O Primeiro a cair
Havia algo de errado acontecendo, Scooter não parava de mandar mensagens pedindo pra que eu voltasse pra mansão, eu estava curioso pra saber o que era, mas a Melody estava tão feliz em estar ali que eu nem sabia como falar que nós teríamos que ir embora.
-Ta tudo bem mesmo? –ela perguntou preocupada enquanto dávamos mais uma volta pelo parque.
-Não, nós temos que voltar o Scooter não para de ligar e de enviar mensagens, eu acho que tem alguma coisa acontecendo.
-Ta a gente volta –ela parou no meio do caminho dando meia volta.
-Desculpa ta, eu queria que você aproveitasse mais . –segurei seu rosto beijando a sua testa.
-Eu aproveitei bastante, acredite. –ela sorriu.
Voltamos ao carro e eu peguei o caminho de volta ao condomínio de magnatas onde ficava a mansão. Dei a volta indo para os portões dos fundos, desliguei o carro e saí ficando perto do muro, havia algo de errado, pra uma casa que havia quase ninguém dentro estava muito barulhenta.
-Espera um pouco. –disse quando ela ia se aproximar do portão coberto por folhas. Subi no muro pra ter certeza que ninguém estava ali e por sorte não tinha ninguém. –Vamos –disse a puxando pra dentro, abri e fechei o pequeno portão sem fazer barulho. Caminhamos para a entrada da casa, a movimentação na casa estava bem maior, tinha alguém lá dentro, presumi.
–Fica atrás de mim. –disse indo em direção à porta, havia meia dúzia de seguranças perto do portão e vários carros estacionados pelo jardim, um deles estava de volta. Abri a porta e estava tudo escuro, o que me deu certo nervosismo, os meus instintos gritavam dizendo que havia alguma coisa muito errada por ali. Caminhei o mais silenciosamente possível, Melody fazia o mesmo, mesmo sem saber o que acontecia, preferi não contar sobre minhas desconfianças, já bastava um nervoso ali. Chegamos à sala de estar prestes a ir em direção as escadas, quando as luzes se ascenderam e uma gargalhada ecoou pela sala.
Quando vi uma sombra surgir na porta de entrada, puxei Melody pra trás de mim a escondendo de quem quer que viesse.
-McCann! –Haviier surgiu com um sorriso no rosto.
-O que ta acontecendo? –Melody sussurrou assustada.
-Pensei que tivesse viajado com Bishop. –disse desconfiado.
-Por um contra tempo, eu esqueci meus documentos no cofre. –senti meus nervos a flor da pele. Eu tava muito fudido.
-Já os pegou? –perguntei tentando ser o mais natural possível.
-Não se faça de idiota garoto, nós dois sabemos muito bem que você roubou o cofre. –Ele disparou sério, senti Melody puxar a barra da minha camisa parecendo assustada.
-Do que você ta falando? Eu nem estava em casa. –tentei desconversar e ele se aproximou me observando.
-Quem você ta escondendo ai McCann? –ele tentou enxergar Melody atrás de mim, mas eu me esquivei de todas as formas o impedindo. –Trazendo uma vadiazinha pra casa? Quando os gatos saem os ratos fazem a festa.
-Eu vou deixar ela no meu quarto e a gente conversa. –disse pronto pra dar as costas e sair dali.
-Não! –voltei meu olhar pra frente e me deparei com ele apontando uma arma na minha cara. –Quero ter uma conversa agora e quero que a sua amiguinha fique pra nos fazer companhia, quem sabe ela me sirva pra fazer alguma coisa.
-Nem pense nisso –soltei sem pensar, ela estava me deixando bravo, muito bravo.
-O que é isso meu garoto, sua mãe não te es nsinou a dividir? – ele deu dois passos pra trás e se sentou com um sorriso sínico no rosto. –Que garfe a minha, eu ajudei o Bishop a mata-la não foi mesmo? –ele gargalhou alto e quando dei por mim estava indo na direção dele, de punhos cerrados sentindo cada veia do meu corpo pulsando. Assim que levantei o braço pronto pra acertar a cara daquele filho da puta, ele voltou a levantar a arma e a apontar pra trás de mim. Melody!
-Melody? Como você conseguiu tirar a ninfetinha da casa, da torre mais alta do castelo e toda aquela baboseira do conto de fadas. –dei um passo pro lado ficando na frente da arma.
-Deixa ela ir que eu fico e a gente conversa o que você quiser. –falei tentando convencê-lo, mas ele apenas riu como se eu tivesse falando a coisa mais idiota do mundo.
-Eu quero os dois sentados agora –ordenou.
Eu não me importaria em tentar tirar aquela arma das mãos dele e dar um tiro naquela cabeça cheia de merda e acabar logo com aquilo, mas qualquer tentativa seria muito perigosa com a Melody ali, eu não poderia deixar ela se machucar de forma alguma. Dei alguns passos pra trás até ficar perto do sofá, dar as costas pra um homem armado era uma das coisas que, como eu havia aprendido, nunca deveria fazer.
-Fica tranquila –sussurrei quando ela veio andando na direção do sofá e se sentou ao meu lado.
-Estou curioso pra saber como aquele filhotinho de ninguém que eu joguei num pulgueiro qualquer ainda esta vivo e veio atrás vingança, eu presumo. –respirei fundo tentando me acalmar, a imagem da cabeça dele sangrando dominava a minha mente.
-Talvez tenha sido Deus quem me trouxe até aqui. –disse irônico e ele riu.
-Você acha mesma que se Deus, se é que ele existe, fosse te ajudar em alguma coisa não seria te impedindo de ver a sua pobre mãezinha ser assassinada na frente do filhinho dela?
-Nós temos opiniões diferentes sobre Deus.
-Tem certeza? Por que eu tenho certeza de que você chamou por ele quando eu te deixei naquele inferninho. –Se o que ele queria era me fazer uma tortura mental ele tava conseguindo, todas aquelas lembranças voltavam fazendo a minha cabeça rodar.
Flahback -on
O lençol amarelado, quase imundo, do quarto em que o Diretor havia jogado o garoto –não apenas por força de expressão –começava a incomoda-lo, parecia ter um milhão de formiguinhas querendo arrancar os pedaços dele. Inquieto ele virava de um lado pro outro na cama, era seu décimo dia ali e as coisas só pareciam piorar, ele chorava todas as noites, tinhas machucados pelo seu corpo, machucados causados pelos valentões de quinze anos que atormentavam as crianças menores até elas fazerem xixi nas calças. Ele se sentia num inferno e rezava todas as noites pra que alguém da sua família o tira-se, era o que deveria acontecer. O seu pai era seu herói, ele deveria chegar ali e resgata-lo.
Os meses foram se passando, assim como a fé de Justin, o seu herói parecia ter esquecido dele, todos parecia ter esquecido dele.
Flashback -off
Melody agarrou meu braço, me trazendo a realidade.
-Não escuta, ele ta tentando te manipular. –ela sussurrou doce no meu ouvido. Eu estava acordo de novo.
-Eu estava aqui pensando com as minhas balas –riu irônico. –Como conquistou a ninfetinha, me desculpe, é apenas curiosidade,ela nunca sai do quarto.
-Não é da sua conta. –respondi um pouco alterado.
-Tudo bem, não quer revelar seus segredos, mas eu faço questão de revelar os meus. –ela levantou, ainda com a arma na mão, andando de um lado pro outro na sala. –Eu sempre soube que era você. Você gritava feito um louco quando eu te tirei de dentro do galpão e não parava de chorar um segundo sequer, gritava dizendo que nos mataria e olha só onde estamos hoje. –ele parou um segundo me observando. –Você entrou na casa, se tornou um dos membros da gangue e ainda conseguiu a garota.
-Mereço os parabéns não? –ri fraco vendo a cara de irritado dele.
-Também merece que eu faça o que eu deveria ter feito anos atrás, invés de te jogar naquele orfanato eu deveria ter te matado.
-Mas não matou.
-Fiz a escolha certa e agora tenho a chance de consertar tudo.
-Por que você faz isso Haviier? Eu pensei que você fosse um cara legal, apesar de um ser um nojento claro. –Melody disparou chamando a atenção dele.
-Eu sou um cara legal minha querida ninfetinha.
-Você é um idiota.
-Não se atreva a dizer a isso de novo. –ele rosnou e ela levantou, puxei seu braço tentando fazê-la sentar de novo, mas ela piscou pra mim e caminhou na direção dele o encarando.
-E se eu me atrever o que você vai fazer? Me matar? Como o Bishop vai reagir depois de saber que você matou a enteada dele. –Ela o encarou de um jeito que eu nunca pensei que ela pudesse fazer, era muita coragem pra uma garota daquele tamanho.
- Você é muito corajosa pra uma menina desse tamanho. –ele a encarou tocando o rosto dela. Levantei pronto ir pra cima dele, ele não deveria tocar a minha garota.
-E você é muito asqueroso pra um velho dessa idade. –Nu, segundo ela mantinha as mãos na cintura e no outro o joelho dela estava no meio das pernas dele. A boca do velho se abriu em um perfeito "O" e ele se curvou deixando a arma cair no chão.
-Justin! –ela sussurrou e eu entrei no meio dos dois dando o soco no desgraçado pra que ele caísse no chão de uma vez por todas.
-Procura o Scooter! –gritei e ela correu sumindo no corredor.
Quando eu olhei pra baixo ele tentava pegar a arma, a peguei antes dele e apontei pro mesmo.
-Minha hora de ter uma conversa com você. –despejei um chute certo na barriga ouvindo ele gemer. –Sabe quantas vezes eu já imaginei esse momento? Quantas vezes eu já imaginei te matar.
-Você deve ter tido muito tempo. –ele murmurou.
-Pois é, pena que você não vai ter muito tempo, mas antes eu vou me divertir um pouco. –dei outro chute agora na cabeça, ele gemia feito um cachorro sento espancado, e eu nem havia começado.
Os flashes na minha cabeça vinham com a mesma força que eu batia nele, o sangue começava a se espalhar no chão e ele choramingava de dor. Socos, pontapés, chutes eu fiz questão de devolver tudo que por culpa dele eu havia passado, todas as surras, toda a dor física que eu já senti.
Me abaixei na altura do seu rosto e o olhei, ele sorriu e eu dei outro soco no seu rosto que começava a parecer um monte de carne moída.
A adrenalina corria nas minhas veias na velocidade de um tiro, pela primeira vez dentro daquela casa eu me sentia sendo vingado. Haviier estava sendo o primeiro a cair.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro