Você é completamente louco
Deixei o cigarro no cinzeiro assim que Nolan entrou na sala jogando o pen drive em cima da mesa.
-Ele digitou a senha que abre o computador, é Gutterman2000. -parou me observando. -O que você tem?
-Nada -disse vago. -Bishop vai roubar as cargas do Silvester daqui alguns dias.
-Silvester? Will já não roubou várias cargas dele?
-Pois é também me lembrei disso quando ouvi -ele se sentou a minha frente. -Pegar essa carga vai ser o meu primeiro golpe, e ainda vou conquistar alguns pontos com ele.
-Roubando a carga? -ele riu
-Não imbecil, vocês pegam mais da metade e eu levo uma parte, não tem como ele saber o tamanho da carga.
-Tem lógica! -me levantei, peguei o pen drive em cima da mesa e guardei no bolso. -Já vai voltar?
-Eu já deveria ter voltado, se eu ficar saindo sempre e demorando eu vou levantar suspeita.
Fizemos um toque com as mãos e ele me acompanhou até a saída.
-Cadê os vagabundos que moram aqui? -abri a porta do carro.
-Sei lá, não vejo eles desde ontem, devem ta vadiando por ai. -entrei no carro girando a chave.
-Fica de olho na Dakota, dê tudo o que ela precisa, a última coisa que eu preciso é dela louca por ai ferrando com a gente.
-Pode deixar, ela vai ficar bem -balancei a cabeça concordando com o que ele dizia.
-Mais uma pergunta, que tipo de flores? -ele gargalhou alto.
-Vermelhas toda, mulher gosta de flores vermelhas.
Dei partida voando entre as ruas de Detroit, parei na primeira floricultura que vi e entrei. Uma mulher de cabelo azul e piercing no nariz me atendeu.
-O que deseja? -ela sorriu flertando comigo.
-Você -sorri de volta, eu não hesitaria em flertar com uma gata daquela, ela apenas riu mordendo os lábios. -Preciso de flores vermelhas.
-Pra sua namorada? -a segui para um balcão cheio de flores vermelhas.
-Não, é apenas para um pedido de desculpas -me aproximei ficando atrás dela enquanto ela tirava algumas flores dos jarros.
-Seria impróprio se eu pergunta-se pra quem é? -a mulher deu um passo pra trás encostando seu corpo no meu.
-Seria impróprio se eu disse que eu quero você na minha cama agora? -ele estremeceu e virou o corpo tocando seus lábios nos meus, a empurrei conta o galpão apertando seu corpo contra o meu, contornei aquelas curvas e dei um apertão nos seus seios a sentindo estremecer.
-Aqui não, eu to em horário de trabalho. -sussurrou afobada.
-Tudo bem, mas a noite você não me escapa, que horas acaba o seu expediente?
-As sete.
-Passo aqui em frente as dez, pode ser?
-Claro, eu vou estar ansiosa te esperando. - me afastei e ela pegou as flores e as embrulhou. Paguei e antes de sair da sala dei um tapa na bunda dela, vendo um sorriso sórdido brotar naqueles lábios deliciosos.
Voltei pro caro deixando as flores no banco do carona e segui de volta a toca do diabo.
Atravessei o portão cantando pneu e estacionei o carro em qualquer lugar. Fui abordado pela empregada ruiva antes de subir as escadas.
-Senhor McCann, o senhor Bishop esta a sua espera na sala de estar. -dei meia volta e fui em direção à sala de estar, que parecia mais uma sala de reunião, julgando pela quantidade de pessoas que estavam lá dentro.
Bishop, Haviier, Braun, Connor e alguns caras que sempre circulavam pela casa.
-Olha quem deu o ar da graça! -Connor gritou chamando a minha atenção, se ele não fosse um cosplay de alemão fajuto eu diria que ele gêmeo do Lil nas babaquices.
-Por favor, Connor -Bishop o repreendeu e apontou pra que eu me senta-se no sofá ao lado dele. -Venha cá rapaz. Nós temos um primeiro servicinho pra você.
-O que seria? -perguntei curioso e rezando pra que o tal serviço tivesse a ver com Silvester.
-Estamos organizando o roubo das cargas que o Silvester esta trazendo pra vender na cidade, e vamos colocar você e o Connor em observação. Como o Connor já esta aqui a um bom tempo ele vai comandar a ação e nos trazer as cargas.
-E eu?
-Você vai ficar na segurança e garantir que a carga chegue a salvo aqui.
-Só isso? -perguntei presunçoso e eles gargalharam.
-Vamos com calma garoto, acabou de chegar não vai querer sentar logo na janela. -Braun disse me olhando torto.
A conversa durou por um bom tempo, já estava tudo planejado, data, hora e local. Aquela máfia era grande e esperta. Eles sabiam como ninguém o que estavam fazendo, e não tinham medo de arriscar o pescoço um do outro pra conseguir o que queriam ou melhor o que o Bishop queria.
(...)
Mudei de canal mais uma vez enquanto esperava o tempo passar, pra finalmente poder encontrar aquela gostosa da floricultura e ter uma bela de uma foda. Eu podia ter comido ela ali na floricultura mesmo, mas... Porra as flores!
Vesti a camiseta e saí indo até o carro, eu tinha esquecido a merda das flores no banco do carona. Abri a porta e as tirei meio molengas. Já que tinha me lembrado das flores era melhor ir logo entregar.
Dei a volta no jardim indo até p é da torre e como de costume nenhum segurança por lá. Me pendurei nas plantas presas a parede e subi, pulei na varanda e abri as cortinas entrando no quarto. Ela estava sentada na cama lendo um livro, tão concentrada que nem percebeu a minha presença, usava um micro vestido que deixava as suas coxas grossas e torneada de fora, e um decote que bem, ajudava a mostrar um dos seus atributos. Ter aquela garota na minha cama não seria uma má ideia.
-Melody! -disse antes que meus pensamentos me levassem a avançar nela.
-Não canse de invadir o meu quarto? -reclamou sem ao menos se assustar com a minha presença.
-Eu vim te pedir desculpas.
-E se eu disser que não aceito as suas desculpas, você vai tentar me estrangular de novo? -perguntou fechando o livro e me observando.
-Não, eu já disse que eu não sou assim, eu apenas estava num dia ruim -ela se levantou ficando a minha frente de braços cruzados.
-E por que eu acreditaria em você? -tirei a mão das costas e lhe mostrei o buque.
-Por que é a primeira vez que compro flores pra uma mulher, só pra fazer com que ela me desculpe. -ela pegou as flores da minha mão.
-Flores murchas?
-Juro que fiz o melhor que pude -sorri tentando ser convincente e ela riu de volta.
-Como você consegue? -ela se sentou numa cabeceira da cama e eu em outra.
-Consigo o que?
-Se adptar a uma situação e usar o charme como a sua melhor arma?
-Eu não tinha percebido isso -ri meio desconcertado com a analise sela sobre mim.
-Obrigada pelas flores -ela as observou com os olhos brilhando.
-De nada -deu a volta na cama as deixando em cima de uma mesa. -O que você sabe sobre o Connor? -ela se virou me observando.
-Connor? Bem a única coisa que eu sei é que ele é sobrinho do Bishop e veio de uma escola militar.
-Há muito tempo?
-Isso eu já não sei, não circulo muito pela casa.
-Por que não? -perguntei voltando a ficar hipnotizado com aquela deusa parada na minha frente.
-Não seja curioso...qual é o seu nome mesmo?
-Romeu!
-Não , eu quero saber o seu nome de verdade.
-Esse é o meu nome de verdade.
-Mas você não tem cara de Romeu.
-Você e o Braun estão juntos? -mudei de assunto antes que ela conseguisse me arrancar alguma coisa.
-Eu o Braun? -ela riu voltando a se sentar recostada na cabeceira. -Não seja tão curioso Romeu!
-Você não vai responder mesmo né?
-Você vai me dizer o seu nome verdadeiro?
-Eu sou Romeu!
-Então não, eu não vou te responder. -riu cruzando as pernas e inconscientemente me dando vontade de te-la em meus braços.
-O que sabe sobre o Bishop? -me precipitei na pergunta sem pensar na consequência.
-Você trabalha pra ele, deveria saber o suficiente.
-Eu sou novo aqui, não sei muita coisa.
-Você tem algum senso suicida ou algo do tipo? -perguntou irritada, sem dúvida alguma essa garota é bipolar.
-Por que ta irritada? -perguntei em defesa e ela engatinhou até o ponto de ficar cara a cara comigo.
-Eu não entendo o que você tem na cabeça, entra numa casa de assassinos sem saber aonde esta se metendo e pra piorar ainda entra no meu quarto, que julgando pelo fato de que o Scooter pode entrar aqui a qualquer momento e te matar. Você é completamente maluco. -esbravejou!
-Calma! -falei no mesmo tom a segurando pelos ombros. Estávamos tão próximos que eu podia sentir a respiração quente dela no meu rosto. A sua expressão de enfurecida passou pra assustada em questão de segundos. Soltei os seus ombros e ela continuou parada, se não tivesse mexido os braços poderia jurar que ela havia se transformado em uma estátua viva. Num movimento lento ela tirou os meus óculos.
-Seus olhos. -ela sussurrou.
-O que tem?
-São lindos, mas... -era como se uma corrente de energia prende-se os nossos olhares.
-Mas?
-Eles escondem alguma coisa.
-Como assim?
-Eu não sei, mas eles me fascinam - ela se aproximou do meu rosto como se pedisse pra ser beijada, mas algo me impediu de fazer, não era falta de vontade, ela simplesmente me assustava, não exatamente ela, mas o que eu estava sentindo perto dela.
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