47. Black dress
Correndo com a consciência de que não só minha vida dependia disso, consegui alcançar o apartamento onde o restante dos garotos provavelmente ainda estaria.
Subi as escadas pulando os degraus e logo parei meu passos voltando a me encostar na quina da parede, tendo visão de uma figura encapuzada na porta do apartamento que eu teria que entrar. Cogitei a possibilidade de ser alguma visita dos vizinhos, mas confirmei minhas suspeitas quando reconheci o rosto de Handery, que encostado de braços cruzados no portal de entrada, parecia não ter intenções de sair dali tão cedo.
Ele está atrás de mim? Os garotos ainda estão ali?
Antes que eu pudesse ter mais dúvidas, senti duas mãos me virarem de costas para a parede tapando minha boca com um pano que abafava minha respiração, e sem conseguir enxergar quem era apenas senti uma forte sonolência dominar meu corpo, desligando completamente qualquer resistência que eu poderia ter.
Minha cabeça doía mais do que o normal quando senti fortes tonturas sem nem mesmo abrir os olhos. E logo soube que não estava onde deveria estar.
O ambiente escuro que me circundava tinha suas expressões vazias e majoritariamente macabras, como se eu estivesse dentro de uma casa de boneca de uma criança maníaca.
— Acordou mais cedo do que eu esperava.
— Por que está fazendo isso?
— Acho que já deve saber o motivo, não? — Hendery sentou-se na poltrona a minha frente cruzando suas mãos entre si.
— Não, nada que eu consiga pensar justifica suas atitudes. — retruquei ajeitando minha postura na poltrona onde eu estava a pouco tempo desacordada.
— Minha mãe deu a vida para que eu estivesse aqui, e não pretendo decepciona-la. — Hendery murmurou continuando encarando sigilosamente cada movimento que eu fazia.
— Mesmo que estrague a vida daqueles que eram próximos a você?
— levantei uma sobrancelha encarando-o da mesma forma descontente.
— Mesmo que eu tenha que trair todos que confiaram em mim. — o garoto a minha frente cerrou seu maxilar desviando seu olhar para a janela do quarto, visivelmente incomodado com nosso diálogo.
— Você teve várias chances, e decidiu ficar contra nós. — comentei, sabendo que apesar de não conhecer toda sua história e o motivo para ter escolhido um caminho diferente do nosso, não podia simpatizar com um cara que chegou a me sequestrar para satisfazer sua ganância.
— Só estou fazendo o que é necessário, e você, como herdeira dos Kim, deveria fazer o mesmo. — seu olhar retornou a mim, e sem esperar apenas desviei a atenção para meu corpo.
— Por que me trouxe aqui? — indaguei, observando cada detalhe idêntico ao do dia em que noivaria com Ten. Aquele vestido preto que deveria estar destruído estava novamente contornando minha silhueta, e aquilo em todas as perspectivas me assustava.
— Está na hora de terminarmos o que começamos. — Hendery se levantou puxando meu braço em direção à porta do que eu presumia ser de seu quarto.
— Não vai sair impune dessa bagunça.
— Estaremos casados amanhã, não preciso me preocupar com isso. — resmungou tendo certeza de que meus pulsos ainda estavam presos por uma braceleira.
— Não, eu não vou me casar com você!
— Por que precisa dificultar as coisas? Não é tão simples aceitar seu destino?
Assim que chegamos dentro do elevador que já se encontrava parado no nosso andar, minhas costas foram de encontro à parede metálica em consequência ao empurrão que Hendery me dera com seu corpo colado ao meu. Tendo confiança o suficiente para esbanjar seu poder com atos que mostrariam o quanto era capaz de fazer o que fosse preciso para vencer.
No entanto, aquelas coisas nunca me intimidaram. Crianças mimadas não nasceram para reger a nação, e ninguém mudaria isso.
— Você é destinada para isso, assim como eu sou. — Hendery soprou meu rosto, segurando meu queixo com uma de suas mãos.
— Não, você não tem controle sobre meu destino. Não perca tempo brincando comigo, garotos maus se dão mal aqui.
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