26. Wherever I go
— Bo-na, não deveria estar aqui.
— Eu sei.
Ignorei os avisos de minha irmã assim que adentrei a residência de meus pais, não havia ninguém na sala ou na cozinha, nem um sinal de que estavam irritados com a minha situação, parecia tudo impecável em seu lugar.
— O que pensam que estão fazendo comigo?! — gritei abrindo a porta do escritório de meu pai, sabendo que quem eu procurava deveria estar ali no meio de pilhas de papéis.
— Não sabe bater à porta? — meu progenitor questionou tirando seus óculos de leitura apoiando-os sobre sua mesa.
— Não sabem cuidar de suas vidas?
— revidei sua pergunta encarando meus progenitores sentados lado a lado como se tudo estivesse em ordem.
— Kim Bo-na, é melhor nos respeitar se quiser continuar com seu apartamento. — minha própria mãe cruzou os braços com seu tom ameaçador, esperando o momento certo para me despejarem como um objeto defeituoso.
— Eu pago meu aluguel se quiser saber, não pode me ameaçar achando que manda no mundo.
— Kim Bo-na, temos certeza de que não está noiva agora por sua culpa, espera que aceitemos isso? — meu pai pigarreou levantando-se.
— Minha culpa? Não bastou arruinar a vida de Chittaphon? Como podem ser tão cegos? — gritei novamente, sabendo que teria que ser mais resistente do que nunca tinha sido se quisesse ganhar essa discussão.
— Ah, não. Você arruinou a vida daquele rapaz, mas não se preocupe, ainda temos várias opções matrimoniais com os herdeiros daquele conglomerado. — ri irônica, mais incrédula do que gostaria. Eu tinha o pleno conhecimento de que enfrentaria insinuações do tipo quando decidi vim aqui por conta própria, e mesmo assim tudo aquilo ainda conseguia me surpreender.
— Eu não vou me cansar com nenhum herdeiro, e é melhor não se meterem mais no meu caminho. — murmurei estampando olhares de desprezo e repugnância aos dois adultos daquele ambiente.
— Kim Bo-na! — meus pais gritaram quando fiz menção de sair sem dever satisfações aos indivíduos. Segurei na maçaneta direcionando meu olhar uma última vez a ambos que chamaram pelo nome que me deram.
— Eu não trabalho para vocês, e muito menos pertenço a sua família, ok? — questionei com uma sobrancelha erguida, confirmando suas expressões passíveis e inconformadas com o rumo que sua filha caçula seguia, completamente desviada de seus planos.
— Não se arrependa de sua escolha, ainda possui nosso sangue, não tem como fugir disso, pirralha. — minha mãe me encarou com um sorriso debochado esperando que eu me ajoelha-se arrependida.
— Eu tenho o sangue de vocês? — sorri amargamente observando o ambiente lustrado ao meu redor, parando minha atenção em uma tesoura de ponta apoiada na prateleira ao meu lado.
— Te demos liberdade demais para se virar contra nós agora, não queira saber o que deveríamos ter feito contigo a muito tempo, garota! — meu pai rosnou se aproximando com passos pesados em minha direção.
— É disso que precisam? — sorri para meu recente corte em minha palma, gotejando o líquido viscoso sobre os papeis da mesa, recebendo expressões incrédulas de meus progenitores que não se preocuparam em me parar naquele momento.
— Está maluca? Acha que te criei para ser uma estranha? — os gritos de minha mãe logo foram cessados quando meu pai a interceptou entrando em sua frente estalando seu cinto em meu rosto em seguida.
Ninguém mais se moveu durante os segundos seguintes, somente era possível se ouvir os sons exasperados de nossas respirações alteradas pela angústia. Eu estava encarando ambos meus progenitores com minhas mãos no local atingido, não me daria o trabalho de chorar como uma criança por ter apanhado ou ter sido posta de castigo por seus pais. Eu só precisava sair dali tendo a certeza de que não teria mais motivos para voltar.
— Obrigada, não preciso que me digam mais nada. — sorri sem demonstrar qualquer sinal de irritação ou mágoa.
Não fiz questão de bater a porta ao sair do escritório deixando meus ditos progenitores paralisados por suas ações, eu teria que lidar com tudo de cabeça erguida se quisesse fazer isso valer à pena, se eu quisesse principalmente permanecer viva.
Queria mostrar que suas atitudes não me afetavam tanto quanto antes, que eu estava me libertando aos poucos de suas ordens.
Eu estava finalmente crescendo.
— Desculpa, Gahyeon, eu não posso mais voltar.
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