Second Season 10
Mirror on the wall / Espelho
A vingança é como um veneno que pode nos dominar e em pouco tempo nos transformar em uma pessoa ruim. -Magno
Ódio.
Muito ódio.
Aquele infeliz tinha me levado a um ponto que eu já não saberia mais se conseguiria voltar, a minha mão tremia desejando socar a cara dele até que o sangue começasse a jorrar por cima de mim.
-Sabia que fui eu quem encontrou o seu namorado na rua Melody? –ele começou um monologo ridículo misturado com flashbacks. –Ele tava muito ferrado quando o encontrei nas ruas dessas cidade, todo machucado, descalço. Acho que até os meninos de rua tiravam sarro dele naquela época. – ele abaixou a arma e continuou a andar calmamente. –Daí eu o levei pra minha casa, eu morava com meu tio, ele era quase um pai pra mim nós éramos inseparáveis. Até eu ser um idiota e tentar fazer desse cuzão membro da família, ele tomou o meu lugar sem pudor algum. Fez o caralho ao quadrado até virar o preferido.
-Eu nunca fiz nada pro Will gostar de mim, você que sempre foi um projeto de marginal.
-Até por que, você sempre foi um anjo, não é mesmo? –ele riu feito um louco. Mesmo de longe eu podia ver o medo que Jazzy sentia se encolhendo na cadeira. –Sabia que a primeira vez que ele matou foi aqui? –senti Melody apertar minha mão –Eu o encontrei na rua naquele dia por que ele tinha saído no braço dom o diretor do reformatório e sido expulso, o que eu não sabia era que o velho tinha morrido, aqui mesmo.
Balancei perdendo as forças momentaneamente.
-Eu não fazia ideia de que ele havia morrido, não era a minha intenção...nunca foi. –falei encarando o chão. –Eu só queria dar o fora desse inferno.
-Mas como sempre, o seu jeito foi tomando o caminho mais fácil, pelo seu egoísmo. –dei um passo a frente o encarando, sem medo algum por ele estar armado.
-Egoísmo? Você é quem ta apontando uma arma pra uma criança, simplesmente por não conseguir o que quer...
-Pelo menos eu tenho coragem de admitir o que quero, não preciso me esconder atrás de uma vingança imbecil pra justificar todo o sangue derramado nas minhas mãos.
-Quem disse que eu não? –ele riu. –Eu tomo responsabilidade por tudo que eu faço.
-E esse é um dos motivos pelos quais você tem a cabeça mais ferrada do mundo. Aposto que nem separar o certo do errado você consegue mais.
-Você por outro lado nunca soube mesmo. –ele voltou a rir.
-Eu entendo que não é certo matar, eu entendo que não é certo apontar uma arma pra uma criança. Mas eu faço só pra ter o prazer se ser temido. –ele apontou dedo no meu peito –Você faz por que é acha que é a única saída que tem. Quando nós sabemos que essa nunca é a única saída. –Se a intenção dele era mexer com a minha cabeça , ele estava conseguindo.
Lil voltou a fazer um discurso sobre o quanto eu era horrível e não deveria ter ficado com tudo que por dinheiro deveria ser ele, quando eu percebi que as armas ainda estavam no chão e os seguranças dele estavam distraídos. Aquela era a hora, eu precisava tirar as duas dali. Dei um passo pra trás discretamente ficando mais próximo a ela, enquanto Lil ainda andava a nossa volta.
-Pega a sua arma no chão e atira nos três seguranças, eu vou pra cima do Lil e você tira a Jazzy daqui. –ela soltou a minha mão.
-Tenta não ficar na minha mira. –sussurrou de volta séria encarando os seguranças que continuavam distraídos.
Parei Lil tocando o ombro dele e o fazendo prestar atenção em mim.
-Nós podemos resolver isso de outra forma –falei tentando convencê-lo, não que isso estivesse nos meus planos.
-Já disse que não, você roubou demais de mim pra eu te perdoar com uma conversinha furada de irmão pra irmão. –Instintivamente senti Melody se abaixando e agarrando a arma no chão. O momento foi como um flash, me joguei no chão puxando Lil e ouvi a metralhadora soar em cima de cima enquanto os tiros passavam freneticamente por cima da minha cabeça. Rolei pro lado e levantei assistindo Melody pegar Jazzy em seus braços enquanto ela chorava no meio das poças de sangue que se formavam.
O desgraçado mesmo jogado no chão tentava alcançar a arma que estava a centímetros da sua mão, pisei em seu pulso o impedindo.
-Pega um dos carros e some daqui com ela –gritei enquanto ela passava por mim.
-Eu volto com reforço –gritou de volta. Ela saiu com a submetralhadora nas mãos e Jazzy nos braços. Difícil acreditar na força que aquela garota tinha.
Enquanto a assistia sair fui pego de surpresa e cai após levar um chute. Quando percebi ele estava por cima de mim acertando meu rosto com um soco.
-Seu filho da puta, ela pode até sair daqui agora, mas você não vai. –ele acertou outro e eu senti uma tontura.
-Tanto vou sair, que vou até levar a sua cabeça nas minhas mãos pra não esquecer desse dia.-tiros começavam a soar, não podia dizer de onde eles vinham, mas tinha certeza que logo eles chegariam aonde eu estava.
-Will te mimou demais, deixouu você acreditar que pode fazer o que quiser e sair ileso se tiver com uma arma em mãos. – Droga a arma! Pensei logo a procurando com os olhos, ela ainda estava ali, mais um pouco e estaria nas minhas mãos.
O acertei com meu cotovelo e ele ficou lerdo por alguns instantes, o tirei de cima de mim e me estiquei tentando pegar a arma.
-Nada disso –ele gritou me puxando pela camisa. –Nunca te ensinaram a brigar feito homem? –falou rindo e vindo pra cima de mim. Nós caímos trocando socos e chutes.
-Sério que você quer sair no braço logo comigo? –eu estava por cima dele distribuindo socos pela sua cara que começava a ficar ensanguentada.
-Por que? Só por que foi criado num reformatório, acha que pode com qualquer um. –ele me acertou um chute no estomago me fazendo manter uma certa distancia. –Acho que foi você eu esqueceu quem fez Boxe durante cinco anos? –ele voltou a me atacar e eu desviei.
-Você que esqueceu quem tinha que derrubar um grandalhão pra poder almoçar –fui pra cima dele distribuindo, socos e chutes até vê-lo caído no chão.
Ele ficou caído cuspindo sangue e rindo.
-Sabe o que é mais engraçado sobre isso? –ele fez uma pausa tomando fôlego. –Você pode me matar agora, mas em pouco tempo você vai ta enterrado em uma cova do meu lado. Vai sentar do meu lado na fila pra entrar no inferno. –acertei um soco em seu rosto e ele começou a falar em meio a um choramingo de dor –Justin meu irmão, você é tão ruim quanto eu, gente pra caralho vai morrer por culpa sua, e eles só vão entrar pra lista dos seus fantasmas. –Me destrai por um segundo me perdendo no que ele dizia. E o pior de tudo é que ele estava completamente certo.
-Surprise motherfucker –ele gritou me alertando e eu o encarei, ele estava com a arma em punhos apontando pra mim.
-Você não vai atirar em mim –falei confiante.
-Você tem a arrogância do Bishop, sabe que no final das contas, vocês são bem parecidos –dei um passo a frente o confrontando.
-Não fala merda.
-Mas é verdade, vocês dois não tem limites. Dois psicopatas que precisam ser parados.
-Ele já foi parado. –falei entre dentes cerrando os punhos, o sangue corria tão rápido nas minhas veias que elas poderia estouras a qualquer instante.
-Diga o que quiser pra que possa dormir a noite. –falou sério. –Mas você é tão ruim quanto nós dois juntos.
-Acaba logo com essa porra toda –gritei perdendo a paciência –Já que vai me matar, mata logo e pega a desgraça do dinheiro que você quer.
-Calma Justin. –ele se fez de ofendido. –Antes você tem que saber o que vai acontecer.
-Ta falando do que?
-Quando o seu sangue começar a jorrar nessa sala eu vou sair daqui e eu vou –ele fez uma pausa dramática –despedaçar o corpo da Melody, ela vai sofrer mais do que Jesus sofreu na cruz e depois eu vou espalhar os pedaços dela pela cidade inteira. E depois eu vou fazer isso com cada um dos seus amigos e cara membro da sua família. –Perdi o controle.
-Atira –gritei dando um passo pra frente –Atira seu filho da puta! –ele recuou assustado –Vai seu cuzão eu quero ver o que você vai fazer. –ele continuou recuando –Se você não atirar em mim agora eu vou te matar com as minhas próprias mãos.
-Pra trás Justin –parei coma arma dele centímetros do meu peito.
-Atira e me mata logo, não era isso que você queria? –segurei o cano da pistola. –Me mata.
-Seu pedido é uma ordem –lentamente seus dedos tocaram o gatilho.
Melody's P.O.V.
Não demorou muito pra que eu encontrasse a saída, Jazzy chorava desesperada no meu colo. Eu estava tão assustada que se pudesse choraria tanto quanto ela estava chorando. Passei pelos portões vendo seis carros encostarem no mesmo instante. Era o Nolan com reforço.
-Cadê todo mundo? –ele gritou saltando do carro e vindo na minha direção.
-É uma armadilha, o Lil nos pegou de surpresa, eu consegui escapar mas a coisa ta feia lá dentro. –disse abrindo a porta de um dos carros e colocando Jazzy no bando de trás.
-Okay, saí daqui com a Jazzy que eu vou entrar e dar um jeito nessa bagunça.
-Não! –falei e parei um dos seguranças. –Tira ela daqui, e a leve pra um lugar a salvo. –Nolan me encarou enquanto eu me abaixava e falava com ela. –Olha aqui meu amor, não precisa mais ter medo, ele te vai te levar pra casa e tudo vai ficar bem.
-E o Justin? –ela choramingou. –Eu quero que o Justin me leve pra casa.
-Ele vai meu amor, mas primeiro eu tenho que ir lá dentro buscar ele ta bom. –ela assentiu e eu fechei a porta. Antes de saírem eu encarei o segurança. –Se acontecer alguma coisa com ela eu corto o seu pau e faço você comer ele depois –ele assentiu sério e entrou no carro.
-Quem é você e o que fez com a Melody? –Nolan perguntou enquanto eu tomava frente o guiando.
-Cala a boca e só a adrenalina. –respondi enquanto entravamos no lugar.
Segui a direção dos tiros que começava a ouvir. Passamos por algumas salas até rendermos alguns caras, eles estavam executando os homens de Justin, só restava um deles de pé.
-Cade o Ryan? –perguntei afoita.
-Na sala ao lado –enquanto Nolan e os outros caras tomavam conta dos caras que começavam a surgir fui em direção a sala ao lado.
Ryan estava acorrentado ao teto, seus pés estavam a pouco centímetros do chão.
-Vai ficar encarando meu corpo sexy ou vai me tirar daqui? –falou me encarando.
-Imbecil –murmurei o soltando. –Nolan ta aqui na sala ao lado, vai ajuda-lo eu vou atrás do Justin. –antes que eu pudesse me virar ele me puxou.
-Cuidado, Justin deve ta no limite dele. –ele me encarou tão sério que senti um calafrio percorrer minhas costas.
-Eu sei lidar com ele. –ele me soltou.
-Não você não sabe –falou enquanto eu passava pela porta.
Sai dali tentando não me incomodar com o que ele havia dito. Fui obrigada a atirar em alguns homens que surgiam do nada na minha frente, por alguns instante pensei que tivesse perdida, eu não conseguia encontrar o pátio. De repente ouvi mais tiros, no entanto eles vinham da direção oposta que eu percorria. Segui o som até finalmente encontrar o pátio. E me deparar com uma cena perturbadora.
-Não!
Justin's P.O.V.
-Atira e me mata logo, não era isso que você queria? –segurei o cano da pistola. –Me mata.
-Seu pedido é uma ordem –lentamente seus dedos tocaram o gatilho.
Seguindo meus instintos e reflexo puxei a arma da mão dele vendo o tirar acertar o teto do local. Eu já não conseguia pensar, tudo o que eu queria era ele morto. A raiva dentro de mim era tão grande que eu não conseguia me controlar, não enxergava nada a minha frente, sentia o sangue melando as minhas mãos mais não conseguia explicar como estava acontecendo. Meus punhos não paravam, aquela sensação era deliciosamente insana.
-Não! –ouvi uma voz distante gritar na minha cabeça –Para Justin! –a voz desesperada da Melody me pegou de surpresa. Quando voltou a encarar Lil, tudo que via era o seu corpo desfigurado e sem vida, e o meu corpo coberto pelo seu sangue. Se me perguntassem como eu fiz aquilo, eu definitivamente não conseguiria responder. –Ela ta morto –Melody sussurrou se aproximando e encarando o corpo.
Tomei distancia dela tentando respirar, meu corpo ainda tremia e os meus nervos começavam a dar espasmos.
-Justin –ela veio na minha direção ainda me encarando assustada.
-Não chega perto –disse tentando evitar que ela me tocasse.
-Calma ta –ela tentou parecer tranquila mas eu podia ver o medo em seus olhos. Medo de mim.
-Eu to calmo –falei frio –Mas não chega perto de mim. –falei saindo dali sem olhar pra trás.
***
Estava tão transtornado que só percebi quando estava dentro do carro numa estrada que nem sabia pra onde ia. O sangue começava a esfriar e a minha cabeça a pesar, meu peito queimava em ódio, mas dessa vez o ódio não tinha direção. A sede de vingança que eu sentia fazia minha cabeça queimar, e os pensamentos começavam a vir como um caminhão passando por todas as paredes dentro do meu cérebro que a impediam de passar. Parei o carro em um posto de beira de estrada e saltei caminhando desnorteado na direção do banheiro bati a porta entrando no banheiro e parei.
Parei em frente ao espelho encarando o meu reflexo. E naquele instante ele refletia um homem de olhos vermelhos, rosto machucado e corpo coberto por sangue. Ele me refletia como eu era por dentro. Um monstro.
As lágrimas jorravam pelo meu rosto queimando como ácido. Depois de tanto tempo aquela era a primeira vez que eu olhava no meu espelho e tinha coragem de me encarar. E sentia um grande desprezo pelo que eu refletia. E logo atrás de mim eu podia ver nitidamente os fantasmas que me perseguiam noite após noite, os rostos que me perseguiam durando meu sono. Cada vida que eu me lembrava de ter tirado. E mais no fundo eu via o rosto da Melody, a vida que mais cedo ou mais tarde eu acabaria tirando, ainda que fosse sem querer.
-Eu matei a única pessoa nesse mundo que já estendeu a mão pra mim –o reflexo no espelho falava comigo –Você matou seu próprio irmão. –ele continuou.
-Eu não tive opção –respondi automaticamente.
-Você é um covarde –ele cantarolou –Você é um assassino, um assassino –ele repetia sem parar me levando a loucura.
Enquanto a voz ecoava na minha cabeça meus batimentos aumentavam e eu começava a ouvir o barulho do meu próprio coração. E eu então eu perdi os sentidos por alguns segundos.
-Solta ela -gritei em meio a um choro que insistia em sair. Mas quem ouviria um garotinho de seis anos.
Fui completamente ignorado, o homem velho se aproximou dela que permanecia de cabeça baixa, soltou as cordas que amarravam seu corpo, quando pensei que ele fosse a soltar e nós fossemos voltar para a casa imediatamente, vi os punhos dele acertando seu rosto e ela indo ao chão junto a minha esperança. Ela estava sendo espancada na minha frente, e eu simplesmente não conseguia mais reagir, eu gritava "soltem-na" e chorava, mas não conseguia mover um músculo.
Seu corpo estava quase imóvel no chão, ela sangrava e tinha várias manchas vermelhas no rosto. O velho a puxou pelo cabelo e outros dois homens que já estavam na sala a seguraram de pé pouco mais a minha frente.
-Pare de colocar a culpa de tudo que aconteceu no Bishop –a voz voltou a falar enquanto eu encarava o espelho –Assuma suas responsabilidades, tome controle da sua vida. Isso só vai acabar quando você morrer –meu rosto começou e desfigurar no espelho. –Tome controle da sua vida! –ele gritou e eu acertei o espelho o quebrando em pedaços.
Me apoiei na pia abaixando a cabeça me deteriorando em dor.E pela última vez naquele dia eu ouvi o que na verdade era a minha consciência falar mais auto do que o meu ódio crônico.
Eu sou um homem refém os meus próprios pensamentos e condenado pela minha sede de vingança.
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