13 | isso não é um encontro
CAPÍTULO TREZE
ISSO NÃO É UM ENCONTRO
Jungkook despertou sentindo um peso em suas costas. Demorou alguns segundos para entender que estava deitado de bruços e que Haeri estava com os braços em seu dorso, toda encolhida perto do seu corpo para que os dois pudessem caber na cama de solteiro. Ele apertou os olhos, tentando focar sua visão no rosto da amiga que dormia tão perto dele. Quis sorrir, mas um nervosismo em seu estômago o impediu. Nem queria imaginar o que iria acontecer hoje, o que Haeri falaria, se iria fugir ou tratá-lo diferente.
Nesse pequeno espaço de tempo em que os dois tinham começado com essa história de amizade colorida, tantas regras foram quase quebras e outras — como terem dormidos juntos — pareciam ter sido criadas só de enfeite. Mas ele não sabia exatamente como deveria se sentir, mas ele queria mais que tudo que Haeri não se importassem com o fato das regras não estarem valendo de nada, assim como ele não se importava.
Jungkook se levantou com cuidado para não acordar Haeri. Fez seu caminho até o banheiro, tomou um banho e escovou os dentes, saiu do quarto e foi para a cozinha, encontrando a mãe preparando o café da manhã.
— Bom dia — beijou a bochecha dela. — To morrendo de fome.
— Bom dia, filho — respondeu e entregou duas canecas na mão de Jungkook. — Sua namorada também deve estar morrendo de fome.
Jungkook arregalou os olhos, encarando a mãe, que apenas tinha um sorriso no rosto.
— Quê?
— Seojun me falou que você e Haeri estavam namorando, não acreditei, na verdade tinha quase certeza de que ela gostava de meninas... Enfim, cheguei em casa ontem e vi vocês dois dormindo juntos, seu pai quase morre do coração.
— Puta merda — Jungkook murmurou e fechou os olhos, logo sentindo um tapa no braço.
— Não gosto de palavrões, você sabe.
— A gente não tá namorando, só... só aconteceu. A gente tava meio bêbado ontem e... — Jungkook suspirou, encostando-se na ponta da mesa. — Eu e Haeri somos amigos, só isso.
— Amigos que dormem juntos? — arqueou uma sobrancelha. — O que tem de errado em falar que vocês namoram? Todo mundo esperava que fosse acontecer um dia.
— Não é isso, mãe. É um pouco mais complexo... Vou te contar, mas você tem que me prometer que não vai contar pro papai e principalmente, não vai contar pro pai dela.
— O que tá acontecendo entre vocês, Jungkook? — perguntou curiosa.
— A gente tá tendo uma amizade colorida.
— Amizade colorida? Vocês se gostam e não querem assumir um namoro, é isso?
— Não, mãe, meu deus. É uma amizade colorida, a gente transa sem compromisso.
— Isso é horrível, Jungkook — protestou, levando uma mão a cabeça. — Vocês vão acabar se machucando, escuta o que estou falando, conselho de mãe é infalível.
— Para de jogar praga — Jungkook encheu as duas canecas com café. — Não conta isso pra ninguém, é sério, ela não quer que ninguém saiba.
— Não sei não, hein...
Jungkook logo saiu dali, voltando para o quarto, encontrando Haeri calçando os sapatos. Ele depositou uma das canecas no criado mudo perto da cama, tomando um gole do seu em seguida.
— Minha mãe viu você aqui.
— Você não trancou a porta ontem? — Haeri soltou um suspirou irritada.
— Eu tava meio ocupado, se você não se lembra — respondeu curto. — Toma o café.
— Não quero, tenho que ir pra casa — se levantou rapidamente, procurando pela bolsa. Jungkook colocou sua caneca na mesinha.
— Ela acha que a gente tá namorando, seu pai falou com ela.
Haeri bufou quando achou a bolsa e encarou Jungkook.
— Muito bom, ótimo.
Andou rápido até a porta, mas ele segurou seu braço antes que pudesse abri-lá.
— Por que você me trata assim toda vez depois que a gente transa? Isso me irrita pra caralho, Haeri.
— Eu não to te tratando de jeito nenhum, só to com pressa pra ir embora.
— Tá com pressa pra fugir de mim, isso sim — Jungkook passou a mão pelo rosto, soltando o braço dela. — Ontem foi tão bom, para com isso.
Haeri escorou as costas na porta, fechando os olhos.
— Fico com medo da gente ter que conversar sobre algo, sei lá. Ontem a gente quebrou outra regra, não era pra eu ter dormido aqui.
— E você ia fazer o que? Voltar pra sua casa de madrugada? — cruzou os braços. — Aquelas regras são muito idiotas, não fazem sentindo algum.
— Você concordou com elas, não vem colocar a culpa em mim.
— Não to colocando a culpa em você, só to dizendo que elas são idiotas e que não tem problema nenhum você dormir na mesma cama comigo depois da gente ter transado. Isso não quer dizer que a gente tá namorando nem nada.
— Eu só não quero me acostumar com carinho assim, Jungkook. Você sabe que eu sou meio carente e eu não quero confundir as coisas com você por causa dessa carência.
Jungkook assentiu, relaxando os ombros e encarando a amiga, que parecia acanhada demais. Ele a puxou para um abraço, que ela relutantemente retribuiu.
— Nada vai mudar, não esquenta com isso, só não me trata com indiferença toda vez... Eu fico me sentindo, sei lá, um objeto, um cara que você só transou e pronto — confessou, esperando alguma reação de Haeri. — Eu sou o Jungkook, não um cara qualquer.
— Desculpa — apertou mais ainda o abraço. — Não vai acontecer de novo, tá bom?
Os dois se separaram e como se nada tivesse acontecido, o clima parecia mais leve. Jungkook levou Haeri até a porta, tentando agilizar o rápido cumprimento que ela teve com sua mãe.
— Depois do almoço vou te levar num lugar bem legal — comentou com Haeri.
— Que lugar?
— É surpresa — Haeri franziu o cenho e abriu a boca para protestar. — Hae, não se preocupa, não é um encontro.
— Eu não ia falar isso.
— Ia falar o que então?
— Ia falar que hoje é o jantar, lembra? — Jungkook bateu a palma da mão na cabeça.
— Esqueci totalmente, mas gente consegue voltar antes pra se arrumar.
— Olha lá, Jungkook. Não vou ficar feia por culpa sua.
— Não vai, tenho certeza. Te vejo mais tarde? — Haeri assentiu e acenou com a mão quando começou a se afastar.
Assim que chegou em casa, foi direto para o quarto tomar um banho, mas a tentativa de evitar qualquer conversa sobre a noite passada com o pai se tornou uma falha quando saiu do banheiro e o encontrou sentado em sua cama. Seojun encarou a filha com os olhos semicerrados, como sempre fazia quando esperava alguma explicação ou desculpa desesperada por parte de Haeri.
— O que foi? — perguntou secando o cabelo na toalha.
— Não te vi chegar em casa ontem. Passou a noite fora?
— Dormi na casa do Jungkook — Seojun se levantou da cama num pulo enquanto estalava o dedo.
— Eu sabia! — disse entusiasmado até demais. Haeri levantou uma sobrancelha. — Sabia que vocês estavam namorando.
— Não sei de onde você tirou isso — cruzou os braços. — A gente foi assistir um filme e eu acabei pegando no sono, só isso.
— É, eu sei muito bem o tipo de filme que vocês estavam assistindo — Haeri abriu a boca para protestar, mas a fechou quando ouviu o pai gargalhar. Seojun voltou a se sentar na cama e deu duas batidinhas no colchão para que a filha se sentasse ao seu lado. — Olha, filha, eu nunca, nunca te proibi de fazer as coisas, não foi assim que eu te criei. Mas a única coisa que cobrei e cobro de você e do seu irmão é honestidade. Não me importo com quem você se relaciona, se é com Jungkook, outro homem... ou alguma mulher. Eu te amo e sempre vou te apoiar, você sabe disso.
Haeri encarou o pai e pelas palavras doces sentiu seu olho marejar.
— Como você sabe que eu gosto de mulheres?
— Eu te conheço, meu bem — Seojun passou o braço pelos ombros de Haeri. — Jungkook pode ser seu melhor amigo, mas eu sou seu pai e nunca ninguém vai te conhecer melhor do que eu.
Ela sorriu, sendo acolhida nos braços do pai com um abraço forte que a fez sentir segura. Nunca tinha conversado com ele sobre sua sexualidade, ao menos sabia que seu pai desconfiava de algo e ouvir aquelas palavras de sua boca significavam o mundo para ela. Haeri se sentia aceita, segura, protegida, assim como deveria ser.
Se afastou enquanto limpava algumas poucas lágrimas que caíram, sentindo a mão do pai acariciar suas costas.
— Eu e Jungkook não estamos namorando — comentou. — Não é nada sério, então, não fica fazendo gracinhas e nem se envolvendo nisso, tá bom?
— Tudo bem, filha. Vou ficar quietinho — sorriu e cruzou os dedos. — Prometo.
O horário do almoço passou bem rápido e como esperado Jungkook estava mantendo sua pontualidade, batendo na porta da casa de Haeri na hora marcada. A mulher desceu as escadas apressada, colocando os braços dentro do casaco enquanto segurava a alça da bolsa com a boca. Seojun abriu a porta para Jungkook, o cumprimentando com um sorriso no rosto — um sorriso que deixou o amigo apavorado — e dando passagem para ele logo em seguida. Suas mãos rapidamente foram de encontro a bolsa de Haeri, segurando o acessório enquanto ela terminava de colocar a peça de roupa.
— Esse casaco ainda serve em você? Não parece.
— Cala boca — jogou o cabelo para trás e pegou a bolsa. — Vamos logo.
Os dois desceram do ônibus que haviam pegado e caminharam mais alguns poucos minutos até o local. Haeri abriu a boca em surpresa e Jungkook viu seus olhos brilharem ao ver que a antiga pista de patinação ainda estava funcionando. A mulher o encarou ladino, abrindo um sorriso e abraçando o amigo logo em seguida.
— Não acredito que esse lugar ainda funciona — comentou animada.
— Eu também não tinha certeza, mamãe que comentou comigo no dia em que chegamos. Parece que eles reformaram tudo e abriram novamente.
— Isso é perfeito, sério. A gente costumava vir aqui quase toda semana durante as férias de inverno.
— Eu sei, por isso achei que ia ser legal.
Haeri sorriu de novo e eles entraram no estabelecimento, comprando a ficha pra uma hora de patinação e seguiram para trocar seus calçados. Jungkook foi o primeiro a entrar na pista, com um equilíbrio impecável, o que não surpreendia Haeri, já que ele era bom em tantas coisas. Logo ela estava atrás dele, deslizando os pés sobre o gelo com tanta facilidade como quando eram crianças. Jungkook desviou de um menininho enquanto deu um rodopio, fazendo uma pose no final, levantando os braços e abaixando a cabeça, como se fosse um patinador profissional que acabara de se apresentar para uma bancada de jurados. Haeri riu da cena, se aproximando e patinando em voltas ao seu redor.
Jungkook a encarou, tomando a mão da garota de supetão, saindo pelo gelo devagar enquanto esperava alguma reação contraria, mas não aconteceu. Ele continuou a guiando pela extensão da pista, de mãos dadas e vez ou outra fazendo alguma gracinha como rodopiá-la. Haeri sentiu seu estômago revirar, como se um furacão estivesse dentro dela, remexendo todos seus órgãos e fazendo seu coração bater mais forte cada vez que ouvia a gargalhada de Jungkook. Quis com todas as suas forças evitar se sentir assim, mas a imagem dos dois naquele provador sempre voltava à sua mente e ela só conseguia imaginar como teria sido beijá-lo naquela hora.
Balançou a cabeça, tentando dispersar seus pensamentos, e soltou a mão de Jungkook, patinando para o outro lado da pista. Jungkook escorou as costas no ferro do ringue, observando Haeri se mover de lá para cá, como se estivesse flutuando sobre o gelo. Ela sempre foi muito boa patinadora, tinha ensinado Jungkook a patinar quando eram mais novos e ele sempre adorou o fato de que, desde sempre, tinha aprendido tanto por causa dela. Voltou a se mover e foi até ela, colocando as duas mãos atrás do corpo quando se aproximou. Haeri parou e ele também, os dois se encarando por breves segundos.
— Tá tudo bem?
— Sim — ela respondeu, se preparando para patinar novamente, mas Jungkook segurou seu braço num movimento rápido.
— Tem certeza? — perguntou novamente, descendo até a mão de Haeri, a segurando firmemente. A mulher sentiu o coração dar outro pulo quando Jungkook a puxou devagar para perto de si, fazendo seus patins deslizarem pelo gelo sem nenhum controle de suas pernas. Ela mal pôde dizer algo quando sentiu outra mão em sua cintura, trazendo seu corpo para mais perto ainda do dele. Jungkook deslizou para trás, encostando as costas no ringue novamente, mas com Haeri perto de si.
— Você disse que não era um encontro.
— Isso parece um encontro pra você?
Haeri suspirou, olhando ao seu redor, mas ninguém parecia prestar atenção nos dois.
— Tem gente olhando.
— Não tem ninguém olhando e a gente não tá fazendo nada — Jungkook colocou uma mão em sua bochecha, acariciando ali.
— Para com isso, Jungkook — tirou a mão dele dali e da sua cintura. — Acho melhor a gente ir.
— Mas já? A gente mal patinou.
— Acho que a gente já patinou o suficiente — se afastou dele. — Só vamos, tá?
Jungkook suspirou, se sentindo meio derrotado e burro. Não tinha entendido o porquê de ter feito o que fez, devia ter respeitado o espaço de Haeri, respeitado que aquilo não era e que entre eles não existiram encontros. Mas observá-la era tão bom e as sensações que ela causava nele eram tão gostosas de se sentir que ele mal conseguia raciocinar quando estava com ela.
Jungkook não queria admitir, nem gostava de pensar na hipótese, mas estava ciente que mentir para si mesmo não faria seus sentimentos irem embora.
oie!!!
primeiro capítulo do anooooo, gostaram?
eu to achando que esse beijo tá mais próximo do que nunca, hein?
tem umas coisas importantes que eu queria falar: a primeira é a sexualidade da haeri. apesar dessa fanfic ser hétero, ela continua sendo uma mulher bissexual e acho que é importante sempre ressaltar o fato de ela gostar de mulheres também, não quero que isso seja apagado só porque ela tá se relacionando com um homem. vamos levar esse pensamento pra nossa vida real também, né não?
a segunda coisa é essa conversa que o pai da haeri teve com ela. surgiu do nada na minha mente e eu resolvi colocar esse momentinho. eu sei que muitas e muitas pessoas nunca vão ter um pai tão compreensível como o da haeri, e doí, mas queria dizer que assim como ele aceita ela do jeitinho que ela é, vocês devem se aceitar também (não só questão de sexualidade!). não sei o que passa na vida de cada um de vocês, mas espero que tudo se resolva apesar dos problemas, inseguranças e medo do mundo lá fora.
uma hora tudo se resolve e quem nos ama de verdade sempre vai ficar do nosso lado, nunca esqueçam disso.
acho que ficou meio emocionado essas notas kjsndkjs mas queria deixar essas palavrinhas de começo de ano pra vocês e pra mim também. espero que seja um ano muito melhor, cheio de aceitação e amor próprio. eu adoro muito cada um de vocês sério!
enfim, ficou grande demais socorro. eu vou viajar e passar uns dias foras, então talvez demore um pouco pra postar de novo, mas eu volto!
até mais!
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