4. No terraço sobre as luzes da cidade
- Liz...? - Ouço meu nome sair pelos seus lábios como brisa, de forma que ele parece realmente chocado em me encontrar ali, ao seu lado.
Depois de todos esses anos. Depois de tudo o que passamos pra fazer aquela promessa, e tudo o que passamos pra quebrar ela. Agora que eu queria começar a seguir meu caminho em um lugar novo. Que eu só queria grudar os pedaços de mim que sobraram. Ele está aqui de novo. No apartamento ao lado. Por que...?
Viro as costas pra ela e empurro Namjoon pra dentro do apartamento comigo.
- Liz! - Ele me grita, mas eu tranco a porta e fico encostada nela por alguns segundos. Pensando. - Liz, por favor...
Não. Sem por favor. Sem chances. Sem nada. Chega.
A dor emocional de lembrar do passado é tão ridiculamente ligada ao meu maldito coração partido que é ele que parece doer. E afinal de contas, não foi apenas um maldito romance infantil e adolescente que foi destruído no passado. Não sou a única ferida pelo que aconteceu. E não vou ser eu que vai dar início a outra sequência de acontecimentos horrorosos e dolorosos. Ele pode bater e esmurrar minha porta se quiser. Eu tenho uma mudança pra fazer. A vontade de chorar pode estar grande só de revê-lo e tê-lo bem aqui, do outro lado da porta, mas isso é ridículo. Não sei o que a vida está tentando fazer, mas eu sinceramente quero que se foda.
Certo os punhos e saio da perto da porta. Passo pelo Namjoon e vejo que ele estava lá, parado onde o deixei, me olhando. Visivelmente muito preocupado.
Claro. Ele fez parte disso tudo também.
- Está tudo bem? - Ele pergunta ao me ver passar direto e começar a mexer nas minhas baixas.
- Sim. - Digo, secando uma lágrima.
- Tem certeza? - Ele se abaixa do me lado e põe uma mão nas minhas costas.
- Não. Mas se não estiver, vai ficar. Vamos só...deixar isso pra lá. Me ajude com as caixas, por favor. - Digo.
- Certo. - Ele respira fundo. - Pode deixar.
E então continuamos a mudança como se nada tivesse acontecido. Ficamos em silêncio por algum tempo, mas retomamos quase que completamente o nosso humor de antes. Era só fingir que não aconteceu, afinal de contas.
Quando vimos que não tínhamos mais nada pra arrumar aqui em cima, descemos novamente. Quando abrimos a porta, já não havia mais ninguém no corredor. Ele foi embora. Ao menos por agora.
Fomos até rápidos em trazer tudo pra cá. Com a ajuda dos homens da mudança, logo tudo estava no apartamento. Claro, ainda precisava arrumar tudo. Precisava me organizar logo. Namjoon me ajudou com algumas coisas mais complicadas como montar a cama e arrastar os outros móveis. Mas assim que me ajudou com o que eu pedi, disse que precisava voltar pra casa e fazer seu almoço.
- Não quer ficar mais um pouco? Eu posso arrumar algo pra gente comer. - Digo.
- Obrigada, prima. Mas não precisa. Eu também tenho que cuidar do meu cachorro. Ele deve estar com fome. Pode deixar que eu me viro. - Ele sorri. - Tem mais alguma coisa que você precise?
- Não. Daqui eu consigo seguir sozinha. - Respondo, olhando ao redor o tanto de caixas.
- Certo. Mas, Elizabeth. - Olho pra ele séria ao ouvi-lo me chamar pelo nome e não pelo apelido. - Qualquer problema, se precisar de mim, não hesite. Tudo bem?
Sabia do que ele estava falando. Poderia ser pra qualquer outra coisa. Mas sabia o que ele realmente queria dizer. Assinto.
- Não se preocupe. Vai dar tudo certo. - Digo, mais pra mim mesma do que pra ele. E ele assente.
Logo Namjoon vai embora e eu fico sozinha com as minhas coisas. Peço um almoço no uber eats e enquanto isso, fico colocando minhas coisas no lugar. Almoço sentada no sofá quando chega minha comida e depois passo a tarde arrumando o máximo que posso da casa. Não tem tanta coisa assim. Amanhã de tarde eu devo terminar de arrumar tudo.
Mais tarde paro de arrumar e vou tomar um banho. Banho no meu novo chuveiro. Fiquei feliz quando conheci o apartamento porque tinha até uma banheira maiorzinha. O que eu queria faz algum tempo. Agora posso tomar banho de chuveiro quando quiser e de banheira também. Tomo banho e depois resolvo dar um passeio pelo condomínio. Com um pouco de receio de encontrar pessoas que queiram conversar, porque eu mesma não queria, saí de fone. Só queria caminhar um pouco em silêncio e pensar nas coisas. Nos novos momentos que viriam.
Desço ao térreo e passeio pelos arredores. Era uma noite muito calma e fresca. Ainda bem que desci de casaco. O vento estava bem frio. Não haviam tantas pessoas assim andando, e consegui evitar conversar com os novos vizinhos. Outro dia eu causo uma boa impressão. Hoje estou cansada e só quero relaxar.
Depois de caminhar um pouco ouvindo músicas calmas, subo novamente. E dentro do elevador, vejo um botão para o terraço. Achava que o andar do meu apartamento era o mais alto, mas aparentemente tem como subir para a laje ou algo assim? Apertei por curiosidade, lembrando de como era legal ficar na laje do condomínio da senhora Nada. Ao chegar lá em cima, vejo um espaço bonitinho com algumas luzes de natal sendo usadas para iluminação. Haviam vasos de planta pelos cantos e uns banquinhos pra se sentar e ver a paisagem urbana. Ainda ouvindo música e com as mãos nos bolsos pra me proteger do vento que aqui em cima parecia mais forte, vou andando pelo espaço. Olho para o céu, vendo as estrelas e as nuvens. A noite está realmente bonita hoje.
Continuo andando, contornando o elevador. Havia uma parte mais iluminada onde parecia ter uma mesinha. Chego mais perto pra ver, mas paro antes de chegar lá. Havia alguém sentado em uma das cadeiras em frente a mesinha.
Jimin...?
Por que...? Por que você estava aqui também...? Vai ser assim de agora em diante? Ou estou só exagerando porque não superei você?
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