𝗖𝗮𝗽𝗶𝘁𝘂𝗹𝗼 𝗨𝗺
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Piii... Piii... Piii...
Dou um tapa tão forte, mas tão forte que tem uma certa chance desse alarme não tocar mais.
Eu preciso levantar, eu sei que preciso e que já deveria estar em pé me arrumando para a escola, mas... Essa cama está tão boa! Ela insiste para que eu continue deitada, que eu não saia de sua companhia e fique. Após insistir tanto e me convencer de que mereço mais uns cinco minutinhos fecho de volta meus olhos disposta a dormir mais.
-Jiwoo, acorda, você vai se atrasar! - Ouço uma voz distante se aproximando - Levanta logo! - Não respondo, nem mesmo me importo por aquela que chamava meu nome - Jiwoo! Você vai se atrasar para a escola!
Um flash de luz forte vem se encontro com o meu rosto, me fazendo resmungar e puxar minha coberta para tampar. Mas a partir do momento que eu cubro meu rosto o cobertor é arrancado de cima de meu rosto e corpo.
-Vovó!! - Murmuro me sentando na cama e olhando para a senhora em pé ao lado da minha cama - Me deixa dormir mais um pouquinho!! Só mais cinco minutos!
-Querida, você já deveria estar em pé, se dormir mais um pouquinho vai se atrasar e já está se atrasando demais.
-Será que eu não posso-
-De jeito nenhum! Não vai faltar de novo, está com muitas faltas e seu pai não está gostando disso.
-Mas minhas notas estão boas, além de que aquele lugar é insuportável! As pessoas são chatas, mimadas e fazem perguntas idiotas! Os professores parecem ter dó de mim, eu tenho cara de coitada ou fico chorando pelos cantos para me tratarem assim? Além das matérias, aaaaaaahhh! Aquilo é chato!! Enquanto tem pessoas lutando pela sobrevivência eu estou presa em uma sala de aula, cheia de alunos com hormônios a flor da pele e vendo muito conteúdo que não usarei na minha vida e provavelmente no vestibular eu vou esquecer.
-Então decidiu fazer o vestibular? Semana passada você tinha dito que aquilo era inútil e que não adiantaria nada se a Terra fosse dominada por zumbis. Já mudou de ideia?
-Continuo com os mesmo pensamentos, mas meu pai vai exigir que eu faça, mesmo que eu ache uma perda de tempo...
-Você tem que se lembrar que não precisa mais sobreviver de uma forma agressiva, na sociedade normal nós precisamos estudar e trabalhar para sobreviver. Não lutamos com zumbis, mas sim contra coisas menos agressivas e sem armas. Inclusive vê se para com essa faca de baixo do travesseiro! - Me assusto por ela saber disso, era algo que não disse para ninguém e gostaria de manter em segredo - Vamos, o café já está na mesa! - Deixa um selar em minha testa e sai do meu quarto, deixando a porta aberta.
Sou um suspiro longo e pego meu celular que estava perdido entre os cobertores. O ligo e vejo se tinha alguma notificação, mas não, tinha nada.
Me levanto antes que minha vó venha me puxar pelas orelhas, tomo um banho e troco de roupa colocando o uniforme da escola. Desço as escadas e entro na cozinha, encontro meu avô sentado tomando uma xícara de café enquanto mexia no celular e minha avó colocava suco na mesa.
-Bom dia querida! - Meu avô fala desviando seu olhar do celular por alguns segundos.
-Apenas dia... - Me sento e em seguida deito minha cabeça na mesa.
-Já está de mau-humor?
-Não queria estar acordada, só queria dormir mais um pouco! Será que eu não posso mesmo faltar? - O mais velho a minha frente coloca a celular em cima da mesa e cruza os braços.
-Vai faltar no treino também?
-Óbvio que não, quero faltar apenas na escola.
-Então você vai, precisa ir pra escola e parar de deixar o treino em primeiro lugar.
-Mas vô!! Aquela escola é um saco, as pessoas de lá são pior ainda, o treino eu pelo menos gosto! E ele vai me ajudar a passar futuramente na prova prática do exército.
-E é isso que eu e seu pai não queremos, essa sua ideia de servir.
-E qual é o problema? O senhor trabalhou a sua vida inteira lá e meu pai também, por que vocês vem problema em eu querer trabalhar com isso também?
-Jiwoo, por que você não pensa em uma profissão, estilo de vida mais tranquilo? - Ia começar a retrucar, mas ele continua falando - Eu e seu pai não queremos isso para você pois sabemos como é, é pesado, cansativo e quase não tem sobra tempo para aproveitar a vida.
-Eu sei como é, já vivi desse jeito!
-Nós sabemos, você passou por muita coisa a um ano atrás e sabemos seu motivo para querer servir, mas acontece que viver uma vida intensamente e com um emprego desses é muito perigoso, o serviço militar está ainda mais perigoso hoje em dia graças ao vírus, tem muito mais trabalho de combate além com conflitos de nações. Sabemos que quer proteger pessoas, mas pensa bem antes de querer colocar sua vida mais em rico, agora você tem opção, não precisa mais pensar que se sair na rua vai estar correndo risco, pois não está!
-Sempre foi assim, se estamos respirando estamos correndo risco.
-Mas não precisa se preocupar tanto com isso agora, está segura! Mortos não tentará te matar enquanto estiver dormindo. - Diz se levantando - Vou encontrar com uns amigos, nos vemos mais tarde! - Ele dá um abraço e um beijo se despedindo da minha vó e antes de sair deixa um selar na minha testa.
Minha vó coloca uma tigela de cereal na minha frente e se senta e fica me encarando.
-Agora pode falar, o que aconteceu?
-Como?
-Eu sei que aconteceu alguma coisa, não adianta tentar esconder, tem algo que está te deixando assim - Dou um suspiro longo por ela estar certa.
-É o Niki... Tipo as coisas estão meu estranhos, a gente nem consegue se falar direito e faz tempo que não conseguimos nos ver.
-Estão ocupados por conta da escola, mas assim que aparecer alguma oportunidade ele pode vir ou você pode ir lá ver ele.
-Quando fomos resgatados pensei que ele ficaria aqui com a gente, que não fosse para longe, mas agora está em outro país, com fuso horário diferente, ficar em contato é difícil.
-Entendo que você queria que ele ficasse aqui, mas ele tem família, tanto que enlouqueceram, a tia dele quando soube que ele estava vivo queria mais que tudo que ele fosse morar com ela!
-Eu sei, mas é que eu sinto falta dele...
-Tenho certeza que ele deve sentir de você, quando voltar para casa tenta ligar para ele, conversam um pouco e depois vê o que você acha, se as coisas estão realmente estranhas.
-É... Vou tentar.
-Agora termina de comer se não vai se atrasar!
Termino meu café da manhã e vou atrás da minha mochila para sair, encontro com Halley no corredor ela carregava minha mochila e Saem estava em seu colo.
-Está acordado a essa hora?! - Pergunto para o pequeno que esta com a cabeça sobre o ombro da mulher.
-Passou mau durante a noite, não está conseguindo dormir desde então!
-O que ele sente?
-Estava com febre, mas já abaixou agora só está manhoso, acredito que logo conseguirá dormir - Ele me entrega a mochila e eu a coloco em minhas costas.
-Se soubesse teria ido fazer companhia a ele e o meu pai onde está?
-Passou a noite no escritório, está resolvendo algumas coisas do trabalho, mas já levei café para ele - Ela diz com um pequeno sorrisinho de canto.
-Tá bom, a visa para ele que eu já estou indo pra escola!
Dou um beijo na bochecha do meu irmão e saio de casa. Halley é a governanta daqui de casa, cuida de Saem quando não conseguimos além de sempre manter tudo em ordem. Está trabalhando aqui antes mesmo de eu chegar, estuda direito e eu venho notado um comportamento estranho vindo dela, não é como se ela estivesse fazendo algo de errado, mas esconde algo e eu tenho quase certeza que ela gosta do meu pai, isso está tão óbvio!
Durante a minha caminhada para a escola me questiono sobre o que meu avô me disse, ele e meu pai não vem gostando dessa minha ideia de ser Militar quando terminar o ensino médio, minha avó não discorda, mas sei que não gosta também. Ter que sair daquela realidade apocalíptica e ser posta novamente na realidade democrática e social foi assustador e estranho, tive que voltar para o ensino médio e voltando tem aquela questão de "qual o seu projeto de vida? ", enquanto alguns fazem piadas falando coisas impossíveis outros dizem apenas querer saírem vivos até o final do ano. Mas e eu? Eu não sei! Ser Militar tem sido a minha melhor resposta, servir ao país e ser a linha de frente caso algo aconteça, mas não tenho certeza se é isso mesmo que eu quero, talvez esteja sendo influenciada por querer ajudar as pessoas ou apenas não fui atrás de outras opções.
Estar no último ano do ensino médio é complicado, ainda mais quando você passou um ano e alguns meses sem estudar, apenas aprendendo sobre sobrevivência e como matar zumbis ou pessoas. Infelizmente esses aprendizados não servem de algo nessa sociedade, não sei se gosto ou odeio.
Enquanto ando pela calçada pego meu celular em meu bolso, tenho esperanças de alguma notificação, mas estava totalmente vazio. Dou um suspiro e decido eu mesma ter a iniciativa.
✉
Nini❤
Me: Hey, ta ai?
Me: Vamos conversar hoje!
✉
A mensagem nem mesmo chegou até ele. Provavelmente deve estar dormindo ainda e muito provavelmente nem pra escola ele vai, mas logo deve me responder. Caso contrário...
Durante o caminho para a escola me questiono várias vezes se devia ir mesmo, não estou no clima de pisar lá hoje, plena sexta feira, semana que vem não tem aula porque é férias de meio de ano, qual problema tem em eu faltar hoje? Meu pai decidiu pegar muito pesado comigo nessa questão de escola, ele quer que seja perfeito!
Ao chegar na escola não me importo em olhar na cara e nem falar com alguém, hoje eu realmente não estou no clima para piadinhas, comentários ou perguntas idiotas.
-Jiwoo, já afiou a sua faca hoje?
-O que vai fazer no final do dia, matar alguns zumbis? - Olho para os garotos do outro lado da sala, a professora recém tem entrado na sala, mas ainda não tinha dito nada.
Minha única reação foi mostrar o dedo para eles, o que causou algumas caras de sofrimento forçadas e risadas.
-Quero silêncio! Vou passar a atividades que terão que fazer parar me entregar depois das férias - Senhora Williams fala.
Enquanto a professora explicava e passava as atividades me concentro em outra coisa no meu celular, mexo nele escondido atrás do estojo então a professora não conseguia ver.
-Psiu! - Ignoro o som que vinha da minha direita - Psiu...Psiu! - Dou um suspiro longo e olho para o lado.
-O que você quer?
-Fez a lição de geografia? - Pergunta Olivia.
-Fiz e eu não vou passar!
-Jiwoo!!!
-Senhorita Mackenzie e Senhorita Campbell estou atrapalhando? - Sr. Williams chama nossa atenção fazendo eu olhar para ela.
-D-des-desculpa! - Olivia gagueja fazendo o restante da sala rir.
-O que estavam falando que parecia mais interessantes que a minha aula? - Pergunta e vejo a garota loira suar frio em responder.
-É....
-Ela estava me perguntando se a atividade do dia vinte seis é para deixar no caderno ou entregar em uma folha a parte! - Respondo fazendo a garota soltar todo o ar que parecia estar prezo a um tempo.
-Bem, da próxima vez pergunta para mim, estou aqui para isso! E Olivia é no caderno. - A professora se vira voltando a explicar outra atividade.
-Obrigado!! - Olivia me agradece sorrindo e fazendo um coração com as mãos.
-Não me atrapalhe mais! - Coloco um dos lados do meu fone de ouvido
Olivia Campbell ,a primeira pessoa nessa escola que veio me fazer uma pergunta idiota quando cheguei, isso aconteceu na frente de todo mundo! Desde então eu não tenho paz. Ela é ingênua, boba, sonsa e parece um pontinho rosa ambulante. Eu tento a todo custo fugir dela, mas todas as minhas aulas são com ela. Ela pediu para a professora para sermos dupla no laboratório e isso fez com que a gente quase colocasse fogo em um dos experimentos.
Não sei se ela quer me agradar, ser minha amiga, atenção, mas a todo momento parece que ela me persegue e necessita de que eu fale com ela, ela é irritante. A ignoro para não acabar falando algo que me dê a fama de louca nessa escola, meu nome já anda muito na boca do povo, isso me irrita tanto. Eu só quero ser esquecida e que ninguém note a minha presença, mas tendo essa garota me chamando a cada cinco minutos e sempre de um jeito escandaloso não colabora.
-Hey, Jiwoo! - Paro de andar e dou um suspiro me virando. Olívia vem em minha direção correndo e sorrindo - Fiz o nosso relatório da segunda feira do laboratório, quer ver como está? - Pergunta estendendo uma folha em minha direção.
-Não.
-Não quer mesmo? E se tiver errado ou com alguma coisa de diferente do que deveria?
-Você fez um relatório não é? - Ela assente - Então serve - Estou prestes a me virar, mas ela segura meu braço - O que foi?
-É que... - Faço um gesto com a mão para que ela continuasse falando - Meus pais eles tem um acampamento de férias, lá eles fazem bastantes exercícios, tem luta e essas coisas no meio do Mato - Me entrega um folheto - Sei que você gosta dessas coisas... Seria legal se você se inscrever!
Olho aquele folheto em minhas mãos vendo diversas imagens desse suposto acampamento.
-O que acha, vai querer se inscrever?
-Não, mas é interessante.
-Tem certeza? Sabe ia ser legal alguém da escola lá, vai ter várias pessoas de outros lugares então é uma ótima-
-Olívia, valeu pelo folheto, mas a última coisa que eu vou querer nessas férias é ter que com viver com um bando de adolescentes na puberdade enquanto assamos marshmallows na fogueira. Com toda certeza a primeira pessoa que me irritasse eu iria afogar nesse lago! - Falo apontando para uma das imagens.
-Sabe... Achei que seria uma boa para você poder relaxar com toda essa pressão da escola... Além da sua terapia e-
-O que? - A interrompo - Como você sabe disso? - Ela trava assim que eu pergunto - Como você sabe disso? - Pergunto novamente.
-Então... Meio que está todo mundo...
-Desgraçados! - Me viro começando a andar pelo corredor trombando em algumas pessoas, enfio aquele folheto no bolso e entro no banheiro.
Entro em uma das cabines e me sento sobre a tampa do sanitário. Pego meu celular e digito por número rapidamente, após alguns segundos chamando a ligação é atendida.
-Jiwoo?
-Você contou pra quem? - Falo em coreano para que nenhum ouvido curioso possa entender.
-O que?
-Para quem você falou sobre aquilo?
-... A escola estava de preocupando com seus comportamentos...
-Vovó! Você não tinha o direito de falar, nós concordamos em manter segredo para que coisas não acontecessem, coisas que estão acontecendo!
-Tem alguém implicando com você?
-Isso não vem ao caso, eu pedi para você e para o meu pai ficarem quietos sobre isso, ninguém precisa ficar sabendo sobre as terapias, vocês só querem ferrar mais com tudo não é?
-Queria não era essa a intenção-
-Não importa mais a intenção, agora já era! Pois saibam que eu já estou cansada dessas coisas, não digam que eu não avisei! - Desligo a ligação e coloco o celular sobre meu colo.
Inclino minha cabeça para trás e fico observando o teto, fecho os olhos por alguns segundos tentando manter a calma. Sinto meu celular vibrar já imaginando que seja minha avó mandando alguma mensagem, mas quando vejo a notificação que chegou sinto a felicidade tomar conta do meu corpo.
✉
Nini❤
Nini❤: Oi amor
Nini❤: Aconteceu algo?
Me: Aconteceu.
Me: Preciso de você!
✉
O sinal toca, mas não estou com nenhum pouco de vontade de sair daqui e ir para a sala de aula, passo essa aula inteira no banheiro apenas colocando meus pensamentos no lugar. Desligo meu celular para ignorar as mensagens da minha avó e do meu avô.
Quando saímos da Coreia era óbvio que nossas vidas não voltariam totalmente ao normal, isso tudo de viver em um país cheio de mortos-vivos e presenciar o tanto de coisa que todo nós presenciamos é algo que muda nossas vidas completamente. Mas ainda sim existia a esperança de escapar daquele pesadelo e ter pelo menos a oportunidade de voltar com uma vida "normal", ou pelo menos tentar.
Quando chegamos na embaixada coreana na Austrália tivemos que passar por um processo obrigatório, dizer quem nós éramos e fazer um relato sobre nossa sobrevivência, contar tudo que nos aconteceu! Não foi algo fácil e nem que nós queríamos, demorou dias para que eu começasse a falar com as pessoas que faziam entrevistas, não estava pronta para expor tudo que eu passei e vivi naquele ano, que até então eu não tinha exatamente uma noção exata de quanto tempo tinha se passado. Não só eu como todos, Sunoo teve que ter atendimento médico no primeiro dia por conta do choque, ele não estava preparado para isso, Sung Hoon, Hee Seung, Niki, Jake, Senhor Sim, nenhum de nós estávamos preparados para aquilo, era assustador e ainda não tínhamos percebido que estávamos longe daquele perigo de antes.
Mas nós tivemos que falar, com muita insistência e uma pressão absurda tivemos que contar nossa história, dizer como e o que tivemos que fazer para estarmos vivos, mas assim como eu acredito que eles não tenham dito tudo, ou então talvez nem queriam aceitar a gente. Mesmo depois de contar como sobrevivemos e quem nós perdemos passamos por outro processo, uma enorme lista de exames, passamos por psicólogos e psiquiatras tudo isso para eles darem um laudo de como estava nossa saúde mental e garantir de que não faríamos coisas absurdas. Passamos cerca de um mês em um centro de refugiados da Coreia, não tínhamos sido os únicos a ser resgatas, mas tinham pessoas que estavam lá a meses porém não tinham estabilidade para se manter em sociedade no momento, pessoas que tentavam tirar suas próprias vidas e que tudo aquilo tinham acabado com elas, era assustador.
Depois de saber em que nós estávamos minimamente bem poderíamos sair e começar uma nova vida, mas isso apenas na teoria. Na prática era mais complicado, assim como tinham pessoas a meses lá pois não estavam bem, tinham pessoas prontas para seguir uma nova vida, mas faltava acesso a muitas coisas, como necessidades básicas. Eu tive um privilégio por ter família aqui, mas para meus amigos era mais complicado, estavam em um país estrangeiro sem conhecer ninguém e que muitos deles nem sabiam o idioma, não conseguiam se comunicar e muito menos ter acesso a a casa, emprego, escola ou qualquer outra coisa de início por conta própria. Meu pai os forneceu de tudo que conseguia, sendo de tirar eles dessa base e os arrumar casa até mesmo empregos, assim como eu tinha uma grande oportunidade por ter família aqui e uma vida eu queria dar isso a eles e meu pai forneceu tudo que poderia.
Porém passar por tudo é um grande choque, passar pelo que passamos não é algo que vai ficar para trás de um dia para outro. Memórias, traumas é algo natural e todos sabem disso, por esse motivo todos os refugiados tem por obrigação passar por terapias semanas ou mensais variando de seu estado mental, até que esteja pelo menos mentalmente bem para não ter que continuar com terapias. Mas eu ainda não tive esse luxo e dádiva de me livrar dessas terapias, na verdade ninguém que chegou junto comigo teve essa sorte, eu não sei como anda o estado mental dos outros, pois evitar falar sobre isso é o que nós mais fazemos e gostamos, porém aquilo que eu sei que é sobre a minha terapia eu posso afirmar que não está bem.
Nunca passei pelo momento de fazer uma terapia por mês, toda semana eu tenho que comparecer a psicóloga e falar sobre o que eu estou sentindo e o que anda acontecendo na minha vida. São laudos não desejados, já tive que tomar remédios, fazer exercidos e ter restrições médicas, mas isso nunca saiu do controle, pois nunca saiu lá de casa e das pessoas que convivem comigo no particular, sempre foi combinado não tocar nessa assunto para ninguém! Porém eu pareço ser uma palhaça para todos.
Se possível nós desejaríamos manter toda essa questão de refugiados em segredo, as pessoas não precisavam saber que nós escapamos de lá e que passamos por um tanto de coisa até conseguirmos fugir, mas nós simplesmente não tivemos escolha, porque quando saímos do portão daquele base tinha um tanto de pessoas com cameras e fazendo perguntas pra gente. Todo mundo que assistiu aquele noticiário e guardou os nossos rostos sabem que nós escapamos da Coreia, além das fofocas que dizem que nós somos assassinos, psicopatas, loucos. Pensávamos que nossa vida iria melhorar e voltar a ser normal, mas parece que isso nunca vai acontecer.
Minha avó contou para a direção, pelo jeito eu estava certa, essa escola é especialista em espalhar fofocas!
Quando volto para a sala de aula não me dou o trabalho de ouvir ou fingir estar aprestando atenção, apenas deito minha cabeça na mesa e ali apago. Se passam horas até que ouço a barulheira vindo de todos os lados, conversas, risadas, passos, até que sinto alguém me cutucar.
-Jiwoo! Jiwoo, acorda! - Ando meus olhos piscando algumas vezes para me acostumar com a iluminação - A aula já acabou! - Olívia estava com seu rosto próximo ao meu com olhar curioso, isso era assustador.
-Poderia apenas me chamar, não precisava me assustar assim! - Ela me olha confusa, mas a deixo sem explicação.
Arrumo minhas coisas e coloco a mochila nas costas, saio da sala e a garota vem logo atrás me seguindo.
-Vai na festa do Alex?
-Não.
-Quer ir no cinema?
-Não.
-Shopping?
-Não.
-Hummm... Talvez um fliperama? - Já passamos pelos portões da escola, agora é só seguir o meu caminho e me livrar dela.
-Olivia - Paro de andar me virando em sua direção - Desiste é sério! - Ela abres boca para falar algo, mas uma voz alta chamando pelo meu nome nos faz deixar essa conversa de lado.
-Hey Jiwoo, já tomou seus remédios hoje? - Taylor, um dos garotos mais escortinho dessa escola fala. Desdá primeira vez que eu o vi automaticamente não fui com a cara, e Conforme o tempo percebi que estava certa pela primeira impressão que eu tive, além dele me lembrar alguém...
Se acha o gostosão da escola, fala de tudo e todos, principalmente de mim. Não perde uma oportunidade para tentar tirar uma com a minha cara, mas para seu azar eu sempre ignoro suas provocações, fazendo ele ficar ainda mais irritado, pelo jeito ele gosta de receber atenção.A história da terapia chegou aos seus ouvidos, isso é péssimo... Isso é horrível. Se já não tinha paz antes agora eu não vou mais viver dentro dessas paredes, se ele sabe todos sabem!
Um mimadinho de merda que precisa descobrir qual o seu lugar, já passou da hora de eu dar um jeito nele.
Ele ria junto do seu grupinho de escrotinhos, nem mesmo percebeu quando eu me aproximava deles.
-Hey Taylor, você gosta de atenção né?
-O que?
-Então toma!
Eu juro que nem fiz tanta força assim, mas assim que o meu punho vai de encontro com o nariz do garoto ele perde o equilíbrio e quase cai, isso só não acontece pois os seus amigos que estão em volta o seguram. Não demorou nenhum minuto para sangue começar a escorrer e as pessoas ao redor pararem para olhar.
-Você é louca!!! - Ele grita.
-Sou, então pense um pouco antes de mexer comigo! - Me viro de costas deixando aqueles garotos para trás, algumas pessoas em volta batem palmas e dizem algumas palavras de afirmação, outras julgam e não gostam do que eu fiz, mas eu não ligo.
Me sinto orgulhosa do que fiz estou querendo dar um jeito nesse garoto a um bom tempo e finalmente tive essa oportunidade. Mas a minha alegria some assim que me lembro do meu pai, obviamente isso vai chegar nos ouvidos dele mesmo que não tenha sido dentro da escola.
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Toda a adrenalina percorria pelo meu corpo, meu coração batia disparado. Minha mão aperta do cabo da faca com força, olho para trás vendo eles se aproximar por isso tento acelerar ainda mais os passos. As folhas que meus pés pisavam faziam barulho, mas nada se comparava com aquele que vinha junto dos monstros atrás de mim.
Não aguentaria muito mais tempo, preciso me livrar deles de uma vez por todas ou então posso reprovar. Paro de correr e me encosto em uma das arvores, me concentro em recuperar a respiração, quando os passos estão bem próximos a mim abro meus olhos e os mantenho focados sobre os zumbis a minha frente.
O primeiro a se aproximar eu dou um chute em sua barriga e ele solta um som estranho, levo a faca até a região da sua cabeça, o outro vem logo em seguida colocando a mão em meu ombro, não penso duas vezes antes de pegar em seu braço me abaixar e o puxar para frente, o fazendo cair em minha frente e acabar com aquilo logo. Segundo as minhas contas falta apenas mais um, sinto duas mão agarrarem meus ombros, consigo me soltar e dar de cara com ele.
-CerebrooOoO!!!! - Sua voz falha e ele começa a tossir.
-Isso é patético! - Falo o empurrando contra uma arvore e enviando a faca contra sua cabeça, a faca de plástico esconde sua lamina nada cortante quando é pressionada.
-Jiwoo!!! - O garoto a minha frente grita dramático enquanto se joga no chão - Não sai do personagem!!
-Pra mim não sair do personagem você também não pode sair, cara " CerebrooOoO!!!" - Imito a sua voz - Isso foi patético demais!
Ouvimos passos, as luzes são acesas e aqueles "zumbis" se levantam para ouvir a avaliação.
-Zumbis não falam!
-O meu sim!
-O seu é idiota!
-Crianças - Me viro cruzando os braços em direção ao treinador.
-A atuação dele é uma bosta, de quem foi a ideia de colocar o Jos para ser zumbi?
-Foi minha - O treinador fala me encarando.
-Então reveja! - Ele ri e os outros garotos que faziam zumbis o acompanharam.
-Não vejo graça! Minha atuação não é ruim!
-É péssima!
-Ok crianças, vamos deixar isso de lado, semana que vem eu revejo quem será os novos zumbis - Ele segura sua prancheta - Vamos a avaliação. Jiwoo você melhorou a precisão do seu passo assim como eu falei para melhorar na semana passada, mas foi mais descuidada quando atacava um zumbi, não pode se esquecer que tem outros! - Assinto com seu aviso - Não tenho muito o que acrescentar, mas na próxima aula prática vai ser com mais zumbis e com alguma arma melhor, para ver como você se comporta em uma situação mais tensa.
-Ok!
-Agora façam seus exercícios de finalização e estão livres.
Junto dos garotos saímos do galpão, vamos até o prédio da academia onde tem mais pessoas. Vou até o aparelho de musculação e me posiciono, começo a me exercitar e vejo os meninos me observando e sussurrando algumas coisas, eles se aproximam e eu paro olhando para eles.
-Vai! Fala você!
-Eu não!
-O que vocês querem? - Pego a garrafinha de agua próxima e bebo um pouco.
-Então Jiwoo... - Jos começa - É que...
-Ele queria te convidar para sair! - Antony fala e leva um empurrão de seu amigo.
-Não é bem assim!
-Não! - Falo e seu sorriso some.
-Poxa, não vai dar nenhuma chance para ele? - Cameron passa a mão no ombro de seu amigo o consolando.
-Não.
-Por que?
-Eu namoro - Os três me olham de boca aberta.
-Você o que? - Jos pergunta.
-Eu já disse, eu namoro!
-Impossível - Cruzo os braços olhando para Antony - Q-quer dizer! Você nunca disse.
-Vocês nunca perguntaram.
-Bem... Você disse que a sua aliança era de família, não está apenas mentindo para dar um fora no Jos sem machucar muito?
-É tão difícil assim acreditar que eu namoro? - Os três concordam e eu dou um suspiro. Passo minha mão pelo meu pescoço, tiro o colar que estava escondido em baixo da minha camiseta e mostro a eles - Aqui, ele me deu esse colar. O nome dele é Nishimura Riki, e eu o amo, pois então eu não sairei com ninguém que me pedir para ir a um encontro.
-Ah, tudo bem! - Jos dá um sorriso meio tristonho - Mas podemos sair um dia todos juntos, talvez para comer comida coreana que você gosta, ou talvez você pode trazer ele um dia aqui, temos que conhecer seu namorado para saber se ele te merece de verdade e ameaçar ele caso parta seu coração! - Caio na risada com sua proposta e assinto.
-Um dia trago ele aqui!
Continuo conversando com os meninos enquanto fazíamos nossos exercícios para finalizar o treino de hoje. Quando acabamos nos despedimos em frente ao prédio e cada um segue seu caminho. Já é tarde da noite, as ruas se encontram com poucas pessoas e quase todos os estabelecimentos estão fechados, o vento gelado percorre pelas ruas então visto meu moletom e continuo caminhando a caminho de casa.
Frequento a academia a alguns meses, de inicio comecei a ir pois minha psicóloga recomendou que eu fizesse um exercício para poder distrair a minha mente, ficava muito presa em casa e precisava socializar com mais pessoas. Meu pai me pôs para voltar a praticar boxe, mas quando conheci o lugar e o treinador ele me apresentou um outro treino em especial dele, ele juntou muitos componentes de lutas para ensinar aos seus alunos a sobreviver, principalmente ao apocalipse zumbi. É chamado de paranoico e louco por se preocupar com isso, tem poucos alunos nessa modalidade, mas todos nós gostamos de nos manter prontos, caso isso aconteça.
O vírus não morreu, está vivíssimo, mas muitas pessoas preferem ignorar isso. Existem países assim como a Coreia do Sul que morreram, Coreia do norte foi dominada, mas não temos muitas informações, o sul da China totalmente interditado a muito tempo, e mais outros. Ele é chamado de ZH02, os casos aumentam e diminuem, ainda não é possível entender muito bem como ele funciona totalmente, como exatamente é transmissível e se tem uma possível cura, os cientistas não nos falam nada sobre.
Na Austrália recentemente uma cidade foi totalmente fechada pois tiveram casos e ele se espalhou, é um tremendo mistério como de repente aparece um zumbi no meio da cidade, e então as pessoas tem que ligar para a UPCZ (Unidade de Proteção Contra ZH02). Os países tem lutado para que o vírus não se espalhe entre a sociedade, mas muitas vezes isso acaba resultando em conflitos.
Para ter uma certa noção de como anda a situação dos lugares eu tenho um aplicativo no meu celular, lá acompanho em tempo real noticias sobre o vírus onde surgiu novos casos e alguma noticia sobre estudos científicos, além de alertas se surgir algum caso perto da minha casa.
Faltando alguns quarteirões para chegar em casa entro em um mercadinho ainda aberto, compro um sanduiche pois meu estomago parecia estar com um buraco negro de tanta fome que estou sentindo. Estou passando em frente a uma praça, observo um casal que passa rindo e segurando as mãos, dou um suspiro um pouco nostálgica e sentindo saudades de Niki. Percebo só depois que estava parada alguns minutos olhando para a praça vazia, ou então eu achava isso, mas no meio das arvores vejo um vulto, continuo olhando curiosa e então de trás das arvore sai um homem, pela distancia não vejo seu rosto, mas pelo seu porte de corpo parecia ser um homem. Ele anda devagar entre as arvores, não parece muito bem, penso em o chamar e perguntar, mas ele para e de repente se vira em minha direção.
Dou um passo para trás, ele continua olhando em minha direção parado, isso estava começando a me assustar. Acho melhor ir embora então paro de olhar para ele e acelero meu passo em direção de casa. Entro e largo minha mochila em qualquer canto, passo em frente a porta da sala e vejo meu avô de relance, estou prestes a subir as escadas quando ouço uma voz me chamar.
-Jiwoo, vem na minha sala por favor.
-Merda! - Murmuro e desço aquele único de degrau que subi.
Sigo em diante do corredor, pelo caminho observo um quadro que está na parede, onde está eu, meu pai e minha mãe.
-Mãe, me ajude nessa, por favor! - Passo a mão pelo quadro e bato na porta entre aberta - Sim pai? - Coloco metade do meu corpo para dentro - O que gostaria? - Tento passar a imagem de como se eu não soubesse sobre o que ele vai falar.
-Se senta aqui. - Sua voz era normal, mas sua expressão estava séria e seus braços cruzados, isso só comprovava que ele estava bravo. Me sento a cadeira em frente a sua mesa, ele fica alguns segundos me encarando em silêncio - A escola me ligou.
-Sério? Não sabia que eles reclamavam sobre coisas que aconteciam do lado de fora da escola.
-Jiwoo! Você bateu naquele garoto!
-Não! Eu dei um soco no nariz dele, é diferente de bater! - Meu pai está com o braço apoiado em sua mesa e com seus dedos na testa, parecia refletir sobre isso.
-Eu pedi para você não arrumar confusão.
-E eu pedi para vocês não falarem sobre a terapia, mas pelo jeito ambos os lados não cumpriram com o acordo. Isso só aconteceu por que eles ficaram sabendo.
-Eles estão implicando com você sobre isso?
-Estavam, mas depois daquele soco creio que não testaram mais a sorte.
-Você não pode sair por ai batendo nas pessoas.
-Ah, mas você pode se fazer de cego né? - Pergunto irônica.
-O que?! Jiwoo, isso é jeito de se falar com seu pai?
-Até quando você vai fingir?
-Fingir o que? Do que você está falando?
-Você finge não perceber que a Halley gosta de você!
-O que? Do que está falando?
-Viu? Finge que não sabe, mas até a minha vó percebeu!
- O que eu fiz para merecer isso?! - Ele parece resmungar para algum ser superior - Filha, você anda vendo filmes de romance?
-O que eu ando vendo é uma situação real! Ela gosta de você, não tem como negar! Ela sorri falando de você, leva café mesmo você não pedindo, sempre tenta limpar algo em um ambiente que você está mesmo que não precise ser limpo.
-Por que você anda notando isso?
-Não importa! Você está fingindo não perceber - Consigo ver o nervosismo dele por conta desse assunto - Admite pai, por algum acaso você gosta dela também? - Inclino meu rosto a encarando seriamente.
-Hey! Está tentando me enrolar? Essa conversa não é sobre mim, é sobre o seu comportamento mocinha! - Cruzo os braços e me encosto no acento - Precisa rever suas ações, pensar nas consequências antes de fazer algo, a família do menino poderia te processar!
-Primeiro eu sei que não vão, segundo o fato dele me encher o saco, espalhar mentiras e vir me ofender quase todos os dias ninguém liga, mas só porque eu dei um soquinho na nariz dele é motivo para escândalo! Saudade dos tempos que as coisas eram resolvidas na porrada.
-Ai meu Deus, o que eu fiz para merecer isso??!! - Se pergunta olhando para cima, mas volta a olhar para mim - Está de castigo!
-Estou?
-Está!
-Que castigo exatamente?
-É... - Ele para é fica pensando - Está proibida de sair!
-É sério? - Pergunto desacreditada - Pai, acho que vocês consegue coisa melhor, confio no seu potencial, tenta de novo!
-Está sem celular.
-Mas eu preciso para mexer nas atividades da escola - Ele pare um pouco e pensa novamente.
-Está sem TV!
-Eu nem assisto TV!
-Eu vou pensar em algo! Jiwoo, filha, eu te peço de novo, por favor se comporta.
-Eu vou tentar. Agora vou tomar um banho pois estou só o pó!
Me despeço de meu pai e o deixo sozinho novamente no escritório. Desde que voltei o lugar em que mais encontro meu pai é nesse escritório, ele sempre está preso ai dentro trabalhando e resolvendo algo tirando quando está fora de casa. Ele se esforça para manter tudo no controle e fazer o máximo bosta ser um pai presente mesmo com o trabalho tomando conta dele, sempre tenta ver como eu estou e cuidar um pouco de Saem, os dois são muito apegados um ao outro por mesmo que meu pai saiba que não é seu filho de sangue, mas ele não liga para isso!
Depois da notícia da morte de minha mãe meu pai ficou um pouco mais fechado, quando ia me visitar na base sempre estava com uma cara de abatido é não gostava de tocar no assunto. Meu pai era apaixonado na minha mãe, foi sua primeira namorada e se tornou esposa, ele a perdeu sem conseguir se despedir. Eu falei quem tinha feito aquilo com ela, mas ele não conseguiu achar nada sobre o sargento Stones, isso é algo que achei extremamente estranho.
Ele não é mais o mesmo me preocupo com ele e tento trazer um pouco daquela nossa antiga vida, mas é difícil para mim é para ele. Não sei se se única que tem sentimentos aqui são Halley, para falar a verdade não consigo entender muito bem os sentimentos do meu pai, mas acho que sereia uma boa oportunidade para ele ter alguém. Talvez tentar conhecer alguém novo possa o distrair, o ajudar com todos o problemas que tem passsando e compartilhar isso com alguém. Me preocupo com meu pai, apenas quero o bem dele.
Vou direto para o banheiro, tiro o elástico que amarrava meu cabelo, as mechas longas caem por cima do meu ombro. Fico um pouco pensativa enquanto me olho no espelho, as vezes quando estou em um momento mais sensível prefeito me manter longe do espelho, pois minha semelhança com a minha mãe ainda é muito grande é parece que com o passar do tempo eu pareço ainda mais. Tenho sim algumas diferenças, as sardas, cor do cabelo e olhos, mas de resto posso até dizer que éramos idênticas. Formato dos olhos, do rosto, o corpo eu literalmente puxei tudo de sua genética pegando poucas características do meu pai.
Ter essa semelhança é um certo gatilho para mim, sentir falta dela é algo que eu sinto todos os dias, então me deparar com uma imagem parecida com a dela no espelho é bem complicado, isso é algo que minha psicóloga tem tentado me ajudar. Depois de um ano meu cabelo está grande novamente, me faz lembrar de como ela amava fazer algum penteado nele enquanto eu jogava alguma coisa junto com o meu pai.
Tudo me lembra ela, é difícil apenas seguir em frente.
Após um banho quente e vestir um pijama qualquer estou andando pelo corredor, mas paro em frente ao quarto de Saem aonde vejo o pequeno sentado no tapete enquanto batia um carrinho no outro.
-Por que você ainda está acordado?! - Pergunto tendo uma alteração na voz ao falar com ele. Assim que me vê abre um sorriso e abre os braços.
-Não importa o que eu faça, ele não dorme de jeito nenhum! - Halley fala dando um suspiro. Claramente está cansada, ainda mais porque imagino que tenha cuidado dele o dia todo.
-Vou ficar um pouco com ele - Pelo o segurando - Vou gastar um pouco da energia desse pirralinho para ver se ele dorme - Faço um pouco de cosquinha em sua barriga e ele esconde seu rosto em meu pescoço.
-Vou aproveitar para tomar um banho, se precisar de algo me chama! - Assinto e saio do quarto.
Carrego saem pela casa enquanto dou alguns pulinhos que o faz rir, passo pela sala de jantar e abro a porta que dá para o quintal, assim que saímos somos surpreendidos pela enorme bola de pelo vir nos recepcionar.
-Brutus!! - Falo animada e o grande pastor alemão Fica em pé se apoiando em mim, tentando nos lamber - Hey!
Vou junto com Saem para a grama, coloco saem ao lado de Brutus que de deita no chão para receber carinho. Meu pequeno que agora está quase andando totalmente fica em pé e se deita por cima do cachorro, ambos são muito companheiros um do outro quando tem contato, meus bebês.
Ganhei Brutus três meses depois de chegar, foi recomendado eu ter um bixinho de estimação para me fazer companhia e me distrair, minha psicóloga só não esperava que eu fosse ganhar um cachorro gigante e que eu ensino como atar supostos "zumbis". Mas ainda sendo grande e muitos pensam que tem comportamentos agressivos ele é um bebê, totalmente bobão e só quer saber de brincar o dia todo.
Brinco um pouco com os dois, mas consigo distrair ambos com brinquedos e pego meu celular, Niki está online então decido tentar ligar para poder conversar com ele. Chama por alguns segundos, mas não demora muito para ele atender.
-Oi amor, como você tá? - Pergunta imediatamente que a ligação é atendida. Na tela do celular consigo ver a perfeita imagem do rosto se Niki, ele está sentado em uma cadeira é em frente ao computador, identifico o lugar que ele está como seu quarto assim como vi em algumas chamadas que fizemos.
-Bem, como estão as coisas ai? Nem conseguimos nos falar direiro.
-Estão corridas, a academia de dança da minha família está participando de um concurso, estava focando totalmente nisso.
-Certeza? - Niki não olhava exatamente para mim na chamada, mas assim que pergunto ele me olha desconfiado.
-O que foi Ji? Você tá estranha.
-É... - Penso em descontar tudo aquilo que estava na minha cabeça de uma vez só, mas me seguro quando olho para ele de novo - Apenas estou com saudade.
-Também estou com saudade sua, gostaria que estivéssemos mais perto.
-Agora eu to de férias, quem sabe você poderia vir ou eu-
-Desculpa, mas é que eu tô cheio de coisa pra fazer, a competição é daqui a um mês então é impossível que a gente possa se ver!
-É... Ta bom, mas- Paro de falar assim que ouço uma porta do outro lado da chamada sendo aberta. Niki imediatamente olha e em direção é abre um sorriso.
Ouço uma voz feminina falar alguma coisa no idioma não conhecido por mim, Niki responde animado é parece que ignorou o fato de eu ainda estar na chamada. Sinto uma pontada com toda aquela situação, começo a ficar nervosa em estar apenas existindo enquanto Niki e essa garota não identificada conversam animados.
-Riki, quem-
-Desculpa Ji, mas eu vou ter que fazer uma coisa, nos falamos depois.
Ele desligou...
-ESSE DESGRAÇADO! - Saem me olha assustado - Eu vou matar esse garoto!
Não demora muito para Halley vir buscar o pequeno para por para dormir, eu me despeço de Brutus e vou direto para o quarto. Pulo em cima da cama e abraço o travesseiro.
-Ahhhh!!!! - Grito tentando como ar toda aquela raiva para fora.
-Querida? - Olho para trás vendo o meu avô na porta do quarto - Você tá bem?
-Eu vou matar o Nishimura!
É isso, esse garoto Fica sem falar comigo, não dá sinal de vida, quando nos falamos nem a presta atenção direito e simplesmente me abandona na chamada conversando com outra pessoa. Eu vou tomar uma decisão, eu preciso fazer algo.
✉
Nini❤
Me: eu quero terminar.
Nini❤: Terminar meu rabo,
para de fogo.
Nini❤: Vai dormir que amanhã é outro dia!
✉
EU ODEIO NISHIMURA RIKI!
✧❅✦❅✧
Daqui a pouco a minha vó vem até o meu quarto me dar um remédio pra dormir, pois simplesmente graças a aquela praga eu não consigo fechar os olhos por mais de dez minutos! Logo eu caio na sala de jantar, pois o quão forte eu tô pisando esses chão é de se preocupar.
Entre cochilos, surtos e pensamentos desesperados eu chego a uma conclusão. Eu vou acabar com a cara dele! Eu vou! E para isso eu preciso estar perto dele, então eu vou atrás dele.
Em pouco tempo a minha mochila já estava pronta, documentos preparados e e eu vê vesti para poder ir. Mas acontece é que até eu chegar a essa conclusão demorou bastante, o sol já nasceu e os meu pai e meus avós provavelmente também..
Abro a porta do meu quarto tentando fazer o mínimo de barulho possível, meus passos são devagar e cautelosos, desço as escadas observando para ver se tinha sinal de alguém acordado. Estou pestes a passar em frente a porta da sala quando sou surpreendida.
-Ah! - Sou alguns passos pra trás. Meu avô me olha com uma da suas sobrancelhas arqueadas, ele me analisa dos pés a cabeça.
-Vai para onde? - Pergunta e cruzando os braços.
-Eu... - Tento pensar em algo rápido - Vou na padaria! - Acho que respondi um pouco desesperada demais!
-Na padaria? - Assinto - Jiwoo, são seis horas da amanhã, o que você está fazendo acordada esse horário? - Estou prestes a responder, mas ele continua falando - E nem venha falar que vai na padaria, eu sei que está mentindo! - Dou um suspiro longo. Tento pensar em alguma da culpa relevante, mas é difícil de mentir para o meu avô. Acho que consigo mentir para todos, menos para ele.
-Bem... Você promete não contar para o meu pai?
-Depende do que for. Você pretende sair do país?
-Como você sabe? - Pergunto assustada.
-Você está segurando seu passaporte- Reviro os olhos por parecer patética, guardo o documento no meu bolso - Pretende ver o garoto?
-Sim, vou acabar com tudo!
-Vai terminar com ele? - Pergunta assustado - Tem certeza? Querida, não quero te chatear, mas é meio difícil encontrar alguém que tenha paciência com você igual ele teve e tem.
-Eu sei! Mas é que-
-Você tem certeza disso?
-Não... - Dou um suspiro - Mas é que ta tudo estranho!
-Vocês estão longe um do outro, é normal ficarem sem se falar direito.
-Ontem eu conversei com ele e ele tava muito estranho, e deu atenção para outra garota!
-Ele não é louco de te-
-Eu sei! Ele sabe pq que eu mataria ele se caso ele fizesse algo, mas eu tô com saudade... Tenho medo dele não gostar mais de mim! - Meu avô se aproxima a me abraça.
-Tenho certeza que ele gosta de você, talvez vocês só precisam parar um pouco para conversar, quando ele tiver um tempinho tenho certeza que vai vir correndo te ver - Ele acaricia o meu rosto - Mas se você quiser mesmo ir lá eu posso te encobertar por um tempinho, mas não prometo que será o suficiente para entrar no avião sem seu pai aparecer.
-Sério?! Obrigado vovô! - Pulo dando mais um abraço nele - Obrigado mesmo!
-Só não bate em ninguém e nem déjà deportada!
-Eu vou tentar. - Estou indo em direção a porta, mas ouço uma voz md chamar e me faz parar de andar imediatamente.
-Jiwoo! - Me viro cruzando os braços, olho para o Fundo do corredor e ali vejo parado o meu pai, com os braços cruzados me olhando sério - Então está planejando ir pro Japão!
-Ouvir a conversa dos outros é falta de educação! - Provoco.
-Você não vai!
-Pai!!!
-Você está de castigo lembra? Não sabia o que proibir, mas agora sei, você está proibida de sair da Austrália, pode jogar fora seus planos de ir ver o Riki.
-Mas pai, isso é injusto!
-Injusto? Você seu um soco no nariz de um garoto.
-Você fala como se nunca tivesse feito isso!
-Como é? - Ouvimos meu avô rir ao nosso lado.
-Vocês são iguais!
-Vovô me contou que você bateu em um garoto quando tinha a minha idade, então meio que não pode julgar muito o que eu fiz, pois fez pior.
-Isso não é sobre mim! É sobre você! Seu comportamento foi errado é você não pode sair impune disso. Te proíbo de ir ver seu namoradinho nessas férias.
-Mas-
-Não tem "mas", dei minha palvra final.
Acabou, meu pai seu a palavra final então não tem mais como questionar. Não vou ver Niki e não vamos nos resolver, essas férias vão ser uma merda.
-Tá entendido? - Ele pergunta e eu suspiro e dou um sorriso forçado.
-Claro, papai!
Nossa atenção é direcionada até a porta assim que o som da campainha ecoa por todo o ambiente.
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E É COM MUITA HONRA QUE RED SUN VOLTOU!!!!
ESTAVA MORRENDO DE SAUDADES DESSA HISTÓRIA, ESSE CASAL E DE VOCÊS AQUI ACOMPANHANDO.
Agradeço a todos que esperaram e que estão aqui acompanhando agora, vocês tem muito meu coração, obrigado por me apoiarem e por gostarem tanto dessa história, vocês fazem meus dias melhores.
Serão um capítulo por semana, mas se caso me bater uma alegria e se vocês apoiarem demais eu posso acabar postando um extra as vezes, mas não é sempre!
Hoje vou postar dois capítulos de especial para vocês. Muito obrigado mesmo, até a próxima! ❤
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