Fique longe daquela garota
Recobrei a consciência segundos depois de levar aquele soco, apesar de sentir as coisas rodarem a minha volta, consegui ficar de pé e me esquivar dele.
-Definitivamente você é o pai mais ciumento que eu já conheci.
-Não é ciúme seu imbecil, só não quero que a minha filha seja assassinada antes mesmo de poder viver a vida dela.
-Presa nesse mausoléu, quando você acha que ela vai poder viver a vida dela? –retruquei.
-Cala a boca! –ele gritou nervoso e sacou a arma, me deixando sem ação. –Eu não me esforcei tanto pra manter a Melody e agora ter que deixar ela morrer por sua causa.
-O que te faz pensar que ela vai morrer?
-Você acha mesmo que eu já não saquei qual é a sua? Você não me engana garoto, sei que entrou aqui com um objetivo –deu alguns passos se aproximando de mim. –E esse tal objetivo vai acabar te matando, não quero que ela vá pra debaixo da terra junto a você.
-Como você? ... –ele levantou a arma mirando a minha cabeça.
Aquela situação estava me deixando possesso, e o nervoso por estar desarmado só aumentava a minha raiva.
-Você não pode me matar, Bishop não vai gostar disso –comecei a discutir pra ganhar tempo e pensar em uma saída.
-Você acha mesmo que ele vai saber que você morreu? –gargalhou irônico - O máximo que ele vai saber é que você sumiu, sem deixar rastros.
-Por que não diz a verdade? Que você vai me matar só por que eu falei com a sua filha? –seu sorriso sumiu e eu o encarei, foi assim que eu entendi o que estava acontecendo. –Ele não sabe que você é pai da Melody –sussurrei vendo ela baixar a guarda por alguns instantes. Puxei a arma da sua mão e me afastei mirando nele.
-Não faça uma besteira McCann.
-Besteira fez você, quando cruzou o meu caminho.
-Você se acha demais garoto, só por que tem uma arma na mão acha que vai acabar com isso tudo?
-Chega Scooter, eu tenho uma proposta.
-Que proposta?
-Você esquece que eu conheço a Melody e eu não conto pra ninguém que ela é sua filha.
-Se afasta dela e eu prometo o que você quiser.
Não era bem o que eu queria, mas ganhar um aliado aqui seria uma das minhas melhores chances.
-Feito. –abaixei a arma e estendi a mão.
-Feito –apertou a minha mão e me fitou –Se eu descobrir que você chegou perto dela de novo, não importa quantas armas você aponte na minha cabeça, eu te mato Romeu.
Respirei fundo vendo ele se afastar, pelo menos lábia Ra me safar de encrencas eu tenho. Senti todos os músculos do meu corpo se comprimirem, aquela briguinha tinha me deixado dolorido. Tirei o maço de cigarros do bolso e acendi um, enquanto caminhava até as escadas da porta. Enquanto a nicotina agia dentro de mim, eu tentava acalmar os nervos.
Longos minutos depois o celular vibrou no meu bolso. Atendi sem olhar o visor.
-Alô!
-Irmão eu preciso da sua ajuda agora! –Lil choramingou do outro lado da linha.
-O que ta acontecendo?
-Não da pra contar por telefone, você precisa vir aqui.
-Não da pra adiantar o assunto?
-Por telefone não.
-É bom que seja realmente importante.
Desliguei o celular e entrei na casa pra pegar a chave, com Connor morto e Scooter o meu lado, entre aspas, entrar e sair da casa a todo tempo não já não seria tão perigoso.
Peguei o carro no estacionamento e voei na alta estrada saindo de uma cidade para a outra. As ruas de Detroit estavam calmas por mais estranho que pudesse parecer, normalmente alguém estava fazendo algum pega ou alguma festa acontecia nas esquinas. Atravessei o portão de casa e deixei o carro na garagem, dei a volta no jardim e entrei percebendo o quão calma a casa estava.
-Lil? –gritei andando casa a dentro, subi e desci as escadas, ninguém estava lá. –Lil? –entrei no escritório encontrando ele debruçado sobre a minha mesa, brincando de roleta russa.
-Aposta que não tem nenhuma bala ai dentro. –disse rindo, eu já vi ele fazer isso milhares de vezes.
-Tem uma, mas é como se não tivesse nunca acerto qual é. –reclamou levantando e se jogando em um sofá no canto direito do escritório.
-O que tão importante você queria falar, e por que não tem ninguém em casa?
-Tem uma festa do outro lado da cidade, ta todo mundo lá.
-E por que você não esta?
-Por que tem um cara querendo a minha cabeça e ele esta lá.
-Desde quando você deixa alguém te caçar? –me encostei na mesa do escritório o observando.
-Ele é barra pesada Justin.
-Eu sou barra pesada e ainda assim eu não te matei. –disse rindo.
-É sério cara, ele disse que se eu não pagar quinhentos paus pra ele, eu to morto.
-Ah vai se ferrar eu ando com quinhentos paus na carteira, por que você ainda não pagou?
-Não cara, eu quero dizer quinhentos mil.
-Mil? –gargalhei surpreso e dei a volta me sentando atrás da mesa. –Como você conseguiu essa divida?
-Numa boate, foi se acumulando...pensei que conseguiria pagar, mas agora eu to zerado.
-E o que você espera que eu faça? –abri uma das gavetas tirando outro maço de cigarros o que estava no meu bolso já tinha acabado.
-Eu detesto pedir isso irmão, mas eu preciso desse dinheiro. –choramingou enquanto eu acendia mais um cigarro.
-Eu pago, mas qualquer dinheiro que entrar na sua conta vai pra mim, até a divida acabar.
-Eu nem sei como agradecer irmão.
-Ficar longe de confusão já é o bastante pra mim.
Ele sorriu enquanto eu me relaxava na cadeira e tentava deixar meus pensamentos mais limpos.
-Como esta as coisas lá na casa, desde a morte do tal Connor?
-Eles acham que eu sou o mocinho.
-Aconteceu algo mais?
-Lembra da garota que eu tinha falado sobre antes?
-Lembro a garota que fica presa ou coisa do tipo.
-O Scooter é pai dela e ficou maluco depois que descobriu que eu tinha me aproximado dela, ele acha que eu vou mata-la.
-Você gosta dessa garota?
-Ela é legal.
-O Scooter ta certo, você vai acabar mandando você e ela pro inferno no mesmo pacote. –o fitei sem entender.
-Por que? Qual é o problema de conhecer a garota, ninguém nunca me viu no quarto dela, nem sabem que nós nos conhecemos.
-Mas o Scooter descobriu. E ficou desse jeito imagina o Bishop.
-Não entendo aonde você quem chegar. –apoiei os cotovelos na mesa prestando atenção nele.
-Se o Scooter descobrindo que você se aproximou dela quis te matar, imagina o que vai acontecer com o resto da casa. –ele fez uma pausa. –Você vai ter que decidir essa entre a garota ou a sua vingança, o que é mais importante? Você luta por isso desde o dia em que eu te encontrei naquela rua e te trouxe pra cá, eu espero que uma paixãozinha não atrapalhe o plano da sua vida.
-Eu não to apaixonado. –disse sério.
-Então para de se preocupar com essa garota e manda bala naquele filho da puta e sai daquela casa. –caminhou até a porta sem esperar a minha resposta. –O meu único é que você fique longe dessa garota, você não precisa de mais uma tragédia na sua vida.
Deixei o cigarro no cinzeiro enquanto as palavras dele suavam na minha cabeça. Eu não pensava em ficar longe dela mesmo com o trato que eu havia fechado com o Scooter, mas Lil estava certo, eu não podia ficar perto dela, não com o objetivo pelo qual eu entrei dentro daquela casa.
Fui até o meu quarto, tomei banho e me vesti para a tal festa que estava acontecendo do outro lado da cidade, minha cabeça estava cheia e ficar pensando em tudo só iria ferrar com tudo.
Em minutos eu já estava fora do carro e andando em direção do local da festa, eu podia ouvir o som auto de longe e ao mesmo tempo sentir os meus problemas se distanciarem da minha cabeça.
Melody's P.O.V.
Minhas pernas já doíam de tanto andar de um lado para o outro do quarto, meu coração se apertava a cada segundo sem noticias do Romeu, ele poderia estar morto agora e eu aqui presa dentro dessa droga de mansão. A porta se abriu e Scooter entrou com o rosto um pouco machucado.
-O que você fez com ele?
-Esquece ele Melody, vocês nunca mais vão se ver.
-O que você quer dizer com isso? Você o matou.
-Pense o que quiser.
-Eu não acredito que você fez isso –gritei –Some da minha frente! –esbravejei jogando um copo, que estava em cima da mesa de cabeceira, da direção da porta. Ele a fechou no mesmo instante e trancou.
-Melody se acalma um dia você ainda vai me agradecer.
-Por me manter presa nessa porra dessa casa e por matar a única pessoa com que eu já me relacionei em toda a minha vida –chutei a porta- Eu acho que não.
-Eu faço isso pelo seu bem. –encostei na porta sentindo o ar me faltar e as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Foi uma das piores sensações que eu já tive na minha vida, parecia que um buraco começava a se abrir dentro de mim e não pararia de sangrar.
-Já que você adora fazer essas coisas, pro meu bem, fingi que eu morri e nunca mais volta aqui. –sussurrei e logo ouvi as lamentações dele do outro lado da porta.
Aquela sensação era tão ruim que parecia que eu iria morrer a qualquer momento, afinal era como se uma parte de mim tivesse ido com ele. Já não consigo mais negar, eu gosto dele mais do que eu poderia imaginar.
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