31. Running in circles
Já anoitecia quando larguei tudo para trás correndo com o mínimo de forças que ainda preservava. Saber que meus amigos estavam bem depois de terem assinado suas próprias sentenças de morte foi aliviante. Todo esse tempo me corroendo, tentando superar o passado e encontrar um novo propósito dia após dia só foi recompensado quando eu soube que não estávamos completamente destruídos, ainda havia esperança para nós.
— Por que ele não atende? — resminguei para mim mesma andando de um lado para o outro na calçada em frente ao prédio em que Chittaphon estava morando, esperando que sua figura atendesse a ligação aos gritos.
— O que está fazendo aqui? — encarei lentamente a sombra que surgiu ao meu lado, desligando a chamada assim que o reconheci. Wong Yukhei, casado há um ano com minha irmã mais velha.
— Ah, estou procurando por Chittaphon. — sorri tentando acalmar minha euforia para o cumprimentar.
— Ele não está aqui. — respondeu enquanto ajeitava as mangas de seu paletó.
— Sabe onde ele está então?
— Ainda está na Coreia. — murmurou seriamente encontrando meu olhar confuso.
— E por que ele não estaria aqui? — questionei sem desviar nossos olhares, sentindo que havia algo mais em todo esse percurso que eu deveria saber, mas ninguém me contava.
— Te vejo depois? Preciso encontrar Gahyeon. — sorriu gentilmente evitando minha pergunta.
Yukhei mora no mesmo prédio que Chittaphon e isso era motivo suficiente para eu desconfiar de qualquer ação vinda deles, principalmente quando algum deles se metia em problemas.
— Até.
Apesar do encontro com Yukhei ter me deixado mais agoniada com o que eu estava lidando no momento, decidi continuar procurando por Ten em todos os lugares que costumávamos frequentar antes de termos que nos importar com os negócios de nossas famílias. Sempre soubemos que esse dia chegaria, no entanto nos preocupávamos em aproveitar o presente e esquecer que um dia o futuro chegaria.
— Chittaphon! Onde caralhos se meteu? — murmurei investigando todos os cantos daquela cidade enquanto subia a ponte que eu costumava passar para ir à casa de meus pais.
As luzes dos postes e dos faróis dos carros iluminavam vagamente o caminho pelo qual os pedestres eram designados a passar, por ali me aventurava correndo entre as estruturas enferrujadas com o tempo. Até chegar perto do final da construção um pequeno feixe de luz refletiu no chão a alguns metros de onde estava. Pareciam ser tênis brancos, mas não tive certeza até chegar perto o suficiente para confirma sua identificação.
Abaixei-me segurando o par de sapatos brancos que estavam virados para as grades de proteção. Analisei cada canto do calçado desde sua numeração até o pequeno detalhe de canetinha escrito 10/10 em sua lateral. Definitivamente eu sabia de quem era aquele tênis, já que eu havia feito tal arte no calçado impecavelmente limpo há alguns meses.
— Droga.
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