41. We don't care
— Às vezes eu duvido da sua nacionalidade.
— Cala a boca. — resmunguei largando a tesoura na beirada da pia para passar a mão pelos fios escuros recém-cortados.
— Os Live action de hoje em dia são bem reais. — Ten riu encostado na porta do banheiro, observando o manusear do objeto que diminuía uma boa quantidade dos meus fios, que antes compridos, agora se alinhavam acima de meu ombro.
— Ya, eu não estou-
— Ficou bonita. — comentou vagarosamente me encarando através do espelho.
— Obrigada. — ignorei seu senso de humor deixando com que seu elogio não fosse desprezado, considerando que no momento era tremendamente conveniente.
— Mal posso esperar para ignorar vocês pedindo minha ajuda! — Sicheng passou por nós saltitando com uma embalagem de batatas nos braços, deixando nada mais do que interrogações em nossas cabeças.
— Do que esta falando? — questionei guardando os materiais que eu havia usado para meu cabelo, saindo do banheiro acompanhada de Ten, que não parecia muito contente com as ações de Sicheng.
— Ya, seu chinês alugado, quer dizer que irá nos trair? — Ten cruzou os braços na frente do garoto que sentado no sofá se esbaldava em batatas e refrigerantes.
— Trair é uma palavra forte demais, digamos que me abster de alguns problemas... — comentou com um sorriso irônico, voltando a ignorar a presença de Ten focando sua atenção na comida que tinha trazido.
— Eu falei para não falar de quem foi a ideia. — murmurei para Ten, revirando os olhos para os dois garotos que travavam uma batalha de olhares julgadores um contra o outro.
— Mas eu sempre tenho ótimas ideais! — Ten reclamou, sentando-se no sofá oposto ao de Sicheng.
— Se quase sermos deserdados e mortos for parte dessas ideias-
— Ha, está com medo de que eu te beije de novo? — Ten provocou o garoto a sua frente, abafando a risada quando recebeu um olhar mortífero de sua parte.
— Está maluco? Por pouco ainda estamos vivos, imbecil. — Sicheng não demorou para explodir com Chittaphon jogando qualquer coisa que estivesse em seu alcance na direção do tailandês.
— Aish. Até parece que se arrepende.
— Sinceramente eu estou de mudanças para qualquer lugar longe desta mula desmontada. — Sicheng se levantou sem olhar para trás, provavelmente indo pegar mais guloseimas na cozinha.
— Bo-na, olha como ele me trata, depois ainda reclamam de mim! — Ten apontou para o garoto que havia acabado de sair da sala, abraçando suas pernas enquanto esperava pelo seu retorno.
— onw, estou morrendo de pena. — Sicheng voltou dessa vez com algumas embalagens de chocolate, sem se importar em oferecer para qualquer um que estivesse em seu campo de visão.
— Agora não, por favor, tenho que me concentrar nisso daqui. — resmunguei tentando configurar o equipamente de escuta que viria a ser usado por nós mais tarde.
— Não somos as três espias demais, relaxa. — Ten riu atrás de mim.
— Sicheng! — gritei pedindo ajuda para que ele pudesse colocar Ten em seu devido lugar, sem piadas desnecessárias em momentos delicados.
— Não, minha cabeça dói só de pensar. — Sicheng mais uma vez se negava a lidar com Ten, o que não me surpreendia.
— Estão prontos? — Kun apareceu pondo sua mochila em cima do balcão em que minhas coisas estavam espalhadas.
— Cara, nós temos a Mulan, o que mais pode dar errado? — Ten questionou pegando um banquinho e sentando-se a minha frente, observando com o rosto entre as mãos o que eu fazia.
— Com você? Tudo. — resmunguei, tirando os equipamentos de fora de seu campo de visão para que eu pudesse trabalhar neles sem me importar se alguém estava acompanhando meu trabalho.
— Ok, vocês estão me ofendendo agora.
— Será que podem parar de gritar e me ajudarem? — parei de tentar conectar os fios dos fones para encarar os garotos que bagunçavam o ambiente ao meu redor.
— O que foi agora?
— Consegui. Deixem seus microfones e rastreadores ligados, não quero ninguém para trás. — falei entregando os aparelhos unilaterais para que cada um pudesse encaixar em seu ouvido, nele podiamos nos comunicar e localizarmos um ao outro sem que precisasse de nossos celulares.
— Eu vou na frente, é mais seguro.
— Kun assentiu pegando sua mochila, esperando que o resto de nós os seguisse.
— Não terá problemas se for pego?
— questionei confusa, ainda sem sair do lugar.
— Menos do que vocês, eles não se importam com alguém deserdado, é como se eu nunca tivesse sido parte daquilo. — Kun contou, sem parecer preocupado com o que realmente pudesse a vir acontecer com ele.
Há um tempo atrás eu jamais imaginaria que estaríamos reunidos novamente por minha causa, e mais do que nunca, não era só a minha história que pesava em nosso caminho. Todos ali tinham suas próprias cicatrizes e obstáculos, porém juntos poderíamos ir muito mais além.
— Desculpe, só não queria te causar problemas.
— Não se preocupe, eu estou acostumado. — Kun deixou um sorriso tomar conta de sua expressão, suavizando a atmosfera delicada que se formava.
— Ah, crianças, de que lado se põe essa touca? — Ten surgiu com uma touca preta nas mãos sem saber qual lado era o avesso.
— Está indo assaltar algum lugar, tailandês? — Sicheng riu do figurino, apoiando-se na parede de braços cruzados, esperando que saíssemos.
— Seu coração talvez, preciso de dinheiro. — Ten aproveitou-se de Sicheng para provoca-lo mais uma vez, deixando o garoto mais irritado do que estava.
— Sem toucas. — revirei os olhos pegando a touca de sua mão e jogando do outro lado do cômodo. Ten apenas me encarou boquiaberto como se eu tivesse cometido um crime, mas logo desviou sus atenção para as palmas que Sicheng batia a nossa frente.
— Está na hora. — Sicheng abriu a porta, deixando com que Kun passasse.
— Ok, estamos oficialmente em uma missão. — murmurei encaixando um boné e uma máscara, ambos pretos, deixando apenas meus olhos de fora, assim como os outros dois que também iriam sair.
— Somos agentes secretos então? — Ten perguntou assim que atravessou a porta antes de Sicheng tranca-la por dentro.
— Não, Ten.
— Que droga, vocês só mentem para mim.
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