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Still Life ft. Anderson .Paak

— O que você está fazendo?

    Julia parou na porta e se apoiou no batente, cruzando os braços para observar uma Lola muito atarefada empilhando caixas de tecidos intocados e se ajoelhando ao lado delas para avaliar seu conteúdo. A brasileira não deu atenção — ou ouviu — à pergunta da coreana, abrindo uma caixa particularmente grande e empoeirada para conferir o que tinha dentro.

    — Lola? — chamou de novo, só então reparando nos minúsculos fones de ouvido cobertos pelo cabelo cheio da moça. Julia tentou se aproximar o mais suavemente possível para não assustar Lola e tocou o ombro da amiga para mostrar que estava ali.

    — MEU JESUS AMADO! JULIA! — Lola gritou em português quando percebeu que não estava sozinha. Claramente a aproximação de Júlia não tinha sido das melhores.

    — Desculpa… — sorriu sem jeito. — Achei que tivesse me visto. O que está fazendo?

    Com a aproximação, Julia pôde ver o que havia dentro daquela caixa. Fotos de Taehyung, amostras de tecido, desenhos e mais desenhos, réguas que a coreana nunca saberia usar e alguns rolos de papel pardo presos ao fundo. Era a caixa de projetos que Lola usava na Hybe em seus “dias de glória”, quando todas as suas opiniões de moda influenciavam todo o figurino e conceito da temporada. Julia ficou impressionada.

    — Estou liberando espaço. — Lola tirou os fones de ouvido e guardou na caixinha vermelha que também servia de carregador.

    — Para…? — a pergunta ficou pairando entre as duas por alguns segundos.

    Era fato que aqueles projetos estavam entre os mais importantes para Lola. Até Julia sabia disso. Não imaginava que a amiga fosse “liberar espaço” assim tão cedo. Fazia apenas alguns dias que havia voltado de Daegu, ficando trancada ali em todos eles, chorando baixinho para não incomodar. Mas ela sabia. Lola levaria bastante tempo para superar tudo o que havia acontecido na cidade por conta de uma brincadeira — bem sem graça, diga-se de passagem — de Taehyung e os meninos na tentativa de reconciliá-los.

    — Terminei tudo, Ju… — Lola ainda olhava para a caixa, se esforçando ao máximo para não chorar. Estava cansada de chorar, mas precisava colocar aquilo para fora. Precisava “liberar espaço” dentro de si também. 

    Júlia colocou as mãos na borda da caixa de plástico e concordou com a cabeça. Era a primeira vez que Lola falava sobre o assunto. Tudo o que a maquiadora sabia, havia sido através de dedução e informações tiradas à força de Jungkook e Jimin.

    — Precisa de ajuda?

    — Preciso. — Lola levantou os olhos e sorriu para a amiga. Era um sorriso sem emoção, triste, mas ainda assim um sorriso.

    — Você sabe que estarei sempre com você. Sempre. — Julia cobriu a mão da outra com a própria e sorriu de volta, selando aquele acordo. — O que você precisa?

    — Um novo emprego! — dessa vez o sorriso se ampliou e chegou aos olhos castanhos da brasileira. — Vamos começar por aí. Depois “deixo a vida me levar”.

       — Certo. Vou ver o que posso fazer quanto a isso. Trabalhar numa grande empresa de entretenimento por tantos anos me deu alguns contatos.

— Nenhum boy group, por favor. Cansei de vestir homens.

— Certo. Nada de boy group. Talvez algum artista solo, ou algum ator. Às vezes é bom mudar de ares…

— …começa pequeno— completou Lola abrindo ainda mais o sorriso.

Não tinha contado sobre Kang Nari e sua oferta de financiamento de sua própria grife. Ainda achava um pouco surreal demais até para a própria ambição, mas não descartou a ideia por completo. Primeiro deveria ser capaz de pagar as próprias contas, desenhar nesse meio tempo, e aí sim, replanejar o ateliê. Com um novo emprego, seria capaz de pagar o aluguel da pequena sala que tinha arranjado para começar sua produção. Teria tempo para costurar por conta própria, sem precisar contratar ninguém para criar a primeira coleção. Além disso, ocuparia a própria mente em tanto trabalho que não teria tempo para pensar em Taehyung e se arrepender da escolha que havia feito por si e por ele.

— Vai dar tudo certo. Você vai ver. — Julia se levantou primeiro e ofereceu a mão para ajudá-la.

— Vai sim. Eu sei.

****

    Eun Ji nunca planejou trabalhar numa empresa de entretenimento, muito menos “gerenciar” um grupo de artistas durante sua carreira. Mas quis a vida que ela gostasse muito de trabalhar com música. Na faculdade, cuidou da produção de musicais dos cursos de artes cênicas, música e dança como horas extracurriculares. Fez um trabalho tão notável que acabou convidada para “conhecer” a Big Hit — hoje, Hybe — numa proposta de estágio que logo em seguida virou emprego.

    Agora, depois de dois anos e meio, estava tão inserida no ambiente que quase sempre acabava se metendo em situações estranhas. Na maioria das vezes, por puro acidente.Depois do anúncio público do namoro de Taehyung, membro do maior grupo da empresa com uma das integrantes do grupo feminino G-Friend, sua vida profissional estava um caos. 

De repente todos na empresa pareciam interessados nela, principalmente por ser a encarregada de cuidar da imagem pública de Sin B, a “atual” namorada mencionada. Seus colegas queriam saber mais sobre a moça, o que comia, o que vestia, o que havia feito para conquistar o coração de um dos homens mais disputados do mundo do entretenimento. O namoro era real? Ela era mesmo mais bonita do que as outras integrantes do grupo? Era verdade que Taehyung tinha traído a ex-namorada com ela? A ex era mesmo a estilista que havia sido demitida? Eram tantas perguntas feitas em tom de fofoca que Eun Ji constantemente inventava desculpas para não pisar na empresa.

No entanto, sempre que evitava o lugar, caía nas garras ainda piores da imprensa marrom. Viu-se confiscando câmeras “inocentes” onde quer que fosse com o G-Friend ou com Sin B. Ficou tão boa nisso que ouviu por acaso que havia um jornalista seguindo a “suposta ex-namorada” de V para confirmar todos aqueles boatos.

O relacionamento de Eun Ji com Lola sempre foi muito amigável. A estilista sempre a tratou muito bem e quase sempre aceitou suas sugestões quando trabalharam juntas na equipe do TXT. A verdade é que gostava muito mais de Lola do que da moça do G-Friend e secretamente torcia para que ela e Taehyung se reconciliassem. Sentiu que tinha certa responsabilidade pela integridade e pelo anonimato da antiga colega de trabalho e foi pensando nisso que ligou para a estilista e avisou sobre o fotógrafo. Queria evitar um escândalo envolvendo o nome da empresa, nada mais que isso. Pelo menos é o que diria caso fosse descoberta. 

***

   

Ela percebeu o fotógrafo assim que saiu do prédio. Sempre se impressionava com o fato de reparar nesse tipo de coisa desde o momento em que assumiu o cargo de estilista do BTS pouco depois de chegar à Coreia pela segunda vez. Era uma habilidade útil porque ajudou os meninos em momentos cruciais e a si mesma quando namorou com Taehyung. Infelizmente, isso não explicava por quê estava sendo seguida por um paparazzi depois de ter saído da empresa — e terminado seu namoro logo em seguida. Mesmo que o relacionamento tivesse sido aberto à imprensa e ao mundo, ela, Lola, não era famosa. No Brasil seu nome era comum e na Coreia ela era apenas mais uma turista em meio a tantos — pelo menos à primeira vista.

    O dia foi atípico. Lola não tinha tentado encontrar um emprego novo como havia prometido a Júlia. Em vez disso, passou o dia no ateliê desenhando e pintando; motivo pelo qual estava com as mãos e os braços sujos de tinta e nanquim e também pelo qual saía àquela hora com o intuito de comprar mais canetas e blocos de desenho. Estava tão inspirada que pretendia passar a noite ali caso não terminasse todos os desenhos que havia imaginado. Aquele fotógrafo era um obstáculo pelo qual não havia se preparado.

    Por um segundo cogitou a possibilidade de ainda acharem que ainda trabalhava para a Hybe e que seu caminho levaria a algum idol da empresa, mas essa teoria caiu por terra em pouco tempo. Se fosse esse o caso, o fotógrafo não estaria esperando por ela justamente no prédio onde ia recomeçar sua vida como estilista. Colocou um par de óculos escuros e fingiu olhar o celular enquanto estudava a posição do cara. Talvez ela não fosse o alvo no fim das contas. Era uma possibilidade também, não é?

Virou-se para trás e analisou o prédio de quatro andares. Algumas janelas faziam propaganda de professores autônomos, terapeutas, massagistas e maquiadores independentes. Nada ligado ao mundo tumultuado dos ídolos e cantores do país.

Resolveu testar se era o alvo ou se estava apenas paranóica demais e atravessou a rua para entrar numa cafeteria famosa, dessas redes que existem por todo o mundo. Pediu um macchiato grande e ficou observando a porta do local através do espelho atrás do balcão. Ainda usava os óculos de sol, mesmo sem necessidade. Uma estratégia que havia aprendido com Jimin para que não soubessem para onde estava olhando. Demoraram exatos cinco minutos — ou o tempo que levou para o seu café ficar pronto — para o fotógrafo entrar também.

Fez menção de se sentar próximo à porta, de frente para o caixa, de modo que o rapaz, provavelmente para se camuflar entre os clientes, entrou na fila para fazer seu pedido. Assim que ele ficou de costas para a porta, Lola saiu da cafeteria sem levar seu café. Foi quando recebeu a mensagem de Eun Ji.

Andou o mais depressa que conseguiu, se enfiando em becos e ruas estreitas com a agilidade que só alguém que morava pelo bairro conseguiria repetir. Torcia para não ser o caso do fotógrafo, mas não se atreveu a parar para olhar para trás até se sentir segura o suficiente.

Parou para respirar muitos blocos depois, apoiando uma das mãos na costela para tentar amenizar a dor da atividade física forçada. O fotógrafo surgiu logo em seguida, na esquina, mas não teve tempo de ver para onde ela tinha ido porque Lola resolveu entrar na primeira loja que viu com um sinal de "aberto". 

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Nota da autora: presentinho de natal pra quem ainda não desistiu dessa fic.
Bjs

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