
Covarde
Mesmo com os raios de sol anunciando a nova manhã, todos pareciam ainda mais sonolentos e cansados, o único que conseguiu permanecer acordado foi o Lee mais velho. Ele continuava em alerta, atento a qualquer mínimo movimento do Jung e Huening. Seungmin estava em um ponto afastado do resto do grupo, deitado de costas para eles, ele foi o último a conseguir dormir. Felix e Hyunjin estavam um pouco próximos de Minho, dormindo profundamente frente a frente com as mãos dadas, foram os primeiros a dormir. O Lee mais novo estava mais do que esgotado por causa do episódio na estrada.
No início, o Han teimou que ficaria acordado junto com Lee, pareceu verdadeiramente empenhado, mas o empenho não durou muito tempo. Ele adormeceu diversas vezes e Minho não fez questão de acordá-lo. Quando acordava de súbito, fingia que não tinha adormecido, só para adormecer novamente poucos minutos depois. E outra coisa, quando Han estava acordado, não conseguia ficar parado por muito tempo ou quieto, como se quisesse mostrar a sua presença para que Minho não se sentisse "sozinho".
Tinha uma conversa em específico que teve com Jisung que martelou em sua cabeça durante todo o restante da noite até a manhã seguinte.
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— Você disse que me explicaria depois o motivo do seu medo, lembra? — Minho aproveitou um dos momentos acordados do Han — Acontece que você ainda não me explicou.
— Ah… — Jisung ficou com os lábios entreabertos e uma expressão pensativa, como se estivesse ponderando bem antes de responder — Não tinha só um motivo. Eu desconfiava seriamente de Bang Chan, ainda desconfio, na verdade, ainda mais com esse desaparecimento. Então eu estava um pouco hesitante e com medo por causa do plano, só vocês três dentro da Sede e com Bang Chan… Não me parecia nada racional… — Han fazia grandes pausas, tentando organizar bem o que estava tentando dizer — Eu estava com medo de tudo dar errado…
Tudo ficou silencioso quando Jisung cessou suas palavras, mas parecia que ele ainda queria falar alguma coisa, Minho então continuou sem expressar uma palavra sequer. O momento se prolongou por tanto tempo que Lee imaginou que Han tivesse adormecido mais uma vez.
— Eu sou um extremo covarde, sempre penso que quero proteger quem está ao meu redor, mas quando realmente posso proteger alguém, eu penso somente em mim mesmo. Quando estou com medo de algo, com receio ou confuso, eu tendo a ignorar esse problema, como se isso fosse o afastar de mim. — Jisung finalmente falou após um período de tempo que pareceram com longas e enfadonhas horas — Sempre fui assim, mas achei que tinha mudado com os últimos acontecimentos.
Achou que tinha mudado isso após enfrentar tantas coisas. Enfrentou seu medo para que sobrevivesse, mas aquilo quase levou Minho à morte. Sem que percebesse, enfrentou seu pai ao contar sua visão sobre os Yxenianos, e isso também quase o levou ao seu leito final. Era como se sempre que ele tentava ser forte e corajoso, tudo dava errado e alguém se machucava.
— Jisung, você não é um covarde, está longe de ser, — Minho por fim pôde dizer — eu já falei isso antes para você, lembra? — Han assentiu levemente, o movimento sendo parcialmente captado pelo Lee na escuridão — Você ajudou meu irmão e o protegeu, assumiu o lugar que eu normalmente assumo. Ignorar seus problemas o faz um covarde? Todos já ignoraram algum problema e não acho que isso é sinal de covardia, Jisung. Você é o que menos deve ser tachado de covarde aqui, passou por muitas coisas e mesmo assim continuou firme. Mesmo que chorasse, suas convicções continuavam fortes. Mesmo que ficasse confuso, no final você sempre mantinha a sua decisão inicial. Você encarou muitos problemas para estar aqui.
— Sempre que algo assim acontece, você sempre tenta me consolar. — Han deu uma pequena risada leve e contida, evitando acordar os adormecidos — Eu sou realmente grato por isso. É até estranho pensar que nosso primeiro encontro se resumiu a ameaças.
Quem riu agora foi Minho. Era esquisito lembrar de como tudo era no início, quando não tinham tantas ameaças batendo em todas as portas. Os problemas se alavancaram cada vez mais até chegarem onde estão, os relacionamentos também tiveram uma drástica mudança. Antes eles sabiam que sofriam constantes riscos mortais, mas só começaram a realmente temer isso quando a primeira morte aconteceu, dando um enorme choque de realidade no grupo. Passar por acontecimentos de quase morte, por incrível que pareça, fortalecia e mudava os laços afetivos.
— Eu fiquei muito aliviado quando vocês voltaram. — Jisung pousou sua mão em cima da de Minho — Estava com muito medo de não poder vê-lo de novo.
— Sung, eu não sou facilmente derrotado, sempre volto de todas as batalhas, não duvide disso.
— Eu sei, mas é impossível controlar esse medo. — Jisung desviou seu olhar para o Lee mais novo, lembrando da conversa que tiveram sobre Minho, não deixando de se sentir envergonhado — Felix também estava preocupado, mas ele deu o seu melhor.
— Ele estava preocupado comigo ou com esse Poste de Peruca? — Minho olhou para as mãos entrelaçadas do Hwang com seu irmão.
— Não seja assim! Estamos em uma situação que merecemos um pouco de felicidade, não acha? — Han deu um tapinha no braço do mais velho ao perceber a careta que ele fez olhando para Hyunjin — Seu irmão é um adulto, pare de ser assim.
— Eu sei que ele é um adulto! Não me importa se ele fica com alguém ou deixa de ficar. Mas logo o Hwang? Por quê?
— Ora, Hyunjin é inteligente, talentoso, charmoso e sabe como encantar alguém. Não me assusta seu irmão ter gostado dele. Muitas pessoas caiam aos seus pés.
Jisung lembrou das vezes em que conversou com Hyunjin antes de chegarem a virar parceiros de grupo. Mentalidades completamente diferentes. Os dois tinham admiradores amorosos, mas Hyunjin era particularmente popular entre famílias dentro do exército. Enquanto Jisung era popular nas famílias dentro da política e comércio.
— Você conhece bem o Hwang?
— Quase todo mês ele aparecia do nada em casa. Sem contar que é bem comum que meu pai seja próximo do governador e, consequentemente, ficou próximo do general também. — Jisung lembrou — Hyunjin era insuportável na adolescência, mas com o tempo ele mudou. Talvez o tempo que passou dentro do exército tenha feito ele amadurecer. Mas digamos que muitas pessoas aguentavam ele somente para ficar perto por causa do seu status.
— Você era uma dessas pessoas?
— Quando eu era adolescente não me importava nem um pouco com Hyunjin, quando ficamos adultos que tive que começar a me importar um pouco, já que ele era um capitão e uma promessa dentro do exército. Ele vivia de olho no que eu fazia, talvez ele tivesse medo de que eu fizesse alguma coisa… Explosiva.
— Explosiva? — Minho perguntou curioso.
— Quase todas as semanas algum protótipo novo que eu fazia… explodia. Em todas essas vezes, Hyunjin ia encher meu saco dizendo que era perigoso, que colocava a minha segurança e a dos meus vizinhos em risco, coisas do tipo. Acho que ele tinha medo que eu levasse uma dessas coisas para os jantares na casa do governador. Mas as explosões nem eram grande coisa, na verdade, só o barulho era alto, como aquelas bombinhas barulhentas que são bem chatas, e eu usava as devidas proteções. Eu sabia o que estava fazendo!
Jisung falava em ritmo rápido, e por causa do sono algumas coisas pareciam confusas e difíceis de entender.
— Jisung, acho melhor você voltar a dormir.
— Eu quero ficar acordado! — ele reclamou, fazendo um som estranho de desaprovação.
Mesmo dizendo isso, com a quietude vinda do Lee e o silêncio que preencheu o ambiente, Jisung acabou por ficar cada vez mais sonolento. Minho sabia bem que ele finalmente tinha dormido ao sentir um peso no lado direito do seu corpo, indicando que Han estava o usando como um enorme urso de pelúcia para dormir agarrado.
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Com o tempo, todos começaram a despertar de seus respectivos sonos, estavam tão cansados que sequer tiveram sonhos. Felix foi o primeiro, se deparando com a cena que quase o fez vibrar de felicidade, Jisung dormindo segurando-se firmemente ao braço de Minho e seu rosto praticamente enterrado na curvatura de seu pescoço. Minho parecia mover sequer um fio de cabelo, olhando fixamente para um ponto qualquer à sua frente. Quando Hyunjin acordou e se deparou com a mesma cena, segurou-se para não zombar da expressão do Lee mais velho. Quando saiu somente um som de risada do Hwang, ele recebeu um olhar estressado que o deixou com receio de rir mais uma vez.
Por consequência de dormir tão tarde, Jisung foi o último a acordar. Felix e Hyunjin queriam acordá-lo antes, pois precisavam discutir sobre HueningKai e Wooyoung, mas Minho preferiu deixá-lo descansar. Mesmo que eles tivessem decidido descansar antes de voltar ao campo de batalha, precisavam sair urgentemente de Lyfis. Eles estavam em lugar afastado de onde os moradores residiam, mas isso não era garantia que estavam a salvo. Todo o tiroteio e caos que teve na noite do confronto foi algo que alarmou os locais.
— Eu e Minho podemos conversar com Wooyoung, — Hyunjin sugeriu enquanto Jisung se despertava aos poucos — Felix e Jisung podem conversar com Huening.
— Acho que Wooyoung não vai gostar muito, talvez fique bem assustado — Han respondeu se espreguiçando ao lado do Lee mais velho.
— Eu gosto da ideia do Hwang, — Minho respondeu por fim, recebendo um olhar incrédulo de Jisung — eu posso bater nele se tirar a minha paciência, mas não posso fazer isso com o Huening.
Os quatro que ouviram a conversa encararam Minho com um rosto neutro de emoções, não sabiam o porquê imaginaram que o Lee pensaria em outra coisa que não fosse bater em alguém.
— Isso é bem típico de você — Seungmin finalmente disse alguma coisa, sua voz saia um pouco arrastada e rouca.
— Nem pense em bater nele de novo! — Jisung proferiu com um tom mandão — Kai já está assustado e você quer encher o melhor amigo dele de porrada? Isso não vai ajudar.
— Mas o medo pode funcionar. — Felix sugeriu — Agora ele deve ser um pouco mais cauteloso na presença de Minho, com medo de estressar ele novamente.
Han bufou alto ao perceber que estavam contra ele.
— Só não deixem Wooyoung machucado, isso vai afetar a nossa situação com Kai mais do que já foi afetada.
Após garantir e prometer várias vezes para Jisung que se controlaria, Hyunjin e Minho se dirigiram para o Jung que já estava acordado, Hwang o ajudou a se levantar e o levou para fora enquanto Wooyoung perguntava várias vezes o que iriam fazer. HueningKai observou a situação aflito, pedindo para que não o machucasse, mas foi acalmado pelo Han, que o garantiu que só iriam conversar.
— É o seguinte, Wooyoung, só vamos conversar, ter uma conversa muito agradável, — Minho dizia enquanto seguia na frente, com Hyunjin o seguindo segurando Wooyoung — mas claro que irá depender da sua colaboração.
— Só iremos fazer algumas poucas perguntas — Hyunjin disse sendo mais amigável que o Lee.
— Quais são essas perguntas?
Dêem views no mv de The Sound! Está maravilhoso... Juro.
Sobre Bang Chan, daqui há dois ou três capítulos vocês saberão da situação desse menino, se bateu as botas ou tá vivo.
Era para ter sido postado ontem, mas quando fui ler e revisar, achei que tava uma merda então tive que reescrever boa parte do capítulo :)
Achei um jeito de me organizar bonitinho, fazendo um cronograma semanal de escrita, assim, enquanto escrevo Rebellion, posso usar dois dias separados da semana para preparar alguma outra fic no off e outros dois dias para escrever as que já estão publicadas! É muito melhor quando você se organiza akakakak
E já disse antes e repito, aproveitem enquanto podem, porque os meus planos para isso aqui é que só decaia.
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