Dia ruim
Um barulho de fundo fazia com que o meu sono se distanciasse mais e mais a cada segundo, abri os olhos procurando Romeu na cama, mas ele já não estava lá. Fitei o quarto procurando a origem daquele barulho insuportável e quando encontrei não pensei duas vezes e toquei a tela o desligando. Romeu, muito esperto, deveria ter esquecido ali. Tentei voltar a dormir, mas o celular tocava a cada dois segundos. Eu não estava pensando em atender o celular, mas aquele barulho estava ferrando com o meu sono. Estiquei o braço e olhei o visor, aparecia a letra N e nada mais, escorreguei o dedo pela tela atendendo.
-Justin! Mas que porra cara! –um homem do outro da linha fala nervoso sem dar uma pausa – O Silvester resolveu acordar e ta louco atrás das cargas dele, nós temos que consertar isso antes que ele nos pegue. –ele recuperou o fôlego e voltou a gritar. –Justin! Porra velho, você ta me ouvindo? Juro que se for pra caixa de mensagem mais uma vez eu te estripo. –proferiu suas ultimas palavras e desligou.
Eu tentei não pensar, eu tentei não fazer perguntar ou tentar entender a ligação, mas eu preciso ser muito burra pra deixar isso passar. Ele definitivamente não era quem eu pensava que ele pudesse ser, não que eu soube-se alguma coisa concreta sobre ele, o que tornava mais absurdo o fato de eu ter me apaixonado por ele, afinal quem é ele.
Justin's P.O.V.
Abri a porta da varanda encontrando ela já acordada, sentada na beirada da cama, de frente pra varanda como se estivesse esperando por mim. Foi difícil não sorrir com aquela cena.
-Quem é Justin? E que diabos são Silvester e suas cargas? –o sorriso sumiu do meu rosto e eu fiquei estático sem saber o que responder. –Sinceramente eu pensei que você tivesse uma resposta feita pra mim. –Ela levantou pegando o celular na mesa de cabeceira da cama e jogou nas minhas mãos.
-É tudo coisa minha.
-Ótimo por que eu to curiosa pra saber qualquer coisa sobre você. –me aproximei, mas ela recuou dando a volta ao redor da cama.
-Você não vai querer saber.
-Te garanto que tentar não vai te arrancar um pedaço. –cruzou os braços a minha frente esperando uma resposta.
-Eu não posso. –disse calmo, esperando que ele também ficasse.
-O que? Você não confia em mim?
-Eu não confio nem na minha sombra Melody.
-Qual é o motivo pra você não confiar em alguém?
-Questão de sobrevivência.
-Sério, desde quando se sobrevive sem aliados?
-Não acredito que eu to tendo essa conversa com a garota que nunca passou do cemitério no quintal. –me exaltei e logo percebi o quão chateada ela ficou chateada com as minhas palavras. –Mel, me dês..
-Que seja, mas quem é Justin?
-Um dos meus...nomes de bandido. –respondi vago.
-Já mencionei o fato de que eu percebo quando você mente?
-Melody, caramba. –esbravejei me irritando com aquelas perguntas, agir sobre pressão não é uma das minhas qualidades. –O que te custa entender que eu não posso falar, pelo menos não agora.
-Você que tem que me responder isso, o que te custa me mostrar que eu não to apaixonada por um bandido psicopata? –ela se aproximou ficando próxima ao meu rosto.
Melody's P.O.V.
Eu podia sentir cada nervo do meu corpo se enrijecendo com a raiva, nós não estávamos aos gritos o que parecia deixar a situação mais incomoda e insustentável o possível.
-Você sabe que não esta. –os olhos dele estavam presos nos meus e eu podia sentir eles ficarem tão irritados como ele ficava.
-Até onde eu me lembro, eu não sei de nada. –num solavanco ele grudou as mãos nos meus ombros e me encostou na parede.
-Escuta Melody! Não há nada que você precise saber agora, deixa as coisas como estão. É pro seu bem.
-Se você soube-se quantas vezes eu já ouvi essa frase e continuei no mesmo lugar feito uma estátua, você não repetiria.
-Não seja teimosa. –esbravejou me encarando. -Esquece isso!
-Me obrigue! –esbravejei chegando ao mesmo tom de voz dele.
-Não me desafie. –murmurou olhando no fundo dos meus olhos.
-Eu não tenho medo de você... –ele recuou, dando a volta e chutando uma das cadeiras no meio do caminho.
-Você não vai estragar tudo –ele sussurrou pra si mesmo e parou olhando pra fora da janela.
-Quem é você? –perguntei sem hesitar e permaneci distante o observando.
-Não. –gritou me assustando.
-O que você realmente veio fazer nessa casa?
-Melody, para! –mesmo de costa eu podia vê-lo cerrar os punhos e ouvir a sua respiração falha.
-O que você vai fazer? Surtar como aquela noite e tentar me matar de novo?
-Eu pensei que você tivesse superado isso.
-Se eu ao menos eu soube-se que o cara que fez aquilo não é mesmo que me beija, talvez eu tivesse. –ele virou e ficou calado me observando. –Torna-te aquilo que és! –disse claramente vendo ele me ignorar. –Então isso é tudo?–ele me deu as costas e caminhou até a varanda se sentando ali.
Alguns minutos de passaram, ele não falava e eu me recusava a continuar aquela briga estúpida, tirei os olhos da varando tentando descansar a minha cabeça, mas quando voltei a observar ele já não estava mais lá.
Me joguei na cama tentando deixar os pensamentos em ordem e tentando entender quem diabos era aquele cara.
Justin's P.O.V.
Por que ela tinha que ser tão teimosa e cabeça dura, que porra! Dei a volta indo direto pro jardim, do jeito que eu estava eu ia acabar atirando na cabeça de alguém. O que a custava sentar e entender que eu não posso contar, que é coisa minha.
Três carros entraram pelos portões cantando pneu, me distraindo da teimosia da Melody. Os sol já começava a sair, tinha sido uma longa noite, e pensando bem seria um péssimo dia pro Bishop, eu to nessa situação graças a ele, então nada mais justo do que ele sofrer um pouco hoje. Entrei na casa indo direto ao escritório, e com as portas abertas eu pude facilmente acompanhar a conversa. Bishop gritava pros seus seguranças fazendo gestos feito um maluco.
-Como vocês deixaram que eles levassem aquelas vadias? –socou a mesa assustando os presentes na sala. –Vocês não sabem fazer nada direito.
-A culpa não foi nossa senhor, os canas chegaram lá e nos pegaram de surpresa.
-Como a policia descobriu o meu galpão, e como descobrirão que chegariam mais mulheres? –ele gritava feito um louco, enquanto eu encostado na porta assistia de camarote o seu desespero.
-Eu não acredito que vocês deixaram isso acontecer. –Braun surgiu ao meu lado.
-O que aconteceu?
-Pegaram o carregamento de mulheres do seu patrão e ele ta surtando. –disse calmo.
-Mas quem fez isso?
-Eu! –disse rindo e ele me encarou ignorando o que eu dizia como se fosse mentira.
Scooter entrou no meio da conversando tentando aparta-lo, depois de alguns gritos ele se acalmou. Outros caras entraram no escritório a maioria deles estava bêbado, depois um curto a entediante conversa Bishop decidiu ir até a casa do prefeito e exigir que os canas não entrassem no seu território. Eles saíram quase que em carreata, como ninguém me viu o me chamou eu optei por ficar na casa que pela primeira vez, ficava vazia.
Sem nada pra fazer um dos meus "demônios" me deu uma bela ideia. Peguei o celular e liguei pro Nolan.
-Finalmente ta com a porra do celular –esbravejou irritado do outro lado.
-Preciso do contanto do Silvester.
-O que você vai fazer?
-Entregar quem roubou as cargas –ele gargalhou nervoso do outro lado enquanto eu me mantinha controlado, não era hora de demonstrar qualquer emoção.-Vai nos entregar?
-Não seja tão burro, eu to falando do Bishop, ele vai estar no centro de Livonia em alguns minutos.
-Se você entregar ele, o Silvester não vai pensar duas vezes em mata-lo.
-Eu salvo aquele filho da puta de novo, eu só quero ver ele se borrar de medo.
-O que aconteceu?
-hãnn?-disse sem entender
-Você ta mais vingativo que o normal.
-Aquele desgraçado me colocou aqui, nada mais justo do que eu descontar minha raiva nele e assistir de camarote.
-Se é assim! Eu tenho o numero de um dos comparsas dele. Anota ai 555-1212 .
-Valeu, até mais.
Guardei o celular no bolso e saí da casa dando a volta no jardim, eu precisava fazer uma ligação e convencer uma cera cabeça dura. Parei na ponta da sacada, a porta tava fechada um belo sinal pra que eu não tentasse entrar, mas eu não desisto tão fácil assim.
-Melody! –gritei – Melody –ela puxou a cortina da porta me olhando pelo vidro. –MELODY! –ela abriu a porta e veio até a grade da sacada.
-Você quer um alto falante ou um carro de som? –disse irônica.
-Eu preciso de um favor.
-Eu preciso de respostas, mas eu sei que você não vai me dar.
-Se eu puder subir talvez eu possa te dar algumas de suas respostas. –ele hesitou por alguns segundos entrou fazendo sinal pra que eu subisse.
Escalei a parede e pulei na sacada entrando no quarto.
-Antes de responder qualquer coisa eu preciso que você me faça um favor.
-Que favor?
-Uma ligação pra um a conhecido.
-Pensei que você não confiasse em ninguém.
-Eu to tentando confiar em você, por isso eu quero a sua ajuda. –ele respirou fundo e caminhou até mim pegando o celular da minha mão.
-O que eu tenho que fazer?
-Só passar uma informação. –disquei o número e devolvi o celular. –Só repete o que eu vou dizer.
Posicionou o celular no ouvido e esperou até atender.
-Eu tenho uma informação valiosa pra vocês. –comecei a falar e ela foi repetindo. –O homem que roubou as suas cargas esta no centro da cidade, ele foi visitar o prefeito e esta acompanhado de vários seguranças. –içou inquieta por alguns segundos. –Quem é o tal homem...bem é o –falei e ela ficou em pânico me olhando. –Isaac Bishop.
Desligou o celular jogando-o em cima de mim.
-Que diabos você ta fazendo?
-Eu não sou mais um empregado do Bishop, eu entrei aqui pra fazer uma coisa muito perigosa e eu ainda não posso te contar o que é. –ela sentou me observando. –Se eu te contar o que eu vim fazer eu vou estar te colocando em perigo, e eu não quero fazer isso até eu saber que você não vai sair machucada dessa.
-Você trabalha pro FBI, federal ou algo do tipo. –perguntou confusa.
-Talvez sim, talvez não.
-Será que eu tenho direito a pelo menos uma resposta?
-Faz a pergunta e eu descido se posso responder.
-O seu nome é Justin não é? Por que Justin combina mais com você do que Romeu –deu um sorriso envergonhado.
-É, o meu nome é Justin, mas isso é o máximo que eu posso te contar agora.
-Já é um começo –sorriu aliviada.
-Eu tenho que ir agora. –disse cortando aquele clima estranho que tinha ficado entre nós.
-Você volta?
-Depende, você vai ficar gritando feito uma louca me exigindo respostas que eu não posso te dar. –ela revirou os olhos e veio na minha direção.
-Você é um idiota –bateu no meu braço –e ainda sim eu gosto de você. –ri olhando ela toda boba na minha frente.
-Se serve de consolo você nem sempre é tão agradável –a puxei a prendendo nos meus braços. –Eu também gosto de você. –tomei seus lábios em um beijo urgente sentindo seu gosto se espalhar pela minha boca e cada centímetro de mim pedir por mais. Empurrei seu corpo em cima da cama, intensificando o beijo a ponto de estarmos sem ar. Dedilhei a lateral do seu corpo passando por cada curva e sentindo ela se arrepiar, desci pelo seu pescoço fazendo uma trilha de beijos, voltei aos seus lábios e senti suas mãos passaram por baixo da minha camiseta, me dando mais vontade de continuar o que estava começando. Mas ao olhar aqueles olhos de menina eu não consegui, foi como se tudo que eu já fiz na vida tivesse voltado naquele momento, todas as pessoas que eu já machuquei, ela era...pura eu não queria tirar aquilo dela, eu não queria machuca-la.
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