Colocando fogo no jardim do inimigo
O celular tocava pela terceira vez naquela noite, era Scooter mais uma vez me importunando. Mais uma vez eu desliguei e voltei a dormir ao lado da Mel, que mais parecia desmaiada do que alguém dormindo, e ainda assim linda. Vestida com a minha camiseta, toda espalhada na cama e com aquelas curvas a mostra. Eu não preocuparia em repetir o que havíamos feito a algumas horas atrás.
Peguei no sono em poucos segundos.
-Mas que caralho McCAnn! –Abri os olhos num susto vendo a cara feia do Scooter parada na minha frente.
-O que foi?
-Sai da cama da Melody antes que eu te arrebente. –Eu devo ter ficado alguns segundos abobalhado até lembrar que a Melody estava deitada ao meu lado, ou melhor que eu estava deitado, digo, abraçado a ela. Levantei da cama procurando meus sapatos, e voltei a sentar os calçando.
-Eu juro que quando isso acabar eu te mato –ele sussurrou abrindo a porta do quarto.
Levantei da cama meio tonto ainda, o sono havia me pegado de jeito, nem sequer me importei com o piti do Scooter, apesar de dever que me importar já que ele anda armado e eu durmo com a filha dele. Passei fechando a porta, a Melody não moveu nenhum músculo enquanto saímos.
-Cadê a sua camisa McCann? –perguntou me olhando de cara feia enquanto eu coçava os olhos.
-No quarto da Mel –respondi bocejando e descendo aqueles lances de escada.
-E por que você não a vestiu?
-Por que a Mel dormiu com ela. –ele parou me encarando.
-Não quero ouvir mais uma palavra sobre isso.
-Que pena, pensei que fosse querer saber dos detalhes. –levei um soco forte no braço que funcionei como um despertador, o velho batia forte pra caralho.
-Calma ai, eu tava brincando. –disse passando a mão sobre o braço, em algum lugar sobre as minhas tatuagens ia ficar um belo arroxeado.
Nós terminamos de descer as dezenas de lances de escada enquanto ele me esculachava por ter dormido com a Melody, eu preferi nem responder pra não começar uma briga. Entramos no meu quarto.
-Toma um banho, lava esse rosto e troca de roupa –ele disse autoritário.
-Não gosto que fiquem mandando em mim –peguei a toalha – Mamãe! –disse irônico entrando no banheiro.
Tomei um banho rápido e me vesti, voltando ao encontro de Scooter.
-Quer checar se eu lavei as orelhas. –disse sentando em uma cadeira em frente a minha cama.
-Prefiro secar se lavou a língua, mas antes eu tenho que arrancar ela fora. –Ri pelo estava de raiva controlada que ele se encontrava.
-Então, o que te fez querer atrapalhar o meu sono?
-Semana que vem o todo poderoso vai dar uns dias de folga, ele vai passar dois dias na cidade do Mexico, quase todos os seguranças vão e ele vai levar os escudeiros como o Haviier e os outros. A casa vai estar praticamente vazia, depois de desligar as câmeras não existe nada que nos empeça de esvaziar o cofre.
-Dois dias sem Bishop? –uma coisa havia martelado na minha cabeça noite passada, mas eu preferi não comentar pra alimentar falsas esperanças. – Tem mais uma coisa que eu quero fazer com o Bishop longe de casa.
-O que?
-Vou tirar a Melody daqui de dentro por algumas horas.
-É arriscado. –me repreendeu.
-Ela vai ta comigo, não vai acontecer nada.
-Ela vai ta com você isso já é arrumar uma encrenca. –reclamou – Mas tudo bem, pode levar ela.
-Eu não estava bem, pedindo a sua permissão –disse tentando o fazer entender.
-Que seja. –levantei procurando o meu celular. –Nós precisamos montar um plano sem erros Bieber, ser pego pelo Bishop pode ser pior do que ser pego pelo diabo.
-Disso eu entendo, sem dúvidas. –disquei o número do Nolan.
-O que ta fazendo?
-Colocando os meus caras na conversa. –no terceiro toque ele atendeu. -Chama o Ryan, preciso dos dois no viva voz agora. –alguns segundos depois eu pude ouvir a voz do Ryan chegando próxima ao celular. Coloquei no viva-voz e voltei a me sentar.
-Semana que vem nós vamos esvaziar o cofre do Bishop, a casa vai estar praticamente vazia, mas nós precisamos de um plano.
-Já tenho uma noção de como vamos fazer isso –Nolan disse confiante do outro lado da linha.
Uma sema depois.
Bishop e sua gangue de magnatas cruzaram os portões exatamente as seis horas de um final de tarde maravilhoso com aquele filho da puta me dando a dádiva de não ter que olhar a cara dele durante alguns dias. Braun estava ao meu lado gargalhando de felicidade, feito um idiota.
-Vamos desligar as câmeras. –eu disse dando um empurrão nele pra ver se acordava das suas gargalhadas imbecis.
Subimos até a torre onde ficava as câmeras e dispensamos dois seguranças que estavam lá, eles seriam um dos nossos ajudantes pra mais tarde. Desligamos todas as câmeras e voltamos aos andares de baixo. O plano era simples, mas como tudo na vida não era demais tomar cuidado com cada passo que se dá. Pegamos três bolsas pretas e seguimos em direção ao escritório do Bishop.
Braun vestiu um par de luvas e puxou um quadro com a pintura da família imperial que estava na parede atrás da mesa do escritório, bem parecido com o que estava na sala de estar não que eu soubesse distinguir, colocou o quadro no chão e encarou o cofre a sua frente.
-Você sabe a senha não sabe? –ele me encarou.
-Ele não é de senha eu tinha me esquecido...a alguns meses com medo que alguém mexesse do cofre ele trocou a forma de abrir.
-Não to entendendo. –disse entediado.
-Só três pessoas tem acesso ao cofre, o próprio Bishop, Haviier e a...
-A Melody? –perguntei surpreso.
-Eu não quero colocar ela nisso.
-Não tem ninguém na casa, não há perigo. –disse deixando óbvio pra ele. –Eu vou busca-la. –disse saindo, mas ele me impediu.
-Não, eu vou. –ele saiu e voltou minutos depois acompanhando Melody que estava de cara feia. Pisquei pra ela e ela riu me dando língua.
Ele puxou um painel por cima do cofre e colocou a mão da Melody, o cofre reconheceu na hora e destravou a sua porta.
-Trabalho feito, vou te levar pro seu quarto.
-Eu sei o caminho de volta sabia –ela disse reclamando.
-Eu a levo Braun, já volto. –Disse a puxando pelo braço e saindo do escritório antes que ele me impedisse. Subimos os lances de escadas e atravessamos os corredores correndo até finalmente chegar no quarto dela.
-Por que a gente correu tanto – ela perguntou ofegando.
-Pra que eu pudesse fazer isso. –a empurrei na parede beijando seus deliciosos lábios. –Tava com saudades –disse de testa colada com a dela.
-Estranho já que você passou a noite comigo.
-Mas já faz tempo. –roubei mais um beijo. –Tenho que voltar antes que e o Braun tente me matar – a soltei –Volto aqui em duas horas pra te levar pra sair.
-Ta bom, tchau. –ela entrou no quarto e eu voltei para o escritório.
Dentro do cofre havia alguns envelopes com maços de dinheiro, vários envelopes com documentos e algumas joias. Colocamos tudo dentro das bolsas e fechamos o cofre colando o quadro no seu devido lugar. Saímos com as bolsas pretas e as deixamos dentro de um dos carros no estacionamento. Agora nós teríamos que executar a segunda parte do plano, tirar o carro com as bolsas de dentro da casa.
-Você chama os seguranças eu vou pegar o meu carro. –Seguimos caminhos diferentes, eu fui pra garagem externa e o Scooter foi buscar os dois seguranças que antes estavam na sala das câmeras, eles levariam o carro pra fora, onde estavam Ryan, Nolan e alguns dos meus homens de confiança. Entrei no carro o levando pra frente da casa, um tempo depois Scooter apareceu.
-Eles estão vindo logo atrás de nós.
-O que disse a eles? –dei partida.
-Que iríamos à boate e eu precisava de proteção.
-Boa –acelerei assim que vi os dois no carro de trás.
Passamos pelos portões e seguimos pela alta estrada. Nolan mandou uma mensagem avisando que já conseguia nos ver, acelerei sentindo os pneus queimarem no asfalto, avistei os carros no acostamento e diminui a velocidade, com o espaço que eu havia criado acelerando um dos carros no acostamento aproveitou e fechou a passagem dos seguranças que vinha atrás de nós, parei o carro no acostamento mais a frente.
Por pouco os carros não colidiram, ao velos tomando o carro dos seguranças eu acelerei e segui caminho.
Nolan's P.O.V.
Avisei Justin quando vi os carros vindo à estrada, assim que ele passou por nós mandei colocar um dos carros bloqueando a passagem de um jeito que eles não pudessem fugir. Assim que o carro parou Ryan e eu nós aproximamos puxando os seguranças do carro pra fora.
-Por favor, não faça nada contra nós, tenho filho pra criar. –Um dos homens choramingou e Ryan riu entrando no carro dos mesmos e pegando três bolsas pretas, me jogou duas delas e saiu do mesmo indo em direção aos carros. Os seguranças que vieram no carro estavam tão amedrontados que só sabiam pedir por misericórdia e falar de seus filhos e família.
Joguei as bolsas na porta malas de um dos carros e chamei um dos meus seguranças.
-Leva os dois medrosos pra longe, bem longe e da um susto neles. Nada de matar eles só tem que ficar com medo o bastante pra nunca abrir a boca sobre o que aconteceu aqui. –ele assentiu e foi fazer o que eu havia mandado.
Entrei no meu carro e segui voltando pra casa, tudo tinha sido tão fácil que chegava a me deixar com uma pulga atrás da orelha. Alguma coisa ia acontecer...cedo ou tarde.
Justin's P.O.V.
Deixei Scooter na boate e voltei pra mansão entrando pelos fundos, um emaranhado de arvores que fechava os portões de trás da casa. Entrei e fui direto ao quarto da Melody, tive que gritar algumas vezes na porta pra ela abrir. Ela estava linda na minha frente, toda produzida, toda minha.
-Vai ficar babando ou vai me tirar desse inferno? –ela disse rindo enquanto me empurrava pra fora e fechava a porta.
-Depois de te ver vestida desse jeito eu to reconsiderando sair pra se divertir e ficar aqui e me divertir com você. –ela riu fazendo um sinal de não com o dedo.
-Você disse que ia me levar pra sair, agora você vai.
Saímos da casa tomando todo o cuidado do mundo pra que nenhum dos poucos seguranças nos visse entramos no carro e eu dei partida saindo dali. Ela olhava continuadamente pela janela observando tudo, mas com um certo medo. Ela parecia desconfortável.
-Ta tudo bem com você? –perguntei pousando a mão na perna dela.
-Ta sim, só é meio estranho ver tudo isso, é a primeira vez desde sempre que eu saio daquele quarto. –ela colocou a mão sobre a minha a apertando.
-Fica tranquila, você se acostuma com o mundo além dos portões. –ela riu.
-Aonde nós vamos?
-Ao parque de diversões da cidade, tenho certeza que você vai adorar.
Melody's P.O.V.
Eu estava uma pilha nervos e animada, seria a primeira vez que eu realmente veria pessoas e seria real, pela primeira vez eu estaria no mundo real com pessoas normais em um lugar normal. Depois de uma curva eu pude ver um espaço iluminado com estruturas gigantescas de ferro cheias de lâmpadas coloridas.
-Não é o meu lugar de diversão favorito no mundo, mas eu pensei que fosse gostar. –ele disse estacionando o carro.
-Eu mais do que gostei, é perfeito. –saltei do carro me juntando a ele em uma caminhada parque adentro.
Meu coração acelerou assim que vi todas aquelas pessoas a minha volta, rindo, gritando, cantando, vivendo. Nós cruzamos o lugar ao som de uma música que me fazia querer dançar, Justin mantinha um sorriso lindo no rosto. Passamos por algumas barracas enquanto eu escolhia um jogo, tiro ao alvo. Ele atirou pra mim e obviamente ganhou.
-O que vai querer? –o homem da barraca me perguntou, passei o olho pelos prêmios até encontrar um urso panda gigante.
-Eu quero aquele urso panda. –apontei.
-Não, eu não vou carregar um urso desse tamanho escolhe algo menor –Justin reclamou.
-Foda-se eu quero aquele urso –fiz uma cara intimidadora pra ele que revidou com uma careta.
-Pega a droga do urso. – o homem me entregou o urso e eu abracei sentindo toda a fofura daquela coisa enorme.
-O que eu não faço por você Mel –ele reclamou mais uma vez assim que eu indiquei que ele carrega-se o urso.
Continuamos andando pelo parque parei em outras barracas e ganhei mais prêmios, um ou dois por mérito meu. Voltamos ao carro e deixamos os prêmios lá.
-Aonde você quer ir agora?
-Roda gigante! já vi muitos casais tendo beijos românticos lá. –ele revirou os olhos rindo de mim e nós seguimos pra roda gigante. Tickets comprados. Entramos.
A roda começou a se movimentar e a passar no topo me dando completa visão de uma Livonia que eu nunca havia visto antes e um medo, um grande medo da altura que nós estávamos. Justin segurou minha mão e soltou uma risada fraca.
-Você ta suando frio.
-Eu acho que tenho medo de altura. –admiti tentando não olhar pra baixo. A roda parou assim que chegamos a parte mais alta.
-Foi você quem escolheu a roda gigante. –ele disse olhando pra baixo. Eu estava como diz o bom e velho linguajar, me borrando de medo.
-Você já sentiu medo assim, eu quero dizer muito medo em alguma situação na sua vida? –perguntei tentando me distrair mesmo sabendo que talvez ele não fosse me responder, mas eu estava errada. Ele se recostou e fixou o olhar na cidade iluminada.
-Quando a minha mãe foi assassinada, eu pensei que fosse ficar só pra sempre. Foi nesse dia que eu senti mais medo na minha vida. –ele voou com pensamentos e eu o agarrei o beijando.
-Você nunca mais vai ficar só se depender de mim. –ele abriu um sorriso meio bobo e voltou a me beijar.
Quando abri os olhos, nós já estávamos na parte baixa e o condutor da roda estava nos esperando sair. Fomos em mais alguns brinquedos e demos uma parada pra comer.
-O que você nunca comeu, mas gostaria de experimentar. –pensei por alguns instantes e aqueles comercias de lanchonetes começaram a passar pela minha cabeça.
-Cachorro quente, mas não aquele com pão e salsicha, tem que ser aquele com coisas gordurosas e molho caindo pelas beiradas. –falei e ele riu da minha cara.
-Chego no quisto que cachorro quente antes de você –ele disse e começou a correr na minha frente.
Nós corremos entre as pessoas até chegar o quiosque. Pedimos o maior cachorro quente que havia por ali e começamos a comer. Num momento ele tirou o celular do bolso e o encarou como se tivesse algo muito errado acontecendo.
-Ta tudo bem? –perguntei e ele guardou o celular voltando a olhar pra mim.
-Ta sim –ele riu –Você ta parecendo uma porquinha. –abri a boca indignada com o que ele dizia de mim – A porquinha mais linda –ele se aproximou passando a língua no canto da minha boca. – e ainda por cima gostosa.
-Eca Justin –passei a mão por cima da lambida que ele tinha me dado.
Ele matinha aquele sorriso divertido no rosto, um sorriso que eu não o via dar dentro da mansão, um sorriso de liberdade.
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