2. Realidade
Quinze anos depois, dias atuais
- Daqui a uma semana? Hmm...posso. Posso sim.
Estava andando de um lado pro outro no meu apartamento tentando terminar de empacotar as minhas coisas. Cinco telas em branco debaixo do mesmo braço e meu celular na outra, falando com alguém de quem senti saudades durante esses 15 anos.
- Não, não tem problema. Eu arrumo um tempo. É um pouco apertado sim. Mas a mudança é amanhã. Eu consigo ajeitar as coisas e ir. A senhora não precisa se preocupar com isso. Não se faz 90 anos mais de uma vez e...às vezes nem chegamos a fazer. É memorável. Não vou faltar.
Continuo andando pela sala, correndo atrás dos meus tubos de tinta perdidos e do meu pincel favorito. Ainda falando com a senhora Nara no telefone, fuço todos os espaços até achar as coisas que procurava. Me abaixo na frente da gaveta onde estavam e lembro de algo.
- Ah... senhora Nara? Posso te perguntar uma coisa? É que...eu queria saber se...quer saber? Deixa. Não, não. Era bobagem. Deixa pra lá. Vou adiantar as coisas aqui em casa pra acabar logo. Então vou desligar. Até semana que vem! Beijos, tchau!
Encerro a ligação e olho pra tela, o contato com a fotinha da senhora Nara. Ela não mudou nada nesses últimos quinze anos. Foi a única que não mudou. Porque todo o resto...
Queria saber se aquela pessoa estaria na festa de aniversário dela semana que vem, mas depois de tudo o que aconteceu provavelmente não adiantaria eu querer que ele esteja lá, se não vamos nos falar.
Prossigo com o empacotamento das coisas pra minha mudança amanhã de manhã. Faltavam algumas coisas ainda. Poucas. Mas precisava fazer isso logo se quisesse terminar a tempo de jantar.
No fim, foi um dia corrido. Não daria tempo de fazer a janta, mas poderia chamar alguém pra me acompanhar em algum restaurante simples e jantar fora mesmo. Então liguei pra melhor pessoa pra ocasião. Meu primo Namjoon. Ele morava em outro condomínio perto do meu, e sempre me acompanhava em pequenas coisas que eu não queria fazer sozinha. Chamei ele, e marcamos de nos encontrar no restaurante perto da casa dele.
Saio de casa e vou andando. O lugar era mais perto do condomínio dele, mas também não era tão distante do meu. Não demorou muito e eu cheguei, encontrando ele em uma das mesas. Ele acena pra mim, e eu de volta, e me sento na sua frente.
- E aí, Namjoon? - Digo, deixando minha bolsa do meu lado.
- Tô bem. E você? Parece cansada. - Ele sorri.
- E estou. Fiquei o dia todo encaixotando as minhas coisas e parecia que não ia acabar mais. Mas tá tudo pronto pra mudança. Finalmente.
- Que bom. Amanhã então, apartamento novo...
- Maior e mais confortável. A parte ruim é que não vou poder fazer mais isso daqui, contigo. - Digo, apoiando os cotovelos na mesa e o queixo na mão.
- Quem disse? É só me chamar que eu vou. Somos primos, e amigos. Não vou te deixar comer sozinha. Não se esqueça que eu também sou forever alone e mesmo que eu tenha que pegar meu carro, eu vou. Nem é tão longe assim. De carro dá pra ir.
Dou risada.
- Eu não sei se te agradeço pelo sacrifício ou se te bato porque me chamou de forever alone. Mas tudo bem. Eu sou mesmo. Graças a você, não tem sido tão ruim. - Pego o cardápio e começo a folhear.
- Se você acha tão ruim estar sozinha, porque não arruma um namorado? Ele vai poder estar com você mais do que seu primo. - Ele pega outro cardápio na mesa de trás e começa a olhar também.
- Eu não quero um par romântico. Eu quero um amigo. Essas coisas de namoro e casamento não me apetecem. Você sabe disso. - Digo, apontando pra ele.
Namjoon ri do meu comentário e abaixa o cardápio.
- É, eu sei. Não quer saber de namoro e casamento, com exceção de uma pessoa... - Ele diz.
Olho pra ele por cima do meu cardápio e guardo pra mim o nervosismo no peito que vem depois dele mencionar aquela pessoa. Volto os olhos para os pratos novamente, tentando disfarçar o desconforto.
- Eu tinha 8 anos. A vida aconteceu. Não existem mais exceções. - Respondo, com menos convicção na fala quanto eu gostaria.
- Hmm...entendi. Aliás, que fim deu? Você tinha dito tudo aquilo na última vez que nos encontramos mas não me disse como terminou. - Namjoon continua o assunto.
- Acho que eles vão casar. Depois de tanto auê, não acho que vai acabar de outra forma. Ele sempre foi mais animado com a ideia de um casamento do que eu. - Digo, folheando o cardápio de uma forma meio bruta e desleixada, já que esse assunto em estressava um pouco.
- Liz, ele nunca ligou tanto pra casamento também. Ele só queria por causa de você. Nós sabemos bem disso. E eu não sou o único que tem plena consciência disso. Devo citar o Jungkook? Hoseok? E o Taehyung? Desde sempre foram vocês dois. - Namjoon fortifica sua fala, largando o cardápio dele.
Lembro dos nossos amigos quando Namjoon chama pelos seus nomes. Minhas memórias são carregadas para 15 anos atrás novamente. Meu coração pesa de saudades no meio do nada e me sinto emotiva. Emotiva, mas puta com as coisas que estragaram tudo depois.
Largo meu cardápio também, mas bruscamente e sinto pelo movimento para trás do Namjoon que o assustei.
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