Second Season - 01
Prólogo - Peace Is Gone
Mascarado como um homem com uma razão
Minha charada é o evento da estação
E se eu reivindicar ser um homem sábio, significa que eu não sei - Kansas
Meu corpo ainda pegava fogo, mesmo nu e descoberto parecia que uma fogueira estava acesa dentro de mim. A respiração ofegante de Justin ao meu lado não ajudava na situação, nós já devíamos passado do segundo round ou coisa assim, e eu ainda sentia que queria um pouco mais dele. Era loucura, mas aquele homem acabava com o pouco de sanidade que eu ainda tinha. Ele se debruçou por cima de mim mordiscando o meu lábio inferior.
-Eu to de louco de fome, mas me da até tristeza em levantar dessa cama –sussurrou com os lábios próximos aos meus.
-É melhor a gente levantar logo, se não quem não vai sair daqui sou eu. –resmunguei rindo.
Ele pulou da cama pegando uma calça de moletom e vestindo. Por alguns segundos ele ficou me observando com um olhar guloso e deslumbrado ao mesmo tempo.
-Justin! –chamei sua atenção me sentando na cama. –Para de me olhar assim –ri envergonhada e joguei um travesseiro nele.
-Você é a mulher mais linda desse mundo –disse me deixando com mais vergonha ainda. –Você é tão gostosa que deveria levantar e ficar aqui ao meu lado te observando.
-Como você consegue ser tão bobo? –ele riu abrindo a porta –Some daqui!
-Você não vem?
-Daqui a pouco eu desço, vou procurar algo pra vestir.
Ele saiu e eu levantei da cama abrindo o closet e procurando algo pra vestir, peguei umas peças intimas e uma das camisetas gigantes dele. Me vesti, prendi o cabelo e abri a porta. Saí olhando pros meus pés e pensando no quão feio estava o meu esmalte, de repente um par de tênis pretos surgiu na minha frente, olhei pra cima e encarei Ryan.
-Oi – disse vagarosamente e um pouco surpresa por vê-lo transitar pelos corredores da casa aquela hora.
-Oi –ele respondeu sem me dar muita atenção. –Não sabia que tava aqui.
-Claro você não fica mais em casa –tentei brincar e fazê-lo rir, mas ele continuou sem se importar. As coisas estavam estranhas entre nós, de dois meses pra Ca ele resolveu que não se importaria mais comigo, queria muito saber o motivo.
-Eu tava me referindo à viagem. –ele encarou o chão por alguns instantes. A seriedade dele me deixava nervosa.
-Ah, eu cheguei hoje à tarde e vim direto pra cá ver o Justin. –ele se moveu dando um passo pra frente.
-Legal –quando ia passar por mim segurei seu braço.
-O que ta acontecendo Ryan? –perguntei num tom mais triste do que eu podia imaginar. Ele soltou o braço da minha mão delicadamente e continuou andando em direção ao seu quarto.
-Ta tudo bem –disse antes de entrar e fechar a porta.
Aquela pequena conversa só tinha servido pra aumentar a confusão na minha cabeça. Desde que tudo havia finalmente acabado –pouco mais de seis meses atrás –e a paz se tornado presente Ryan era a pessoa, além de Justin, que eu mais conversava, nós éramos amigos e agora ele me trata feito uma estranha.
Desci as escadas e entrei na cozinha e encontrei Justin tirando várias coisas da geladeira e jogando em cima da mesa, ele estava debruçado procurando algo na gaveta de verduras, de bumbum pra cima. E que bumbum. Passei por trás dele dando-lhe um tapa e ouvindo seu riso abafado dentro da geladeira.
-Por que demorou tanto? –perguntou fechando a geladeira.
-Não foi nada, posso te fazer uma pergunta? –pulei na bancada me sentando.
-Claro. –ele fazia uma bagunça em cima da mesa tentando montar um sanduíche.
-Ta tudo bem com o Ryan? –ele me encarou como quem dizia "que pergunta é essa"
-Claro que ta. –voltou sua atenção ao seu projeto de sanduíche.
-Tem certeza?
-Sim.
-Mas ele ta estranho Justin –sem perceber eu soltei o verbo como um papagaio. –ele não fala comigo, sempre que eu tô aqui ele da um jeito de sair da casa, parece até que ele não gosta de mim, ele ta me evitando. Diz ai o que eu fiz pra ele? Agora eu sou leprosa ou o que? Eu sou tão chata assim? –Justin soltou a faca na mesa vinda na minha direção enquanto eu tagarelava. –é sério o que ta acontecendo? Morreu alguém da família dele eu to sendo inconveniente? Eu to fedendo...
Justin envolveu a minha cintura encostando os lábios nos meus e calando a minha boca de uma ver por todas.
-Senti sua falta –sussurrou afundando a cabeça no meu pescoço.
-Foi só uma semana e a gente se falou todos os dias. –mordisquei o lóbulo da sua orelha fazendo ele me encarar. –A Família do Scooter perguntava a toda hora como você era e quando eles te conheceriam.
-Eles não são só a família do Scooter, são sua família também. –fingi um sorriso forçando tentando demonstrar o quanto aquilo parecia estranho. Eu era sozinha e do nada tinha uma família enorme que se reunia no domingo pra fazer churrasco.
-Falando em família, quando você vai atrás da sua? –ele me soltou voltando a mesa e mexendo no seu sanduíche.
-Não sei.
-Agora que todo aquele rolo acabou, o Bishop ta morto, não tem mais motivo pra você não procurá-los. –ele parecia ignorar o que eu dizia a partir dali.
-Eu to muito ocupado agora Mel, depois eu cuido disso.
-Depois quando? Já sei quando você precisar de um rim? –ele não respondeu, parecia meio irritado com o rumo que a conversa tinha levado. Abriu a geladeira pegando uma garrafa de refrigerante e abriu enchendo um copo.
Pulei da bancada indo até ele e o abraçando por trás.
-Eu sei que você não gosta desse assunto, mas a minha boca fala mais do que o meu senso. –ele soltou os meus braços da sua cintura e virou o corpo me puxando pra um beijo calmo e preciso.
-Você deveria passar mais tempo aqui –disse ofegante com a testa colada na minha.
-O seu ataque de amores ta começando a me assustar.
-Eu to falando sério, por que não vem morar comigo?
-Com você e o seus fies escudeiros? Vai ser muito estranho. –passei os braços em volta do seu pescoço.
-Se eles são o problema, eu os expulso.
-Expulsar, ta louco – ri alto da cara de palhaço que ele fazia.
-Se for pra ter a minha garota comigo, eles que vão morar na sarjeta to nem ai –a gargalhada dele misturou com a minha ecoando pela cozinha.
De repente, um ruído de vidro sendo quebrado ecoou seguindo pelo barulho de uma metralhadora sendo descarregada por toda a casa. Justin me agarrou e nós caímos no chão instintivamente. Podia sentir o coração dele disparado nas minhas costas, o meu não estava diferente.
-De onde isso ta vindo? –perguntei assustada com o barulho das balas quebrando tudo.
-De todo lugar –resmungou olhando em volta na procura de alguém. Os vidros da janela da cozinha foram estilhaçados algumas balas entraram e caíram no chão.
Assim como começou a coisa acabou, do nada. Com tudo aparente calmo ele levantou de cima de mim e foi em direção dos armário da cozinha vasculhando as gavetas e pegando uma arma ali dentro.
-Você guarda armas na gaveta da cozinha.
-O que você esperava? Doces. –disse bravo. O que era compreensível.
Levantei pegando a outra arma dentro da gaveta e o acompanhei até o outro cômodo vendo tudo destruído, Ryan surgiu correndo nas escadas com a arma em punhos.
-Que porra foi essa? –perguntou nos encarando.
-Eu não sei, mas quando encontrar o filho da puta que fez isso ele vai se arrepender de ter nascido. –disse entre dentes mirando na porta que acabar de se abrir, era Carl, um dos seguranças.
-Tem uma prostituta no jardim da frente, ela disse que tem um recado pra você. –Nos entreolhamos e seguimos pro quintal dando de cara com a louca com uma arma na mão.
Ela parecia atordoada consigo mesmo, estava suja de sangue, com a pouca roupa rasgada e um sorriso homicida no rosto.
-Então, qual de vocês é o famoso Romeu McCann? –gritou chamando a atenção de todos.
-Quem é ela? –perguntei encarando Justin e Ryan, mas nenhum deles parecia saber a resposta.
-Eu sou, o que você quer? –Justin deu um passo pra frente encarando a mulher. –Tem cinco minutos pra falar antes que eu estoure a sua cabeça.
-Droga, esqueceram de avisar que você era um puto de um gostoso, será que não rola uma foda antes do recado.
-Se você não falar logo quem vai estourar a sua cabeça sou eu –esbravejei assustando a vadia.
-Calma ai amiguinha – ela tava tão chapada que eu nem sei se conseguiria da um passo a frente. –Me mandaram um aviso mas eu nem sei o que significa mesmo. –ela respirou fundo e começou a falar prendendo a atenção de todos. –Judas entrou na sua vida como amigo, ele te salva do perigo e conquista a sua confiança. Mas se nem Jesus conseguiu se safar o que um pobre Romeu conseguirá fazer? Olhai e Vigiai, pois um dos seus vai marcar as notas de cem dólares dele com o seu sangue. –Ela se calou e nos encarou rindo, todos estavam estáticos com o que ela havia dito, que diabos aquilo significava?
-O que você quer dizer com isso? –ele perguntou dando mais um passo pra frente.
-Tudo o que eu sei é que você vai morrer, ou vai desejar que isso aconteça. –Justin avançou na direção dela que apontou arma pra própria cabeça.-Adeusinho –ela gargalhou e apertou o gatilho se matando ali mesmo.
Justin foi em direção a um dos seguranças e começou a berrar perguntando o que tinha acontecido. Corri na direção do corpo da garota que começava a se afundar na própria poça de sangue, ela cheirava mal. Me aproximei vendo seu rosto e logo algo me chamou, havia uma marca no seu peito, uma tatuagem como as dos gangster dos quais Justin tanto falava.
-Justin! –gritei enquanto encarava a marca –Ela é uma deles, é uma gangster. –ele me encarou sem reação, ou melhor ficando mais nervoso do que estava. –Tirem o corpo dela daqui e deixem em algum necrotério. –ordenei pra um dos seguranças que passava perto de mim.
Me distanciei dali e sentei em um dos degraus de entrada da casa. Minha cabeça estava a mil, o jardim parecia um formigueiro. Justin estava atordoada de uma forma que eu não via há tempos, toda a paz parecia estar descendo ralo abaixo. Abaixei a cabeça entre as pernas tentando me acalmar.
-Mel –Justin surgiu na minha frente levantando meu rosto. –Levanta. –ele me puxou me arrastando pra dentro da casa. Ele seguiu pro escritório e eu me sentei no que restava da sala por alguns instantes. Ryan passou por mim com um olhar preocupado.
-Ta passando mal? –perguntou me encarando antes de seguir pro escritório.
-Eu tô bem –forcei um sorriso e me levantei o acompanhando.
Justin's P.O.V.
O sangue pulsava tão forte nas minhas veias que eu podia jurar que elas estavam saltando dos meus braços. Aquilo não podia estar acontecendo, depois de tanto tempo um infeliz resolve infernizar a minha vida.
-Que merda foi aquela lá fora –Nolan gritou pro chefe de segurança.
-Eu não sei, ninguém viu de onde veio. Parece até que tava aqui dentro –disse confuso sem coragem de me encarar.
-O que a gente faz? –Nolan andava de um lado pra outro tão nervoso quanto eu.
-A gente vai pegar o desgraçado que aprontou e vai matar, simples assim –me sentei puxando um cigarro da gaveta a acendendo.
-Como você pretende rastrear, a vagabunda se matou. –esbravejou chutando uma das cadeiras. Melody entrou na sala nos encarando.
-A gente vai atrás até encontrar. –ela se aproximou da mesa com uma cara nada boa.
-Espera, você ta pensando em ir atrás da pessoa que fez isso?
-Mas é claro que eu vou, ou você acha que eu vou sentar e curtir a vida. –ela me enfrentou de braço cruzados.
-Tem alguém te caçando e você quer ir atrás dele, se te pegarem te matam.
-Não se eu encontrá-los primeiro.
-Você não é blindado Justin! –ela gritou irritada batendo a mão na mesa, me levantei a encarando e mantendo o mesmo tom.
-Eu posso não ser blindado, mas nenhum filho da puta que entra no meu caminho sai vivo.
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