — Sabe me dizer se tem algum metrô bem perto daqui? Perto o suficiente pra ir correndo?

— A estação mais próxima fica a uns trezentos ou quatrocentos metros. — falei e percebi ela desanimar. E se tem uma coisa que não permito a mim mesmo, é deixar as pessoas tristes. — Até lá já deu pra se afogar na chuva.

— Ou morrer eletrocutada por um raio. — comentou baixo, mas acabei rindo um pouco e ela também riu.

— Somos muito positivos, hein. — admito, fazer piada com coisas ruins da minha vida era meu forte e que bom que ela também gostava.

— Claro, o jovem hoje em dia vive de positividade. E café.

— Não dá pra viver sem cafeína. — comentei e vi que ela estava mais alegre. Não sei, mas eu sentia a necessidade de vê-la sorrir o tempo todo e isso estava se tornando estranho. Tentei ignorar esse pensamento. — A propósito, quer um chocolate quente? Eu fiz agora a tarde e posso esquentar se quiser, também tenho uma jaqueta no armário, você parece estar com frio. — ofereci. Vi seus olhos brilharem, talvez por finalmente poder tirar a roupa molhada que a fazia tremer. Tinha um olhar tão intenso quanto o glitter, e só então percebi que eles eram cinzas como um fim de tarde nublada. Aquilo mexeu um pouco comigo, nunca havia visto olhos tão bonitos.

Ela não respondeu nada, apenas abaixou a cabeça quando viu que eu a encarava, talvez eu esteja sendo invasivo ou parecendo atirado demais, mas não iria deixar ela sentindo frio, de qualquer forma. Recebi a confirmação quando vi que ela tremeu com o pouco vento que veio pela porta semi-aberta.

— Bem, acho que foi um sim. — sorri. A garota ficou ainda mais envergonhada e eu só queria dizer o quanto isso era fofo. Controle-se, Taehyung, você não pode apertar as bochechas dela. — Vem comigo.

Mesmo hesitando um pouco – e com razão, eu era um desconhecido completo com uma cara que não eram umas das mais amigáveis – ela me acompanhou até a salinha perto do depósito onde eu e tia Dara tomávamos chá ou café nas horas vagas ou de pouco movimento. Era uma sala pequena, com um sofá, um armário, uma pia, um mini freezer e um fogão. Isso sem contar os vários e vários quadros de pintura de várias paisagens e centros históricos de Florença. Minha tia gosta muito de pintura e ela é a dona da floricultura, talvez isso explique muita coisa.

Depois de vasculhar o local com o olhar e se sentir mais confortável com minha presença, Thainá se sentou em um braço do sofá esperando que eu pegasse a jaqueta. O fiz, deixando meu armário meio aberto por pura preguiça.

— Aqui, tem dois banheiros virando ali, pode tirar seu moletom lá. Vou esquentar o chocolate enquanto isso. — entreguei a jaqueta e informei um lugar melhor pra que ela trocasse de roupa.

A menina obedeceu e eu a acompanhei com os olhos até que saísse pela porta. Abri o freezer achando o chocolate já pronto e o coloquei no bule, tomando o cuidado de não deixar queimar dessa vez.

Alguns minutos depois, Thai – apelido carinhoso mentalmente dado por mim a ela – voltou trajando meu leve estilo roqueiro dos anos 90 misturado ao seu estilo cute sunflower e com seus cachinhos de nuvem brilhantes que agora pareciam mais secos, ela deve ter aproveitado pra se enxugar um pouco. Ela era muito bonita, seus olhos acinzentados faziam um contraste diferente em relação a seu tom de pele escuro e tonalizado, seus cabelos pareciam tão macios que eu tinha vontade de acariciar cachinho por cachinho, eles eram tão definidinhos e fofos! Thai era fofa por inteira, desde seu sorriso aberto até às pintinhas em algumas partes do rosto ou até mesmo a forma que andava, segura e tranquila. Toda vez que eu a olhava borboletas me faziam cócegas no estômago e eu precisava me segurar para não sorrir feito um bobo.

O que está acontecendo com você, Kim Taehyung?

Nos olhamos por breve segundos, acredito que ainda estávamos nos acostumando com a nossa aproximação não intencional. Querendo ou não, éramos dois estranhos, apesar de que eu já estava começando a gostar da presença dela. Ainda segurando seu moletom entre as mãos, Thainá sentou-se mais aquecida no sofá enquanto nossa bebida não esquentava o suficiente, acabou soltando um bocejo não tão alto e eu ouvi seu sussurro brigando consigo para ter mais educação. Sorri internamente.

— Confortável? — perguntei, desligando o fogão. Acredito que ela poderia até dormir ali da forma que ela estava sonolenta, já se passavam das nove horas.

— Sim.

— O chocolate está quase pronto. — anunciei, mas a reação dela não foi muito animada, o que achei muito estranho. Será que no fim das contas ela não gostava de chocolate quente? Resolvi perguntar. — O que foi?

Não sei, mas a sensação de que eu pudesse estar fazendo algo de errado me deixou com medo, as vezes eu estava sendo invasivo ao querer conversar muito ou fazer com que ela se sentisse em casa sendo que ela estava longe de estar.

— V, eu... Não vou te incomodar ficando aqui?

Ah, então era isso. Quanta bobagem!

— Não, sua companhia é muito bem vinda, você é bem legal. — vi um sorriso se iluminar em seu rosto, e aquelas borboletas que faziam cócegas no meu estômago resolveram dar socos dessa vez. — E, na verdade, digamos que estamos em situações parecidas. — acabei confessando, uma hora ou outra ela ia acabar percebendo mesmo.

— Como assim? Também não pode sair?

— Não, péssimo dia para vir de bicicleta. — ouvi uma risada baixa vindo dela. Eu não tinha outra opção a não ser achar graça também, se não for assim, como vou aguentar viver nesse mundo? — Acho que a flor da vida resolveu espirrar pólen na minha cara pra eu deixar de ser otário.

— A flor da vida? — perguntou, curiosa. Com o chocolate pronto, servi um pouco em duas xícaras e a entreguei uma, ficando com a outra. Coincidentemente os desenhos nas xícaras eram os girassóis de Van Gogh, o universo devia estar querendo dizer alguma coisa, ou, junto à flor da vida, me espirrar mais pólen na cara.

— É uma coisa que ouvi minha mãe dizer uma vez quando era pequeno. Acho que não era pra eu ter ouvido.

— Dado ao teor das palavras envolvidas, não mesmo. — sorriu, bebericando o líquido que soltava uma fumacinha aconchegante sob seu rosto. Eu ainda estava em pé recostado na parede quando Thainá chegou para o lado e me chamou silenciosamente pra sentar. — É de família o gosto pelas plantas?

— Não sei, mas agora que parei pra pensar... — acabei encarando o longe de minhas memórias, vendo que em todos os momentos havia em nossa família algo que remetesse a natureza. Sorri. — Acho que sempre tivemos como hobbie. Lembro que meus pais gostavam de cuidar do jardim e lembro quando tia Dara veio pra cá ser professora e criou a floricultura, ela vivia mandando fotos de tudo que tinha aqui pra gente.

— É bem interessante. — confessou, mas percebi que ela não olhou pra mim dessa vez. Resolvi manter o assunto aceso, já que a chuva não parecia acabar e eu tinha a impressão que se manteria assim por bastante tempo.

— Já que não vamos sair daqui tão cedo, me conta mais de você. — falei, atraindo seu olhar. — Não parece ter nascido aqui em Florença, seu sotaque é diferente.

— Você também não. — rebateu.

— Pois é. Eu sou de Daegu.

— Coréia do Sul? — fiz que sim, um pouco mais animado que o normal. Difícil achar alguém que saiba reconhecer alguma cidade do meu país de origem. — Uau, é bem longe. — pousou a xícara no braço do sofá enquanto cruzava as pernas, se acomodando melhor. — Como veio parar aqui?

— Vim com tia Dara, a louca que mandava fotos. 

— Isso está igual aquelas fanfics onde a "seu nome" é levada a outro país pela tia rica e acaba encontrando seu ídolo no Starbucks. — riu e eu acabei rindo também. De onde ela havia tirado essa referência?

— Bem, se parar pra pensar, é isso mesmo. — sorri. — Só que ainda não encontrei meu ídolo porque nem frequento o Starbucks.

— Que coisa. — ela pareceu sem graça por alguns segundos, até recuperar a postura e falar um pouco mais sério, mas ainda tranquila. — Me lembre de, se algum dia a gente se encontrar por aí, eu te levar.

— Está me convidando para um encontro? — perguntei, esperando pela sua reação. Eu poderia estar adiantando demais as coisas mas, na situação, eu me sentia atrasado, como se o tempo todo tivesse indícios de um flerte e eu não percebesse. Devia ser só curiosidade dela porém meu coração bombeador de sangue era iludido demais.

— Entenda da forma que quiser.

Ok, eu não esperava por essa.

— Então quer conhecer melhor esse garoto aqui? Tem certeza? — bem, era de se esperar minha insegurança. Quase não tinha amigos aqui, talvez minha falta de prática com o italiano, meu cabelo azul de sorvete ou minha mania de olhar bem fundo nos olhos das pessoas as assustassem, não era culpa minha. Tia Dara sempre dizia que eu era intenso e que isso intimida, mas eu não me considero assim, só sou alguém que gosta de conhecer e viver os momentos que a vida fornece, desde biscoitos que acabaram de sair do forno até uma maratona. Talvez uma certa escuridão pairasse sobre mim, mas ela não era ruim, não ao meu ver.

— Estou intrigada com você. — confessou, demonstrando sua curiosidade por seus olhos incrivelmente claros. Isso só me fez querer conhecê-la melhor.

Em algum momento minha mente deve ter decidido sem a minha permissão imaginar uma cena engraçada apenas para que o pouco clima que havia se dissipasse como o aroma do chocolate quente. Thainá me olhava sem entender nada enquanto eu me contorcia em risadas.

— Eu juro que não foi intencional, mas pensei em um saco de trigo caindo em você. — parei um pouco pra respirar, mas comecei a rir outra vez descontrolado, vendo ela negar, claramente com vergonha alheia de mim. Não julgo, eu também teria no lugar dela. — Desculpa, eu não consigo ser maduro.

— Você é inacreditável... — revirou os olhos, se deixando levar pela minha risada contagiosa. — Bem, já que estamos no assunto de nos conhecer melhor, me diga um pouco sobre você também, não vou sair com um completo e querido desconhecido.

— Ei! Me senti levemente ofendido agora, querida Thainá. — era mentira, óbvio, mas talvez eu realmente tenha feito cara de bravo ou inflado as bochechas (o que não me deixa nem um pouco intimidador), já que recebi um "que fofinho!" vindo dela. Não, eu não sou fofo! Não sou... Droga. Cadê sua pose de roqueiro, Taehyung? Eu me sentia desarmado e incrivelmente isso não me incomodava. — Ahn... Tá. Meu nome é Kim Taehyung, tenho vinte e quatro anos, sou calmo, um playboy, acompanho bastante coisas de moda, gosto de apoiar causas a favor da natureza, amo plantinhas, sei tocar saxofone, as vezes pinto quadros, gosto de tirar fotos, meu gosto musical vai de pop até jazz e rock anos 80, tenho uma tatuagem no ombro direito, gosto de tirar fotos e não costumo ver a previsão do tempo nos telejornais.

— Minha nossa, nem me deu tempo de pensar. — riu. — Ok, tenho vinte e três anos, também sou calma, gosto de plantinhas e meu gosto musical é bem eclético, e bem, também não vejo a previsão do tempo como pode perceber. — pousou a xícara novamente no braço do sofá, acho que já havia terminado de tomar. — Mas qual o motivo de sua ilustre presença nesse país tão distante de sua terra natal?

— Não tive muita escolha, fui praticamente sequestrado mas foi igualmente divertido. — contei, lembrando vagamente de quando cheguei nesse continente e país. — Gosto de me arriscar nas possibilidades e acabei parando aqui digamos que por sorte. Fiz um concurso de uma universidade tem dois anos, passei e estou cursando fotografia durante as manhãs, então aproveitei a estadia da tia Dara e trabalho por aqui as tardes.

— Uau, então além de burguês e florista, também é fotógrafo? — perguntou rindo. Me senti falsamente ofendido com o burguês e fiz questão de mostrar, claro que era brincadeira. — Você parece mesmo gostar das artes.

— Ah, não tanto quanto queria, se pudesse dedicaria todo meu tempo para aprender sobre isso, mas as flores também precisam de mim. — sorri ao pensar nos meus bebês criadores de oxigênio. — E você?

— Como você, eu também gosto muito de arte. Vim do Brasil como intercambista pra concluir minha faculdade de artes aqui.

— Então você dedica todo o seu tempo para aprender sobre isso? — perguntei estupefato e ela acenou positivamente. — Te invejo.

— Ah, não é tão fácil quanto parece, viu... — acabei não ouvindo muita coisa mais, minha mente se focou apenas na forma em que a garota gesticulava e falava, animada. Ela tinha um brilho tão sincero no olhar, algo tão difícil de se perceber nas pessoas hoje em dia que eu não queria deixar de lembrar, se pudesse eu registraria com minha máquina fotográfica para guardar como uma das mais lindas recordações que tinha. — 'Tá tudo bem, V?

Acordei dos devaneios – que costumam acontecer com frequência mesmo – quando vi que ela havia parado de falar e agora só me olhava, esperando por minha resposta. Talvez eu estivesse observando demais... Ok, eu sei que estou sempre observando tudo, mas ninguém é obrigado a saber ou gostar disso. Preciso acabar com essa minha mania... Mas é igualmente complicado quando a pessoa a sua frente é tão bela a ponto de você não querer nem mesmo por milésimos de segundo fechar os olhos.

— Desculpa. — pisquei os olhos repetidamente pra tentar voltar ao normal, eu precisava me controlar. Decidi mudar de assunto para que ela não percebesse. — Eu sei que sou curioso demais e não devia perguntar isso, mas não vou conseguir aguentar, eu preciso perguntar mas não quero parecer intrometido!

— É sobre eu estar parecendo um carro alegórico de tão brilhante? — concordei e ela passou a mão despreocupadamente no cabelo, como se fosse normal ser linda daquele jeito e não afetar ninguém. — Longa história...

— Pode me contar se quiser, amo ouvir histórias e as mais variadas loucuras que a vida apronta. — falei, recolhendo as xícaras e as deixando na pia.

— Você é bem diferente. Tô começando a gostar do seu jeitinho. — minha sorte e maldição era estar virado de costas pra ela. Sorte por ela não ver o quanto fiquei feliz e envergonhado, e maldição porque não poderia ver sua expressão ao falar isso. Apenas ignorei meu lado curioso e prestei atenção ao que ela dizia. — Bom, foi um projeto de fotografia da faculdade, meu grupo fez como se fôssemos o universo, sabe, como se cada um do grupo fosse parte de um universo ou tivesse um universo dentro de cada um e, bem, de uma forma ou outra, sempre deixamos transparecer um pouco dele.

— Achei bem interessante, e como foi? — voltei a me sentar ao seu lado.

— Hoje de manhã nós montamos o estúdio e fizemos as fotos baseadas em qual astro inspira a personalidade individual de cada um, no meu caso eu fui o Sol. — sorriu ao falar disso. — Deu pra perceber, né?

— Juro que não tinha reparado...

— Para de ser sarcástico! — brigou, mas sabia que não era sério.

— Ok, sem comentários irônicos. — levantei as mãos em rendição. — Mas essa ideia pareceu tão legal, por que então a tristeza?

— Então, algumas pessoas acharam infantil demais, e outras disseram que eu não combinava com amarelo, que esse papel deveria ser de outra pessoa.

— Porquê não combinaria?

— Deve ser por eu ser negra, sei lá. Algumas pessoas têm dessas de achar que amarelo não combina com minha cor, que coisas tumblrs foram feitas só pra pessoas brancas, pipipi popopó e todo aquele papo de moda que eu não ligo. — falou, mas acabou se culpando por algo, vi que ela arregalou os olhos. — Sem ofensa.

— Não me sinto ofendido, na verdade eu concordo com você.

— Sério?

— Sim ué, todo mundo sabe que existe a "tabelinha de privilégios", mas a maioria fecha os olhos e finge que não existe. — comentei. Eu costumava ler bastante sobre esses assuntos quando tinha tempo. — Sei que é clichê, mas você não deveria ligar pra esses comentários maldosos, é tudo inveja da sua beleza angelical. Se isso persistir ou for agressivo demais, você pode denunciar.

— Prefiro esquecer essas coisas, não acrescenta em nada na minha vida mesmo. — disse, mas eu senti um pouco de mágoa em suas palavras. Queria não reparar nessas coisas mas eu não consigo, faz parte de mim observar. — É um pouco difícil, mas eu ligo o "dane-se" na maior parte do tempo. Não preciso dessas opiniões, eu tenho a mim mesma.

— Faz bem. Esses loucos não sabem o que falam.

— Espero que os professores tenham uma opinião diferente. — suspirou. — Quero minha nota verde no boletim.

— Se forem bons professores e se forem boas pessoas, terão.

— Torcendo pra que você esteja certo. — dando outro suspiro, virou-se para mim ainda no sofá. Seu olhar deixou de demonstrar tristeza e migrou para uma genuína curiosidade, que imaginei ser sobre minha pessoa. Ela parecia querer me compreender como se eu fosse uma de suas obras de arte, e como eu queria ser mesmo naquele momento. — Mas então... Não sou só eu que estou com um cabelo diferente...

— O meu azul? Foi uma aposta com a tia Dara. — sorri e passei ambas as mãos no cabelo aproveitando para jogá-los pra trás, minha franja as vezes incomodava meus olhos. Ok, talvez eu quisesse saber como Thai iria reagir, não era possível que só eu estava caído de admiração – ou era. Queria estudar suas reações, saber se eram coisas da minha cabeça ou ela realmente poderia me dar uma chance um dia. Falando nisso... — Mas essa história você só vai saber quando a gente sair oficialmente.

— Golpe baixo. — cruzou os braços.

— Sou apenas um jogador, querida Thainá.

— E eu a Gretchen, conta outra. — revirou os olhos e eu ri, na verdade não sabia o que ela quis dizer mas achei a palavra engraçada. — Você tem essa pose de garoto badboy com humor peculiar mas sei que é um nenenzinho indefeso no fundo.

— Que calúnia! — brandei. — E você que parece ser toda fofinha e doce, e do nada mostra ser uma mulher decidida e forte? Não consigo lidar com essa dualidade.

— Então é isso o que acha de mim? — perguntou e eu não soube bem o que responder. Eu achava tantas coisas, achavam demais... Haviam muitas informações no meu cérebro que se misturavam e nublavam meus pensamentos.

— Eu não sei o que achar, na verdade. Você demonstra ter vários lados, alguns mais frágeis, outros mais resistentes, outros mais alegres... Eu fico curioso com tantas versões.

— Então você gosta de observar?

— É inevitável.

— É estranho dizer isso, mas você está certo. — observou, olhando para o nada. Não sei se era apenas impressão minha, mas ela agora parecia evitar meu olhar. — Admito que posso ser diferente com cada pessoa, dependendo de como ela me faz sentir. Eu costumo dizer que não preciso de outras pessoas porque sou dona do meu próprio castelo, sendo assim, posso ser uma rainha tanto quanto uma guerreira ou feiticeira, depende do momento.

— Certíssima. — concordei. — Mas só pra saber... Ainda está aceitando visitas de príncipes?

— Talvez. Se acha um príncipe?

— Talvez eu seja um, mas devo estar mais para um duque. — sorri, sugestivo. — Quer descobrir?

— Você tem uma língua bem afiada, viu?

— Você fala como se não fosse igual a mim.

— Eu sou. E é isso que me assusta. — falou um pouco mais baixo, tão envergonhada quanto admirada. Eu também estava, acostumado sempre a quebrar o clima tenso ou provocar, mas não acostumado a falas sinceras ou respostas à minha altura. Inconscientemente percebi que estávamos bem perto. — No começo eu estava com medo de você, sabe, você parecia um cara bem intimidador. — me peguei surpreso com sua revelação. Então eu parecia um cara mau? — Mas... Você me deixa... Não sei explicar. Quer saber, eu te odeio, você é extremamente interessante, legal e bonito, sua existência deveria ser proibida.

— Se a minha for, a sua será também. — me aproximei mais, provocativo, mas acabei me perdendo totalmente em seus olhos como nevoeiros. Mesmo que eu tentasse, não conseguiria ser o Taehyung imponente que ela havia imaginado. — Nunca vi alguém tão linda e incrível como você.

Ficamos em silêncio.

Um longo silêncio.

A chuva continuava a cair firme lá fora.

Talvez não houvesse o que ser dito, apenas precisávamos sentir. Acho que, sem querer, fizemos declarações um sobre o outro que poderiam ser consideradas íntimas demais para quem se conheceu há algumas horas, e de uma forma inédita, pra retificar.

Bom, isso era pra causar um clima estranho entre nós, mas estava nos aproximando? É, estava. Foi como se só faltasse isso para que pudéssemos confessar que sim, estávamos nutrindo sentimentos ali, mesmo que em pouco tempo, novos e confusos. Bastava agora um mínimo sinal para que tudo se firmasse. E ele veio, em forma de braços me envolvendo aos poucos em um pedido silencioso, ao mesmo tempo que meu ombro se tornava um porto seguro. Thainá estava, agora, se aconchegando a mim, como se procurasse por meu abraço. Eu fiquei meio embasbacado por alguns segundos antes de retribuir seu afeto, passando meu braço por cima de seu ombro e a acolhendo. Era estranho, mas... Bom? Difícil definir quando seu coração está a mil por hora e provavelmente a pessoa que causa essa sensação esteja ouvindo.

Teirrãn, porquê eu me sinto tão confortável com você? — perguntou, pouco depois de soltar uma risada baixa, como se todo esse tempo estivesse conversando consigo. Talvez falando mal de mim pro seu subconsciente. O meu falava mal de mim comigo o tempo todo.

— Sei lá, pode ser pelo meu charme e carisma. — falei, recebendo seu olhar de repreensão. Parei por aí? Claro que não. — Também acho que sou muito bonito, sinto até orgulho ao me olhar no espelho.

— Eu já disse que te odeio? — riu.

— E eu já disse que gosto de você? — acabei falando sem pensar, e quando vi que não dava tempo de voltar atrás, apenas respirei fundo e concentrei minha atenção nos quadros de tia Dara, que nunca me pareceram tão confusos. — Não me pergunte o porquê, mas é isso que eu sinto agora.

— Você é louco? — ouvi a voz de Thainá ecoar pela minha mente. Louco...

— Acho que sou. — deixei de olhar para o nada para observá-la. Isso, Taehyung, termine o que fez. — Isso é ruim?

— Com certeza, não. — sorriu, aliviando minha alma que já imaginava que estava imaginando coisas, que seria barrado por sentir demais. — Eu gosto disso...

De um jeito estranho estávamos próximos demais, eu, um garoto alto e magrelo com madeixas azuis cor do céu, e ela, lindamente vestida como o sol e com falsos girassóis espalhados com presilhas por cabelo cacheado. Uma dupla estranha trancada em uma floricultura esperando a forte chuva passar de uma forma bem estranha.

Que programa inusitado para uma terça a noite.

Estávamos a centímetros de distância um do outro, ainda "abraçados". Eu conseguia sentir sua respiração morna e o quanto deveria estar ansiosa, seus lábios pareciam tremer e eu sabia que não era pelo frio. Arriscado sentir se era certo dois desconhecidos sentirem tamanha atração, porém eu me sentia tão bem perto dela que para mim não havia nada de errado em querer sentir mais. Eu poderia me vestir de cavalheiro e tomar o primeiro passo, se Thai não tivesse sido mais rápida do que eu em encostar brevemente nossos lábios. Como ela mesma disse, ela era a dona do próprio castelo. Um misto de sensações me invadiram sem permissão, trazendo o choque de dois oceanos tempestuosos ao mesmo tempo que eu me sentisse saindo da escuridão, me sentisse calmo, me sentisse vivo.

Pude sentir um doce sabor de chocolate assim que o selinho se desprendeu, mas não durou muito tempo até que eu tomasse seus lábios novamente, em algo calmo e quente. Era bom sentir seus toques, sua aura, os sentimentos bons que ela passava e que inundavam meu peito de forma avassaladora. Era como mergulhar no mais alto oceano e simplesmente aproveitar a paz antes de se afogar completamente. Era tranquilo, sereno, profundo, acolhedor, morno, entre muitos outros adjetivos que não chegariam nem perto de explicar.

Sim, o melhor beijo de minha vida, sem sombra de dúvidas.

Pude, então, finalmente acariciar seus cabelos sentindo meus dedos formigarem, não só por estar realizando algo que desejava desde o primeiro minuto que a vi, mas também pela leve mordida que levei em meu lábio inferior, que me desfez por completo. Abrir os olhos e ver seu sorriso sapeca enquanto mantinha minha boca presa entre seus dentes foi como jogar querosene em um corpo já em chamas, dando a ele liberdade de queimar sem medo, de incendiar. Iniciar um novo beijo sem medo de errar, de encostar, de colidir, era maravilhoso. Saber que ela me permitia isso, que me permitia conhecer essa versão... Era tão lindo e instigante, além de que ela poderia conhecer a mim e tirar suas conclusões sobre o que sentia. Eu já havia tirado as minhas, e todas elas envolviam me deixar levar por essa onda de coragem em desvendar seu castelo, sua alma, viver cada uma de suas versões.

Quando paramos, não pude conter o sorriso que surgiu, ela também não. Estávamos felizes, sem motivo, sem precedentes, só felizes. Era tão gostoso saber que fluiu de uma forma tranquila, mesmo que as vezes eu ficasse nervoso ou com medo. Acho que sou mesmo um bebê indefeso dentro de uma carcaça de cara mau.

Entre pensamentos e outros, Thainá voltou a se recostar em meu peito, que ainda não havia se acalmado o suficiente para outra demonstração de afeto daquele porte. A forma como buscava carinho, como sua respiração soava calma, os dedinhos que brincavam com os rasgados de sua calça, nem parecia a mesma garota atrevida de minutos atrás. Eu estava de frente a sua versão fofa novamente, como se a conhecesse desde sempre.

Ah, era crueldade demais que fosse tão dual assim...

Permanecemos abraçados nessa forma única durante um tempo que não pude cronometrar graças a estar distraído demais recebendo seus carinhos em meu cabelo. Ao mesmo tempo que os minutos pareciam passar, eles também pareciam congelados, eu com certeza diria que o mundo estava congelado se as gotas desiguais da chuva não estivessem presentes acertando as janelas, mais e mais fracas.

Não sei dizer se nos minutos seguintes minha mente se desligou da realidade ou se eu havia dormido. A segunda opção pareceu mais verídica, pois meus olhos estavam pesados e meus lábios deixaram escapar um bocejo. Ouvi uma leve risada ecoando pelo ambiente, que me derreteu mais ainda que o sono. Somente ignorei e fechei novamente os olhos, sentindo o cheirinho gostoso de seu perfume.

— V... Acho que parou de chover... — comentou, baixinho, com a voz pesada. Respirei fundo ao não mais ouvir o som característico da chuva. Bem, em algum momento ela teria que acabar, não é?

— Isso quer dizer que eu não tenho mais motivos pra te manter aqui comigo, não é? — senti uma leve dorzinha no coração quando ela pareceu confirmar. Mas, talvez, ela estivesse tendo uma ideia pela forma que me olhou e levantou, sorridente. Ah, eu nunca me cansaria de admirar esse sorriso... Nunca me cansaria de tamanha beleza.

— Você pode dizer que está muito tarde para uma dama sair e quer acompanhá-la.

— Achei que fosse dona do próprio castelo. — provoquei.

— Achei que fosse um cavalheiro. — rebateu, me deixando perplexo. — Ponto pra mim.

— Injusto.

— Eu sou apenas uma jogadora, V. — piscou, jogando seus cabelos ao ar.

Está bem, ela me calou direitinho.

Antes de sairmos e com a santa paciência de Thai, ajeitei algumas poucas coisas desorganizadas na floricultura para que tia Dara não comesse meu fígado com cebolas na próxima manhã. Então, pegando seu moletom amarelo e eu meu boné preto, deixamos meu paraíso florido para trás, andando em passos lentos pelas ruas molhadas – era perigoso andar de bicicleta com a pista escorregadia, então decidi empurrá-la – com o vento gélido indo contra nossos corpos. Um cenário triste que havia sido tomado pelo som alegre das risadas de Thai cada vez que compartilhávamos algo engraçado sobre nossas infâncias ou ainda sobre nossas vidas de jovens tentando conquistar algo do mundo em várias e falhas tentativas. Um cenário triste que havia sido tomado pela sua companhia. Ela era apenas um girassol (não por estar praticamente vestida como um, isso era só um coincidente detalhe), não só absorvendo a luz do Sol, mas irradiando sua própria luz, iluminando meu jardim.

Com certeza a flor da vida havia jogado pólen na minha cara, me dizendo claramente que eu deveria cuidar muito bem dessa flor tão rara. Talvez eu tenha encontrado meu ídolo sem precisar de ir no Starbucks, até porque, ela veio até mim, preciso agradecer a chuva e ao chão escorregadio da floricultura por me permitir conhecer uma das melhores pessoas que eu poderia. Agora estávamos nós, rindo pelas ruas escuras de Florença como adolescentes sem medo do que a vida poderia aprontar.

Queria que nascesse algo de nós, queria que esse jardim fosse lembrado. Não queria que fosse um sentimento de apenas uma noite, queria que nossa genialidade se cruzasse por aí e nós nos colidíssemos como dois planetas presos na mesma órbita. Bem, o resultado disso seria o caos, mas não é como se dentro de mim já não houvesse um. Mas, quem sabe pudesse florescer um girassol em mim, não é? Eu gostaria de me mover para sua luz, sair de minha escuridão, conhecer seu mundo e apreciá-lo.

Fui guiado por Thainá até a fachada de seu prédio, onde nos despedimos com a promessa de que iríamos nos encontrar qualquer dia. A ida ao Starbucks estava de pé, tínhamos mais um do outro para descobrir, e bem, minha jaqueta ficou com ela e eu não paguei tão caro pra perdê-la com poucas vezes de uso. Ok, eu sou realmente um burguês.

Um último selinho marcou o fim de nossa noite juntos. Foi aí que, mergulhando pela última vez em seus olhos e sentindo suas pequenas e quentes mãos segurarem as minhas, percebi que não queria deixá-la, mas o fiz, sem olhar pra trás. Da mesma forma que o vento traz o pólen para fertilizar os campos de flores, ele me levaria de volta até ela.

Refiz o caminho de minha casa sem conseguir parar de pensar nisso. Em seus olhos acinzentados como nuvens de céus nublados, sua risada contagiante e fofa, seus cabelos black power – com mini-girassóis, não tem como não amar – que lembravam minhas músicas favoritas dos anos 70, seu jeito carinhoso e maduro, seu beijo – melhor nem descrever –, seus toques sentimentais, sua voz melodiosa, seu sorriso que poderia tirar quem quer que fosse de sua escuridão. Ah não, Teirran, você está caindo de amores pelo sorriso dessa garota. Me matem agora, agrotóxicos!

Acho que estou perdendo o jogo por ela, mas isso não deveria ser uma competição. Creio que mesmo que eu perca, acabarei ganhando algo, como um amor ou um coração partido. Espero que, com todas as duas, eu possa finalmente encontrar meu lugar.

Vou aguardar para ver o que o destino travesso reserva, a mim, um querido estranho, e a ela, meu mais novo girassol preferido.

 

[end...?]

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Olá cubinhos de açúcar! Como estão??

Aqui está um presentinho que prometi a uma pessoa muito especial que conheci aqui, e que como eu, tem por refúgio as letras (além de por vezes precisar me aguentar chegando na dm dela do nada no meio da noite como uma doida kkkkk). tatakgguk espero que goste!!! Foi feito com muito carinho❤❤

Pela primeira vez eu me aventurei em uma fanfic AMBW, que são histórias entre mulheres negras e homens asiáticos. Apesar de ter feito algo parecido em Gucci's Boy, nela eu não deixo muito explícito o físico da personagem principal, pelo motivo de que queria que qualquer pessoa se sentisse representada por Beatriz, seja branca, negra, amarela, indígena, morena, entre outras mais. Bem, eu gostei bastante dessa temática (até porque sou negra e gosto muito de histórias onde somos representadas) e quero trazer ela novamente! THAI CHEGOU NOSSO MOMENTO!!!

A todos, todas e todes que chegaram até aqui, muito obrigada por me acompanharem, espero que tenham gostado da história❤

Até logo!!😘

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