Second Season - 04
Demons
"Não se aproxime muito
É escuro aqui dentro
É onde meus demônios se escondem" -Demons
Nós estávamos sentados na sala de estar encarando uns aos outros enquanto comíamos os biscoitos preparados por Diane, digo minha avó, manusear uma metralhadora de porte militar me parecia mais fácil do que me acostumar com aquilo. Meus poucos momentos de "voltei família" haviam passado e eu estava apreensivo com o que aconteceria a seguir. Eles pareciam ser boas pessoas, não queria que nada de mau acontecesse, no entanto eu não podia controlar meus inimigos principalmente aqueles que eu nem sabia quem eram.
-Então...-Diane começou a falar atraindo toda a atenção pra ela -Essa não é a melhor hora de falar sobre isso, mas eu realmente precisa saber. -ela fez uma pausa respirando fundo, como se tivesse medo da minha resposta. -Será que você poderia nos levar ao tumulo da sua mãe?
-O que? -perguntei sem entender. Ela deveria saber onde é o tumulo da minha mãe.
-Eu sinto muito deve ser um assunto delicado em lidar ainda, mas... eu preciso ter certeza de que ela esta morta. Digo, poder levar flores e quem sabe ler algumas palavras na frente da lapide dela. -Melody me encarou como quem dizia "não seja insensível" .
-Mas a minha mãe foi enterrada aqui, Helena uma velha amiga da minha mãe me disse a algum tempo que havia contactado vocês e mandado o corpo, pra que pudesse ser enterrado aqui. -Os dois se entreolharam assustados.
-Me lembro de Helena, nos falamos duas ou quatro vezes quando soube da morte da minha filha, ela disse que mandaria o corpo, mas nunca chegou aqui. Depois falou algo sobre ter a enterrado lá mesmo e sumiu. Não consigo falar com ela desde então.
-Quanto tempo faz isso? -perguntei curioso e desconfiado.
-Uns dez anos. -ela disse calma.
-Mas minha mãe morreu há quase quinze anos, como ela ia te mandar o corpo depois de tanto tempo? -Bruce levantou com um olhar preocupado.
-Tem alguma coisa erra aqui -ele murmurou pra si mesmo -O que aconteceu com sua mãe? -ele me encarou esperando uma resposta.
-Como assim?
-Como ela morreu? Nós não tivemos nenhuma informação.
-Vocês não vão querer saber - de repente todos os olhares estavam em cima de mim.
-Nós precisamos Justin, quase morremos de preocupação quando Pattie parou de nos dar noticias de vocês e logo depois descobrimos que ela estava morta, não tínhamos ideia de onde estava. -Ele respirou fundo tomando forças pra continuar -Nós te procuramos como loucos durante anos, nós distribuímos fotos suas, fomos a policia você apareceu até na televisão e com o passar do tempo foi dado como morto. Mas até hoje nos não sabemos o que aconteceu. -disse por fim se sentando.
-Ela foi assassinada - respondi, mas a minha cabeça girava em torno o que ele dizia. Eles haviam me procurado -Ela foi assassinada por bandidos.
-Eles foram ao menos punidos? -Diane perguntou levando a mão ao peito preocupada.
-Foram sim, podem ficar tranquilos quanto a isso. Eles pagaram o suficiente pelo que fizeram para ela.
-E você, com quem ficou? -Não era a minha parte favorita ter que relembrar o passado.
-Eu fui pra uma casa de adoção ...-Melody me encarava de um jeito estranho -e depois fui adotado por uma família..ahmm...interessante. -Não seria muito divertido dizer que eu tinha sido encontrado na rua e depois acolhido por um traficante.
-Fico feliz que finalmente tenha chegado aqui, são e salvo -Diane sorriu.
-Claro. -respondi encarando os porta-retratos em cima da lareira eu não tinha visto todos ainda.
-Nós precisamos ir. -Melody disse levantando.
-Mas já?
-Sim, dona Diane. Chegamos agora pouco, nem pro hotel fomos ainda. -As duas deram as mãos e se abraçaram enquanto eu levantava.
Nos despedimos eles nos levaram até a porta.
-Posso lhe fazer um pedido Justin? -Diane veio na minha direção segurando uma das minhas mãos.
-O que quiser.
-Venha tomar café da manhã conosco, eu imploro. -ela me deu um beijo na bochecha emocionada e se afastou -Seria um sonho poder tomar café da manha com meu menino de novo.
-Tudo bem, eu venho sim. -nos distanciamos e entramos no carro enquanto eles nos observavam de longe.
Como sempre minha cabeça parecia querer explodir a qualquer segundo. Relembrar meu passado e pensar em tudo que eu havia perdido graças aquele monstro fazia meu sangue ferver de ódio. As vezes eu me perguntava por que eu havia o matado eu deveria ter o deixado vivo preso em um buraco sujo pra usar como saco de pancadas cada vez que eu sentisse raiva por tudo que havia perdido e que tinha sido forçado a fazer.
Melody's P.O.V.
Ele estava estranho, mas do que o normal. Parecia perturbado com seus próprios pensamentos. O caminho até o hotel foi completamente desconfortável, ele não falava ou fazia qualquer movimento que demonstrasse o que estava passando pela cabeça dele. Apenas ficava olhando pro nada e se movimentando como se tentasse tirar algo de suas costas ou cabeça.
Fizemos o check in no hotel e seguimos pro quarto. Ele ainda não havia dito uma palavra sobre ter conhecido os avós, talvez eu estivesse forçando a barra, mas queria saber como ele estava.
-Justin ? -ele me encarou por um segundo e pegou uma toalha.
-Vou tomar banho -disse logo entrando no banheiro.
Como eu havia dito, ele estava estranho. Deveria no mínimo ter me chamado pra ir com ele. Puxei minha mala pra cima da cama procurando um pijama, que por - má -sorte estava no fundo da mala. Tirei boa parte das roupas até encontra-lo. Justin saiu do banheiro enrolado em uma toalha e secando o cabelo com outra.
-Ta tudo bem com você?
-Por que não estaria? -respondeu pegando algumas peças de roupa na sua mala.
-Por que você ta calado desde que a gente chegou e isso ta me assustando.
-Não tenho muito o que falar.
-Depois de tudo o que aconteceu hoje você não vai falar nada? -ele me ignorou se vestindo -O que eu disse sobre a morte da sua mãe e o que aconteceu com você depois pros seus avós eu... -ele se virou me cortando.
-Não começa ta, eu sei que eu menti -Justin começou a me atacar com as palavras em um tom insultuoso -Talvez eu não devesse mentir pra eles, mas eu percebi que eles são diferentes, não são loucos como você que acham isso normal ou simplesmente aceitam. Agora cala a boa e vai dormir -por alguns segundos eu fiquei estática, por que diabos ele estava explodindo comigo.
-Você é um imbecil sabia -falei irritada, minha vontade era de estapear ele por ser tão grosso.
-Claro que sei, você grita isso pra mim sempre que houve o que não quer.
-Quer dizer quando você age feito um imbecil. -joguei o resto das roupas dentro da mala e a empurrei pro chão. -As vezes você torna difícil a convivência com você. -peguei uma toalha em cima da mesa. -O que tem de errado com você? -dei as costas indo em direção ao banheiro. -E só pra contar eu ia dizer que tinha sido incrível da sua parte não ter contato tudo a eles e os assustado.
Bati a porta respirando fundo e me controlando pra não voltar lá e terminar aquela discussão. Justin era o amor da minha vida, mas certa parte do tempo era bem difícil não odia-lo. Ele me enlouquecia sendo um brutamontes imbecil e qualquer outro adjetivo pejorativo que me viesse a cabeça. Justin era a pessoa mais difícil de amar na face da terra em seus ataques de raiva, ela era incrível, mas aquele temperamento explosivo às vezes me fazia perguntar a mim mesma, por que eu tentava tanto, por que eu ainda estava com ele. As vezes queria passar o resto dos meus dias em seus braços o ouvindo dizer o quanto me amava e outras queria colocar as mãos em seu pescoço e apertar até vê-lo desmaiar.
Deixei a água cair no meu corpo enquanto esfriava a cabeça.
Sequei o corpo e voltei pro quarto, ele já estava deitado. Mexia no celular trocando mensagens com alguém, provavelmente algum dos seus contatos. Me vesti e deitei ao seu lado. Era uma situação estranha e nada comum, mas de forma alguma eu ia dar o braço a torcer e ceder aos pitis dele.
Antes que eu pudesse me dar conta estava dormindo, em um sono profundo, me distanciando de todos os pesadelos reais.Meu corpo relaxava em um sono profundo até começar a ser acordado lentamente por grunhidos e uma movimentação irritante na cama. Abri meus olhos lentamente e resmunguei.
-Justin fica quieto! -mas não parecia parar. Estiquei o braço e liguei o abajur, me virei o encarando e me assustei com o que vi. Ainda que não fosse a primeira vez.
Ele suava frio e murmurava coisas estranhas, respirava descompassadamente se movendo na cama.
-Justin! -o chacoalhei da forma mais delicada possível chamando seu nome até que ele finalmente acordou como se tivesse sido resgatado de afogamento.
-O que? -perguntou encarando o teto.
-Você tava tendo pesadelo. -ele se sentou na cama. -De novo.
-Não é como se eu pudesse controlar. -ele resmungou, mas não de uma forma ofensiva. Justin sentou na beirada da cama se curvando apoiando o próprio rosto com as mãos.
-Ta tudo bem? -perguntei me aproximando e sentando ao seu lado.
-Eu não sei, eu preciso de um pouco de ar. -Levantei o puxando até a varanda do quarto, havia algumas poltronas e uma mesa de café da manhã. Nos sentamos, Justin estava distante.
-Sabe que essa não é a primeira vez que eu te acordo depois de um pesadelo né? -perguntei. Na maioria das vezes eu o acordava e ele virava pro outro lado fingindo que nada tinha acontecido e voltava a dormir.
-Infelizmente sim. -ele estendeu o braço alcançando a minha mão a apertando -Desculpa pela forma como eu agi, eu fui um imbecil e você tava certa. Não deveria ter falado com você daquele jeito.
-Mas falou e não foi nada divertido ouvir você gritando comigo por nada -desabafei sem querer -Mas eu já me acostumei.
-Não deveria, eu não quero que você se acostume com o lado obscuro, eu não quero ser o tipo de cara que faz você se perguntar por que ainda esta ao meu lado -irônico isso já que era exatamente o que eu fazia as vezes, pensei -Eu só agi daquele jeito por que eu estava perturbado e com..
-Medo -falei mesmo sabendo que ele nunca admitiria.
-Isso, medo -pra minha surpresa ele admitiu. Não pude evitar encara-lo extasiada por alguns instantes. - Eles são ótimas pessoas Melody, do tipo que você mal consegue acreditar que realmente existem. Se alguma coisa acontecer com eles por culpa minha, vai ser mais uma coisa na lista do que eu nunca vou me perdoar por.
-Do que exatamente você ta falando?
-Eu sempre acabo machucando ou sendo a razão pela qual alguém a minha volta morre, e a minha lista de arrependimentos só parece crescer. -sai do meu lugar me sentando em seu colo. Não era comum vê-lo de guarda baixa e quando isso acontecia doía em mim. Eu via o quão ele se esforçar pra ser forte, mas as vezes era difícil. Apesar de tudo ele era feito de carne e osso assim como eu.
-Você não pode ter o controle sobre tudo -passei as mãos em seus cabelos fazendo cafuné.
-Mas eu queria, lutar contra um inimigo cara a cara é bem mais fácil do que ter que enfrentar um que você talvez nunca tenha visto. Eu prefiro saber quem vai dar um tiro na minha cabeça do que ficar perdido no meio de uma multidão esperando o tiro chegar e arriscar a vida de alguém que eu me importe.
-Isso vai acabar logo, eu tenho certeza que nós vamos encontrar esse filho da puta e você vai mostrar pra ele do que Romeu McCann é capaz. -ele riu fraco encarando céu.
-Ele mexeu com a minha família Mel, ele mexeu com Justin Bieber!
***
-Essas panquecas estão maravilhosas -Justin disse se entupindo de comida. Nós estávamos ali a horas, acredito que Justin tenha tido um tempo família maior do que ela já tivera em toda a sua vida até aqui. De conversas sobre hockey a fotos do Justin recém-nascido. Diane havia feito dezenas de ligações para família e colocado Justin no skype com dois ou três tios que no final da conversam sempre davam um conselho sobre sexo ou filhos. Ele finalmente estava agindo normal, o que não era normal e me deixava mais preocupada do que eu já estava, ele estava com medo e só depois de ouvi-lo confessar percebi o quão ferrado nos estávamos.-Eu estava pensando, precisamos tirar essa história sobre onde minha mãe foi enterrada, que tal vocês dois irem conosco até nossa casa -nossa casa? Pensei -por uns dois dias e nós descobrimos isso.
-Só se você prometer que volta e conhece seu pai e o resto da família e seu pai, nós vamos -Diane disse com o maior sorriso do mundo. Eles eram tão bons que as vezes pareciam ingênuos.
-Fechado! -Justin levantou o copo de suco fazendo um brinde no ar.
***
(...)
O avião estava prestes a pousar. As coisas haviam acontecido tão rápido que eu nem conseguia assimilar tudo que havia acontecido.
-A senhora não acha perigoso viajar com dois desconhecidos ? -perguntei enquanto caminhávamos pelo hall do aeroporto indo em direção ao estacionamento.
-Justin é meu neto e eu acredito nisso. Além do mais sinto no fundo do meu coração que ele é uma pessoa maravilhosa. -um dos seguranças abriu a porta do carro pra ela que sorriu encantada. Me sentei ao lado dela, Justin foi dirigindo e Bruce ao seu lado -Pra que tantos seguranças Justin? Por acaso você é muito importante ou famoso por aqui? -ela perguntou curiosa. Ele riu me encarando pelo retrovisor.
-Mais famoso do que você possa imaginar Diane!
-O que exatamente você faz meu bem? -ela me encarou.
-Hamm, eu... -pensa rápido garota -sou gerente de uma grande loja no shoping. -disse logo me perguntando que diabos de emprego eu tinha inventado e por que eu estava mentindo.
-Que bom, e você Justin? -Bruce perguntou.
-Eu sou presidente de uma empresa automobilística -respondeu rápido. Não era bem mentira já que ele vendia carros apesar de serem roubados, mas isso não vem ao caso.
O caminho foi cheio de perguntas curiosas e respostas falsas que fariam com que parecêssemos normais.
Justin's P.O.V.
Não era tão agradável quanto parecia mentir para os meus avós, mas parecia ser a única saída. Contar que eu era um criminoso não estava entre os meus planos, um dos motivos de querer que eles voltassem pra casa comigo era garantir que eles ficassem a salvo enquanto eu trabalho nos meus problemas pessoais.
Parei o carro na porta buzinando pros seguranças abrirem a porta estranhamente só havia um deles por ai, apesar de eu ter exigido segurança redobrada.
-Onde estão os outros seguranças? -perguntei quando ele veio conferir quem era no carro.
-Foram dispensados.
-Quando e por quem?
-Algumas horas atrás, eles disseram que o chefe havia lhes dado folga o resto do dia.
-Eu avisei que voltaria hoje e gostaria de todos -Bruce e Diane prestavam atenção no que acontecia antes de eu me lembrar que eles estavam ali -Os meus funcionários trabalhando.
-Eu sei senhor, mas eles disseram que receberam ordens do chefe, não havia nada que eu pudesse fazer.
-Nolan ta na casa?
-Não, ele saiu cedo e não voltou ainda. -Eu não podia ficar uns dias fora de casa e tudo já virava bagunça.
-Ryan?
-Acredito que esteja na casa, mas não o vi.
-Tudo bem. Falo com você mais tarde -disse acelerando e entrando na casa. Estacionei no jardim e nós descemos.
-É uma linda casa! -Diane cantarolou encarando cada canto da casa.
-Vamos entrar -Melody os convidou entrando em casa. Nos sentamos enquanto Melody ia até o quarto buscar algo eu tive que ficar fazendo, algo no que eu era nada bom.
-Você ser bastante rico filho, pra ter uma casa chique dessas -Bruce disse observando a casa.
-Eu apenas ganho pelo que trabalho -Ironia não?
-Adorei o papel de parede, e esse vasos... -Diane andava entre os móveis os observando, eu até que tava gostando da companhia deles, mas não via a hora de me livrar deles. -são de alguma dinastia oriental?
-Não faço ideia, a minha madrasta que decorou a casa. -respondi tentando não demonstrar o meu tédio.
De repente um grito vindo do segundo andar nos pegou surpresa. Era a Melody, logo depois ela gritou meu nome num tom desesperado.
-Fiquem aqui, eu já volto. -disse subindo as escadas.
Puxei a arma da cintura a mantendo em punhos, o corredor estava escorregadio, parecia que alguém tinha joga água por lá. Quase todos os quartos estavam com a luz ligada, menos o meu. Me aproximei cautelosamente e entrei no quarto me deparando o cena macabra.
Melody chorava desesperadamente congelada na frente do corpo de Dakota. Ela estava pendurada pelo pescoço em cima da cama, o sangue dos seus pulsos cortados pingava em cima da minha cama.
-Não olha pra isso -me movi quando o choque da cena passou e puxei Melody pros meus braços a protegendo daquela visão.
Mate seus demônios quando estiver acordado e eles não te assustaram quando estiver dormindo. O que eu faço quando os pesadelos começam a surgir quando estou acordado?
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