Gatinha Selvagem
A lua já estava posta quando resolvi voltar para a mansão do Bishop. Peguei algumas coisas que precisaria e dei fora, voando no asfalto de volta ao território inimigo. Acionei o alarme do carro e fui caminhando calmamente sem querer chamar a atenção de quem quer que seja. Foi involuntário, eu olhei pra cima e ela estava lá olhando a lua, de novo. Me aproximei do pé da torre.
-Hey -chamei atenção e ela me olhou -Será que eu posso falar com você?
-Não -disse firme voltando a olhar a lua.
-Qual é o problema em falar comigo, eu sou um cara legal -ri tentando fazer graça, mas ela não moveu um músculo. -Você vai me ignorar mesmo? Nem uma palavrinha -Quanto mais eu falava menos ela parecia se importar. Aquilo estava começando a me irritar, quem ela pensa que é pra me ignorar. Quando eu pensei em dizer qualquer outra coisa ela já havia sumido da minha vista. Que porra de garota é essa.
Peguei a mala que eu havia trago dentro do carro e segui para o quarto. Eu ainda não tinha desistido, aquela garota falaria comigo essa noite, custando o que tivesse que custar.
Melody's P.O.V.
Voltei rápido pra dentro do quarto, era terrível ficar em baixo do olhar intenso daquele cara. De forma alguma eu poderia negar o quão lindo ele ficava sub a luz da lua, o seu cabelo num penteado bagunçado, seus fios dourados, seus braços malhados e cheios de tatuagens. No entanto ele estava aqui, e essa mansão não é o tipo de lugar em que possa se achar pessoas confiáveis, ele era apenas mais um dos capangas nojentos do Isaac.
Justin's P.O.V.
Deixei minhas coisas no quarto e voltei para o jardim, por sorte a casa estava tão calma que nem perceberão a minha movimentação. Tomei distancia e pulei na parede a escalando até a altura da varanda. Me aproximei da porta e empurrei a fechadura e sem fazer barulho eu entrei. Ela estava deitada numa cama olhando pro teto, agora mais que nunca eu podia ver perfeitamente o seu rosto. Ela era diferente de todas as mulheres que eu já tinha visto, seu cabelo num tom escuro, sua pele brilhante e seus perfeitas e tentadoras curvas debruçadas sobre aquele lençol rosa.
Ela me olhou de relance e quando seus olhos voltaram pra cima de mim ela literalmente pulou de cima da cama.
-Que diabos você esta fazendo aqui dentro?
-Já que você não quis falar comigo, eu vim falar com você -sorri tentando ser simpático.
-Vocês são proibidos de falar comigo, será que você não entende as regras daqui? -ela disse irritada, mas eu não entendia o que ela queria dizer.
-Vocês quem?
-Vocês os capanguinhas do Isaac! -ela disse como se fosse óbvio. Dei passo pra frente e ela recuou -Se você se aproximar eu grito! Se te pegarem aqui eles não vão hesitar em te matar.
-Por que você é tão importante pra eles?
-Não te interessa, agora sai daqui por favor! -ela arrastou a voz começando a se desesperar.
-Vamos lá gatinha, eu só to aqui pra conversar -insisti.
-Ou você sai ou eu grito. -Ela não estava me dando escolha, eu teria que partir pro plano B, o mais fácil.
-Tudo bem, me acompanhe até a saída. -Dei as costas e caminhei vagarosamente até a varanda, os passos dela soavam fracos atrás de mim. Numa tacada de mestre eu me apoiei na fechadura da porta e me virei puxando o corpo dela pra próximo ao meu. No momento em que eu pensei que fosse ouvir seu grito histérico ela congelou. Aproveitei o momento e juntei seus lábios nos meus. No primeiro momento ela estava tão tensa que eu podia sentir seus músculos contraídos tocando o meu corpo, enquanto a sua língua deslizava pela minha, os seus músculos começavam a amolecer nos meus braços. Ela estava cedendo facilmente. Eu tive uma viajem louca naqueles lábios macios. Senti uma necessidade louca de apertá-la em meus braços a assim fiz. Quando o ar nos faltou a soltei com um certo cuidado, ela era um pouco mais baixa que eu, e entregue nos meus braços como ela estava, cairia facilmente.
Ela abriu os olhos de vagar e me observou, um sorriso se abriu em seu rosto e em seguida senti a sua mão espalmada no meu rosto. Porra a garota tinha acabado de me dar um belo de tapa na cara. Se ela não beija-se tão bem receberia um de volta.
-Gatinha selvagem -ri debochando do tapa que tinha levado.
-Quem você pensa que é pra me agarrar? -rosnou irritada.
-Romeu -sorri vendo ela se irritar mais ainda. -E você?
-Julieta -respondeu irônica -agora suma daqui antes que eu te dê um tiro. -esbravejou quase fazendo um escândalo.
-Pra quem ta fazendo um escândalo por um beijo é estranho ainda estar nos braços de quem te beijou -falei e ela nos observou ainda abraçados.
-Imbecil! -espalmou as mãos no meu peito me empurrando. A soltei e ela deu dois passos pra trás.
-Vai dizer que não gostou? -dei um sorriso provocativo e ela desviou o olhar.
-Se você não sair agora, eu vou gritar.
-Ta bom, ta bom! Eu vou embora. -Caminhei até a varanda vendo se não havia nenhum segurança. Me pendurei nos galhos das plantas que cresciam parede a cima e pulei como um gato, um belo gato modéstia parte, no chão.
Assim que olhei pra cima lá estava ela, me observando.
-Você realmente se chama Julieta?
-Se você pode se chamar Romeu por que eu não poderia me chamar Julieta? -disse num tom sarcástico.
-Você sabe que na história Romeu e Julieta ficam juntos, certo? -sorri e ela permaneceu com o seu sarcasmo em evidencia.
-E também sei que a história acaba em tragédia. -seu tom saiu intimidador. Vendo-a na varanda com seu tom intimidador, ela até parece durona, mas quando a tive em meus braços ela parecia tão...
(...)
Melody's P.O.V.
Deitada na cama olhando para o teto, eu estava nesta a posição desde o momento que aquele Deus grego idiota saiu da minha vista. Eu não me sentia confusa sobre o que havia acontecido, e sim assustada pelo tamanho da coragem dele de subir até aqui e ainda me beijar. Se o Scooter soube-se disso ele teria um surto e não pensaria duas vezes antes de matá-lo
O gosto dos lábios dele ainda brincava na minha boca, sua mão quente na minha cintura, a sua petulância.
Gostaria de poder conhecê-lo, mas isso seria tão perigoso quanto uma missão suicida.
Justin's P.O.V.
Estava prestes a entrar no banho quando bateram na porta. Abri a mesma dando de cara com Connor.
-Aonde você esteve o dia todo McCann?
-Por que?
-Por que você tinha treinamento -disse tornando tudo óbvio.
-Eu só fui dar um role.
-Da próxima vez que for dar um role, avisa aonde vai e quando vai voltar. -ele me entregou um rádio de chamada -Aqui não é a casa da mãe Joana pra você entrar e sair quando quiser.
-Entendi Connor -não dei muita importância pra cena dele na minha porta.
-Ótimo, agora vá dormir amanhã você tem treino de novo -resmungou e saiu.
Fechei a porta e entrei no banho relaxando naquela banheira enorme. Apenas relaxar e relaxar. Tudo estava indo bem, e eu ainda tinha uma gostosa pra dar uns pegas na casa, mais um pouco e a cabeça do Bishop estaria na minha mesa em cima de uma bandeja de prata.
Depois do banho eu cai num sono profundo.
O dia foi insuportável ao lado do Connor, treinamento de tiro de novo, ele me explicou algumas táticas e bláh, bláh. Ele tinha sorte de eu precisar dele, se não já estaria morto. Já era noite quando eu finalmente me livrei daquele filho da puta, ele me deixou na sala de câmeras com mais dois caras que nem sequer olhavam para as televisões, apenas conversavam sobre uma gostosa que tinha pagado um boquete "perfeito" pra eles.
Não acontecia muito na casa, uma coisa que estava começando a me entediar, seria melhor acabar logo com a vida daquele desgraçado e dar o fora daqui. Olhando para uma das televisões eu percebi uma coisa.
Scooter saia de dentro de um dos quartos da torre lateral direita, pelo menos era o que dizia na identificação da câmera. Se eu não estiver enganado ele estava saindo do quarto da Julieta...Julieta? ela deveria ter escolhido um nome melhor pra me enganar. Ri pensando na histeria dela logo após me beijar na noite passada.
Scooter saiu receoso do quarto arrumando a gola da blusa.
-Mas que porra é essa? -sussurrei comigo mesmo. Eu estava boquiaberto, não precisa ser muito inteligente pra entender que um homem quando sai do quarto de uma mulher arrumando a roupa, ele tava fudendo com ela.
Connor surgiu do meu lado me dando.
-Porra ta querendo me matar do coração.
-Dependendo da sua resposta eu posso te matar de mil e uma formas.
-O que? -perguntei levantando e ficando de frente pra ele.
-Visita pra você McCann!
-Pra mim? -perguntei sem acreditar no que ele dizia, se fosse o Ryan eu juro que espancaria aquele idiota pra ele aprender de uma vez por todas a me ouvir. Desci as escadas e dei a volta na casa caminhando até os fundos atrás de Connor.
Dois seguranças seguravam um cara com um saco na cabeça. Ele estava ajoelhado.
-Tirem o saco.
Senti como se leva-se um empurrão e caísse de cara no arame farpado quando tiraram o saco da cabeça do cara. Não era o Ryan, era um dos meus seguranças.
-Nos encontramos esse infeliz rondando a casa, e de acordo com alguns seguranças ele vem fazendo isso desde ontem.
-E? -falei tentando tornar aquilo o mais breve o possível.
-Ele disse que te conhece McCann! -um sorriso vitorioso surgiu no rosto de Connor.
Fitei o meu segurança por alguns segundos, ele parecia ter levado uma bela surra, e seu rosto parecia estar congelado em uma expressão de misericórdia.
-Sim, nós nos conhecemos. -disse firme. Eu não seria covarde a ponto de negar.
-O que você estava fazendo rondando a casa? -Connor se aproximou sacando uma arma da cintura e apontando para a cabeça do cara.
-Eu só...eu só.. -ele estava desesperado.
-Fala porra! -Connor gritou.
-Só queria saber aonde o McCann estava.
-Pra que? O que o McCann tem que você precisa saber onde ele estava? Você trabalha pra quem? Fala filho da puta? -Connor acertou uma coronhada na cabeça dele. Meu sangue estava fervendo mais e mais, minha mão coçava na vontade de sacar a minha arma e acabar com aquele circo.
-Eu to devendo dinheiro pra ele -gritei chamando a atenção deles.
-Dinheiro de que?
-Eu comprei umas pedras com ele, e fiquei devendo.
-Puta que pariu McCann pedra? Você me põe essa fortaleza em perigo por causa de pedra? -esbravejou vindo na minha direção. No reflexo coloquei a mão pra trás pronto pra sacar a arma, mas ele virou de costas observando o cara.
-É verdade?
-É sim -meu segurança sussurrou cuspindo um pouco de sangue.
-Da o dinheiro e joga esse verme em qualquer esquina -resmungou antes de terminar seu caminho até mim. -E você McCann, toma mais cuidado com as merdas que faz.
-Eu vou tomar . -disse aliviado.
-Pensando melhor, eu não sou tão piedoso assim -ele deu meia volta caminhando até o segurança -Diz adeus pro seu amiguinho McCann.
-Connor! -rosnei alto caminhando até ele, antes que conseguise-se impedi-lo o barulho da quadrada estourou e o meu segurança estava no chão com os miolos estourados.
-Caralho Connor! Por que você atirou.
-Por que eu quis! -respondeu virando e ficando frente a frente a mim.
-Sabe o que eu quero agora?
-O que? -ele riu debochado.
-Estourar a sua cabeça também -saquei minha arma mirando a testa dele no mesmo segundo ele seguiu meus movimentos.
-Não faça besteira McCann, você sabe que se for pra apertar algum gatilho aqui, esse vai ser o meu.
-Ta pagando pra ver Connor? -destravei a arma vendo ele oscilar num sorriso. -Mato você agora? Ou deixo pra mais tarde?
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