SILENT
Se havia algo que Bangchan não suportava, era o silêncio.
Infelizmente, o silêncio era exatamente o que seus dias eram, desde que era apenas seu pai e ele, preenchia todos os cômodos até que não houvesse mais espaço para respirar. O silêncio parecia eterno, apenas sendo interrompido pela breve troca de palavras entre os dois, isto é, se o pai decidisse ouvir. E quando apenas fechava seu mundo através de fones de ouvido.
Embora o silêncio parecesse melhor do que a alternativa, as brigas eram muito piores, ele já estava farto disso lidando com seus pais.
— Era pior quando eles estavam juntos — Ele se lembrava de ter dito uma vez para Felix.
Chan abriu a porta da frente ridiculamente grande e entrou na sala vazia. Seu pai tinha saído dois dias atrás e ainda assim parecia um mês, não que isso o incomodasse, ele podia ser uma verdadeira dor às vezes - na maioria das vezes. Sua mochila caiu no chão de madeira em um lance rápido quando ele entrou na cozinha e abriu a porta da geladeira. Cheio de comida, mas ainda sem motivação para cozinhar nada. Claro, ele poderia pedir alguma coisa, mas ele não estava com tanta fome de qualquer maneira. Ele franziu a testa, fechou a geladeira e sua pulseira refletiu as luzes da cozinha. Ah sim. Sua pulseira da amizade. Dada a ele em um festival por Hyunjin que jurava odia-lo e disse que o presentear era demontrar que era bom demais para o mundo. Isso foi uma daquelas reviravoltas dramáticas em sua vida que na verdade acabaram sendo bastante divertidas e simples. A forma dos dois de ser era estupidamente semelhante ao relacionamento de Seungmin e Changbin, exceto que não tinha pegação sem vergonha e era um milhão de vezes mais emocionante as brigas.
Ele não gostava nada de chamar atenção comparado a eles. Mesmo que seu sonho seja ser um grande artista. Seus colegas achavam que ele era realmente bom nisso, até mesmo seu antigo professor pensava assim.
E ainda assim, havia aquela sensação pesada em seu peito, as palavras de seu pai correndo dentro de sua cabeça repetidamente. Ele não podia confiar neles, não podia baixar a guarda, isso o deixaria fraco. Vulnerável. Ele estava sozinho.
Bangchan passou a mão pelo cabelo escuro, todo mundo sempre dizia que ele tinha o cabelo do pai, ele sempre se parecia com ele, como aquele que o deixou sozinho naquela casa grande idiota com seu dinheiro idiota, tipo...
De repente, um som alto e pesado interrompeu seus pensamentos. Ele sentiu sua alma deixar seu corpo enquanto o som se repetia, desta vez um pouco mais suave. Não era como se algo tivesse caído, as coisas simplesmente não caem assim. Seu pai tinha todos os móveis parafusados nas paredes e no chão assim que a mãe ganhou o hábito de virar tudo de cabeça para baixo sempre que discutiam. Chan deu um passo para trás, seus punhos fechados e mandíbula apertada na mesma postura que ele sempre tinha quando as coisas ficavam perigosas. Ele apertou os lábios em uma linha fina e sentiu cada músculo de seu corpo protestar novamente contra a sensação de medo em seu coração. Ele tinha que fazer alguma coisa, pelo amor de Deus, ele pode ser um adolescente comum mas as sessões de musculação e aulas de artes marciais terian que servir.
Ele deu um passo à frente, depois outro, e mais outro, até que estava subindo silenciosamente as escadas com cuidado suficiente para não fazer barulho. O baque alto desapareceu assim que apareceu e isso tornou o silêncio repentino ainda mais enervante. Passando a mão pela parede, ele se ajoelhou diante do corredor e escutou. Um tipo de arma poderia ser útil agora. Cinco segundos se passaram antes que ele percebesse a discussão silenciosa dentro de uma das salas, como se os intrusos tivessem cometido um erro e agora estivessem lutando para manter a voz baixa. Felizmente, eles eram altos o suficiente para cobrir seus passos enquanto ele se aproximava da fonte da luta. Quarto dele.
— Isso foi uma má ideia — Uma voz estridente veio de dentro da sala, embora tenha sido cortada por uma pessoa diferente que ele não podia ouvir. — Temos que sair daqui, vamos. — Disse o primeiro.
Ele baixou os passos e parou em um lado da porta.
— Cara, calma — disse o outro. —Não é como se estivéssemos fazendo algo ruim.
— Ah, não me chama de 'cara'. Acabamos de invadir uma casa!! — O primeiro protestou. — Hyunjin, por favor.
Naquele exato segundo, Bangchan reconheceu exatamente de onde ouvira aquelas vozes antes. Alguém poderia pensar que depois de viver situações de rotina com certas pessoas, você reconheceria suas vozes imediatamente, mas ele não era tão inteligente. Ele abriu a porta em um movimento rápido e se sentiu mais cansado a cada segundo que passava com seus dois colegas de turma em seu quarto. O garoto loiro na frente dele esboçou um sorriso desconfortável ao ver Chan entrar na sala, ele parecia estar pegando algo em sua estante.
— O que vocês dois estão fazendo aqui? — Chanvperguntou, seu tom mais irritado do que pretendia.
O menino loiro, Hyunjin, sorriu mais uma vez, tirou algo das prateleiras e entregou a Chan. Era um vinil, um que ele não se lembrava de ter. Ele passou o polegar sobre ele.
—Como você encontrou meu endereço?
— Ah, você sabe — começou Hyunjin, afastando-se para revelar Felix metade de seu corpo para fora da janela no que parecia ser o meio de sua fuga. — Alguém me disse.— Ele riu.
— Chan! Sinto muito, muito... — Felix começou a se desculpar de maneira nervosa, as mãos apertando novamente o peito. — Tentei dizer a ele que isso era ilegal, mas ele não quis ouvir! — ele disse e pulou para dentro da sala novamente.
—Bem, isso não é algo que eu esperaria do nosso lider de equipe. —Ele brincou, ganhando um meio sorriso de Hyunjin que puxou seu coração um pouco.
Hyunjin sentou-se pesadamente na cama de Chan e ergueu uma sobrancelha para eles.
— Ei! Sou apenas seu lider no clube da escola, aqui mesmo posso fazer quantas ilegalidades eu quiser. — Ele se encostou na cabeceira da cama.
Ele segurou o disco de vinil com cuidado, e um puxão no peito o fez perceber por que ele não se lembrava. Era novo.
—Você... — começou Chan, ganhando total atenção de ambos os amigos. — Você comprou isso? Por quê?— Suas sobrancelhas se ergueram em surpresa.
— Achamos que seria um bom detalhe, já que não ficamos muito por aqui. Mas invadir não fazia parte do plano. — Felix explicou, com os braços cruzados sobre o peito e um olhar muito irritado no rosto.
— Foi você quem sugeriu que fôssemos à casa dele! — interrompeu Hyunjin, jogando as mãos para o alto.
— Eu nunca disse nada sobre arrombar, Hyunjin! — Ela passou as duas mãos pelo cabelo em um gesto irritado. — O que eu queria dizer é que todos nós achamos você muito legal e adoraria sair mais com você.
Chan olhou de seu vinil para Felix e de volta, uma sensação de calor em seu peito ficando cada vez mais quente. Eles queriam ser seus amigos. Tipo, seus amigos de verdade. Hyunjin riu baixinho e os olhos de Chan foram direto para ele.
—Sim, Felix queria tanto dar a você que ele basicamente me arrastou para isso.
O garoto de cabelo azul engasgou alto e sorriu com os olhos apertados.
— Eu disse que era uma boa ideia, mas foi você quem teve a ideia!
— Bem, você sabia exatamente qual tínhamos que comprar! — Hyunjin retrucou, estreitando os olhos também.
— Bem, você comprou! — Felix respondeu, e Hyunjin ficou quieto.
Chan olhou diretamente para o garoto loiro, derrotado e estranhamente corado enquanto procurava uma resposta em vão. Sem saber, as bochechas de Chan começaram a ficar rosadas.
— Ok, eu admito. talvez tenha sido idéia minha. — Hyunjin finalmente respondeu, logo antes de cair na gargalhada.
Seu rosto brilhando como o sol e seu corpo inteiro tremendo como se estivesse rindo também. Chan o encarou pelo que pareceram séculos, seu coração aquecido com uma sensação diferente e seus ouvidos queimando. Ele gostava dele, não é?
Ele olhou para Felix apenas para descobrir que ele o encarava de volta, seus olhos tinham um certo olhar de ternura que confirmava seus pensamentos. Chan voltou os olhos para o chão enquanto procurava por suas palavras.
— Vocês querem... pedir alguma coisa? Para comer? — Ele perguntou, pondo fim à alegria de Hyunjin e depois ganhando respostas muito animadas de ambos.
Bangchan saiu da sala e encostou-se pesadamente na parede, seu rosto todo queimando em vermelho e sua cabeça cheia de pensamentos sobre um ser cabelos loiros. Deus. Ele gostava dele.
Mas talvez.
Talvez esses pensamentos fossem melhores do que o silêncio.
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