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• sweet night • I

#144270

Museu de Arte do Rio - RJ/Brasil


MAR


I

O fato de azul ser minha cor favorita, nunca fez tanto sentido quanto quando descobri que ela era a cor complementar de sépia.


Deveria ter alguma explicação cabível para todas aquelas peças no meu guarda-roupas ou por aquelas serem as cores das paredes do meu quarto por anos a fio. Era tanto azul, que um dia depois de se espreguiçar e observar as paredes por um bom tempo, você se virou na cama em minha direção, me olhou e me perguntou, se por minhas veias corria um rio que no final desaguaria em um mar cerúleo — e você fez questão de dizer que era esse azul em específico, porque deveria ser relacionado ao céu.

Eu ri ao ouvir aquilo e me aconcheguei em você, sentindo o calor de sua pele agora ser dividido com a minha. Com a bochecha encostada em seu peito disse que não era bem aquilo, porque, na verdade, a água era transparente e o tom de azul era só resultado dos raios de sol batendo em algumas substâncias. Azul era uma consequência, não a água em si. E as cores nas paredes não eram por aquele motivo, porque nem mesmo o mar era azul.


Eu poderia começar a dissertar algumas palavras sobre o espectro eletromagnético das radiações e algumas outras sobre o azul penetrar mais profundamente na água por ter raios menores do que vermelho, mas você se afastou e fez aquela carinha de criança quando tem o brinquedo quebrado, dizendo que eu era uma chata, porque era muito mais poético dizer que o mar era azul por causa do céu.

Mas tudo bem, porque ali, enquanto sorria para você e me aproximava de novo abraçando suas pernas com as minhas e deitava minha cabeça em seu colo ganhando um beijinho teu por entre meus cabelos, eu poderia aceitar que o mar era azul graças aos céus. E talvez realmente fosse, porque você tinha acabado de me associar ao mar, e você para mim era como céu, Taehyung.


Há alguns meses eu sequer imaginava que o meu lugar favorito no mundo todinho seria o espaço que tivesse você e todo o amor que você emanava. Que eu, que odiava passar tempo dentro de casa porque me sentia presa como um pássaro na gaiola, agora não abria mão de ficar deitada uma tarde inteira apenas porque era bom poder sentir seus braços ao redor do meu corpo. Era reconfortante demais poder ter somente a tua temperatura diretamente na minha epiderme enquanto o mundo lá fora era uma confusão de tempos e de climas.

E que se dane as leis da física, a impenetrabilidade e o discurso de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Aquela teoria caía por terra toda vez que éramos só nós dois e os seus tons quentes de marrom se complementando aos meus frios de azul. Não existia para mim ali, explicação científica com fórmulas e algoritmos, ou nada com números, que fosse capaz de descrever o que acontecia dentro de mim toda vez que eu recebia seu toque ou quando você encostava seus lábios nos meus.

Quando você estava por perto eu queria justificar tudo com pincel e aquarela, porque pintar era a única coisa que eu me recordava como fazer naqueles momentos. Falar ou escrever estavam fora de cogitação para alguém que pensava em cores como forma de explicar corações palpitantes, mãos suadas e frios na barriga.


Como se deslizasse um pincel em uma tela, passei a ponta dos dedos sobre seu peito descendo até acima do umbigo e você se encolheu sob meu toque, provavelmente sentindo cócegas. Deixar o nariz enrugadinho fazendo careta era o jeito que você arrumava de conseguir ser mais bonito ainda com aquele seu ar de criatura pura e recém criada.

Sorri o observando e me perguntei quando foi que aquilo aconteceu, porque não me recordava de um dia simplesmente abrir os olhos e a admiração que eu tinha construído por você, agora ter se tornado aquele sentimento capaz de me fazer suspirar e me perguntar diversas vezes se você era um sonho arquitetado pela minha mente fértil demais ou se você era de verdade.

Quando foi que eu comecei a enxergar as cores daquela forma? Quando foi que você se tornou a minha paleta favorita? Quando foi que meu coração passou a bater desnorteado quando você me olhava de pertinho, com aqueles olhos castanhos tão vivos e cálidos?

Você se mexeu, me deitou sobre a cama e apoiou um dos braços ao meu lado, me encarando de cima. Ali, entre nós dois e aqueles lençóis, naquele meio de tarde e no silêncio que estávamos, eu ouvia meu coração bater descompassadamente apenas por saber que agora eu era o foco do seu olhar. Você me encarou por longos segundos antes de sorrir encantadoramente e depois unir os lábios quentes aos meus, como sempre fazia quando notava que eu parecia pensar demais.

Será que só eu pensava naquelas coisas? Será que você, com sua alma de artista, também entendia azul como complementar de sépia?

Meu coração pareceu ficar mais desesperado ainda ao sentir sua barriga nua contra a minha e nossas línguas juntas provando a nós dois que eu não tinha errado ao te nomear por aquele tom quente entre todos os amarelos e vermelhos desse mundo. Sépia era uma cor e tanto para alguém que emanava tanto calor como você fazia, você não acha?

Envolvi meus braços ao redor de seu pescoço e ao encaixar meus dedos entre seus cabelos, apertei sua boca mais contra a minha, como quem procurava dentro de você o botão para aumentar mais ainda a temperatura entre nossos corpos.

Você nos afastou e abri meus olhos um pouco desesperada com aquela separação repentina. Notei um risinho sacana em seus lábios, meio inchados por aquele súbito ataque que eu tinha os submetido, e confesso que por um milésimo de segundo me irritei, me perguntando se você estava se divertindo com meu estado caótico.

Você colocou sua mão sobre meu peito, do lado esquerdo, lá no cantinho do coração, e fez "sh", como quem pedia para que eu o acalmasse, antes que continuássemos qualquer coisa ali.

Me surpreendi quando meu rosto esquentou de vergonha, percebendo que você podia ouvir a bagunça que estava o meu bombeador de sangue. Eu ainda não tinha me acostumado com o descontrole que eu me tornava toda vez que era eu e você, e menos ainda com o fato de que você parecia saber exatamente quando eu era mais sentimento do que razão.

Você me bagunça e tumultua tudo em mim, Taehyung.


— Acho que sua cor é vermelho e não azul — você sussurrou, o sorriso brincalhão ainda marcando presença. Mordi meus lábios e neguei.

Eu era azul e você sabia que só poderia ser daquele jeito.

Nós nos preenchíamos de forma que só seria possível encontrar explicação dentro do nosso próprio círculo cromático, dentro da nossa própria dúzia de cores e em meio a tabela de tons que nós formávamos juntos.


Porque eu, Catarina, era o azul que se oferecia como abrigo a sua sépia.
E você, Taehyung, era a sépia que transbordava o meu azul.

🔹


Círculo Cromático, é uma paleta de 12 cores que englobam as cores primárias que são as puras (azul, amarelo e vermelho), secundárias que são as misturas das primárias (laranja, verde e violeta) e terciárias (mistura das secundárias). Adicionando preto e branco são encontrados os tons mais claros e escuros dessas cores. No círculo existem as harmonias monocromática, triádica, análoga e a complementar, essa última foi citada aqui em Sépia.

A cor complementar é a cor contrária a que você escolher no círculo e faz exatamente o que o nome diz, complementa. O círculo básico são essas 12 cores, mas todas as outras são tiradas dessas principais. Dentro dessas cores há a sépia, que tem como complementar um tom de azul, o #144270.

É um assunto beeem extenso, mas tentei resumir aqui para vocês, porque quis fazer essa associação entre a Catarina e o Taehyung.

"Você me bagunça e tumultua tudo em mim", é uma frase da música "Você me bagunça" de um dos meus grupos favoritos, O Teatro Mágico. Eles são o maior exemplo do que eu vejo poesia e arte aqui na nossa terrinha e vai ter muita referência deles aqui em Sépia, vocês vão entender logo logo o porquê ♥

Impenetrabilidade, na física, é a propriedade que diz que duas massas/corpos, não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. É até reconhecida como lei, mas Catarina parece não concordar muito com isso.

Sweet Night se tornou maior do que eu achei que seria e agora terá 3 partes (Será que a autora se empolgou? acho que sim haha).

Achei que ficaria mais leve separa-lo, mas as outras duas atualizações vão ser feitas de um jeitinho mais rápido, então acalmem os coraçõezinhos que tá tudo bem.

Todas quietinhas em casa? Se apaixonando por Catarinas e por Taehyungs?

Se cuidem, ok? E até bem logo.

Beijos, Polly

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