CAPÍTULO 02
Tenham uma boa leitura!
Como é que algumas vezes, ao sermos afastados de algumas coisas, ficamos ainda mais próximos delas?
- Coraline e o Mundo Secreto
Encarei a chave em minhas mãos e a porta pequena em seguida. Fiz isso algumas vezes antes de suspirar e apertá-la entre meus dedos.
- Mais que merda... - praguejei e fiz uma careta. - Mais que coisa mais bizarra. To me sentindo num filme.
Me aproximei da porta e a observei. Com a mão um pouco tremula eu a destranquei e a abri rapidamente, encarando a passagem pequena com as luzes roxa e rosa. Só que eu notei algo que não estava ali antes.
Era um post-it azul, grande demais para um post-it. Tinha algumas coisas escrita nele e peguei o papel que estava colado na porta com cuidado, para não rasgar. Aquilo não estava ali antes, ou eu não havia percebido?
Encarei o papel que tinha uma caligrafia simples, como se alguém tivesse escrito a mão a mensagem ali.
" Nunca, nunca abra aquela porta. As coisas não serão mais as mesmas. "
Para você conseguir lidar com essa porta, haverá de saber algumas coisas:
1- Só você pode ver a porta, mas outras pessoas poderá ver caso você fale a palavra: porta secreta.
2- Quando você passar para o outro lado, não estará mais em um lugar conhecido por você, e muito menos em um lugar que fale o mesmo idioma que você.
3- Para conseguir se comunicar com as pessoas do outro lugar, você terá de abraçar o dono da casa a qual a porta te levou.
4- Não conte sobre a existência dessa porta para todos, apenas para pessoas confiáveis. Essa porta foi até você por um motivo, unir seu destino com a pessoa que está destinada a você. É seu destino. Não tente impedi-lo.
Encarei o post-it sem fôlego. Destino? Quer dizer que a casa que a pequena porta me levou, é da pessoa que estou destinada? Meu deus. Eu preciso ir a um psiquiatra. E rápido.
Destino? Não existe destino, tudo acontece absolutamente por acaso. Mas dizer que uma porta pequena que nunca esteve ali, que emanava uma luz roxa e rosa, que me leva em algum lugar no mundo que eu não sei qual é, que não fala o mesmo idioma que eu. E que a casa a qual a porta me levou é da pessoa que estou destinada, não é nada sensato dizer que é acaso.
Ah, estou confusa. Eu preciso descobrir mais sobre isso. Parece ficção.
Eu preciso atravessar a pequena passagem novamente e ir até a outra casa. Eu preciso saber o que está acontecendo. Por que isto não parece acaso. É surreal.
Respirei fundo e comecei a fazer o caminho, e quando abri a porta para o lugar a qual eu não sabia aonde eu ficava. Na casa luxuosa. Fechei atrás de mim.
Sai do quarto e olhei em volta, estava silêncioso. Talvez não tenha ninguém em casa. Parecia ser de manhã. Caminhei pela casa a procura de pistas. Alguma coisa que fizesse eu identificar aonde eu estava. Mas não achei nada.
Ouvi um barulho de tranca, e uma músiquinha tocou brevemente. Como um sinal de que a porta havia sido aberta e fechada. Deve ser o som daquelas portas que tem de saber a senha para abrir.
Segui o som e vi um vulto alto de alguém, o homem da última vez. Estava com uma blusa preta, e com um brinco em uma única orelha. Usava uma calça jeans azul com rasgos no joelho e sapatos pretos. Ele era muito bonito.
Me aproximei devagar, ficando a poucos metros dele. Ele estava de costas, parecia mexer em algo que estava na bancada da cozinha. Ele era muito alto, e tinha ombros largos. Fiquei encarando suas costas até que ele se virasse e paralisasse no lugar ao me notar.
Ficamos nos encarando por breves segundos, até que eu descido quebrar o silêncio e tentar falar alguma coisa. Mesmo eu sabendo que ele não entenderia uma sequer palavra que eu irei dizer.
- Então... - comecei a dizer. - Eu, sabe...
O homem continuou me encarando, como se tentasse similar o que estava acontecendo. É cara, eu também estou tentando similar o que está acontecendo.
Ai eu lembrei do post-it que estava grudado na porta, umas das regras dizia: Para conseguir se comunicar com as pessoas do outro lugar, você terá de abraçar o dono da casa a qual a porta te levou.
Eu precisava abraça-lo, puta merda. Eu tinha mais ou menos 1,70 de altura. Não era baixa. Mas mesmo assim ele era bem mais alto que eu. E além do mais, imagina uma estranha aparecer em sua casa e avançar contra você o abraçando? Eu surtaria.
Dei um passo em sua direção, prestando a atenção em sua reação. Alevantei as mãos para cima em sinal de rendição e na tentativa de lhe mostrar que eu não faria nada de mal consigo, e nem o machucaria.
Me aproximei mais e mais e quando fiquei a poucos centímetros de seu corpo, de modo excitante, eu o abracei. E senti seu corpo ficar rigído e paralisado. Fiquei assim, o abraçando por algum tempo, e quando o soltei. O homem estava com o olhos arregalados e a boca entreaberta. Me afastei um pouco, para que conseguisse encarar seu rosto com mais facilidade.
- Me desculpe por isso.. - comecei a dizer e senti seu olhar se prender em mim, agora com o rosto mais carregado em surpresa ainda. - Eu tive que fazer isso.
- Eu... Eu consigo te entender.
O encarei e arregalei os olhos. Puta merda. Funcionou. Que magia negra da porra.
- Então... - fiz uma careta. - Realmente funcionou.
- Quem é você?
Eu ainda estava na casa de um desconhecido, num lugar desconhecido. E com um simples abraço eu comecei a falar o idioma ou língua dele. Eu praticamente tenho de ir num psiquiatra.
- Eu sou a S/n - me apresentei e estendi a mão. - Eu não sei aonde estou, e não sei o que está acontecendo. Vai por mim, estou mais confusa que você. Mas eu posso explicar o que eu sei.
- Sente-se no sofá - apontou para a sala atrás de mim. - E não saia de lá.
Apenas concordei e caminhei em passos rápidos até o sofá, e me sentei relaxando. O sofá era enorme, e extremamente macio.
Fiquei encarando o nada por um tempo, apenas esperando o homem de cabelos pretos e bela aparência voltar. Quando ouvi sua voz e seus passos se aproximando, o encarei, vi que estava fazendo uma ligação, e não demorou muito para que voltasse sua atenção para mim.
- Vai chamar a polícia? - perguntei relutante.
- Ainda não - diz e eu suspirei concordando. - Alguns amigos meus estão vindo, e espero que você colabore.
Eu apenas concordei novamente, afinal, eu o entendia. Uma pessoa simplesmente aparecer em sua casa e logo depois sumir, e do nada, aparecer novamente. É muito suspeito. Apenas tentei ficar calma, e rezar para que não desce nenhuma merda para o meu lado.
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- Quem é você?
- De onde você é?
- Como some e aparece do nada?
Encarei os sete rapazes a minha frente e suspirei, coçando a nuca antes de respirar fundo e os encarar novamente. Pensando em alguma resposta que fizesse sentido.
- Eu sou a S/n, sou do Brasil - comecei e vi os olhares curiosos dos mesmos. - E o jeito como eu desapareço e apareço é meio bizarro.
- Como meio bizarro? - o dono da casa, a qual eu ainda não sei o nome, assim como de seus outros amigos me perguntou. - Espero que fale algo que faça sentido.
- Eu também... - murmurei.
Eu não sabia como falar. Eu não sabia como explicar. Eu praticamente estava encrencada. Eu deveria ter ignorado a presença daquela porta pequena e misteriosa, mesmo que fosse impossível. Talvez eu não estaria na enrascada que estou agora.
Me lembrei das regras, e principalmente dá que eu não poderia falar para Deus e o mundo sobre a porta. Mas acho que contar apenas para esses rapazes, não terá problema. Eu não tenho escolha.
- Preciso que venham comigo - me alevantei e vi os mesmos fazerem o mesmo que eu. - Relaxem, eu não irei fugir.
- Assim espero.
Comecei a caminhar calmamente pela casa, com os sete ao meu encosto. Quando cheguei naquele quarto reserva encarei os meninos mais uma vez, prestando mais a atenção no no dono da casa, dono de lábios carnudos e ombros largos, e beleza exuberante. Vi que ele arqueou a sobrancelha quando coloquei minha mão na maçaneta e abri a porta.
Entrei e logo de cara coloquei meus olhos na porta colorida que estava fechada, mas que mesmo assim, as cores roxa e rosa saiam de dentro de si. Os garotos começaram a procurar algo pelo quarto, e prenderam a atenção no canto do quarto a qual eu estava encarando.
- O que está encarando? - perguntaram. - Não tem nada aqui.
-Na verdade tem, mais do que os seus olhos podem ver - os encarei, e a palavra chave em minha mente apareceu. - Porta secreta.
Vi a cara de confusos nos rapazes se transformarem em surpresos. Eles podiam ver a porta agora, assim como eu.
- Como isso... - o dono da casa começou a dizer. - Como isso foi parar ali? Ela nunca esteve ali!
- Eu sei - senti sua atenção ir até mim, assim como os dos outros rapazes, que até neste momento estavam quietos. - Essa porta apareceu do nada na minha casa, e eu vivo nela a muitos anos, e sei melhor que ninguém que ela nunca esteve lá.
O garoto olhou para mim, e depois a porta. E fez isso algumas vezes até eu voltar a me pronunciar novamente.
- Essa porta apareceu do nada na minha casa, quando eu a abri - caminhei até a porta e a abri fazendo com o que o pequeno túnel fosse mostrado a eles. - Atravessei esse pequeno caminho neste túnel meio bizarro, e vim parar aqui. Em sua casa.
- Isso é impossível...
- Vai por mim, eu também estou a ponto de ter um colapso - suspirei e deixei a porta aberta. - Eu não como isso está acontecendo, e por que está acontecendo. Mas eu encontrei enquanto eu atravessava o túnel para chegar até aqui, um post-it, que continham algumas informações. E uma delas dizia: Não conte sobre a existência dessa porta para todos, apenas para pessoas confiáveis. Essa porta foi até você por um motivo, unir seu destino com a pessoa que está destinada a você. É seu destino. Não tente impedi-lo.
- Destino? Você só pode estar brincando - riu soprado.
- Eu realmente iria adorar que isso tudo fosse apenas uma brincadeira, mas pelo que eu vi, não é - me sentei na cama de casal que havia no quarto, vendo alguns dos rapazes fazer o mesmo, murmurando coisas como: isso é loucura; estamos ficando loucos; acho que aqueles pé de galinha apimentada estava apimentada demais, e está nos fazendo delirar; - Mas eu tenho uma única pergunta neste momento.
- E qual é?
- Aonde eu estou?
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