48. Someone tell me what should I do
Cerca de alguns minutos em completo silêncio decidi desviar minha atenção das luzes da cidade para focar no que realmente importava naquela situação. Já que não adiantava esperar que alguém aparecesse magicamente para me salvar, eu precisava fazer isso sozinha, mesmo que não soubesse exatamente como.
— O que está fazendo?
— Minhas mãos estão doendo. — resmunguei me remexendo no banco do carro ao lado de Hendery.
— Não tente nenhuma gracinha, ok?
— sua voz séria me fez apenas acenar positivamente com a cabeça enquanto sentia a aceleração do veículo diminuir até parar completamente.
Observei o nosso ao redor e notei que estávamos estacionados no início da ponte que nos conectaria ao outro lado da cidade, logo ao prédio empresarial de nossa família. Não sabia ao certo quais passos deveria seguir, mas tinha consciência de que teria que me arriscar caso quisesse encontrar os outros garotos.
— Ah, pode consertar meu vestido? Acho que ficou preso e não consigo soltar. — comentei fazendo contato visual suficiente para faze-lo acreditar no que acabara de dizer.
— Não se mexa. — Hendery ordenou saindo do carro e dando a volta até minha porta.
Respirei fundo várias vezes repassando todas as possibilidades que poderiam acontecer a partir de agora considerando o avanço de meu plano. E assim que minha porta foi aberta o cronômetro se iniciou.
— Obrigada. — demonstrei um sorriso artificial antes de puxar a bainha de meu vestido para dentro do carro, com o objetivo de parecer ações inocentemente normais.
— Não temos a noite toda para isso, espera o que está-
— Não ouse encostar em mim! — gritei assim que abri novamente a porta do veículo atingindo exatamente seu corpo antes que pudesse desviar.
— Ya, sabe que não irá fugir de mim, não é? — olhei para trás segurando a vontade de voltar e joga-lo no meio da pista, e então continuei a correr segurando a bainha de meu vestido, moderadamente comprido, para que não atrapalhasse meus passos.
— Droga. — resmunguei assim que senti meus pés afundando, forçando-me a parar para tirar os saltos que ainda calçava.
Aproveitei para olhar para trás por breves segundos para me situar acerca da localização de Hendery, mas tudo que eu enxergava era seu carro estacionado mais ao fundo, sem qualquer sinal de seu paradeiro. Ignorei aquela situação continuando a percorrer descalça aquele caminho que tinha marcado toda minha vida, conectando dois mundos excepcionalmente catastróficos.
— Acho que está na hora de pararmos por aqui. — encarei horrorizada a mão que surgiu de trás de uma das pilastras da estrutura da ponte, e logo me arrependi de não ter ido para o outro lado.
— Tire suas mãos de mim. — resmunguei aflita enquanto tentava soltar uma de suas mãos de meu pescoço, e no mesmo instante meu corpo era empurrado para trás de encontro às grades metálicas de proteção.
— O que te faz pensar que escapará de mim? Sabe que não tem escolha.
— Hendery parecia determinado em mostrar sua aura doentia quando seus dedos apertaram com mais força minha garganta, garantindo que não havia mais escapatória.
— Por favor, não-
Tossi sentindo as lágrimas salgadas deslizarem por minhas bochechas até minha boca, evidenciando o que deveria estar apenas dentro de mim. Mostrando o quão fraca eu realmente era, sendo controlada e manipulada por todos que enconstavam em mim.
— Seu tempo acabou, Bo-na. — Hendery sussurrou sem desviar nossos olhares.
Fechei meus olhos com força quando senti que poderia cair daquele lugar com um único empurrão, e assim eu não teria que me importar com mais nada, pois teria perdido tudo. Sem forças para lutar, decepcionando aqueles que confiaram em mim, relacionei todos os momentos em que desejei realmente chegar ao final da linha mais cedo do que o esperado, e talvez, aquela fosse a minha hora. O fim de uma jornada que não pude aguentar.
— Quantas vezes preciso falar para as pessoas que não é seguro ficar próximo às grades? — uma terceira voz surgiu atrás de nós e não tive outra reação a não ser encarar atônita sua silhueta.
— O que está fazendo aqui? Perdeu o caminho para-
Antes que Hendery terminasse de falar suas mãos soltaram meu corpo quando seu rosto foi atingindo sem dó por um soco certeiro.
— Ten! — gritei com toda a força que conseguia, agarrando minha garganta dolorida enquanto corria de encontro aos garotos atracados no chão.
— Bo-na, precisamos ir resgatar nossos garotos. — Ten segurou Hendery pelo colarinho de sua blusa largando-o atordoado em seguida.
— Nossos garotos? — encarei confusa seu comentário, esquecendo rapidamente do que havia acabado de passar quando peguei o capacete de sua mão afivelando-o em minha cabeça assim que alcançamos sua moto.
— Eles levaram Sicheng e Xiaojun.
— Ten resmungou para si, acelerando seu veículo com toda a pressa que conseguia.
— Ten, como conseguiu me achar?
— Esqueceu que esses vestidos possuem chip de transmissão?
— Isso teria sido útil se eu soubesse.
— revirei os olhos, abraçando sua cintura conforme a velocidade do tráfego aumentava.
— Agradeça mais tarde, ainda temos alguns problemas para resolver.
— Obrigada, Ten. Acho que temos uma dívida a partir de agora.
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