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M A H A L O


Mαhαlo representα α grαtıdα̃o sıncerα que umα pessoα sente por outrα e, pαrα o povo hαvαıαno, deve ser utılızαdα de mαneırα sάbıα e honestα.

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Havia uma pilha de presentes na sala de estar da casa do meu pai, o endereço que escolhi para que fossem enviados. Era muito mais fácil tê-los ali já que seriam levados para um dos apartamentos do prédio, o presente de casamento de papai, que nem sonhava que eu bem pretendia continuar na minha casa em North Shore, morar em Wakiki simplesmente não me alimentava os olhos.

Faço meu caminho entre a pilha de caixas e sacolas, uma maior que a outra, com notas e cartões da família e amigos próximos. Começaram a chegar na semana passada, um ou outro, mas agora que a família se reunia na Ilha Grande eles chegavam aos montes.

Pego uma caixa com um ferro de passar roupa e suas quinhentos e doze funções, praticamente deixava a roupa dobrada no guarda roupa. Por acaso pensavam que eu estava disposta a passar a cuecas de Mansur?

Me sento no longo sofá branco e solto um gritinho ao sentir minha bunda ser espetada por um caixa menor. Minha vontade é reunir tudo e distribuir nos bairros mais pobres da Ilha, alguém com certeza faria melhor uso do quarto liquidificador que acabara de chegar, ou do jogo de quadros que dizia que seríamos uma família feliz. Haviam crianças no quadro. Um menino e uma menina.

Filhos!

Construir uma família com ele, ter filhos, ser feliz.

Sinto minha glote fechar. Levanto tropeçando nas caixas de presente e me jogo em direção a sacada, agarro a barra de metal e me agacho contando até dez. Um, dois, três, quatro, cinco...ter filhos realmente não esta nos meus planos...seis, sete, oito, me casar antes de abrir a filial da minha empresa na Europa também não, nove, dez.

──── Nani, venha tomar café.

Abro os olhos fitando a imensidão azul esverdeada a minha frente, posso ver toda a costa leste dali. Não consigo ouvir o som das ondas, invés disso, ouço as risadas de meu pai e os pais de Mansur, eles estão ali.

Aperto meus dedos na barra de metal desejando que fosse apenas um sonho, se eu acordasse em seguida poderia me prepara melhor para aquilo, mas não era um sonho. Massageio minhas falanges marchando de volta ao interior da casa, minha mão dói pela frustração extravasada no metal.

Encontro a mãe de Mansur olhando os presentes, checava a etiqueta e o peso das caixas, se não a conhecesse diria que estava mesmo interessada em saber o que ganhamos, qual o valor e não que nos deu. Os Okalani tinham a fama de serem exigentes, o que acobertava o fato de serem na verdade esnobes. Mas não com a minha família, eles faltavam lamber os pés de papai, planejavam festas em família, por pouco não cediam os próprios quartos para dormirmos, havia uma admiração quase doentia por Kaleo Kalawai'a.

E por isso a insistência no maldito casamento. Se que se não for até o fim com, a tormenta que assombrara essa ilha será tão pior que o Mauna Loa* em erupção.

──── Esta tão magrela Nalani, não tem se alimentado direito? ──── pergunta minha futura sogra ao me ver. ────Uma moça tão bonita não pode deixar de se cuidar.

──── É só cansaço, os preparativos estão me tirando o sono. ──── digo com um sorriso cansado no rosto, não havia motivos para ela pensar diferente.

──── Mesmo assim, não deve parecer cansada ao subir no altar querida. Mansur não tem lhe ajudado? ──── franziu o cenho e por um segundo eu quis acreditar que ela não conhecia o filho que tinha.

──── Aposto que não. ──── berrou meu sogro se esgueirando entre os presentes para me dar um abraço. ──── Acredita que quando levantei ele estava chegando em casa? ──── segredou esfregando a testa com os dedos calejados. O senhor Okalani costumava pescar quando mais novo, dizia que essa era a história dos seus dedos calejados. Na minha cabeça ele havia ficado com os dedos calejados de tanto contar dinheiro, modéstia parte, a porcentagem da ilha que não esta dominada por meu pai, esta dominada por ele.

──── Querido, não diga isso. ──── beliscou o marido, me mantendo entre os dois em um abraço ladino. ──── O que ela vai pensar do nosso menino?

Olho para os lados me sentindo uma criança no meio da discussão deles. Nada o que dissessem ali me faria pensar algo diferente do que pensava de Mansur, que sim, deveria estar naquele encontro, mas certamente estava de ressaca até o cu e não se daria ao trabalho de aparecer. E bem, eu não precisava de seus pais me contando isso para saber: Taehyung.

──── O que mais ela pode pensar? ──── ironizou enquanto encontrava uma forma de me afastar do sanduíche qual haviam me feito de recheio. ──── Ela já sabe que vai ter que se empenhar para o fazer mudar, logo que se casarem esse menino cresce. Tenho certeza.

Tento dar o fora da sala e deixar o casal em sua discussão particular. Uma ova que eu estava disposta a gastar minha juventude criando o filho marmanjo deles. Estou seguindo para o corredor dos quartos quando ouço o o grunhido atrás de mim. Cerro os dentes ao ser pega no pulo e me viro.

──── Makuakāne!* Papai, paizinho. ──── inclino o rosto para o lado, e bem me orgulho de ser uma filhinha do papai em determinados e poucos momentos.

──── Onde pensa que vai Nani, o café esta servido. ──── aceno positivo levantando o polegar.

──── Eu só ia chamar Lani, ela não saiu do quarto desde que cheguei. ──── ele concorda estreitando os olhos.

──── Certo, não demorem.

Kaleo é um homem grande, menor que meu irmão Kai, o que não o tornava menos assustador quando queria, apesar de ser babão quando o assunto é os filhos ── diz ele que essa é a sua maior fraqueza, ter sido tão condescendente conosco quando éramos crianças, já que agora tinha que tomar decisões com as quais nem sempre concordávamos.

Tenho percebido, com dor no coração, que cada vez se parece menos com o pai que nos criou. O maior sinal foi quando deixou Kai ir embora e se negou a aceitar o casamento dele, certo que ao descobrir sobre o gravidez de Jada ele voltou atrás, mas as coisas já não eram como antes.

Entro no quarto de uma só vez, conhecendo minha irmã sabia que o mais chocante que poderia acontecer era pega-la assistindo vídeos de ASMR ou estudando. Nessa caso, a segunda opção. Lani tinha o corpo debruçado na escrivaninha, a luminária sob seus cabelos cacheados, o rosto amassado no teclado do computador e a boca aberta derramando uma cachoeira de baba.

──── Ei, pirralha! ─── balanço seu ombro com cuidado. ──── Acorda! Não acredito que dormiu assim de novo. ──── balanço seu corpo outra vez. ──── Vamos, precisa me ajudar a enfrentar o duelo de titãs lá fora.

──── O que esta fazendo aqui a essa hora? ──── resmunga tentando se apoiar para levantar o corpo.

──── Vim te buscar, vamos fugir dessa ilha! ── sussurro como um segredo.

O tom da minha voz a assusta, me encara com os olhos esbugalhados e cheios de remela. Levo a mão a barriga rindo, ela entende que é uma brincadeira, no entanto, no fundo quero dizer que se ela aceitar nós vamos para longe de tudo.

──── Engraçadinha. ──── esfrega os olhos com a manga do moletom. ──── Quem esta ai?──── olha para a porta aberta, podemos ouvir a voz do trio conversando.

──── Meus sogros. ── Lani fez uma careta, gostava de Mansur, mas seus pais não eram exatamente seus favoritos no mundo. ──── O café já esta posto, vamos.

──── Preciso lavar o rosto e escovar os dentes antes. ──── anuncia se levantando.

──── Tá, eu espero.

Empurro a porta a fechando e me deito na sua cama, ainda esta com os lençóis esticados, provavelmente do dia anterior.

──── Mansur veio? ── indaga, imagino que seja por não ouvir sua voz.

──── Não, ele saiu ontem de madrugada para festejar com os amigos. ──── aliso o coberta macia fechando os olhos, não havia dormido tanto quanto queria.

──── Como sabe?

──── Taehyung me disse. ──── arregalo os olhos ao compreender o que havia acabado do dizer. Que língua hein, garota. ──── E o pai dele me contou que estava chegando quando saíram. ──── tento remendar, mas Lani esta com a boca cheia de espuma e a cabeça para fora do banheiro me encarando.

──── Taehyung tipo o Taehyung estrangeiro do seu noivo? ──── fala abafado suja de pasta dental, sua sobrancelha faz uma curva tão alta que me admira não se conectar com os cabelos.

──── Ele mesmo. ──── engulho em seco escaneando o quarto procurando por uma distração. ──── Mas não tente de mudar assunto mocinha, dormiu estudando de novo. Já disse que isso é péssimo para sua saúde e vida social.

──── Eu preciso estudar para manter as médias e conseguir acesso aos melhores cursos. ──── comentou após cuspir a espuma.

──── Nós somos ricos, do que esta falando? É só oferecer um cheque e você literalmente pode ir para Harvard ou Oxford. ── penso em voz alta, e bem tinha usado este trunfo para estudar e me formar.

──── Quero entrar por mérito meu e não porque papai pagou o reitor com um campo de abacaxis. ──── saiu do banheiro de rosto lavado, sua pele parecia um pouco abatida e imagino logo pelo que seja. ──── E Harvard e Oxford estão fora da lista a não ser que eu pretenda fazer a distância. Kaleo Kalawai'a não me deixaria sair do ninho, assim como não deixou vocês.

Me sento no centro da cama espaçosa e a encaro. Nós, os filhos de Kaleo estamos literalmente entre os nomes mais conhecidos de toda a ilha. Algumas pessoas até costumam nos levar presentes em nossos aniversários, o sempre me pareceu loucura. Até Moa, a pequena de Kai era conhecida por todos, estamos em alguma posição de linhagem de elite e ainda havia o império construído por meu pai com a ajuda de vovô.

Akoni Kalawai'a era dono de uma pequena fazenda de abacaxi, que cresceu a ponto de transforma-se na maior fazenda de produção, em um momento propício, quando o Havai tornou-se o maior exportador. O melhor abacaxi vem daqui. Kaleo trabalhou no campo com meu avô, mas queria uma vida mais confortável, então investiu no turismo com parte dos lucros das exportações, em hotéis com tecnologia de ponta de linha atraindo cada vez mais turistas a Wakiki, o centro comercial.

De um dia para outro, morávamos em uma linda e confortável casa na praia, dizia papai que devia manter a família e negócios em lados diferentes da ilha. Isso até mamãe morrer.

Esfrego a ponta dos dedos, estão pegajosos, acho que ainda estou suando graças ao meu ataque de nervos de antes.

──── Mas você não tem vontade de ir? ── questiono mordiscando o lábio. Ela se vira fechando o zíper da saia jeans. ──── Sair do ninho e experienciar a vida fora dessa Ilha?

──── Nós já saímos daqui, fomos a Disney, se lembra?

──── Por uma semana, quando tinha dez anos Lani. ── engatinho até a ponta da cama. ──── Estou falando sobre experimentar outras culturas, sobre passar um ano sem dormir na própria cama, sobre fazer coisas que nunca imaginaria fazer aqui, dentro da nossa rotina. ──── me levanto jogando os dreads por cima do ombro andando de um lado ao outro. ──── Descobrir como é o pôr do sol no Brasil, beber cerveja na Alemanha, se apaixonar por um Italiano...ir em uma festa de faculdade com todos os perigos possíveis, dormir na biblioteca, ver gente do mundo todo andando pelo campus. ──── fica em silêncio me encarando. ──── Realmente não quer nada disso?

──── E o papai? ── indaga receosa, não precisava me dar uma resposta direta para saber o que pensa. ──── Ele não ia ficar feliz comigo longe.

──── E você? Vai ficar feliz passando o resto da sua vida aqui?


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Após o café da manhã nos juntamos na sala de estar. Os presentes já não estão mais ali, a senhora Oakalani conseguiu que a empregada os guardasse no meu antigo quarto, poderia ter feito isso também, mas não me importava tanto assim onde toda aquela tralha estava, contanto que não fosse em minha casa.

Lani estava com a cabeça deitada em meu ombro, reclamando da dor nas costas que sentia, afinal havia dormido toda torta. Papai sugeriu que fosse ao spa do prédio, em suas palavras a menina parecia muito estressada e não gostava de ver sua pequena daquela forma, o que nos rendeu risadas.

──── Me fale sobre os últimos preparativos querida, ouvi algumas coisas do buffet, mas quero saber diretamente da noiva. ──── comenta deixando a xícara de chá sobre a mesa, o cheiro de laranja e canela tomava conta do ambiente.

──── Tudo esta indo como planejado. Fiz a última prova do vestido, minhas madrinhas também já tem vestidos novos. Adicionei os últimos nomes a lista de convidados, todos os convidados confirmaram presença, apenas um primo nosso vai chegar no dia da cerimônia, os outros estarão chegando até um dia antes.

──── E todo o hotel esta a disposição para receber a nossa grande família. ──── diz meu pai orgulhoso, havia feito questão de hospedar todos da nossa família e dos Okalani em seu hotel. Seria cômodo, afinal a cerimônia seria a dez minutos dali, beira mar.

──── Fico muito alegre em ouvir isso, na verdade, fico orgulhoso em saber de todo o trabalho que tem colocado neste casamento menina. ─── diz o senhor Okalani com um sorriso de orelha a orelha, esticando sua barba rala.

──── Só estou fazendo o que manda a tradição. ── gesticulo tentar soar engraçada, mas as risadas na sala são constrangedoras.

──── Falando em trabalho, quais são seus planos para depois da lua de mel. ──── se levanta do sofá a minha frente e senta ao meu lado, como se fôssemos boas amigas. Apoia as mãos delicadamente em seus joelhos juntinhos.

──── O que quer dizer?

──── Você tem um lojinha de joias, tem um emprego que delibera bastante do seu tempo. ── aceno positivamente totalmente alheia ao caminho da conversa. ──── Mas recém casados precisam ficar mais tempo juntos, para se conhecerem melhores como um casal, e você precisa cuidar da sua casa e do seu marido. ── sinto o nó de mais cedo se apertar em meu estômago, Lani parece notar também, pois se afasta endireitando o corpo. ──── Além do mais, queremos netos já, Kaleo aqui não pode se gabar por ser o único avô do nosso grupo.

Papai ri, na verdade, ele da um gargalhada de felicidade sendo seguido pelos outros na sala.

Menos por mim.

Não vejo graça nenhuma no que estou ouvindo, na verdade sinto meu rosto congelado em uma expressão de confusão. Meu cérebro demora a processar o que ouvi.

──── Tenho uma joalheria, a mais conceituada de todo o Havaí, pode não ser tão grandiosa como seus negócios mais não é uma lojinha qualquer. ──── o silêncio cai sobre a sala, a atmosfera muda drasticamente assim como meu tom de voz. ──── Vou me casar com seu filho, mas isso não quer dizer que eu vá parar de trabalhar por isso. Se sonha com uma nora grávida de pés descalços com um pano de prato no ombro cozinhando o almoço do seu filho, esta não sou eu.

──── Oh, q-querida... ──── ela gagueja constrangida, estica os lábios em um sorriso nervosa e olha para seu marido, para o meu pai, mas nenhum dos dois se atreve a dizer coisa alguma. ──── Não foi isso que eu quis dizer, só acho que poderia diminuir o ritmo até estabelecer o seu lar.

──── Receio que isso não vai ser possível. ──── cruzo uma perna sobre a outra. ──── Na verdade eu vou abrir uma filial na Europa assim que todo esse caos do casamento passar, estarei trabalhando e viajando mais do que nunca. ── estico os lábios em sorriso robótico ────Vocês não sabiam?

Acho que agora estão sabendo.

Papai me olha furioso, o ambiente tem uma queda drástica de temperatura. Me precipitei em falar aquilo e agora estava no olho do vulcão.

──── Meu escritório. Agora. Nalani.

Detalhe engraçado, papai só me chama pelo nome quando esta prestes a fazer um escândalo digno dos deuses havaianos. Que Namakaokahai* me proteja.


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Bato a porta do apartamento descontando toda minha cólera no amadeirado. Nós tentamos conversar e mesmo com todo respeito que carrego por meu pai acabamos aos gritos no instante em que disse que estava me proibindo de abrir a filial. Eu, uma mulher de vinte e seis anos, independente financeiramente, dona do meu nariz, sendo proibida de trabalhar no que amo.

Para o azar dele, temos o mesmo temperamento.

Quando deixei o apartamento os Okalani não estavam mais ali, irritada demais, acabei saindo sem me despedir de Lani. Atravesso o corredor em passos largos, sinto o ar deixar narinas barulhento.

Inspiro, Expiro. Ainda desacreditada.

Tudo tem um limite, e sinceramente estava certa de que o meu começava a ser alcançado. Aperto o botão nervosamente, a caixa de metal faz sinaliza mostrando que estava subindo. Aperto mais, quero que o botão afunde, quero socar a porta de metal. Quero ser livre e tomar uma decisão minha, ao menos uma vez.

Entro no elevador chocando a palma da mão no fundo dela e grito quando as portas se fecham as minhas costas. Grito até minhas cordas vocais se cansarem.


Kιm Tᥲᥱhყᥙᥒg


Encaro o relógio dourado no meu pulso, era tarde para o meu itinerário e o calor do Havaí, mas ainda tinha bastante o que aproveitar, afinal de contas havia tirado férias para isso. Almoçaria no restaurante do hotel e de á desceria para a praia, a única coisa me impedindo era o elevador demorando. Dois elevadores no meu andar e nenhum estava a postos.

Acabei o perdendo o da direita, subia com um casal e duas crianças. Espero o da esquerda pacientemente, encostado no batente da minha porta, era realmente próxima.

O led no top do elevador anuncia a sua chegada e eu me aproximo vendo a porta se abrir vagarosamente e me surpreendo com quem vejo dentro.

──── Nalani? ── chamo.

Esta de cabeça baixa, como braço apoiado perto da porta. Ao levantar o rosto noto seus olhos avermelhados e cheios de algo que não consigo identificar. O que quer que seja, meu primeiro instinto é me armar para acabar com aquilo. Olho para o meu corredor, esta vazio. Estendo a mão impedindo que a porta se feche.

──── O tem de errado, baby? ── abro a mão esticada em sua direção. ──── Vem cá.

Ela não me toca, não em um primeiro momento, analisa minha mão esticada antes. É inviável para mim naquele momento decifrar sua expressão. Primeiro, eu não sabia o motivo por trás da sua aparição ou seu estado, segundo seus olhos pareciam larva quente, fulgentes e intimiadores ao mesmo tempo.

Não segura minha mão, a afasta e abre espaço para o inesperado. Um abraço. Seus braços envolvem meu pescoço afoitamente e não penso duas vezes ao retribuir, passando os meus por sua cintura, afagando suas costas.

Levo Nalani para meu apartamento, parece o mais seguro a se fazer. Continua calada, de pé no meio da minha sala, penso em dar o tempo que precisa, mas ela obviamente já tem algo em mente quando me beija a boca como se o mundo estivesse prestes a acabar.

É perceptível que algo aconteceu para deixa-la naquele estado, mesmo a conhecendo pouco, não é necessário muito para saber quando uma mulher esta sensível, especialmente a mulher que me vem atormentado os dias. Há um brilho em seus olhos que me pede que reme ao magma, na sua coloração mais selvagem e tentadora. 

Seguro sua cintura a puxando em direção ao sofá, cai sentada em meu colo enroscando seu corpo ao meu. Acaricio sua pele, percebo que sou um viciado buscando pelo impacto da euforia de toca-lo pelo simplesmente fato de não querer nada mais. Mas dessa vez, me contenho. Sinto suas mãos em meu cabelo, seus dedos estão trêmulos.

──── O que há de errado? ── seguro em suas mãos a trazendo para frente do meu corpo e beijo sua palma.

──── E-eu só preciso parar de pensar um pouco... ── sua voz soa baixa, quase em um sussurro. Um pedido. ──── Por favor...

──── Claro baby, não irei perguntar mais nada. ──── agarro seus fios e beijo sua boca acatando seu pedido. ──── Vou fazer com que se sinta bem.

Dentro da minha singela lista de habilidades consolar alguém ocupava uma das últimas posições, quiçá a última e as vezes nem aparecia. Mas se, neste caso, minhas outras habilidades no quesito ser um puto tivessem alguma serventia faria utilidade total delas.

Com as roupas espalhadas no chão da sala me deleito em seu corpo nu, dos pés a cabeça, cada detalhe que tomo e chupo arranco reações diferentes de si. Gosto quando geme, me orgulho quando pragueja tamanho prazer. As palavras sujas que saem da sua boca são o suficiente para me deixar duro e a sua boca em si faz todo o resto.

Agarra seu pulso a tendo de costas com o rosto contra o encosto do sofá, choraminga e pede por mais. Mais fundo. Mais rápido. E em toda a minha glória lhe dou o que pede.

De quatro. Por cima. De lado. Por baixo.

Transar com Nalani é como pegar a maior onda dentro do mar, ver a cortina do tamanho de um titã e agradecer pela adrenalina, aquele instante entre a vida e a morte, alcançando o nirvana.

A tenho no meu colo quando desfalece trêmula, me abraça apoiando o queixo em meu ombro respirando pesadamente. Me libero na sua coxa, em meio ao frenesi não pude pensar em procurar proteção.

Ficamos assim em silêncio por um tempo, apenas com o remanso no lugar dos nossos gemidos e os corpos grudados. Aliso suas costas, sentindo a pele macio embaixo dos meus dedos e ouço algo que parece uma risadinha.

──── Sente cócegas? ── indago quebrando a quietude.

──── Um pouco. ── confessa. Seus dedos estão nos meus cabelos outra vez, massageando a nuca.

──── Isso não e um problema com massagens?

──── As vezes, normalmente peço para fazerem só entre os ombros e a pá. ── se move inquieta no meu colo buscando espaço. ──── Preciso ir no banheiro. ── aceno a vendo levantar-se do meu colo.

Me estico no sofá deitando, deixando de lado os planos que havia feito para o resto do dia. Apesar da expressão de relaxamento em seu rosto, ainda me encontro curioso sobre o que causou tal reação na ruiva. Na verdade, quero saber se Mansur tem culpa na nisso, tenho nutrido certa vontade de lhe dar um soco na cara desde ontem, mesmo não tendo nenhum direito a isso.

Retorna poucos minutos depois, quando faz menção de pegar suas roupas no chão a puxo para perto deixando seu corpo cair sobre o meu, nos encaixamos no sofá estreito.

──── Está se sentindo melhor? ── indago alisando seu rosto com o polegar. Seu corpo fica menor entrelaçado ao meu, o rosto apoiado no meu peitoral.

──── Sim. ── responde em um sopro. ──── Acho que tive um ataque de ansiedade ou algo parecido com isso, se não tivesse te visto acho que teria desmaiado ali mesmo. ──── contou batucando os dedos em minha pele.

──── Posso perguntar a causa? ── não quero parece invasivo, mas preciso saber se posso ou não me dar ao luxo de socar meu amigo, seu noivo.

──── Pode. ── fechou os olhos respirando fundo. ──── Mas não acho que vá se interessar, é sobre meu casamento.

Imagino que não esperasse mesmo que eu quisesse saber algo sobre os preparativos da sua nova vida a dois, mas eu quero, diabos, como eu quero saber mais. E me sinto um filho da puta idiota por ansiar entender mais sobre sua vida e o que a atormenta, tendo em mente que, encontros como aqueles não serão mais possíveis.

──── Sou todo ouvidos, sabe, pau amigo também pode ser ombro amigo. ──── a vejo abrir os olhos para simplesmente rolar as orbes acastanhadas.

──── É muito difícil te levar a sério, sabia? ── esboço um sorriso convencido ao ouvir aquilo, não me ofende. ──── Minha futura sogra veio me encher a cabeça com uma história de que eu deveria abdicar dos meus sonhos para servir Mansur. Quer dizer, não exatamente nessas palavras, mas foi exatamente o que ouvi. ──── ditou frustrada. ────Ela realmente espera que eu abandone o meu negócio para cuidar do filho dele e uma nova família que ela acha que vamos ter.

────  Isso é realmente algo frustrante de se ouvir, sinto muito, gente velha tem essa percepção estranha sobre como um casamento deve ser. ────  comento a ouvindo murmurar em concordância. ──── Não sabia que tinha um negócio.

──── É uma joalheria, á dois prédio daqui perto de uma loja da Gucci. Era uma barraca na beira da praia, mas as pessoas começaram a se interessar pelas peças que produzo, especialmente porque uso matéria prima da Ilha, as pedras, as conchas, até os fios. ──── notei imediatamente a mudança do brilho nos teus olhos, de alerta de perigo para algo que pode ser observado por horas por sua beleza. Fala tão bem da loja que tive vontade de ir até lá naquele instante. ──── Alguns joalherias compram as peças e revendem em boutiques na Europa, acabei recebendo um convite para abrir na Itália.

──── Isso é incrível, da grande ilha para o mundo, aposto que vai fazer ainda mais sucesso.──── comento genuinamente animado com a ideia, sempre fui um árduo apoiador. Quer uma relógio novo? Compre. Quer ser o melhor nadador? Bom treino. Quer escalar a maior montanha do mundo? Estarei lá em cima para te receber. Quer abrir uma loja na Europa? Faça isso. ──── Trabalho com hotelaria, eu e meu sócio Jung Hoseok administramos três hóteis. Um deles é em Veneza. Pode ficar hospedada em nosso hotel sempre que precisar.

O brilho em seus olhos amornou, desviou a atenção do me rosto com uma expressão ansiosa. Agarro seu rosto puxando sua atenção de volta a mim.

──── Não estava insinuando nada, se é isso que esta pensando. ── me defendo, de fato eu não estava sendo um cretino sobre sua estadia.

──── Seria melhor se estivesse. ── sorriu triste. ──── Não é isso, hm, eu só não sei mais se vou conseguir abrir a minha filial, aparentemente para o meu pai isso é como abandona-lo. Ele prefere que eu fique aqui, me case com Mansur e nunca coloque o pé para fora da Ilha.

──── Parece que ele não quer que deixe o ninho.

──── É mais do que isso, as vezes acho que ele quer me prender á Ilha com esse casamento, Mansur também não pensa em sair daqui novamente. 

Sou eu quem desvia o olhar dessa vez, a algo estranho sobre a forma como se refere ao casamento, me faz recordar o pouco entusiasmo de Mansur, por um instante me vem a cabeça a ideia de que nenhum dos dois estava realmente ansiando pela união.

Mas então, isso soa ridiculamente bizarro em minha mente, o que faria duas pessoas adultas, insistirem em um casamento que nenhum deles quer? Estreito o olhar.

──── Você o ama?

Usa meu peito como apoio e ergue o dorso me encarando. Sim, que tipo de pergunta bizarra é essa Taehyung? Você não fode com alguém e pergunta se ela ama outro.

──── Que pergunta é essa? ──── enrugou a testa fazendo a pinta acima da sua sobrancelha direita se mover.

──── Isso não é um "sim". ── concluo. ────Por que vão se casar, então?

──── Você não entenderia, isso envolve muito mais do que amor. ── tenho a impressão que não diz aquilo somente para mim. ──── Meu pai tem muitos negócios na Ilha, assim como os pais de Mansur, e para manter os negócios em mãos seguras eles decidiram unir as famílias.

──── Eles? ── arqueo a sobrancelha.

──── Sim, nós respeitamos muito as escolhas dos nossos pais aqui, senhor Kalawa'i é muito tradicional. ──── explica. ──── É um casamento arranjado e eu aceitei fazer isso a anos atrás, por isso começamos a namorar e agora vamos nos casar.

──── Você não soa como alguém que quer se casar. Parece que repetiu um texto batido pra mim.

──── Disse que não entenderia.──── baixou o olhar afastando as mãos de mim.

──── Meus pais tem um restaurante de frango frito bem legal em Daegu, cheio de prêmios de culinária. ──── sua atenção retornou a mim. ────Eles queriam que eu fizesse gastronomia, então me mandaram para faculdade. Detalhe, eu detesto cozinhar. Mas não queria desaponta-los, também respeito e amo muito o meus pais, por isso um dia eu voltei em casa e disse que ia fazer outra coisa da vida invés de assumir o Restaurante.

──── E eles te apoiaram? 

──── Não nos primeiros anos, nós brigamos muito, appa* ameaçou me deserdar, eles não me deixaram entrar em casa por meses. Foi um verdadeiro inferno. ──── solto uma risada, agora que o pior passou. ──── Pensei que eles não fossem mais me amar depois daquilo, mas eles ainda amam e eventualmente aceitaram minhas escolhas, pelo menos a maioria delas.

──── É diferente Taehyung. ────  meu nome soa arrastado da sua boca.

────  Sei que sim. Mas eu entendo o que é não querer decepcionar os pais, acho que até hoje ainda me coloco em situações para não os magoar.  

──── Acho que não sou tão corajosa assim. ── confessou mordiscando o lábio. Lhe roubei um beijo. ──── Me quebraria o coração se papai não quisesse mais falar comigo.

────Sendo corajosa ou não, ainda vai ser a maior gostosa que conheci e toda a minha vida. ──── brinco querendo aliviar o clima. ──── Não estou em posição de te aconselhar de porra alguma, mas se quer saber de uma coisa? Nem sempre a felicidade dos outros vale a nossa, abra a sua loja na Itália, tenha sucesso e depois esfregue no rosto de todos que disseram que você não deveria ir. ──── e não se case se não o ama, diabos, não se case.

──── Mahalo, baby. ── suspira voltando a fechar os olhos. 


↺ 𝑁𝑎𝑙𝑎𝑛𝑖 𝐾𝑎𝑙𝑎𝑤𝑎'𝑖


Inclino a cabeça para trás me apoiando no seu ombro, a água fria da ducha caía sobre nossos corpos, após o que Taehyung disse ter dito ser a nossa despedida, disse isso com a cara mais descarada de todo o mundo.

Me sentia mais relaxada, não apenas pelos orgasmos, mas pela longa conversa que tivemos, sobre várias coisas e ao mesmo tempo nada. Fiquei enrolada em seu corpo por horas, hora o beijando, hora discutindo pelo seu senso de humor questionável, outra apenas aproveitando a companhia um do outro.

Precisava ir embora. Na verdade, nunca deveria ter estado ali. Tento não me deixar tomar pela culpa, afinal, quaisquer que seja a situação que envolve meu casamento o que estou fazendo errado.

No entanto ali, naquele momento eu só queria manter a calmaria e embalava o banho. Os braços longos e firmes que me seguravam. O corpo quente mesmo na água fria que me protegia. Percebo gostar da nossa diferença de altura, da sua pouca decência quanto a me tocar, do silêncio gostoso que se estabelece e não se torna estranho.

Quero manter aquele momento gravado na minha memória, o cheiro de água salgada do seu cabelo, a voz firme, os hábitos questionáveis, o sorriso retangular. Taehyung é um sonho bom, que chegou no pior momento possível.  

O ouço falar sem parar sobre a construção de um hotel, algo que planejava a anos enquanto preparar sanduíches na cozinha. Me convenceu a não ir embora de barriga vazia e também, pelo grande tráfego de hóspedes naquele horário. Havia gente no corredor sempre que espiava pelo olho mágico. Reconhecia primos e amigos de infância.

O homem grande se aproximou da cadeira alta em que estava sentada e se posicionou entre minhas pernas. Usou as duas mãos para jogar as longas madeixas para trás e me encarou, como um filhotinho de urso sorrateiro.

──── Isso não pode continuar acontecendo. ── afirmo determinada.

Taehyung é um sonho que não posso, nunca, me deixa viver.

──── Eu sei. ── responde sem desmontar a expressão calma. ──── Mas está aqui agora, deixe isso para quando sair por aquela porta.




𝐍𝐎𝐓𝐀𝐒 𝐅𝐈𝐍𝐀𝐈𝐒:

Prometi capítulo novo essa semana e bem, vamos fingir que domingo ainda é semana passada hehe. Anyways, não deixem de comentar, dar estrelinha e beber água. Beijo no coração.

PS: Adotei Taelani como nome oficial deles Lilo, obrigada <3



Makuakāne!* = Papai / Pai em havaiano.

Mauna Loa* = Maior vulcão do mundo, situado no Havaí.

Namakaokahai* = deusa do mar e da água, da mitologia Havaiana.

Appa* = Pai em coreano.

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